5ª Etapa – ANDRADAS/MG à OURO FINO/MG – 43 quilômetros

5ª Etapa – ANDRADAS/MG à OURO FINO/MG – 43 quilômetros

“Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.” (Salmo 91, Versículo 8, da Bíblia Sagrada).

 

Eu estava alojado num quarto silencioso e bem aquecido, o de nº 401, o mesmo que utilizara no ano anterior, de forma que meu sono foi profícuo e extremamente reparador.

Assim, lépido e bem disposto, às 4 horas já estava em pé, me preparando para a difícil jornada do dia.

Lembrei-me de que Machado de Assis escrevera em Memórias Póstumas de Brás Cubas: “Dormir é um modo interino de morrer”.

Pode ter razão o mestre da literatura brasileira, mas eu podia sentir o milagre produzido em meu organismo por 8 horas dormidas sem interrupções.

Assim, me sentia disposto como nunca e, como nas jornadas anteriores, caminharia com muita vontade e abnegação.


Deixando o Palace Hotel, rumo à Ouro Fino

Como o café da manhã somente seria servido após as 6 horas, utilizei alimentos adquiridos no dia anterior como repasto e, às 5 h 15 min eu deixei o local de pernoite, seguindo rumo da rodoviária local.

Esse primeiro trecho urbano está muito bem sinalizado, de forma que, depois de 2 quilômetros caminhados sob intensa iluminação urbana, cheguei ao trevo de acesso à rodovia MG-455.

Após transpô-la, adentrei numa larga estrada de terra e segui em frente, portando minha lanterna de mão, que me permitia transitar sem problemas.

Mais um quilômetro vencido, e depois de ultrapassar uma ponte, eu girei à direita e logo passava diante da Granja União, quando o dia já estava amanhecendo.



Mais dois quilômetros vencidos, num cruzamento empoeirado, sob o céu pálido e a luz diáfana da manhã que lentamente despertava, fiz uma pausa para hidratação e descanso.



O trajeto seguinte, sempre em lenta ascensão, me levou, depois de mais 7 quilômetros percorridos, ao sopé da temida Serra dos Limas, que atualmente se encontra asfaltada.

Porém, antes de colocar meus pés em piso asfáltico, fiz uma pausa para fotografar uma plaquinha pendurada numa haste de bambu, fincada junto a uma pequena árvore, cujo teor dizia:

 


“Sou uma das Oliveiras do Caminho.

Um pouco de sua água me fará feliz.

Ajude também a remover o mato ao meu redor.

Revolva minha terra. Promova meu bem estar.

Diante de mim faça uma prece. Reflita no caminhar.

Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar.”

 

Cartaz pregado junto a um pé de oliveira, plantado no início da Serra dos Lima, próximo de Andradas/MG

Achei tal iniciativa muitíssimo apropriada e digna de elogios, já que, posteriormente, nas etapas subsequentes, tive a oportunidade de visualizar outros inúmeros pés da mesma espécie arbórea, plantados à beira do caminho.

Na sequência, principiei a “escalar” a íngreme e árdua serra, seguindo a passos lentos, mas firmes, em direção ao seu cume.

Em determinado trecho, do lado direito, na beira de um ramal ascendente, existe uma igrejinha dedicada à Nossa Senhora de Lourdes, onde há um banco e uma pia com água à disposição dos peregrinos.

Fiz ali uma providencial pausa para hidratação e ingestão de uma banana.



O ar matinal ainda estava bastante agradável, sem a baixa umidade e o calor que tornariam o meio-dia uma experiência penosa.

Um senhor chegou logo depois, me cumprimentou, e aguardou um veículo que o conduziria ao trabalho.

Enquanto este não surgia, pusemos-nos a conversar.

Em determinado momento, notando minha solidão, perquiriu-me se eu estava sozinho no Caminho.

Respondi que sim, mas, disse-lhe, em termos.

Curioso, indagou-me a razão de tal réplica.

Então, lhe expliquei: fisicamente prossigo escoteiro, no entanto, estou muito bem acompanhado.

