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HISTÓRIA DO CAMINHO

HISTÓRIA DO CAMINHO

 

"Das águas da represa de Furnas, pelas águas do Sapucaí e Lourenço Velho, para as águas do Rio Paraíba."

Em dezembro de 2002, os romeiros Rodrigo Costa e Maurício Batista combinaram fazer de bicicleta, em janeiro de 2003, o percurso de Alfenas-MG ao Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, situado na cidade de Aparecida/SP.

Assim, utilizaram o mapa traçado pelo romeiro Eduardinho Abobrinha, que já tinha feito o Caminho, e novamente iria com Dunga e Vardemá.

Maurício e Rodrigo saíram no dia 06 de fevereiro de 2003, e percorreram em 2 dias o trajeto por estradas de asfalto e terra: eles não sabiam, mas ali estava nascendo o CAMINHO DE APARECIDA.

A partir daí, a cada ano crescia o número de pessoas interessadas em percorrer esse trajeto, até a casa da Mãe Aparecida.

Contudo, nos anos chuvosos, eles optaram por fazer o roteiro inteiramente por asfalto.

A partir de 2007, eles começaram a perceber a dificuldade de pedalar em rodovias com trânsito pesado, devido ao aumento significativo de peregrinos.

Daí, então, elaboraram uma rota apenas por estradas de terra e trilhas, transitando por piso asfáltico ou calçamento, apenas nas cidades por onde passaria o novo caminho.

Crescia também a quantidade de pessoas e romarias para Aparecida de “bike”, a pé e a cavalo, porém cada grupo seguia por um caminho diferente.

Dessa forma, novamente, se reforçava o ideal de juntar todos os Caminhos em apenas uma única rota.

Na cidade de Paraguaçu-MG, Alain já tinha um grupo de amigos que fazia o percurso de “bike” anualmente, assim ele contribuiu com apoio e sugestões a respeito do caminho, porquanto foram muitos anos de pesquisa e experiência.

Em agosto de 2010, os romeiros: Paulo Bala, Eduardinho e Rodriguinho fizeram um percurso a pé, coletando informações em cidades do Sul de Minas, buscando avaliar uma rota por terra, a fim de adicioná-la ao novo caminho, cujo objeto era diminuir os trechos em asfalto.

Em Carvalhópolis/MG, obtiveram ajuda e informações com Sr. Wilson, peregrino que já havia feito esse percurso por 49 vezes.

Ainda, contaram com a ajuda de seu filho, Sr. Vagner, da cidade de Alfenas/MG.

Em Careaçu/MG, receberam subsídios do Sr. Raul, e em Itajubá/MG, dos moto-trilheiros Eduardo e Antônio.


Em janeiro de 2011, 32 romeiros venceram de bicicleta a 9ª Romaria de “Moutain Bike”, sendo esta a última vez que percorreram o Caminho por asfalto.

Em fevereiro de 2011, os abnegados mantenedores do Caminho, juntamente com os amigos, parceiros, empresários, motoqueiros, cavaleiros, romeiros, bem como o Sargento Marcelo, Aldovane, Paulo Bala, também Jipeiros: Tarcísio, Adriano, e o mecânico de bicicletas Timóteo, começaram a sinalizar e fazer marcações com símbolos em estradas de terra e trilhas do sul de Minas, Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba, totalizando a extensão de 300 quilômetros.

Em fevereiro de 2011, eles cadastraram hotéis, pousadas, restaurantes e comunidades, além de comunicarem as paróquias e Prefeituras das cidades sobre o novo Caminho.

Em março de 2011, iniciaram contato com o Santuário de Aparecida para a emissão do Certificado de Conclusão do Caminho, bem como a criação da Associação dos Peregrinos do Caminho de Aparecida.

Atualmente, a rota possui centenas de plaquinhas metálicas, com o símbolo seta/peixe, que direciona o peregrino pelo Caminho.

Ao partir para a peregrinação, o caminhante receberá sua credencial peregrina, e ao finalizar o Caminho, ele retirará o Certificado de Conclusão na Secretaria da Basílica de Aparecida.

Lembrando sempre, que esse roteiro foi inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela, existente na Espanha.

