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EGITO DOS FARAÓS – Autor: Aírton Ortiz

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EGITO DOS FARAÓS – Autor: Aírton Ortiz



O Egito é uma das mais antigas civilizações da História. Do alto de suas pirâmides, Napoleão Bonaparte fez o famoso discurso para os homens de seu exército e até ele sentiu-se pequeno diante da grandiosidade de Gizé. Mais um livro de Aírton Ortiz para a Coleção Viagens Radicais — dedicada a aventuras fantásticas e reais nos lugares mais inóspitos, exóticos e interessantes do planeta —, e ilustrado com fotos de Beto Scliar, EGITO DOS FARAÓS vai da antiga Mênfis à moderna Cairo, contando mais de cinco mil anos de aventuras.


Sinopse: Entrevista - Egito dos faraós – Fonte: http://www.record.com.br/

Espertalhões que fazem de tudo por uma gorjeta, policiais superprotetores, dançarinas, dromedários, faraós, múmias expostas em museus e múmias encontradas no meio do deserto — estes são alguns dos personagens que passeiam por Egito dos faraós, mais recente livro do jornalista, escritor e explorador gaúcho Aírton Ortiz. Tendo girado meio mundo à procura de novos perigos, Ortiz aterrisou no país africano com uma novidade: pela primeira vez seria acompanhado do início ao fim da viagem pelo fotógrafo Beto Scliar. Da capital Cairo ao Vale dos Reis, a dupla passou pela costa do Mediterrâneo, atravessou o Saara e desceu o Rio Nilo, enfrentando inúmeros desafios à medida que avançavam. As palavras de Ortiz descrevem não apenas detalhes da história e da geografia locais, mas também colocam o leitor no papel de companheiro de viagem ao relatar os sentimentos e pensamentos do autor diante das ricas experiências pelas quais passou. Por este motivo, não são raros aqueles que decidem se aventurar pelo mundo após a leitura dos livros de Ortiz. Longe das rotas turísticas convencionais, Egito dos faraós expõe vias alternativas para o conhecimento da cultura egípcia e de seu povo, tão diversos quanto as cores no céu do Saara.

- Seus roteiros são caracterizados por deslocamentos lineares, sem voltas ou rodeios. Quais foram suas prioridades ao elaborar o itinerário da expedição ao Egito dos Faraós?

Eu queria conhecer o interior do país, especialmente as regiões que ainda preservavam um pouco da história do Egito antigo, do tempo dos faraós. Assim — e porque gosto de seguir sempre em frente — fiz um roteiro que possibilitasse uma volta completa pelo Egito, desde o Cairo, passando pela costa do Mediterrâneo, cruzando o Saara e chegando no Vale dos Reis.

- O que o estimula a escolher determinado destino?

A possibilidade de conhecer com mais profundidade uma cultura rica em acontecimentos históricos, especialmente aquelas que ainda preservam um pouco da sua originalidade e não foram totalmente contaminadas pela globalização que está padronizando o comportamento humano em nosso planeta. Também levo em consideração a possibilidade de enfrentar desafios que me forcem a uma maior aproximação com o povo local. É uma forma de mergulhas na alma dessa gente.

Quando partiu, você já tinha em mente relatar sua viagem em livro. Como se faz a passagem de aventura para texto? Quando e de que maneira a obra começa a ganhar forma?

A viagem tem por objetivo escrever um livro, o que a transforma numa atividade de trabalho, onde uma série de perguntas precisam ser respondidas para que o leitor conheça com mais profundidade a realidade do país visitado. A passagem da aventura para o texto significa que além das informações e dos aprendizados, também todas as emoções, as alegrias, os medos, as angústias e os prazeres precisam ser percebidos, mentalizados, elaborados e transformados em linguagem escrita. A obra começa a ganhar forma quando chego no país de destino, pois nesse momento se abrem inúmeras possibilidades e alternativas que vão moldando o caráter da aventura que será vivida e, por consequência, da história que será contada.

- Pela primeira vez você teve companhia fixa do início ao fim da expedição. Como isto refletiu na viagem e, consequentemente, no livro?

Na viagem teve pouca influência, pois o fotógrafo Beto Scliar, que me acompanhou do início ao fim da aventura, se limitou a me seguir, sem interferir nas decisões que precisaram ser tomadas a cada momento que nos deparávamos com dificuldades e alternativas extras. Essa foi uma das condições para que ele me acompanhasse. No livro, por se tratar de um fotógrafo profissional, sua participação está refletida na qualidade das belas fotografias publicadas no encarte.

- Em determinado momento, o senhor e o fotógrafo Beto Scliar se depararam com uma perspectiva inesperada das pirâmides de Gisé, vistas por entre palmeiras e campos verdes. O que mais o surpreendeu durante a viagem?