Ato contínuo e com o dedo indicador, apontei um “boton” de Nossa Senhora Aparecida que levava incrustado na parte superior de meu boné.

Ele sorriu, aquiescendo, depois pediu que me lembrasse dele quando chegasse diante da Santa.

Então, trocamos um aperto de mão e cada um seguiu o seu caminho.

Efetivamente, o contato com essas pessoas humildes me enriqueceu muito durante a caminhada, porque o trato com elas é sempre puro e honesto, nada de artificial ou rodeios, apenas a simplicidade que a sociedade matou em nós.

São por essas experiências e inúmeras outras razões, que considero o Caminho da Fé um roteiro extremamente bem aventurado.



Prosseguindo, e a duras penas, aportei ao topo do morro, depois de 13 quilômetros vencidos e, diante da igrejinha existente próximo de um aglomerado de casas, fiz outra providencial pausa para a retirada de meu blusão, pois o calor já se fazia presente.



Bem hidratado, prossegui em frente e logo passava diante da Pousada de Dona Natalina, num trecho do caminho onde verdes campos e grandes cafezais se alternam ao longo do percurso.

Depois, segui ainda em franca ascendência, até ultrapassar a marca de 1.300 metros de altitude, num local onde eu já avistava abaixo, fincado num vale, um minúsculo povoado, para onde eu me dirigia.

Então, caminhei um tanto pelo topo da montanha e logo principiei a descender em grau violento, sempre com muito cuidado e atenção, pois uma queda ali seria fatal.

E, depois de 21 quilômetros percorridos, cheguei à Barra, quando meu relógio marcava 9 h 15 min.

 

Distrito de Barra, localizado na divisa dos municípios de Andradas e Ouro Fino/MG

Num bar localizado na entrada da povoação, fiz uma breve pausa para adquirir água e uma barra de chocolate, depois segui adiante, vez que a minúscula vila se encontra deserta e, embora fosse um sábado, para os moradores locais era um dia normal de trabalho.

Logo na saída, precisei sobrelevar outro duríssimo morro que, embora possua menor altimetria que a Serra dos Limas, necessitou de esforço hercúleo para ser vencido, em face do horário e do cansaço acumulado na jornada.



No meio da escalada, fiz uma pausa junto à cachoeira da Barra, um lugar agradável, sombreado, e que oferece água potável e fresca aos caminhantes.



Depois, segui adiante, e quando atingi o cume final da elevação, passei a caminhar num local plano, que me proporcionava uma vista ampla pelo lado direito, inclusive, pude avistar ao longe, abaixo, o povoado de São José do Mato Dentro.



Já em franco descenso, passei pelo distrito de Taguá, prossegui por uma estrada poeirenta e movimentada e, às 12 h 15 min, aportava ao distrito de Crisólia, mais especificamente, no bar da Zeti, uma pessoa alegre e comprometida com o Caminho da Fé, desde sua inauguração.

Eu estava bastante desgastado e o acolhimento ao peregrino naquele local é de sentir saudades, pois ela me proveu de água e outros itens que pedi, tendo até me sugerido deitar numa sofá existente nos fundos do estabelecimento, para me recuperar.

No entanto, depois de beber 2 garrafas de água e ingerir um chocolate que, gentilmente, sua atendente fez questão de buscar num supermercado próximo, já se sentia refeito e animado.


Com a simpaticíssima Zeti, no  seu bar, em Crisólia/MG

Ao assinar seu Livro de Visitas, curioso, verifiquei o número do registro que eu havia aposto na passagem por aquele local, em 19/09/2012 e, satisfeito fiquei, ao constatar que, em relação à numeração que apunha naquele dia, 19/08/2013, haviam passado por aquele local quase 1.600 peregrinos.

Isto, sem levar em conta, que muitos caminhantes e ciclistas não fazem o “cotovelo” para registrar sua presença naquele estabelecimento, simplesmente seguem direto pela rua paralela em direção à Ouro Fino.

