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1º dia – OURO PRETO à CONGONHAS DO CAMPO – 37 quilômetros



1º dia – OURO PRETO a CACHOEIRA DO CAMPO – 37 quilômetros


Estava consciente de que teria uma dura jornada pela frente. 

Além do que, a quilometragem a ser vencida era de razoável amplitude. Sem contar que, no primeiro dia de caminhada, meu corpo ainda não estaria afeito à bruta lida de peregrino.

Dessa forma, levantei às 4 h, calmamente me preparei para a aventura e após ingerir um generoso café da manhã, parti exatamente às 5 h, caminhando pela íngreme Rua Senador Rocha Lagoa, em direção ao centro da urbe.



O clima se apresenta frígido e ventoso, com temperatura na marca dos 13ºC. 

Uma espessa névoa branca adensava-se pelas ruas da cidade, deixando-a envolta numa bruma fantasmagórica.

Logo acima, no tope do morro, encontrei a inolvidável Praça Tiradentes, completamente deserta, naquele horário. 

Apenas quatro jovens bebiam cerveja e conversavam diante de um bar, enquanto alguns carros trafegavam pelas imediações.

Em sequência, continuei minha trajetória, ainda subindo, agora em direção à Estação Rodoviária local. 

Quando ali cheguei, prossegui à direita, por uma larga avenida em direção à saída da cidade. 



E, defronte ao Centro de Informações Turísticas me reencontrei com o primeiro totem da Estrada Real.

Ali estava o marco zero de minha meta e, embora já tivesse percorrido 3 quilômetros até aquele patamar, somente a partir desse local é que a distância passava a ser computada na planilha de orientação. Então, fiz uma pausa e concentrei-me em meu objetivo.

Afinal, sentia novamente a emoção de estar lutando pela concretização de um sonho que acalentava no recôndito de meu coração, já há certo tempo. 

Além da curiosidade latente de conhecer mais uma pedaço inédito do Brasil, aspirava ver o chão correr sob a sola de meus pés e observar o horizonte abrir-se, diuturnamente, à minha frente. 

Nada de mundo parado, sempre igualzinho, de manhã à noite, tal qual vivencio em meu cotidiano.

Então, findas minhas reflexões e após uma singela prece, reiniciei meu roteiro.



A parti dali, segui pelo acostamento da BR - 356, no sentido inverso ao fluxo de veículos, cujo movimento era praticamente nulo naquele horário. 

E, depois de três quilômetros percorridos, exatamente às 6 h, encontrei uma enorme rotatória. 

Nela, observei o marco da ER, fleti à direita e segui em forte ascensão por uma larga e bem conservada estrada de terra, em direção aos distritos de São Bartolomeu e Glaura.

A madrugada ainda persistia escura e uma consistente neblina encobria todo o trecho. 

Mas, com minha potente lanterna na mão, fui avançando sem medo, ao mesmo tempo em que ouvia a natureza despertando preguiçosa. 

Aqui e acolá, pássaros matutinos davam sinal de vida, enquanto, vagarosamente, o dia clareava.



Depois de mais ou menos mil e quinhentos metros percorridos, sempre em duríssima ascensão, finalmente deixei a estrada principal. 

Entrei à esquerda, e prossegui por uma trilha entre mata fechada. Percebia-se que a manutenção do lugar fora feita recentemente, pois inúmeros arbustos e galhos cortados, adensavam-se nas laterais da estreita picada.

Passei, então, a caminhar numa altitude média de 1.450 m, envolvido por um silêncio sepucral, porquanto o local é extremamente ermo. 

Relata um viajante que passara tempos atrás, por aquelas bandas: “Com um pouco de sorte e uma caminhada silenciosa, é possível de se avistar inúmeras espécies de pássaros, alguns primatas e vários animais selvagens, como lobo-guará, raposa, ouriços, gambás, micos, dentre outros, além de enormes caracóis...”



A vereda estreita fazia contornos pelos contrafortes da serra, por onde eu avançava a passos lentos e com bastante cuidado. 

E, segundo a planilha de viagem, a paisagem que se descortinava pelo meu lado direito era de tirar o fôlego. 

