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A Viagem


A Viagem


Minha viagem iniciou-se numa sexta-feira à tarde, quando tomei um ônibus com destino à São Paulo.

Ali, após breve translado, embarquei num moderno “Confort Bus” da Viação Gardênia, que após 12 h de viagem, com paradas intermediárias em Camanducaia e Perdões, aportou em seu destino às 9 h da manhã seguinte.

Rapidamente registrei-me na Pousada Mezanino onde havia feito reserva, tomei um lauto café da manhã e depois, saí para matar a saudade.

Afinal, apesar de já ter estado em Ouro Preto algumas vezes, posso dizer, sem medo de errar, que a cidade mais parece um museu a céu aberto, tamanha a gama de opções oferecida ao turista, pois caminhar por suas ladeiras e ruelas de paralelepípedos, do tempo da colonização do país, é como regredir três séculos.



Para todos os lados que se olhe, inevitavelmente, o pretérito aflora à nossa mente. 

Casarões do ciclo do ouro estão a cada esquina. 



Suas ruas e vielas estreitas são pavimentadas com pedras irregulares, há igrejas e museus em todo canto, e, assim, a cidade oferece o maior conjunto arquitetônico do período barroco existente no Brasil. 




Não por acaso que foi a primeira cidade brasileira a ser declarada pela UNESCO, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, no ano de 1.980.

Esta é a paisagem local, porém o que deixa tudo ainda mais belo é o Parque Estadual do Itacolomi, que envolve toda a urbe, com isso, vê-se que nem só de belezas culturais vive a cidade. 





Por sinal, nunca é demais lembrar que sua fundação data do ano de 1.711 e no período compreendido entre 1.721 a 1.897, quando ainda se chamava Vila Rica, foi capital da Província de Minas.

Contando atualmente com 75.000 habitantes, possui 12 distritos, a saber: Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Amarantina, Engenheiro Correia, Glaura, Lavras Novas, Miguel Burnier, Santa Rita, Santo Antônio do Leite, Santo Antônio do Salto, São Bartolomeu e Rodrigo Silva.




Ali, dois personagens são lembrados por suas obras e movimentos: Tiradentes e Aleijadinho.

E suas ladeiras e calçamentos da época, esculturas, templos, pequenas sacadas, um aglomerado de telhados em formas geométricas, atraem a atenção até do mais desatento visitante, proporcionando um autêntico mergulho no passado.




Aproveitando que o clima persistia frio e nublado, propício para a caminhada, fiz um “tour” pela urbe, ocasião em que visitei o Museu do Aleijadinho, a Casa Guignard e a Escola de Minas, locais que eram inéditos, pois não os conhecia.



Sobre Vila Rica, escreveu Francisco Tavares de Brito, em 1730:

”Entre montanhas de imensa altura e delas rodeada em forma que a vista se não pode estender por quebrada alguma, se levantou esta vila e suposto que abatida pela profundidade em que está situada a maior parte dela, é mais soberba e opulenta que todas, assim pela frequência dos comerciantes, como pela fiança das suas minas, mormente da inaccessível serra desta tapanhuacanga, em cujas fraldas se encontra e descansa, a qual serra é um Potosi de ouro. Mas por falta de água no verão não enriquece a todos os que nela mineram, suposto que os remedeia. E esta vila falta de tudo o que depende de agricultura, assim que todo o mantimento lhe vem dos já ditos campos, por distância de três, quatro, cinco léguas.”



"E como Vila do Carmo ali estava vizinha, com poucas horas de viagem, Tavares de Brito, nos dá notícia nestes termos: “Está situada em altura de vinte graus e quinze minutos. É de clima favorável para todo gênero de plantas, mas não tem em si, o milho e o feijão que lhe baste e grande parte de mantimentos lhe vem dos campos da Cachoeira, Curralinho e Casa Branca, conduzida em cavalos, distância de cinco, seis sete léguas. Está fundada em sítio alegre. Assim do ribeirão como serra, se tem tirado bastante ouro, mas em forma que tenha conta só a quem a Providência Divina permite, a assim, em todas as mais minas é o mesmo.”



Para almoçar utilizei os serviços do restaurante “Gula Divina”, lugar em que a comida mineira é preparada no fogão de lenha, onde o sabor caseiro deixa tudo mais gostoso e palatável. 




Depois de um bom descanso, e como de praxe, fui verificar o local por onde partiria no dia seguinte. No início da BR - 040, defronte o Centro de Turismo da cidade, localizei o primeiro marco da ER e me senti mais tranquilo.

No retorno, fiz uma visita ao escritório da Estrada Real para obter mais informações sobre o percurso que iria percorrer, porém, o material ali disponibilizado era basicamente aquele que eu já possuía.




À noite, fui jantar no restaurante “Caldos de Minas”, localizado na Praça Tiradentes, e posso garantir que o prato de “canjiquinha com costelinha de porco” estava, simplesmente, espetacular.

Antes de dormir, enquanto ultimava os preparativos ante à iminente partida, pude externar, em forma de oração, meu pleito de proteção à Nossa Senhora Aparecida:

“Ó bondosa Virgem Maria, que no teu peregrinar terreno conheceste as fadigas e os perigos das viagens, que tua vontade possa, ó Mãe Maior, guiar este teu filho que vai iniciar uma grande aventura, acompanhando-me em todos os momentos, protegendo-me dos perigos, velando pelo meu bem-estar e por minhas necessidades, e auxiliando-me aportar ao meu destino em segurança. 
Que assim seja!”



01º dia – OURO PRETO à CONGONHAS DO CAMPO – 37 quilômetros