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11ª Etapa: PEDRINHAS (GUARATINGUETÁ) à APARECIDA – 22 quilômetros

11ª Etapa: PEDRINHAS (GUARATINGUETÁ) à APARECIDA – 22 quilômetros


Chegara, finalmente, a última jornada, e o desejo era aportar ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, o mais cedo possível.

E, apesar do cansaço e das emoções da véspera, dormi a noite toda, acordando somente ao final da madrugada, com o barulho produzido pelos cães do Sr. Agenor.

Assim, tomamos o café na cozinha de dona Maria, e às 6 horas, depois de calorosas despedidas, deixamos o local, seguindo à direita, por asfalto.



Oitocentos metros à frente, nós transitamos pelo distrito de Pedrinhas, cuja sede é Guaratinguetá e, logo adiante, adentramos em larga estrada de terra, à direita.

O dia se mantinha frio e úmido, em face da chuva recente, assim, o clima se fazia excelente para a caminhada.



O trajeto plano e muito bem sinalizado nos levou a transitar em meio a inúmeras fazendas de gado, e em vários locais eu pude observar a ordenha sendo feita nos currais, em face do horário matutino.



Porém, quando restavam 9 quilômetros, nós passamos a caminhar sobre asfalto, e transitar pelos bairros periféricos da cidade de Potim.

A partir desse marco, o caminho perdeu toda sua essência, pois era necessário dividir o piso asfáltico com os carros, vez que a rodovia não tem acostamento.

E nesse trecho específico, eu enfrentrei um expressivo tráfego de veículos, em face do horário matutino.

A passagem pela cidade de Potim também foi tormentosa, porque as calçadas são estreitas e esburacadas, além disso, havia muito lixo espalhado pelo chão, cachorros vadios vagando a esmo, trânsito caótico, etc..



O único fato positivo e que me trouxe grata lembrança desse percurso, foi ter ultrapassado uma romaria procedente da cidade de Natércia, que era composta por seis carros de bois, cada um deles puxados por 3 juntas de alentados touros.

Muito bem organizada, existia um carro de som abrindo o desfile, tocando emocionantes músicas alusivas à Nossa Senhora Aparecida.

Também, pessoas a cavalo e alguns romeiros a pé, completavam a comitiva, todos uniformizados com camisetas referentes ao evento.

Eu ultrapassei a praça central do município e, na sequência, por uma ponte exclusiva para pedestres, transpus o rio Paraíba do Sul.



E logo depois de uma curva, pude avistar no horizonte, a uns 2 quilômetros de distância, a Basílica da Mãe Aparecida.

A fabulosa visão infundiu novo ânimo em meu espírito, propiciando-me seguir solitário, alvissareiro e jubiloso. 

Nesse derradeiro trecho, mentalmente fui orando pela minha família e, também, por todas aquelas pessoas que me auxiliaram na consecução de meu objetivo.

E, ainda, por aquelas que durante o Caminho, especificamente, me socorreram com seus préstimos e deferência.

Nesse passo, lembrei-me com mais efusão do Rodrigo, o Coordenar do Caminho, e do Sr. Geraldo e família, de Alfenas/MG; da Dona Duína e do Sr. Fernando, do bairro Matão/Alfenas/MG; da família da Renata e de sua sogra Kátia, de Guaiapava/Paraguaçu/MG; do Sr. Acácio, de Cordislândia/MG; da Angélica, de sua filha Yara, e da funcionária Daianne, de Turvolândia/MG; do Sr. Dimas, de São Sebastião de Bela Vista/MG; do Sr. Júlio Gabriel, de Santa Rita do Sapucaí/MG; do amigo Leandro, funcionário do Hotel Oriente, em Itajubá/MG; de Dona Penha, sua irmã Betinha, do motorista Toinho, e do Sr. Alcides, de Wenceslau Brás; Do Sr. Agenor, e de sua esposa Dona Maria, do distrito de Pedrinhas/Guaratinguetá/SP.


Em continuação, prossegui por avenidas movimentadas, depois rompi pela empinada passarela que dá acesso à Basílica.

E, ao lado da Célia, finalmente, depois de contornar o templo pelo lado esquerdo, nós chegamos diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Imediatamente, meus olhos nublaram ao rever novamente a majestosa imagem da Santa.



Emocionado, “sentia” o Caminho de Aparecida desvanecer naquele instante.

Posto que, deixara de existir num inolvidável átimo de segundo, mas, em meu coração persistirá para sempre, como algo inestimável, de perene e pungente recordação, porquanto são essas conquistas que nos acompanham a vida toda.


Obrigado Mãe Maria, por adentrar em sua casa novamente, com saúde e muita fé!

Em seguida, bati algumas fotos para deixar registrado à posteridade o momento mágico e único que vivi. 

Depois, alma leve, coração em júbilo, nós visitamos o interior da imponente Catedral, e na penumbra da Capela de São José, pudemos externar nossas derradeiras orações.

Enfim, alegre, coração exultante, deixamos o complexo religioso e hospedamos-nos no Minoru’s Hotel, para um reconfortante e merecido repouso.

No dia seguinte assistimos à missa das 9 h, onde nós, juntamente com outros romeiros ali presentes, fomos homenageados. 

À tarde fizemos uma última visita ao templo maior, para dizer adeus à “Mãe” Aparecida. 

Na sequência, embarcamos num ônibus e cada um retornou ao conforto do seu lar.

 


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada plana, curta, e bastante agradável, em seus primeiros 13 quilômetros. Porém, quando ainda restam 9 quilômetros para a chegada, o trânsito pelo asfalto e zona urbana acabam por deslustrar o brilho dessa etapa. Porquanto, caminha-se o tempo todo apreensivo com a segurança pessoal, porque o fluxo de veículos é intenso e produz inquietação. Também, o barulho ininterrupto vivenciado no percurso, faz com que nossa atenção volte-se permanentemente para o exterior, desaparecendo, por conta disso, toda a introspecção e tranquilidade desfrutadas nas jornadas pretéritas. Ainda, a certeza da chegada ao nosso objetivo nos fortalece, mas, também nos angustia. Afinal, são os últimos momentos no Caminho e, por isso mesmo, tormentosos e desgastantes. Mas, ao mesmo tempo, inesquecíveis e de frenética emoção.