Entretanto, não pude aferir tais assertivas, pois a cerração mal me permitia avistar um raio de, aproximadamente, 50 m e, também, porque em face do horário matutino, o ambiente permanecia silente e macambuzio.

Acredito que, por essa trilha, atualmente, somente seja possível a passagem de caminhantes ou animais, pois, em diversos lugares, a erosão, provocada pela água das enxurradas, escavou tão profundamente a senda, que o simples deslocamento a pé, torna-se extremamente perigoso, em vista da profundidade da vala, e pelos buracos e pedras soltas alocadas desarranjadamente em seu leito.

Segundo a história, essa é a mesma e antiga trilha usada por governantes dos séculos XVIII e XIX para chegar a “casa de campo”, em Cachoeira do Campo, hoje distrito de Ouro Preto. Inclusive, esse caminho foi percorrido por dois corajosos naturalistas alemães, Spix e Martius, em 1817, que descreveram com detalhes suas peripécias em terras tupiniquins, num importante opúsculo, sob o título “Viagem pelo Brasil”, publicado em 1.823. 

Conta a história, ainda, que D. Pedro II, dentre outras figuras importantes, passou por aqui, em 1.881.



Finalmente, às 7 h, depois de percorrer 11 quilômetros, me deparei com um histórico chafariz, cuja data de edificação é de 1.782. 

Na placa ali afixada, está escrito: “Esta fonte e este caminho mandou fazer o ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Dom Rodrigo Jozé de Menezes, governador e capitão general desta Capitania de Minas Gerais, em 1.782.”



Aproveitei a ocasião e a singularidade do local, e fiz breve pausa para lanche, descanso e hidratação. 

O local ermo e silencioso permitiu-me breve reflexão, pois Tiradentes, o grande herói nacional, certamente, em suas longas cavalgadas pela Estrada Real, passara por ali também.



Plenamente recomposto, prossegui adiante, e ainda caminhei uns 2 quilômetros por dentro da mata fechada até, finalmente, sair em local aberto e arejado, onde pude desfrutar de maravilhosa visão das serras que me rodeavam, com sua luxuriante vegetação. 

E, pasmo, fiquei por alguns minutos a admirar os cenários magníficos que se apresentavam aos meus olhos, deslumbrado ante tamanha grandiosidade e opulência da natureza intocada.



Na sequência, andei aproximadamente 1.000 m por larga estrada de terra, quando as marcações me encaminharam, à direita, para um pasto, e ali começaram minhas peripécias. 



A trilha estava coberta por mato alto e segui em frente, tendo por base, quase sempre, minha intuição, apesar do grande temor de encontrar algum animal rasteiro, pois a ramagem não permitia verificar onde estava colocando meus pés.

O roteiro, extremamente perigoso e ermo, me deixava inseguro e temeroso, contudo, ainda assim, intimorato e confiante, fui seguindo adiante. 

Os marcos da ER estão fincados em locais estratégicos, mas, muitas vezes, não os localizava, por se encontrarem engolfados pelo mato. 

E o silêncio reinante me deixava preocupado, posto que, em caso de algum incidente, não teria a quem recorrer.

Em determinado ponto do percurso, me deparei com um grande cão preto, que me causou um tremendo susto. 



Porém, ao mesmo tempo, o animal me transmitiu novo alento, visto que sinalizou alguma habitação nas imediações.

Enquanto caminhava, aproveitava para orar pedindo proteção, uma vez que, eventualmente, se tivesse encontrado uma cobra, nesse trecho, certamente minha aventura se findaria, porquanto não encontrara pessoa alguma até aquele momento, o que não me permitiria fazer contato com a civilização, pois meu celular permanecia mudo e sem sinal.

Mais adiante, a cava se tornou tão profunda e escura, que precisei caminhar por dentro de grande fosso, por vários metros. 



No trecho seguinte, em vários locais, o caminho espremia-se entre barrancos roídos pela água e o mato fechava-se em arco, quase toldando a luz.

Depois de mais 2 quilômetros nessa terrível toada, finalmente, emergi da mata escura. 

