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O ÚLTIMO TREM PARA A ZONA VERDE – Autor: Paul Theroux

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O ÚLTIMO TREM PARA A ZONA VERDE - Autor: Paul Theroux

“Meu derradeiro safári africano”



Uma viagem de despedida pelo continente que enfeitiça e repele Theroux desde os tempos de voluntariado no Corpo de Paz, no Malaui” — The New York Times

Espirituoso e belamente evocativo, o livro é a derradeira aventura africana de um dos maiores escritores de viagem dos nossos tempos.


SINOPSE - Em O último trem para a zona verde, Theroux parte da Cidade do Cabo em direção ao norte, até chegar a Angola. No entanto, depois de 4 mil árduos quilômetros, ele decide acabar com a viagem, decisão que relata com honestidade impiedosa no capítulo “O que estou fazendo aqui?”. Sozinho no continente, Theroux se depara com um mundo cada vez mais distante das rotas turísticas e da esperança suscitada pelos movimentos de independência. Ele percorre o interior da Namíbia, cruza “a Linha Vermelha” e encontra uma nova África: “a África improvisada das cercas tombadas, da lama e do sapê”, da pobreza, das barricadas e da anarquia. Uma África que mudou para pior, mas ainda assim é capaz de inspirar esperança.


21/05/2013 às 00h00 - Por Randall Mikkelsen | Reuters

Paul Theroux deu seu adeus literário à África numa estação de trem em Luanda, Angola, cinco décadas após visitar o continente pela primeira vez como voluntário do Corpo da Paz. Em seu novo livro, "The Last Train to Zona Verde: My Ultimate African Safari" (O Último Trem para Zona Verde: Meu Derradeiro Safári na África, em tradução livre; ed. Houghton Mifflin Harcourt; importado), Theroux descreve uma viagem pela África do Sul, por Botswana, Namíbia e Angola que acabou na estação, quando ele não sentiu mais necessidade de prosseguir.

O livro, diz ele, representa o capítulo final de suas viagens na África. Seu primeiro livro sobre a África foi um romance. O autor se tornou um dos escritores de literatura de viagem mais influentes de sua era e relatou viagens pelo mundo em livros como "O Grande Bazar Ferroviário" (1975; ed. Objetiva), "The Old Patagonian Express" (O Velho Expresso da Patagônia; 1979) e "Dark Star Safari" (O Safári da Estrela Negra; 2002). Entre seus romances estão "Saint Jack" (1973) e "A Costa do Mosquito" (1981; ed. Alfaguara). Nesta entrevista, Theroux, que mora no Havaí e em Cape Cod, Massachusetts, fala sobre o papel do escritor de livros de viagem, perspectivas incertas da África e sobre como seria morrer fazendo o que gosta.

Fiquei na dúvida, quando li seu livro, se o senhor deu suas viagens por encerradas.

Paul Theroux: É um transtorno bastante grande tomar ônibus e trens, vans, táxis etc. para percorrer a África por terra. Quando, em Angola, cheguei ao ponto em que pensei que, na verdade, não vale muito a pena sofrer se você não está aprendendo alguma coisa, disse a mim mesmo 'Bom, este é o fim da linha'. Sempre viajarei pela África, mas acho que escrevi tudo o que posso escrever de útil.

Nas viagens ferroviárias, o que o faz dizer que poucas vezes ouviu um trem passar sem desejar estar a bordo dele?

Theroux: O prazer que elas proporcionam é indescritível. Você pode dormir, pode escrever, pode dar uma volta. São muito confortáveis, muito tranquilizadoras e, para um escritor, verdadeiramente maravilhosas.

O senhor descreve cidades sórdidas em seus relatos, mas também diz não ser pessimista em relação à África.

Theroux: Não sei o que vai acontecer com a África. A infraestrutura é muito pobre. É um castelo de cartas. Os governos são frágeis. Em geral, são corruptos. As cidades são grandes e horrorosas, mas o interior, a savana, está mais desabitada do que nunca. Ainda é cheia de possibilidades.

Que evolução o senhor notou nas viagens ao longo de sua carreira?

Theroux: Quando comecei a viajar havia muitos problemas para resolver. Agora não é muito difícil pegar um avião. O outro é a americanização do mundo. Todo mundo se veste igual. As pessoas usam camiseta e bermuda. O mundo inteiro usa boné. Quando eu viajava 50 anos atrás não se viam bonés na Índia. Nem na África.

Os escritores de livros de viagem ainda são importantes?

Theroux: O papel de um escritor de livros de viagem é revelar o mundo, conferir o que há por aí. É mais necessário do que nunca, porque a internet faz as pessoas acharem que podem conhecer tudo sem sair de casa. Mas elas não percebem como é o mundo na realidade: o quanto ele é pobre, como é maravilhoso [estar] em outros lugares, e quanto há para descobrir.

O senhor tem um procedimento de praxe para se preparar para as viagens?

Theroux: A pessoa tem que ser forte, otimista e conseguir cumprir as exigências de estar sozinha. Leio coisas práticas. Compro muitos mapas detalhados. Falo com as pessoas. Tento ler o mais possível sobre o lugar, não necessariamente antes de ir, mas depois. Quero descobrir coisas por mim mesmo. Não faço listas de pessoas para visitar. Prefiro ficar no hotel mais simples. Não gosto da obrigação social que ficar com pessoas me impõe.

O que o senhor lê em viagem?

Theroux: Livros que não têm nada a ver com o lugar em que estou. Ultimamente, tenho lido muita coisa de D. H. Lawrence. Faço um pequeno estudo de um escritor - leio os livros, os artigos sobre ele, e depois uma biografia, para conhecer o autor.

Viajar pode parecer corajoso, mas ao mesmo tempo é uma prática rotineira para a população local, pelos mesmos caminhos.

Theroux: Eles sabem para onde estão indo. Eu estou indo para um lugar que tenho de descobrir. Na minha idade [72 anos], assumo cada vez menos riscos. Mas é preciso ter certo grau de confiança. Os ônibus são velhos, a comida é ruim, o clima é terrível. Pode ser que você chegue ao destino e não encontre nada de novo.

Três pessoas sobre as quais o senhor escreveu no livro morreram logo depois. Qual foi o impacto disso?

Theroux: Foi um grande choque. Fez com que eu examinasse meus fatores motivadores e pensasse "Bem, e se eu morrer, será que estou fazendo o que eu gosto? Será que o que faço vale pôr minha vida em risco?". Morrer fazendo o que gosto seria estar tomando um [coquetel] "mai tai" na praia no Havaí e ser colhido por uma onda. Estaria fazendo o que adoro, apenas tomando um drinque com a minha mulher. Não seria num ônibus em Angola. (Tradução de Rachel Warszawski)

Fonte: http://www.casacivil.sp.gov.br/


Opinião Pessoal: Trata-se de um livro de aventuras, bem ao meu gosto, escrito de forma pungente e dinâmica pelo autor, do qual sou fã há muito tempo.


Minha Avaliação: Excelente!


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