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4ª etapa: TAMBAU à CASA BRANCA – 30 quilômetros

4ª etapa: TAMBAU à CASA BRANCA – 30 quilômetros

 

Conversando na véspera com o Marcos, proprietário do Hotel Tarzan, local onde eu estava hospedado, fiquei sabendo que houvera mudança no traçado do percurso desse dia.

Tanto que, diferentemente do trajeto que eu cumprira em 2.005, com partida junto ao Portal do Caminho da Fé que existia na saída da cidade, atualmente o roteiro passa por detrás do cemitério municipal.

Preocupado e para evitar surpresas em meu trecho matutino, fui conferir detalhadamente o local por onde seguiria na manhã seguinte.

Assim, mais tranquilo, levantei às 5 h, e meia hora depois, ainda no escuro, deixei o local de pernoite, seguindo em direção ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

A previsão metereológica para aquela data persistia imutável, com previsão de muito sol, calor de rachar mamona, e queda acentuada na umidade relativa do ar após o meio dia.

Da chuva, tão necessária e ansiosamente aguardada pelos agricultores e público em geral, não havia notícias, talvez ela só ocorresse na semana seguinte.

Mais acima, eu ultrapassei a rodovia que segue em direção ao túmulo do Padre Donizetti, e, observando as setas amarelas pintadas nos postes, logo passei a caminhar em terra, por dentro de um local deserto, onde existe um novo loteamento de terras.

Ali acabou a iluminação urbana, mas eu prossegui utilizando minha potente lanterna, que lançava círculos concêntricos de luz à minha frente.

Seguindo as flechas, mais abaixo eu passei próximo de um grande açude, onde, acredito, é feita a captação de águas para a cidade.

Senti não ter às mãos um gravador, pois um bando de seriemas junto ao lago brindava com seu estridente canto o bucólico lugar.



Mais acima, numa bifurcação, as flechas me remeteram à esquerda, então, principiou-se um trajeto campestre e extremamente interessante, que mesclou trilhas com caminhos em terra, bem definidos.



A aurora já tingia o céu com as suas cores madre-peroláceas, quando passei a caminhar em meio a exuberante vegetação, na maioria das vezes, constituída por extensos bosques de eucaliptos.

Porém, uma hora depois, 6 quilômetros percorridos, a sinalização me encaminhou para a estrada vicinal que liga Tambaú a Casa Branca.

Então, todo o encanto da jornada se desfez, porque encontrei um intenso tráfego de veículos, principalmente de treminhões, enormes carretas que transportam cana-de-açúcar, já que estávamos em plena safra dessa gramínea.

E como o trânsito era sempre em alta velocidade, levantavam enormes nuvens vermelhas de pó, não tive alternativa, por uma hora eu, literalmente, comi poeira.

Nesse trecho, também encontrei muito entulho e sujeira à beira da estrada, quase sempre fruto do descarte desordenado e irresponsável dos apedeutas que se aproveitam do local ermo, onde não há fiscalização municipal.

Mas, por obra divina, não há mal que sempre dure.



Assim, uma hora depois, mais 6 quilômetros vencidos debaixo de muito sofrimento e desolação, a estrada passou a ser em asfalto, o que meus pulmões festejaram.

Na verdade, todo esse “inferno” que passei não existia no traçado anterior, pois se tratava de um trajeto que cortava propriedades privadas, num percurso integralmente silencioso, em meio à frondosa natureza.

Porém, segundo fiquei sabendo, os proprietários acabaram por fechar o roteiro, revoltados contra os falsos e inescrupulosos peregrinos, que se aproveitavam para desbastar os pés de árvores frutíferas existentes ao longo desse percurso.

Assim, a Prefeitura Municipal de Tambaú precisou “improvisar”, ou melhor, sinalizar um novo trajeto, infelizmente, este pelo qual eu seguia.

Por sinal, extremamente perigoso e desagradável.



Bem, mas depois de uns 2 quilômetros, próximo de uma ponte, as flechas me direcionaram para a esquerda, quando acessei outra larga estrada de terra.