Então, acessei uma estrada larga de terra batida, sob um brilhante sol da manhã e pude, assim, respirar aliviado. 



Estava no bairro do Mutuca, segundo uma moradora local, dona Ana Maria, com quem conversei logo depois. 

Contou-me que na região, moram apenas 50 pessoas, cujo sustento retiram da plantação de tomate, alface, mandioca, além da criação de galinhas, porcos e coelhos.



Ela me ofereceu água fresca, porém eu levava quantidade suficiente desse líquido.

Assim, após cordiais despedidas, segui em frente por larga estrada de terra, ladeada por belíssimas propriedades rurais, como a do Rancho Recanto Verde, que ultrapassei na sequência. 

E, mais adiante, passei por baixo de imensas colunas de concreto, que sustentam os trilhos de uma moderna e operosa Estrada de Ferro, cuja concessionária é a MRS Logística S.A.



Logo adiante, obedecendo o marco da ER, deixei a larga via por onde transitava, dobrei à direita e ultrapassei um riacho sobre sólida ponte. 

Localizei o totem seguinte junto à uma bifurcação e depois, confuso, fiquei sem saber para onde me dirigir, posto que o roteiro indicava três opções, porém, sem nenhuma referência de qual era a alternativa a seguir.

Totalmente perdido, sem saber se deveria prosseguir à direita, à esquerda ou em frente, tentei buscar ajuda, mas, não localizei alma viva nas imediações. 

Para piorar, a planilha da Estrada Real, que eu portava, está transcrita de forma confusa e totalmente em desacordo, com esse trecho específico.

Assim, fiz uma pausa e usei de toda a minha pertinácia e atenção, a fim de tentar desvendar o rumo a seguir, mas, sem sucesso. 

Fiz incursões para os lados, buscando indícios no chão, porém uma tropa de burros passara recentemente pelo local, apagando possíveis pegadas de caminhantes pretéritos. 

Enfim, foi uma busca exaustiva, perseverante e minuciosa, porém, sem sucesso.

Nessa toada, desesperado, perdi uma hora tentando encontrar solução para o problema. 

Com mais um agravante: meu celular persistia mudo e sem sinal. 

Diante da incerteza do rumo a ser tomado, naquele lugar ermo, mergulhei-me em grande angústia.

No entanto, um dom que me é peculiar, é o de nunca me conformar com situações consideradas irremediáveis. 

Para elas sempre procuro solução. 



Assim, depois de muito racionar, resolvi seguir diretamente pela linha férrea, acessando por uma de suas alças, posto que a mesma se encontrava num patamar bem mais elevado, em relação ao local onde eu me encontrava.

Isto posto, escalei um enorme barranco em meio a mato altíssimo, para realizar tal intento. 

Um risco, pois fui picado por formigas, marimbondos, além de correr seríssimo risco de encontrar algum ofídio ou animal peçonhento no caminho. 

Além disso, devo ter esbarrado em algum pé de urtiga, pois no dia posterior tive uma terrível crise de urticária, com a erupção de enormes vergões vermelhos por todo o corpo, que me provocavam intensa coceira e dores terríveis.

Verifiquei depois que, a solução correta seria seguir em frente, sempre tendo a estrada férrea do lado direito. 

Mais acima, depois de atravessar uma porteira, a trilha conflui com a linha do trem. Anda-se, então, como eu fiz, uns 500 m margeando os trilhos e, depois adentra-se novamente à esquerda. 

Porém, muita atenção, pois não existe marco nesse local de saída, tanto que continuei em frente por mais de 1.000 m, até perceber o erro.

Ao retornar, pude visualizar pegadas nessa senda, o que me salvou de novos embaraços. 

Então, lembrei-me que, no dia anterior, ao visitar o diretor de Centro de Turismo, este havia comentado sobre um grupo de caminhantes que percorreria o trecho Glaura à Ouro Preto, a pé, naquele sábado. 

Portanto, no sentido inverso ao meu. 

Com isso, pude observar, atentamente, e reconhecer nesse local, inúmeros rastros deixados pelos excursionistas.