Esse foi um dos momentos mais surpreendentes, pois eu não esperava encontrar esse tipo de paisagem emoldurando as pirâmides. À medida que se vai conhecendo o mundo — e já conheço a metade dele — as possibilidades de sermos surpreendidos por uma paisagem vão ficando cada vez mais raras. Então, quando isso acontece, sempre é uma grande emoção. Outro momento vibrante e que mexeu com todos nós foi encontrar as múmias no deserto do Saara tal qual foram enterradas, há dois mil anos. A sensação de descobrirmos um tesouro desses, aliada à reflexão a que a vida dessas pessoas mumificadas nos induziu, foi um dos momentos altos da aventura.

- De que maneira o "excesso de zelo" da polícia egípcia para com os turistas interferiu na expedição?

A interferência foi positiva e negativa. Se por um lado eles nos impediram de viajar sozinhos por alguns lugares, como a visita a Abu Simbel, na fronteira com o Sudão, por outro lado o fato de termos ludibriado a vigilância policial e descido o Rio Nilo por nossa conta e risco acrescentou uma bela dose de adrenalina na aventura. Foi uma boa experiência, creio que os leitores vão gostar de dividir conosco esses momentos de frustração e prazer.

- Em notícia de 6 de abril de 2004, o site 360 graus descreve a travessia do Mar Vermelho e a trilha rumo ao cume do Monte Sinai como momentos finais da expedição. Por que estes locais foram deixados de fora no livro?

A travessia do Mar Vermelho e a escalada do monte Sinai já são uma outra história, não fazem parte do Egito dos Faraós. No momento oportuno escreverei sobre essa aventura.

- Ter passado por maus momentos na segunda classe de trens indianos o ensinou a evitar este tipo de serviço no Oriente. Por quais experiências vividas no Egito não gostaria de passar novamente?

Viajar custodiado pela polícia. Tira toda a graça da experiência, pois sabemos que nada surpreendente irá acontecer no caminho. A viagem fica sem o seu principal tempero: a aventura.

- Seus livros têm bastante apelo aos jovens. A que credita o interesse deste público?

Os jovens são os meus principais leitores porque eles felizmente ainda acreditam que a vida pode ser vivida com muita intensidade. E os meus livros são uma injeção de ânimo e estímulo para quem não quer uma vida acomodada, sem emoções, apenas cumprindo um papel secundário numa sociedade consumista como a nossa. Fico feliz quando alguém me escreve pedindo mais informações sobre este ou aquele lugar porque decidiu fazer uma viagem por conta própria para melhor conhecer o mundo, o que significa conhecer melhor a si próprio, pois somente diante das situações inusitadas das viagens é que vamos descobrindo nossas potencialidades e nossos limites, do que somos e do que não somos capazes de fazer. E a coisa mais maravilhosa do mundo é descobrirmos que somos capazes de resolver todos os problemas que surgem na nossa vida, que somos donos do nosso próprio destino e o colocamos no lugar que desejamos.

- O que acha de ver suas obras utilizadas por leitores como guia em suas próprias expedições?

Isso aumenta muito a minha responsabilidade com a qualidade das informações contidas nos livros. E essa exigência é boa, pois me faz exercitar meu lado jornalista, minha verdadeira profissão. Gosto da reportagem investigativa, do levantamento de todas as informações para publicar as que me convenceram. Os livros refletem essa preocupação e fico muito feliz quando alguém me escreve contando que esteve lá e o lugar era exatamente como ele havia lido no livro.

- Seus livros publicados até hoje se passam em locais que não são óbvios para o turista comum. Alguma vez já cogitou fazer seu próprio relato para destinos mais visados?

Não tenho preconceito contra nenhum lugar, obviamente. Apenas alguns me atraem mais do que outros. No momento sinto uma grande atração pelos lugares onde posso entrar em contato com uma natureza humana mais autêntica e com uma geografia mais selvagem. Sou um gaúcho do interior e o interior me atrai mais do que a cidade grande. Mas quando decidir escrever sobre uma grande capital começarei por Nova Iorque, onde vive uma fauna bem interessante.

- Já há planos para a próxima viagem?

Ainda não decidi, mas tenho algumas alternativas, entre elas a rota maia. Os maias me interessam muito. Quando a Europa vivia na escuridão, queimando bruxas na fogueira, os maias já tinham observatórios astronômicos e calculavam eclipses com precisão. Por que eles desapareceram e a Europa tomou conta do mundo? Talvez visitando as ruínas das suas cidades eu descubra essa resposta.


Opinião Pessoal: Outro livro pródigo em histórias antigas e modernas, tema que muito me atrai. Mas, acredito que nesse tema, o autor, do qual sou fã de carteirinha, se superou.


Minha Avaliação: Excelente!


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