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6ª Etapa: CAREAÇU à SANTA RITA DO SAPUCAÍ – 34 quilômetros

6ª Etapa: CAREAÇU à SANTA RITA DO SAPUCAÍ – 34 quilômetros


"Poderosa Novena à Nossa Senhora Aparecida: 6° DIA - Ó Maria, que como aurora esplendidíssima despontastes no horizonte desta vida, sem nenhuma névoa que ofuscasse, por pouco que fosse, vosso límpido brilho, ah!, não permitais que nossa alma jamais descanse nas trevas e na sombra da morte."

Como havia estudado bem o livrinho-guia que portava, já sabia que essa seria a jornada mais longa e difícil dentre todas as vencidas até aquele momento.

Assim, concentrado, levantei às 4 h, tomei café às 5 horas, juntamente com um grupo de trabalhadores do DER que também estava hospedado no hotel e, às 5 h 15 min, deixei o local de pernoite, seguindo à direita.



No final da praça, eu girei novamente à direita, e acessei a Rua Antônio Florenço Nogueira, que me levou, depois de 1.500 metros caminhados, a encontrar uma placa que visualizara no dia anterior, quando aportara à cidade.

Nesse trecho integralmente urbano, visualizei alguns trabalhadores se dirigindo ao trabalho a pé ou de bicicleta, bem como passei diante de uma padaria e um bar que, para minha surpresa, já estavam em pleno funcionamento.

Assim, obedecendo à sinalização, eu prossegui em frente e, mais trezentos metros caminhados, acabei por encontrar a Rodovia Fernão Dias, que naquele horário apresentava escasso movimento de veículos.

Então, cuidadosamente, eu atravessei as pistas de rodagem e, já do outro lado, segui à direita, pelo acostamento e contra o fluxo de veículos.

Ainda estava escuro, de forma que fui caminhando, dirigido pela lanterna que portava, ainda assim, foi este com certeza, o trecho mais perigoso que venci em toda a minha aventura.

Na verdade, os carros e caminhões desenvolviam alta velocidade e, conforme o tempo passava, o trânsito ia recrudescendo, de forma que eu segui nesse percurso, sempre tenso e preocupado.

Por sorte, depois de mais 4 quilômetros vencidos, eu passei diante do Posto Don Diego, antigo Posto 2001, depois, transitei diante de alguns estabelecimentos comerciais, e logo iniciou-se uma estrada de terra, que fletiu bruscamente à esquerda.



Uma placa ali fincada, informava que eu estava a 12.500 metros de meu primeiro objetivo, que era aportar em São Sebastião da Bela Vista.

Então, se até aquele local eu já havia caminhado 5.500 metros, a real distância dessa etapa, monta, exatos, 18 quilômetros, ao invés dos 14 quilômetros indicados no guia que eu portava.

Bem, passado o sufoco inicial, pude, então, desfrutar do entorno que se abriu à minha frente, com extensas e verdes pastagens a me ladear por ambos os lados.



Com o dia amanhecendo, mais dois quilômetros percorridos, eu cheguei à uma bifurcação e, atento às setas-peixe, eu prossegui à direita, enquanto um grande rebanho de vacas me observava dentro de um pasto.

O trajeto mostrou-se silencioso, tranquilo, por uma estrada larga, onde não havia trânsito de veículos.

Assim, prossegui com a alma leve, respirando o ar puro que a natureza me oferecia.



Pequenas ascendências se alternavam com frequentes declividades, num trajeto campestre e bucólico, situado sempre entre grandes áreas destinadas à pastagem de gado bovino.



Uns mil metros à frente, eu transpus um rumorejante regato, e notei que uma névoa baixa subia da superfície das águas, como se estivessem a ferver.

Mais alguns quilômetros caminhados, eu passei ao lado de um sítio, onde algumas pessoas se alternavam na ordenha de um rebanho leiteiro.

Um senhor que aguardava do lado de fora, muito simpático e brincalhão, me ofereceu leite tirado na hora, mas eu recusei, dizendo-lhe que estava bem nutrido.

Infelizmente, como sou alérgico à lactose, por mais sequioso que estivesse, não poderia aceitar sua oferta.

Depois de atravessar um pequeno trecho matoso, eu acabei por desaguar em outra estrada de terra.