Foi o que me salvou, porquanto, depois de prosseguir por uma vereda extremamente selvagem, no topo de um pequeno outeiro, encontrei o marco da Estrada Real. Isto me infundiu novo alento e prossegui, fletindo à esquerda, por uma senda funda e arenosa, cavada em meio a mata fechada, agora em abrupto descenso.



Um quilômetro depois, saí em campo aberto e pude avistar no horizonte, o distrito de São Bartolomeu. 



Quinhentos metros à frente, adentrei numa rua calçada de paralelepípedos e prossegui até centro da vila. 

Num bar local, comprei água e chocolate, aproveitando o ambiente hospitaleiro para descansar e recompor minhas forças.

Segundo a história, São Bartolomeu é uma das localidades mais antigas da região do ouro. 

O rio das Velhas atravessa o centro do distrito e, por isso, pequenos acampamentos já existiam no local por ser ponto obrigatório de passagem dos bandeirantes, antes mesmo do descobrimento de Ouro Preto. 

Assim, como a maioria das localidades daquela região, São Bartolomeu recebeu grande quantidade de habitantes, em decorrência da crise de fome que assolou Vila Rica em 1.700/1.701. 

A primeira capela foi edificada em louvor a Nossa Senhora do Rosário, numa fazenda situada um pouco ao norte do distrito. 

Depois, edificaram uma ermida para São Bartolomeu, situada no centro da propriedade de mesmo nome. 

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário não consentiu com a demolição de seu templo, pois os devotos de São Bartolomeu consideravam o local o ponto mais firme para construção da ermida, já que dificilmente seria inundado pelas enchentes e aquela era a clareira mais ampla do local. 

Depois de muito discutir, chegaram a um acordo: a nova igreja seria construída no centro da vila, sob a condição de manter intacta a capela mór do Rosário. A lateral direita da igreja de São Bartolomeu é composta pelo altar mór e de dois retábulos laterais da antiga capelinha do Rosário.

Uma particularidade desta igreja é a existência de um sino de madeira, construído para compor a torre. 

São Bartolomeu foi grande centro comercial do século XVIII, e sua rua central era toda tomada por comércios e depósitos de mercadorias. 

As fazendas de São Bartolomeu se desenvolveram e a agricultura estava presente em todo o local. 

Devido à abundância de frutas, os habitantes do lugar iniciaram a fabricação de doces, sendo o mais famoso a marmelada.

Retemperado, prossegui, primeiramente, por uma estrada calçada de bloquetes. 



Mais adiante, após transpor um encorpado riacho sobre uma graciosa ponte, adentrei em terra e assim prossegui por 6 quilômetros, sempre ladeado por matas e luxuriante vegetação.

Numa bifurcação, observando o totem da ER, adentrei à direita, seguindo por uma plana e sombreada trilha. 

Minhas costas doíam bastante, possivelmente, fruto da tensão vivida na jornada. 

O lugar por onde eu caminhava era absolutamente ermo, apesar de ter avistado, ao longe, algumas casas e fazendas.

O trecho sequente mostrou-se agradável e tranquilo. Contudo, depois de 2 quilômetros, as indicações desapareceram. 

Em algum ponto do trajeto, eu deveria adentrar à direita e prosseguir por uma senda, em meio à mata, contudo não consegui identificar nenhuma saída nessa direção. 



Resultado: totalmente inseguro e perdido, segui em frente pela via principal e precisei fazer extensa volta, algo em torno de 5 quilômetros, para chegar à Glaura, gracioso distrito, cuja fundação remonta ao século XVIII, no auge da exploração do ouro. 


A história conta que esse singelo povoado era o refúgio dos grandes senhores que tinham o antigo arraial como ponto de divisão entre Vila Rica e São João Del Rei. 

É de se ressaltar que em suas estradas, entre 1.707 e 1.709, ocorreram inúmeras disputas bélicas por causa da posse das terras mineiras, as chamadas “Guerra dos Emboabas”.

Extremamente fatigado, dirigi-me à majestosa e imponente Matriz de Santo Antônio que, com sua fachada rica em detalhes e cunhais de cantaria, está situada em meio de um extenso gramado, o que empresta um ar bucólico ao lugar, típico das pequenas cidades do interior mineiro.

