FINAL

FINAL

“Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.” (Salmo 91, Versículo 16, da Bíblia Sagrada).

 


Todo homem é um ser em caminho, e essa sua característica se exprime e se alimenta quer na viagem existencial de cada pessoa, que percorre um itinerário ao longo do seu tempo de vida com todas as vicissitudes vivenciadas, quer nas múltiplas aventuras realizadas pelas estradas do mundo, por necessidades e interesses vários.

Um dos motivos para a viagem é a fé, vez que o homem se põe no caminho à procura de Deus ou atraído para o encontro com Ele, conforme uma inscrição na basílica de São João de Latrão, em Roma: “Tu atraíste-nos para Ti, Senhor, e inflamaste os nossos corações”.

Assim, quando o peregrino segue animado de verdadeiro espírito religioso, em resposta a um apelo e impulso divinos, então podemos dizer que ele faz uma “Sacra Romaria”.

Este tipo de viagem, a peregrinação religiosa, é uma constante na história da humanidade e da Igreja.

É motivada pelo fascínio exercido pelos lugares sagrados ou pela esperança de ver satisfeito algum desejo ou aspiração pessoal, de natureza espiritual ou de outro âmbito, como, por exemplo, a saúde.

Frequentemente, o peregrino leva no coração a gratidão por alguma graça alcançada ou o desejo de cumprir determinada promessa feita a Deus ou ao Santo de sua devoção.

Assim, a peregrinação, enquanto ato religioso em direção a um lugar sagrado constitui um memorial dos acontecimentos e graças de Deus que nele se realizaram.

Torna-se, com frequência, para muitos peregrinos, experiência da presença e ação de Deus junto aos que Nele confiam.

E dá corpo à súplica confiante e humilde de ajuda e ação de graças mediante atitudes, gestos e palavras.

 

O QUE É PEREGRINAR? 



“Peregrinar é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si.

Quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu.

É parar de dar voltas ao redor de nós mesmos,

como se fossemos o centro do mundo.

É, sobretudo abrir-se aos outros, encontrá-los.

E se para encontrá-los é preciso atravessar os mares,

então, peregrinar é partir até os confins do mundo.”

(Anônimo) 

 

Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida/SP


CAMINHAR É...

“Caminhar é uma resposta ao prazer de falar consigo mesmo. Fica-se muito quieto, fala-se muito, bebe-se água destas em garrafinhas de plástico e nas bicas da beira da estrada; descansa-se à sombra de uma árvore ou à beira de um riacho para tomar fôlego ou só para descansar mesmo; cansa-se nas subidas e enche-se os olhos e ouvidos com tanta beleza do em volta: às vezes um mar de montanhas, às vezes o barulho rouco da cachoeira invisível, tão desejada; outra hora é o agudo som do canto dos galos e, vez ou outra, de ariscas seriemas; e o dia se passa assim, devagar, muito devagar, sem pressa, pouco se importando de chegar e isso é o melhor! Chega-se sempre cansado ao fim do dia; aí então, é um dedo de prosa na pousada, na praça da cidade, no bar da esquina. O banho quente é o aperitivo para mais uma “janta” silenciosa, restauradora das forças e do ânimo. Deita-se cedo e aproveita-se para recordar os acontecidos: muitos.”

(peregrino Orlando – site: http://oficiocontadordehistorias.blogspot.com.br)

 

Novamente, junto à Mãe Maria, em Aparecida/SP, quando da chegada à sua Casa! Obrigado Nossa Senhora e, até um dia, se Deus permitir!


EPÍLOGO 

Finalizando, é muito interessante e jubiloso descobrir que ainda me emociono com as coisas simples as quais tive contato ao longo do Caminho, como: A lua cheia brilhando num céu estrelado no fim da madrugada; o voo dos pássaros ao amanhecer em busca do alimento matinal; vacas ruminando pacientemente enquanto esperam a hora da ordenha; bezerros mugindo de fome no curral, aguardando a hora de mamar; galos cantando, anunciando a nova aurora; flores recém-desabrochadas, saudando a minha passagem; borboletas levitando ao meu redor, como a desejar boa sorte; montanhas altaneiras, se elevando no fim de uma planície; o cumprimento de um estranho, me desejando bom dia e, depois, “boa viagem”; e, dentre outras mais, orar defronte às inúmeras grutas e capelinhas, edificadas à beira da estrada, onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida sempre aguarda a passagem do peregrino, abençoando-o.



Por derradeiro, diria que há certos acontecimentos marcantes na vida de uma pessoa e, minha peregrinação ao Caminho da Fé, neste ano de 2013, foi um evento desse naipe.

Com efeito, acredito que a pessoa se torna um ser humano melhor, mais bem preparado e, também, confiante e pacienciosa, depois da subliminar audácia de encetar um périplo desse porte, movido pela fé e a impavidez.

Tendo a benção de, no final, aportar com saúde e laços marianos renovados no Santuário de Aparecida.

Não há comparação com outros roteiros no Brasil.

Sem dúvida, o Caminho da Fé é a prova final de resistência, perseverança e coragem, pois nele o peregrino enfrenta diariamente jornadas árduas e extenuantes.

Contudo, nele vibramos também pelos momentos de alegria compartilhados com outros peregrinos, trechos sublimes caminhando sozinho, algumas descobertas importantes, e muita paz e simplicidade, componentes tão essenciais à nossa vida.

Assim, os vínculos que criamos durante os acontecimentos vivenciados nessa salutar e santificada experiência resistem ao tempo, mesmo quando eles são difíceis, até mesmo impossíveis de explicar.


Bom Caminho a todos!

 

Setembro/2013