Uma placa ali fincada me dizia que eu havia chegado ao “Ponto de Encontro”, e que me restavam, ainda, 6 quilômetros para a chegada.

Nesse local específico, retornam ao roteiro, aqueles que utilizaram a balsa para transpor o rio Sapucaí, mormente os cavaleiros e moto-trilheiros, cuja passagem por ela é obrigatória nessa etapa, porque não podem transitar pela Rodovia Fernão Dias.

O percurso prosseguiu ainda plano, porém, mais adiante, numa bifurcação, eu adentrei à direita e, teve iniciou uma forte ascendência, que durou quase mil metros, tendo eu agora pela minha direita, um imenso cafezal.



Já quase no topo do morro, parei para tirar fotos e tive uma visão ampla de todo o entorno que me envolvia.



Naquele local, o frio ainda incomodava, e em algumas baixadas, eu podia ver um resto de neblina, mas aos poucos o sol ia iluminando o caminho e aquecendo meu corpo.

Prossegui ascendendo de forma suave, passei diante de outra fazenda onde um senhor ordenhava vacas e, já no cimo do pico, olhando à esquerda, pude ver no horizonte, a uns quatro quilômetros de distância, a cidade de São Sebastião da Bela Vista.

Fiz ali providencial pausa para hidratação, e aproveitei para retirar a blusa, pois o calor já se fazia sentir.

Prosseguindo, eu adentrei em fresco bosque de eucaliptos e, lentamente, principiei a descender.

Dois cães que acompanhavam um senhor a roçar um pasto à esquerda, latiram e, ameaçadores, vieram em minha direção.

Porém, seu dono, o senhor Dimas, ralhou com eles e os chamou de volta, que relutantes obedeceram.



Troquei algumas palavras com o humilde trabalhador, e ele, depois de saber meu destino, desejou-me “boa viagem”, além de solicitar orações por sua família, em Aparecida.

No final de longa declividade, acabei por sair numa rodovia asfaltada, então, girei à esquerda e logo adentrava em zona urbana.

Na entrada da povoação, observei uma grande estátua que traz a figura de São Sebastião, o padroeiro da cidadezinha de São Sebastião da Bela Vista.

Eu ascendi por sua rua principal, e logo chegava à praça central, onde também se encontra edificada sua igreja matriz.

 

O território, onde hoje se situa o município, integrava Santa Rita do Sapucaí.

Os proprietários - famílias Batista, Silvério e Barroso - foram os responsáveis pela construção de uma capela dedicada a São Sebastião, alvo da devoção de todos da região.

Assim, São Sebastião passou a figurar como um dos nomes do povoado, sendo que o nome atual deve-se à sua localização privilegiada, com uma ampla e bela vista.

O desenvolvimento do povoado se deu lentamente, pois passou a distrito em 1874 e, somente em 1962, conquistou sua emancipação e autonomia política.

Atualmente, São Sebastião tem no agronegócio a sua principal fonte de renda.

O município se destaca por suas lindas paisagens e pela Serra do Paredão, onde há uma rampa para salto de parapente e asa delta.


Igreja Matriz de São Sebastião da Bela Vista/MG

Existe ainda o turismo rural em diversas fazendas.

O município dispõe ainda de uma associação de artesãos, que produz peças de valor artístico e cultural, gerando renda aos participantes.

O ponto alto da cidade é a Festa de São Sebastião, que acontece sempre na segunda quinzena de janeiro, quando durante 10 dias, ocorrem shows, bingos e funcionam barracas típicas.

Sua população conta 4.948 habitantes (censo de 2010), sendo que, curiosamente, desse total, 2.889 pessoas residiam na área urbana, e outras 2.059, na zona rural.

Sua base econômica está nas lavouras de café e criação de gado bovino, consistente em suas quase 300 propriedades rurais, onde é produzido ainda, arroz, cana de açúcar, batata, feijão e milho.

A região se destaca pela paisagem, tendo, inclusive, áreas naturais sob proteção ambiental.

Dentre elas, a serra do Mata Cachorro, que se situa a 10 quilômetros da sede do município, e possui um mirante de 360 graus, onde também foi construída uma rampa para voos de parapente.

Merece destaque, também, as restingas de Mata Atlântica, localizadas às margens do rio Sapucaí, com vasta vegetação e madeiras de lei em extinção.