Por conseguinte, o Caminho de Aparecida tornou-se uma rota incrível, que propicia momentos de intensa reflexão, fé, recolhimento, e proporciona a aproximação do caminhante com a natureza.

Trata-se, ainda, de um roteiro que fortalece o espírito peregrino e estimula vencer as dificuldades da vida, fazendo aflorar em cada um o sentimento de superação.

A pauta, para reflexão no Caminho, será sempre o tema da Campanha da Fraternidade do ano da peregrinação.

(extraído e adaptado do texto existente no “home” do site: www.caminhodeaparecida.com.br) 

 

MINHA VIAGEM 

Minha aventura começou numa quinta-feira à tarde, quando embarquei em Campinas num ônibus da Viação Santa Cruz, rumo à cidade de Alfenas/MG.

Um percurso de aproximadamente 200 quilômetros, que demorou quase 6 horas para ser vencido.

Lá chegando, tomei um táxi e, na sequência, me registrei no Hotel JS, situado no centro daquela localidade.

Então, mantive contato com a Célia, uma experiente peregrina de Recife/PE, que estava alojada no mesmo hotel, e já percorrera o Caminho da Fé, o Caminho de Santiago, por 3 vezes, e iria me acompanhar nessa aventura.

 

O amigo Rodrigo, o atual Coordenador do Caminho de Aparecida

A região, onde, hoje se encontra o município de Alfenas era habitada pelos índios tupi-guaranis e sapucaís.

No entanto, essas tribos indígenas foram extintas, logo após a chegada dos negros africanos e imigrantes europeus.

Com isso, as terras passaram a ser divididas em glebas, doadas em Sesmarias, onde se fixaram as famílias colonizadoras, as quais iniciaram a construção da infraestrutura para a efetiva ocupação do território.


Praça Getúlio Vargas, Alfenas/MG

O toponímico Alfenas surgiu em referência a uma família pioneira do lugar.

Conforme comprovou o historiador Adilson de Carvalho, os membros da família Martins Alfena foram realmente os primeiros moradores do local, onde surgiu a cidade de Alfenas, território então pertencente à Freguesia de Cabo Verde, em cujos livros da igreja Matriz foram lançados, até fevereiro de 1801, todos os registros de batizados, casamentos e óbitos da região que constituiria depois a cidade de Alfenas.

Os irmãos: José, Francisco, Joaquim, João e Antônio Martins Alfena, juntamente com o primo Francisco Martins Barbosa, foram os pioneiros do lugar.

Em 8 de outubro de 1784, o Alferes José Martins Borralho obteve sesmaria, ao pé da Serra da Esperança, entre o Ribeirões Sapé e Águas Verdes.

Em busca desse objetivo, criaram arraiais e deu origem a vila, se inserindo no sistema da administração colonial.

No ano de 1832, foi criada a freguesia e São José de Alfenas, que alguns anos depois se tornou Vila Formosa e, em 1871, foi elevada à categoria de cidade de Alfenas.

Quanto à parte religiosa, de se recordar que 1799, foi erguida uma pequena ermida, dedicada a Nossa Senhora das Dores, a qual foi posteriormente demolida, para dar lugar a uma Capela, cuja construção foi concluída em 1801, e passou a ser denominada Capela de São José e Nossa Senhora das Dores.

Até 1967, o abastecimento de energia elétrica na região era feito através de 16 pequenas usinas, localizadas nos afluentes do Rio Sapucaí, que formavam a Companhia Sul Mineira de Eletricidade, abastecendo 87 localidades.


Igreja matriz de Alfenas/MG

A energia não era suficiente e os blecautes eram frequentes.

Na região, a década de 1960 representa um marco histórico, porquanto nessa época, sob a égide de grandes ideias desenvolvimentistas, ela passou por transformações radicais.

O então Presidente da República Juscelino Kubitscheck, fiel ao seu binômio Energia e Transporte, determinou a construção da Hidrelétrica de Furnas, que viria a sanar um grande déficit de energia no país.

Como consequência imediata, ocorreram a transformação irreversível da paisagem e a desativação definitiva do transporte ferroviário: os trilhos por onde corriam os trens de ferro ficaram sob as águas da represa.

Também as atividades agropastoris sofreram fortes impactos: as várzeas dos rios eram destinadas à plantação de arroz (1.800 ha); o milho ocupava 990 ha, o feijão 348 ha e o café, ocupando a maior área cultivada, com 2.333 ha.