Por esta consulta ao livro, vê-se que o Caminho da Fé está cada vez mais frequentado, pois a todo momento surgem peregrinos que pela primeira vez estão percorrendo esse roteiro, uma prova insofismável de que ele prossegue cada dia mais forte e divulgado.

Por sinal, quando lhe inquiri sobre os peregrinos de Jacutinga/MG, que estariam um dia a minha frente, ela me contou que eles haviam passado no dia anterior por seu estabelecimento, seguindo depois até Ouro Fino.

Ou seja, naquele dia eles iriam pernoitar em Borda da Mata, de forma que eu prosseguiria solitário em meu périplo.



Bem, após fotos e despedidas fraternas, parti para vencer a parte final de minha etapa do dia, mesmo sendo debaixo de uma forte canícula, que deixava o panorama estático e silencioso.

O trecho derradeiro, de 7 quilômetros, foi sobrepujado em bom ritmo e, embora em sua maior parte feito em perene ascendência, eu segui animado para vencer mais um grande desafio, visto que essa “travessia” Andradas/Ouro Fino é complicada pelas bruscas variações altimétricas que acontecem ao longo da jornada.



E, antes de aportar à cidade, ainda pude fazer uma foto diante da enorme escultura que representa o “Menino da Porteira”.

Em Ouro Fino, fiquei novamente hospedado no Hotel Caiçara que, infelizmente, deixa muito a desejar em termos de acomodações e atendimento, pois não facilita em nada a vida do peregrino.

Primeiramente, me cobrou preço acima da tabela estampada no site do Caminho.

Quando reclamei ao proprietário, ele alegou que era um sábado, dia em que pode pedir o quanto quiser por suas dependências.

Depois, quando lhe disse que sairia cedo no dia seguinte, e tentei “negociar” um copo de café para ser ingerido antes da partida, ou então, que descontasse o café da manhã de minha diária, ele simplesmente me mostrou o quadro de horários do hotel, dizendo que ali não havia exceção.

Ou seja, não pretendo pernoitar nesse estabelecimento em outra oportunidade, nem o recomendo aos meus confrades, pois creio que devem existir opções melhores na cidade, como a Pousada Brasil Colonial, por exemplo, da qual obtive excelentes referências.

Por sorte, apesar do horário avançado, ainda consegui almoçar, e o fiz no Restaurante Biba’s onde, por inacreditáveis R$11,00, pude comer à vontade e, até repetir o prato.

 

No ano de 1746, os bandeirantes aportaram na região do Vale do Sapucaí, que compreende atualmente o sul de Minas Gerais e o leste de São Paulo, em busca de ouro, pois as jazidas supunham-se abundantes.

Um destes bandeirantes, o sertanista Ângelo Batista, natural de Pindamonhangaba (SP), descobriu ouro nos ribeirões de Ouro Fino, Santa Isabel e São Paulo. Começa uma disputa entre as capitanias de Minas e São Paulo pela posse da região.

O Guarda-Mor (nome dado ao responsável pela região) regente do Sapucaí, Francisco Martins Lustosa, português de origem, fundou o arraial de Ouro Fino e edificou a capela de São Francisco de Paula, que acabaria por ser elevada a paróquia, em 8 de março de 1749, por iniciativa do governador do Bispado de São Paulo, D. Luís de Mascarenhas, ao qual estava vinculada a região no período e que dava todo o apoio ao Guarda-Mor no sentido de garantir a posse para a Capitania de São Paulo.

Porém, os limites entre as capitanias de Minas Gerais e São Paulo não estavam bem definidos. Em setembro daquele mesmo ano, a então novíssima Ouro Fino já passara a pertencer ao território mineiro, por ordem do rei de Portugal , D. João V, atendendo à solicitação do regente de Minas, Gomes Freire de Andrade. Temendo represálias da antiga administração, Lustosa mudou-se para a atual cidade de Curitiba (PR), onde faleceu.

Em 16/03/1973, suas cinzas foram transladadas para Ouro Fino.

O arraial de Ouro Fino ficou sob jurisdição da vila de São João Del Rey e depois, em 1799, da vila de Campanha.