 


Conforme já comentado anteriormente, não existe sinalização do Caminho em zona urbana, visto que para a inserção das setas em postes e muros, se faz necessário a autorização das Prefeituras locais.

E, tão imprescindível facilitador aos peregrinos e romeiros iniciantes, ainda não foi obtido pelos dirigentes do Caminho de Aparecida.

Assim, o importante é indagar sempre, para não cometer engano.

Foi o que fiz num bar, onde adentrei para tomar um copo de café, local em que, o proprietário, muito gentil, disse que eu deveria seguir reto, em frente, que logo deixaria a urbe.

Bem disposto e reanimado, eu prossegui adiante e, assim que a praça central findou, eu adentrei à direita, por onde deixei a cidadezinha, passando a transitar por bairros periféricos.



E logo terminou o pavimento urbano, e voltei a caminhar em terra, próximo de um local bastante arborizado, onde uma plaquinha pregada num mourão de cerca, avisava que restavam 15 quilômetros para eu chegar à Santa Rita do Sapucaí, minha meta para aquele dia.

À minha frente, lentamente surgia uma grande formação rochosa, composta de vários morros, que eu precisaria transpor, e a minha curiosidade ficou por conta de saber por qual deles eu iria transitar.

Porquanto, em termos de altimetria, o ponto culminante dessa cordilheira situa-se a 1.400 metros de altura.



Mais adiante, eu passei pelo bairro Paredão, que ainda pertence a São Sebastião, então, repentinamente, o roteiro girou à esquerda, e principio a ascender.

O sol estava forte e me fazia suar abundantemente, contudo, conforme eu lentamente ia transpondo de patamar, iniciou-se uma brisa fria que, em boa hora, veio me refrescar.



Depois de alguns quilômetros, sempre em dura ascensão, fiz uma pausa para hidratação e descanso, próximo de uma enorme árvore onde, por coincidência, havia uma plaquinha me avisando que ainda restavam 10 quilômetros para a chegada.

Prossegui em aclive, tendo um enorme cafezal a me ladear pelo lado direito e, depois de suplantar o derradeiro trecho inclinado, acabei por chegar ao topo do morro, onde existe uma placa avisando que aquela área está sob proteção ambiental.

Trata-se da Reserva Biológica de Santa Rita do Sapucaí, criada pela Lei Municipal nº 1098, datada de 15/10/1980, e, naquele local, eu estava a 1.200 metros de altitude.

Como informação complementar, diria que a serra do Paredão, também conhecida como serra das Três Torres, faz parte do Parque Ecológico Municipal de Santa Rita do Sapucaí.


Chegando ao topo da Serra do Paredão, a 1.200 metros de altura.

Ela se enquadra na categoria de unidade de conservação de proteção integral e ecossistemas naturais, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades educacionais, além do turismo ecológico.

No entorno, pude observar uma grande área de reflorestamento, onde estão plantados pés de eucaliptos.

A Célia me aguardava naquele local, então aproveitei para fazer outra breve pausa para descanso, mas logo percebi que meu corpo começou a esfriar em face da altimetria do lugar.

Então, rapidamente me recompus, principiando a descender pelo lado oposto.

A Célia sentia fortes dores nos membros inferiores, conforme me confidenciou, e preferiu seguir num ritmo menos intenso, de forma que eu logo me distanciei dela.


Santa Rita do Sapucaí/MG, no horizonte, desde o topo da Serra do Paredão

E, quinhentos metros depois, se tanto, a vista se abriu do meu lado direito e pude ver, no horizonte, ao longe, a cidade de Santa Rita, para onde eu seguia.

O descenso é bastante rude, pois magoa sensivelmente os joelhos do caminhante, contudo, mais 4 quilômetros vencidos em forte declividade, por uma estrada agradavelmente sombreada, acabei por sair num extenso planalto.



E logo passava diante de uma bifurcação, onde uma placa me avisava que, se seu seguisse à direita, por mais 500 metros, encontraria a Pousada Santo Afonso, que também acolhe romeiros, peregrinos e cavaleiros, além de oferecer pasto aos animais.

Eu segui adiante e logo adentrei em zona urbana.

O aporte no centro da urbe foi cansativo e entediante, pois eu caminhei aproximadamente 4 quilômetros, primeiramente, à beira de uma rodovia, depois, por calçadas estreitas, que mais à frente, se normalizaram.

