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ANO SANTO /ERA SANTA


ANO SANTO / ERA SANTA - ERA DO AMOR PEREGRINO

Autor: José Roberto Pinto de Almeida



O que difere o Ano Santo dos demais não é somente a possibilidade do gozo das indulgências plenárias. Não é somente o fato de atravessar-se a Porta Santa, que institui importância qualitativa à peregrinação.

Os Anos Santos têm significados outros que se não apontados correm o risco de não serem percebidos. São nestes anos, que dada a maior profusão de peregrinos religiosos no Caminho, que o Divino é mais louvado. A palavra Deus é mais dita e sua essência mais meditada ao longo da jornada. O Caminho readquire ou se abastece de magnetismo. Grava a trilha que funcionará como a melodia que embalará os próximos peregrinos nos anos que se seguirão.

A todos nós, peregrinos dedicados e crentes naquilo que nos moveu ao Caminho, cabe lembrar e exaltar outros importantes significados que devem servir mais que regra, como princípios que deverão estar presentes nos corações e mentes de cada um dos que partirão ao Caminho doravante.



Não deveríamos falar em Anos Santos, mas sim em Eras Santas. A nós peregrinos não nos importa pontuar, mas sim transformar. E, da mesma forma devemos olhar a linha do tempo não nos importando com as datas, mas sim no que transcorre entre elas. Devemos pensar de maneira dinâmica. 

Não importa o 2004, mas sim a Era Santa que ora se inicia e que será novamente banhada de magnetismo em 2010, próximo Ano Santo Compostelano. A cada Era Santa deve o peregrino perceber a melodia que a ela corresponde e deixar-se embalar por ela estando ou não no Caminho. Cantá-la nos momentos de solidão como um mantra e aos poucos deixar que ela contamine o mundo ao redor até ouvi-la cantada por todos como um hino. 

Aos meus ouvidos chega aos poucos a melodia que vem no ritmo de passos distantes e que, no incremento do volume das vozes, não me deixa dúvidas de que esta será a Era Santa do Amor Peregrino.

O Amor Peregrino não é aquele do homem e da mulher. Pode até ser. Não é o amor de pai, de mãe. Pode até ser. O Amor Peregrino é substancialmente o amor de irmão. O amor de quem está ao lado até mesmo não estando presente. É o amor de Apóstolo.

Tiago é um santo todo especial porque é quase completo. Um quase quase Deus. Tem os extremos do peregrino e do mata-mouros. Molda-se, como poucos, aos anseios mortais, nos momentos desejados. Às necessidades do mundo. 

A Ele, nós peregrinos só devemos este tipo de amor. E isto é fácil demais para cada um de nós, que brilha os olhos só de falar no nosso Apóstolo.


Como falar de Santiago é também falar do Caminho que a Ele chega, nesta Era Santa, falar do Caminho é muito mais que contar dos passos. É trazer o Caminho pra junto de si. É ajudar. É dar a mão. É abraçar. É cantar a melodia do amor para embalar os passos do irmão.

A todos vocês, irmãos peregrinos eu peço que ouçam a melodia da Era Santa que ora começa. A melodia do Amor Peregrino que leva à paz. Que insiste em andar numa aparente contra-mão da história.

Viver esta Era Santa é, peregrinos, muito mais do que cruzar o Caminho e passar pela Porta Santa. É levar consigo sempre o ideal do Amor Peregrino e contagiar.

Nada de levantar bandeira, não precisa. Basta transformar aos poucos o mantra do Amor Peregrino em hino.


Viverá o Amor Peregrino, viverá!  

Até mesmo no mundo da guerra, viverá.


(*) Texto Original publicado no Portal Peregrino: www.caminhodesantiago.com.br

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