Em 1831, foi criado o município de Pouso Alegre, ficando Ouro Fino pertencente a ele, como distrito, até 22 de julho de 1868, quando foi elevado à condição de vila. Tal situação durou até 4 de novembro de 1880, quando foi elevada à categoria de cidade.



Em 16 de março de 1881, ocorreu a instalação da Câmara Municipal e foi eleito seu primeiro presidente.

Estabelecia, então, as condições necessárias para a criação da Comarca , fato que se confirma em 4 de novembro de 1888 , mas oficialmente instalada no governo republicano, em 26 de setembro de 1890. O município de Ouro Fino englobou também os distritos de Campo Místico (atual Bueno Brandão), Jacutinga e Monte Sião, que posteriormente tornaram-se emancipados.

Ouro Fino atualmente é formado, além do perímetro urbano, pelo distrito de Crisólia e mais 57 bairros espalhados pela extensa área do município.

Se o impulso inicial que deu origem à cidade foi a busca do ouro em meados do século XVIII, o real salto econômico da cidade se deu no século XX, quando a cafeicultura se expandiu. O café se tornou um dos principais produtos de exportação do Brasil e proporcionou ao município um aumento de suas atividades econômicas e sociais.

Com o arrefecimento da demanda internacional pelo café brasileiro, a cidade deparou-se com a necessidade de diversificar sua atividade econômica.

O comércio e, recentemente, a industrialização foram os caminhos encontrados e, gradualmente, as feições do município foram se alterando. Atualmente, a administração municipal incrementa um outro setor - o turístico - em virtude do grande potencial da região e da proximidade dos grandes centros urbanos, aproveitando o fato de que o turismo é, no mundo, um dos maiores geradores de renda da atualidade e vem recebendo investimentos significativos no Brasil. Considerada cidade histórica, conforme a lei 8.181, de 28 de março de 1991, Ouro Fino recebeu da EMBRATUR o selo de Município Prioritário ao Desenvolvimento do Turismo, em 1997 e 1999.

Muitos imigrantes chegaram a Ouro Fino com a inauguração da estrada de ferro. Foram eles espanhóis, turcos, alemães e principalmente os italianos. Ouro Fino constitui uma das mais antigas sociedades italianas do sul de Minas Gerais, com o nome de "Societá Italiana Príncipe de Pientamonte", com cerca de 312 famílias registradas. Ao pesquisar publicações italianas da região e ao consultar pessoas mais idosas, pode-se constatar que a maioria dos imigrantes tinham como destino as fazendas de café, outros, os que trouxeram algum dinheiro, montaram estabelecimentos comerciais de prestação de serviços como relojoeiros, ourives, pedreiros, funileiros, sapateiros, alfaiates.

Distante da pátria e para não perder o vínculo da italianitá, os que aqui chegaram, reuniam-se, falando alto e gesticulando como se estivessem "prontos para briga", recordavam a bella Italia, sempre com um buono vino e formaggio (vinho e queijo), som de sanfona e jogos de bocha.

Houve ocasiões, porém, em que esses italianos voltaram à terra natal: a eclosão, em 1914, da 1ª Guerra Mundial, que arrastaria o mundo para o conflito armado, durante cinco longos anos, e arrastaria também "ouro-finenses" para o fronte de batalha.

As famílias de origem italiana constituem boa parte da população ouro-finense, o que levou à criação do Circulo Ítalo-brasiliano, com o objetivo de preservar a cultura e os costumes de seus antepassados. Regularmente se reúnem e lembram os encontros dos genuínos italianos.

(extraído do site: www.explorevale.com.br)

 


Depois de merecido descanso, saí passear pela cidade, e adentrei em sua igreja matriz, que é dedicada a São Francisco de Paula.

Trata-se de uma das paróquias mais antigas de Minas Gerais, posto que sua construção se iniciou em 1927, substituindo uma rústica capela erguida em homenagem a São Francisco de Paula, por volta de 1746, dando origem ao município.