Finalmente, debaixo de um sol abrasador, que mais parecia com um instrumento passivo de tortura, eu aportei na praça principal do município, extremamente estafado, quando meu relógio marcava 13 h.

Na cidade, ficamos hospedados no Hotel Vicenza, muito bem localizado, pois está a 50 m da igreja de Santa Rita, a padroeira da cidade.

A Célia chegou mais tarde, e depois do banho, fez contato e saímos para almoçar e comentar a jornada do dia.

Para tanto, utilizamos os serviços do Restaurante Vista Alegre, localizado próximo do hotel, o qual eu recomendo aos amigos, vez que de excelente qualidade.

 

Santa Rita do Sapucaí foi fundada por uma família de portugueses, Sr. Manoel da Fonseca e sua esposa Dona Genoveva Maria Martins, o filho Antônio e a filha menor Maria Rita, sendo que se instalaram às margens do Ribeirão do Mosquito, localizado próximo de onde hoje se situava a igreja de São Benedito.

Saíram eles de Olivença, uma dentre tantas cidades de Portugal, que formavam o Contestado, descontentes com a anexação da terra natal à Espanha.

Desembarcaram na cidade do Rio de Janeiro e foram ali recebidos por D. João VI, que não se esquecera dos serviços prestados por Manoel da Fonseca, quando da invasão de Napoleão Bonaparte a Portugal.

O casal se instalou em Baependi e ali desenvolveu um comércio lucrativo, porém, quando soube das glebas devolutas, situadas às margens do rio Sapucaí, se serviram de recomendações do Imperador e, vendendo seus bens, rumaram com os filhos e escravos, para tomar posse das terras.

Sempre portando a santa de sua devoção (Santa Rita de Cássia), fundaram a freguesa que iria honrar o nome da Santa.

Para cumprir a promessa, pedindo um milagre para salvar o chefe da família, em 1821, eles doaram à Santa Rita oito alqueires de terra.

Quatro anos depois, em 1825, quando o Sr. Manoel da Fonseca faleceu, sua esposa, Dona Genoveva, consolidou a promessa mandando construir a capela.

No dia 22 de maio daquele ano, o Padre Mariano Acciolli oficiava a 1ª missa no local, bem como introduzia a imagem que fora trazida de Portugal.

Estava fundada assim a freguesia que, mais tarde, viria a se tornar Santa Rita do Sapucaí.

Sua população atual é de 40784 habitantes, e a cidade também é conhecida em Minas Gerais por sua vanguarda no ramo da eletrônica e telecomunicações, pois tem um arranjo produtivo local dessas indústrias.


Depois de seu grande desenvolvimento, a cidade se tornou conhecida como "Vale do Silício" brasileiro.

A semente do “Vale da Eletrônica” foi plantada pela benemérita "Sinhá Moreira", que fundou a Escola Técnica de Eletrônica “Francisco Moreira da Costa”.

Logo depois, foi criado o Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL e, alguns anos depois, a FAI - Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação.

Essas três escolas formam a mão de obra do Vale.

Assim, a ideia de Dona Sinhá Moreira expandiu-se e foi incorporada pelas administrações públicas, passando a contar com a força de outros nomes expressivos no panorama econômico e político brasileiro.

Desde então, a cidade tomou novos rumos na área tecnológica, criando ambiente para que os alunos ali formados permanecessem com suas ideias e projetos no entorno, e gerassem novas indústrias, que passaram a dar o tom do desenvolvimento à cidade, possibilitando que seus jovens ali se empregassem e desenvolvessem suas carreiras profissionais.

Hoje, a oferta de empregos é grande e a renda per capita anual pode ser comparada a de importantes cidades paulista, como Sorocaba, Uberlândia e Piracicaba.

Várias indústrias estão instaladas na cidade (mais de 142 empresas).

Acompanhando os ensinamentos de suas escolas, se voltam para as áreas de eletrônica, telecomunicações e informática.