A pecuária era compreendida pelos seguintes rebanhos: asininos, bovinos, caprinos, equinos, muares, ovinos e suínos, sendo que desses rebanhos, principalmente o suíno e o bovino eram exportados para o Rio de Janeiro e São Paulo (IBGE, 1958: 54).

A Represa de Furnas inundou 1.440 quilômetros do sul de Minas Gerais.

Em 1961 fecharam-se suas comportas para o enchimento do reservatório de água e, dois anos depois, em 1963, ela começou a operar.

Nesse período, no município de Alfenas, foram submersos os distritos de Barranco Alto e Fama, também o transporte ferroviário foi desativado, pois os trilhos dos trens de ferro ficaram sob as águas.

Um dos braços da represa de Furnas, em Alfenas/MG

Por muitos anos, Furnas foi considerada a maior hidrelétrica da América do Sul, e ainda hoje, ela abastece os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo que em 1992, a região servida pela energia gerada em Furnas abrangia cerca de 500 municípios.

A represa gerou crescimento urbano com a chegada dos migrantes vindos das áreas alagadas, atraindo também iniciativas e investimentos na área do turismo (embora este não seja aproveitado em todo o seu potencial), serviços, etc...

Ao mesmo tempo em que trouxe progresso, fez desaparecer paisagens, acabou com a piracema e submergiu cenários que atualmente só existem na memória das pessoas que viveram nas localidades alagadas.

Situada numa altitude média de 768 metros, Alfenas conta atualmente com 75 mil habitantes.

 

Assim, depois de um banho refrescante, pois fazia muito calor na região, nós fomos jantar no Restaurante Delícia.

Mais tarde, conforme eu havia combinado através de um telefonema, recebemos a visita do amigo Rodrigo, o Coordenador do Caminho de Aparecida.


Rodrigo explanando sobre o Caminho à Célia

Ele contou-nos um pouco da história desse roteiro, e nos ofereceu uma camiseta personalizada alusiva ao Caminho, bem como a seta peixe que amarramos na parte de trás da mochila.

Ainda, nos proveu de boas dicas relativas ao trajeto, hospedagens, etc..

Como ele tinha outros compromissos para aquela noite, depois das fotos, nos despedimos com a promessa de nos reencontrar no dia imediato, junto ao Portal do Caminho, situado no bairro Pinheirinho.

E logo eu me recolhi, pois o “amanhã” seria pleno de emoções.


Um abraço fraterno no irmão peregrino Rodrigo, de Alfenas

Antes de me deitar, no entanto, pedi proteção à Virgem Maria através da seguinte oração: 


“Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de meu Deus, Rainha dos anjos, Advogada dos pecadores, Refúgio e Consolação dos aflitos e atribulados, ó Virgem Santíssima, cheia de poder e bondade! Lançai sobre nós um olhar favorável para que sejamos socorridos em todas as necessidades em que nos achamos. Lembrai-vos, clementíssima Mãe Aparecida, que não consta que de todos os que têm a vós recorrido, invocado vosso Santíssimo Nome e implorado vossa singular proteção, fosse por Vós algum abandonado. Animado com esta confiança a Vós recorro: Eu vos tomo de hoje para sempre por minha mãe, minha protetora, minha consolação e guia, minha esperança, minha luz na hora da morte. Assim, pois, Senhora, livrai-me de tudo o que possa ofender-Vos e a vosso santíssimo Filho, meu Redentor e meu Senhor Jesus Cristo. Virgem Bendita, preserve a este vosso indigno servo, a esta casa e seus habitantes, da peste, fome, guerra, trovões, raios, tempestades e outros perigos e males que nos possam flagelar, Soberana Senhora, dignai-vos, dirigir-nos em todos os negócios espirituais e temporais, livrai-nos da tentação do demônio para que trilhando o caminho da virtude, pelos merecimentos da vossa puríssima Virgindade e do preciosíssimo Sangue de vosso Filho, Vos vamos ver, amar e gozar na eterna glória por todos os séculos e séculos. Amém.”

1ª Etapa: ALFENAS à BAIRRO MATÃO (ALFENAS) – 22 quilômetros