A igreja é uma lembrança persistente dos tempos áureos do século XVIII, em que “Casa Branca”, antigo nome desse distrito, era um próspero povoado produtor de ouro. 

Infelizmente o templo se encontrava fechado, de forma que num bar fronteiriço comprei água e rapidamente aproveitei para ingerir um lanche. 



O sol brilhava forte num céu azul sem nuvens, quando reiniciei minha aventura, desta vez, seguindo, em frente, por asfalto. 

Foram mais 8 quilômetros pelo acostamento de uma rodovia vicinal, onde o tráfego de veículos, apesar de ser um domingo, era quase inexistente.

Porém, o trajeto, integralmente plano, mostrou-se insosso e desgastante, face o cansaço acumulado e, também, ainda, pelo adiantado da hora.



Finalmente, às 14 h, chegava em Cachoeira do Campo, local de meu pernoite.

Esse distrito, o maior de Ouro Preto, foi desbravado em meados dos anos de 1.674 a 1.675, ou seja, em pleno século XVII. 

A bandeira de Fernão Dias Paes, o caçador de esmeraldas, descobriu em meio aos campos a alta cascata, próximo ao Centro Dom Bosco, que posteriormente daria origem ao nome do povoado. 

No ano de 1.680 o aventureiro Manuel de Mello teria se estabelecido em Cachoeira, tornando-se o primeiro morador.

O povoado teve em 1.700 seu desenvolvimento inicial, quando uma crise de fome atingiu Vila Rica, fazendo com que um grande número de pessoas, moradores dessa região mineradora, procurassem outras áreas para produzir alimentos. 

Na localidade, pela projeção da época, desencadeou um dos episódios mais sangrentos, envolvendo os direitos de exploração de ouro na futura Capitania de Minas Gerais, conhecido como Guerra dos Emboabas, entre 1.707 e 1.709, no local conhecido atualmente como Oratório Festivo.

Para hospedagem, utilizei os serviços do Hotel Bandeirantes, que embora possua instalações modestas, fica num local estratégico e de fácil acesso, às margens da rodovia BR-356. 

E, depois de um revigorante banho frio, me redescobri vivo e animado. 

Porém, uma persistente dor de cabeça me perseguiu pela tarde afora, certamente fruto da tensão vivida durante o percurso desse dia.



Para almoçar utilizei os serviços do restaurante situado nas dependências do próprio hotel, cuja qualidade recomendo.

Depois que o sol amainou, fui verificar o local por onde partiria no dia seguinte. E, embora fosse um domingo, encontrei uma loja de Conveniências dentro do Posto Pedrosa, onde pude adquirir água e mantimentos, que seriam consumidos na jornada seguinte.

Próximo dali, encontrei um Ponto de Táxi e fiz as tratativas com um motorista, o Sr. Geraldo, para despachar minha mochila no dia posterior, ao meu destino final.

À noite, aproveitando a estrutura do local onde me encontrava hospedado, ingeri um singelo lanche no bar localizado no andar térreo do hotel.

E em seguida, fui dormir, pois o dia fora exaustivo. Na verdade, um péssimo início de aventura. Caí na cama e rapidamente estava viajando pelo país dos sonhos.



AVALIAÇÃO PESSOAL: Um dos percursos mais complicados que já percorri em toda a minha vida de peregrino. Primeiramente, porque entendo que sua indicação pelo Instituto da Estrada Real representa um grave risco à integridade física do caminhante, isto porque há absoluta falta de manutenção nas trilhas que compõem seu trajeto, bem como pela incipiente sinalização. Em decorrência disso, por duas vezes me perdi por ausência de marcos da ER, sendo que numa delas, precisei fazer grande volta para poder aportar à Glaura. Além disso, não aconselho esse trecho a caminhantes solitários e inexperientes, sob pena de graves dissabores, posto que o celular não funciona, permanece o tempo todo sem sinal e, no meu caso específico, se acontecesse algum incidente grave, eu não teria a quem me reportar, vez que além do taxista que transladaria minha mochila, não deixara ninguém avisado sobre meu destino para aquela data.