Entre as figuras ilustres nascidas nesta cidade, destacam-se:

- Delfim Moreira, ex-presidente da república e ex-governador do estado;

- Olavo Bilac Pinto, Ex-embaixador e ex-ministro da justiça;

- Luzia Rennó Moreira (Dona Sinhá Moreira), benfeitora inesquecível;

- José Francisco Rezeck, atualmente juiz da Corte Internacional de Haia, na Holanda;

- Ronaldo de Azevedo Carvalho, Prefeito de Santa Rita do Sapucaí, Deputado Estadual, Deputado Federal Constituinte, Líder do PMDB no Congresso Nacional, um dos fundadores do PSDB, Secretário de Estado de Ciências Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais, Presidente do Conselho Estadual de Política Ambiental e Presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais.

- Roque Júnior, ex-jogador do Palmeiras, Milan- ITA e da Seleção Brasileira de Futebol.

- Elias Ribeiro de Oliveira, futebolista (Bahia, Fluminense, Vasco, Atlético-GO e Figueirense) atualmente joga pelo Flamengo/RJ;

- Pedrinho Matador, “Serial Killer” e psicopata brasileiro, com mais de 100 mortes nas costas, e que ainda está vivo, embora se encontre detido em uma penitenciária de segurança máxima. Jurado de morte por companheiros de prisão, Pedrinho é um fenômeno de sobrevivência no duro regime carcerário, porquanto dificilmente um encarcerado vive tanto tempo.

 

À tarde, após um merecido descanso, fui dar uma volta pela cidade e aproveitei para conhecer sua igreja matriz, dedicada à Santa Rita, a qual não segue um perfil arquitetônico definido, pois possui uma influência de diversos estilos, como o neoclássico e o ecletismo.

Na sua fachada lateral direita, existe um anexo onde se encontra a capela de Santa Rita do Sapucaí, que se acha integrada à igreja, contudo, possuem entradas independentes e distintos horários de funcionamento.


Igreja matriz de Santa Rita, em Santa Rita do Sapucaí/MG

Ao deixar o templo, fui visitar ver o corpo da Santa.

No caminho, encontrei um amável transeunte, ao qual fiz uma pergunta e acabei recebendo uma grande atenção do meu interlocutor, o santarritense Sr. Júlio Gabriel.

Ele me proveu de valiosas informações, bem como me acompanhou na visita à capela, onde existe uma urna com a réplica do corpo da Santa, deitada numa almofada, dentro de uma redoma de vidro.

Na verdade, a ideia da construção desse espaço sacro nasceu em 1956, durante o planejamento da festa do quinto centenário de morte da Santa,  que aconteceria em 1957.



À época, o Monsenhor José Carneiro, Pároco da cidade, decidiu importar de Cássia, na Itália, uma imagem da santa. 

Inicialmente, pensou-se em fazê-la de cera, mas os italianos desaconselharam, temendo a deterioração do material.

O gesso também foi descartado, pois não resistiria à longa viagem de navio até o Brasil.   

Os artesãos de Cássia optaram, então, pela madeira e fizeram-na em tamanho natural que, juntamente com a relíquia e seu hábito, chegou a Santa Rita no dia 21 de abril de 1957.   

Inicialmente, ela foi colocada ao lado do altar do Santuário, próximo à Capela do Santíssimo.



Porém, a Matriz passou por uma grande reforma no início dos anos 1970 e, desde a sua reinauguração, em 22 de janeiro de 1974, a urna com a imagem de Santa Rita ganhou uma capela própria.   
Novamente, a capela foi totalmente reformada nos anos de 2004 e 2005, ganhando novos afrescos e permitindo que semanalmente seja celebrada ali missa em homenagem à Santa das Causas Impossíveis.

Após deixar o Santuário e me despedir do Sr. Júlio, eu caminhei um pouco pelas ruas centrais da urbe, aproveitando para encontrar o local por onde nós deixaríamos a cidade na manhã seguinte.

No retorno, fomos até um supermercado nos prover de víveres e água, e logo me recolhi, pois começou a cair uma garoa fina, acompanhada de muito vento.

 


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão, agravada pela escalada da Serra do Paredão. Nela há, ainda, o percurso pelo acostamento da Rodovia Fernão Dias, talvez o pior trecho de todo o caminho, em razão do estresse e do perigo que representam. No entanto, como nos trajetos anteriores, afora o percurso em asfalto, o roteiro sempre transcorreu em meio a muito verde, por estradas rurais bem sinalizadas e com escasso trânsito de veículos. Santa Rita é uma cidade grande, simpática e progressista, que oferece todas as facilidades ao peregrino.