O templo apresenta uma mescla de estilos da arquitetura religiosa, com predominância do feitio romântico e alguns elementos do gótico francês.

Recentemente, no dia 13 de maio de 2007, contando com a presença do Arcebispo da Arquidiocese de Pouso Alegre, Dom Ricardo Pedro, em cerimônia religiosa aconteceu sua consagração pela elevação de Matriz a Santuário de São Francisco de Paula e de Nossa Senhora de Fátima.

Ali, no frescor e silêncio de suas dependências, pude proclamar minhas orações com tranquilidade e muita fé.

Depois, observando os bancos vazios, pensei em quantos desejos foram levados a Deus naquele velho templo e quais os que foram atendidos.

Quantos sonhos e quantas lágrimas viram aquelas colunas e altares.

Sentindo-me solitário e um tanto melancólico, resolvi deixar o local, porquanto entendo que meu encontro com Deus, se assim posso expressar, dá-se preferencialmente com o culto prestado à natureza.

Na sequência, fiz um breve giro pelo centro da simpática povoação, apenas para constatar que a maioria do comércio já cerrara suas portas, pois estávamos num sábado, dia em que tudo fecha mais cedo.

Mais tarde, depois de banho e arrumação de meus pertences, deixei o hotel, atravessei a rua e fui lanchar num bar em frente.

Ali, encontrei um simpático ourofinense tomando cerveja e degustando uma porção de calabresa, que gentilmente me ofereceu.

Iniciamos uma intensa conversação e pude saber que ele se chamava Renato, filho de tradicional família da cidade.



Ao saber que eu estava percorrendo o Caminho da Fé, alegre e surpreso, declarou que possuía uma fazenda localizada próxima ao bairro Taguá onde, diariamente, precisava “bater o ponto”.

Contou-me que, tanto na ida quanto na volta, sempre encontrava peregrinos caminhando, porém, nunca tivera a oportunidade de conversar com alguns deles para indagar seus propósitos ou anseios, eu era o primeiro.

Por sinal, no dia seguinte, mesmo sendo um domingo, ele precisava ir à sua propriedade, pois além de pés café, também possuía um grande rebanho leiteiro que precisava ser ordenhado, diariamente.

Além disso, conforme me confessou rindo, para os bichos não existe domingo ou feriado, de forma que precisam ser alimentados todos os dias, faça sol ou chuva.

Por outro lado, orgulhosamente, me confidenciou que uma de suas vacas havia falecido durante o parto, porém o bezerro sobrevivera, e estava sendo criado à base de mamadeira por ele preparada.

Assim, quando lá chegava, o pequeno novilho vivia à sua volta, pensando ser ele sua mãe adotiva, fato que muito o enternecia, pois pretendia domesticar o animal para, num futuro, servir como meio de locomoção e alegria da família.


Luizinho, morador de Luminosa, com o boi que ele criou na mamadeira.

Isto fez me lembrar de um fato que também me emocionou, quando pernoitei em Luminosa/MG, ao percorrer o Caminho da Fé em outubro de 2011.

Foi quando, passeava pela minúscula vila, encontrei o morador local montado em um touro e indaguei-lhe sobre a mansidão do bicho, posto que, quase sempre, são animais de gênio bravio e selvagem.

Então, ele me contou que a mãe desdenhara a cria, obrigando-o a cuidar do bezerro alimentando-o na mamadeira, o que colaborou para transformar aquele potente reprodutor num “filho”, sobre o qual tinha total controle e iniciativa, pois ele se transforma em um animal de estimação, sempre dócil e sereno.

Nossa agradável palestra, infelizmente, teve fim depois de uma hora, quando meu novel amigo se retirou para descansar, não sem antes nos despedirmos como velhos amigos, pois fora uma conversa informal, mas rica e valiosa pela agradável troca de experiências e revelações.  

E, na sequência, eu retornei ao hotel, arrumei minha “bagagem”, depois fui dormir.


6ª Etapa – OURO FINO/MG à BORDA DA MATA/MG – 29 quilômetros