Então, gratificado, passei a caminhar em meio a imensas fazendas de criação de gado, alternando com áreas recentemente lavradas, que estavam apenas aguardando a benfazeja chuva para ser novamente semeadas.



Nesse percurso praticamente não encontrei tráfego de veículos, de maneira que pude seguir tranquilo, fazer minhas orações, e desfrutar do entorno, por sinal bastante agreste, com belas visões se delineando no horizonte.



Depois de três horas caminhando, passei diante da entrada para a Fazenda Benfica, que é uma referência nesse trecho, por conter uma imensa área destinada ao plantio de cana e milho.

O sol já estava impiedoso, me obrigando a extenuante caminhada, morro acima.



No final de um perene aclive, passei em meio a um extenso laranjal, onde os pés se encontravam extremamente carregados, e as frutas maduras eram uma tentação a amenizar a sede, pois o calor já se fazia sentir.

Porquanto, o sol já tostava sem dó, num céu sem nuvens que tinha um tom intenso de azul.

A partir desse ponto, passei a transitar por estradas largas e vazias, que possuíam árvores a ladeá-las, o que amenizou bastante o ataque do “astro-rei”.



Mais adiante, a paisagem se abriu e caminhei um bom tempo ao lado de um milharal, recentemente plantado.

O trecho prosseguiu razoavelmente plano, sem grande declividade, porém atravessando muitas lavouras sazonais, predominando as de cana de açúcar.

Ao longe, eu podia divisar inúmeras fazendas, com grandes bosques de matas nativas e muitas árvores floridas, inclusive alguns pés de ipês amarelos e roxos.



Depois de vencer um trecho localizado em meio a um grande bosque de eucaliptos, acabei por sair no asfalto novamente, quando estava a 3 quilômetros de aportar à Casa Branca, minha meta para aquele dia.

Logo adentrava em zona urbana e me dirigi, então, ao Santuário do Desterro, onde pretendia pernoitar naquele sábado.



Ocorre que ao chegar lá, eu fiquei sabendo que à noite iria acontecer, naquele local, uma grande festa em homenagem a Nossa Senhora, com direito a quermesse, fogos, barraquinhas, som em alto volume, etc...

E como eu tenho o hábito de me deitar bastante cedo, depreendi que não iria conciliar o sono no horário que estou habituado, o que iria me incomodar bastante.

Assim, como estava cansado e teria outra jornada difícil no dia seguinte, preferi apenas carimbar minha credencial, e acabei me hospedando no Alfonso’s Hotel, onde fiquei muito bem acomodado.



Mais tarde, após um relaxante banho, fui almoçar num restaurante localizado defronte à praça central desse magnífico município.

À tarde, quando o calor abrandou, retornei ao Santuário do Desterro para conversar com os outros 5 peregrinos, mas, apesar do horário tardio, quase 17 horas, eles ainda não haviam chegado àquele local.

Retornei então ao centro e por 2 vezes fui até a igreja matriz, contudo ela estava fechada e segundo soube através de um taxista, possivelmente somente iria abrir para a missa que seria celebrada às 20 horas.

Porém, ele não tinha certeza disto e, embora diligentemente tenha procurado ao redor do templo, algum lugar onde estivessem disponíveis os horários de cultos ou outras informações pertinentes, nada encontrei.

E, por conta disso, também não tive o prazer de conhecer o famoso Padre Agnaldo José, que é o pároco da cidade e meu grande amigo virtual.

Assim, infelizmente, nosso encontro ficou agendado para outra ocasião, no futuro.


 

IMPRESSÃO PESSOAL – Um percurso integralmente plano, ainda que praticamente desprovido de árvores. Também, uma distância razoável a ser percorrida, ou seja, 30 quilômetros. Imprescindível, levar água em quantidade suficiente, vez que somente encontrei esse líquido com fartura nos derradeiros quilômetros.


 5ª etapa: CASA BRANCA à VARGEM GRANDE DO SUL – 31 quilômetros