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O CAMINHO DE FINISTERRE


O CAMINHO DE FINISTERRE

Autora: Lara Doumen Zimmer


 

Em Santiago, quando você menciona que vai até Finisterre, ouve em todos os lugares (oficina do peregrino, oficina de turismo e a oficina de informações) que para lá não há caminho, apenas Carretera (auto-estrada). Não é exatamente a verdade, o Caminho está lá e muito bem sinalizado (é falha em alguns pontos, mas como você já percorreu todo o Caminho, com certeza saberá achar a trilha certa). O caminho para Finisterre está sendo reorganizado e, do meu ponto de vista, há muita preocupação com este trecho. As marcações estão ali e ele está sendo, praticamente, finalizado. Com poucos trechos de carretera, o Caminho é quase que exclusivamente por estradas de terra e trilhas. Percebi que lá os Caminhos se modificam para dar lugar à rota perfeita. Preste atenção e depois me conte!



Primeira Etapa: Santiago Negreira - 21 km

A saída é pela praça do Obradoiro, com você de costas para a Catedral. Descer a rua do Hotel de Los Reyes Católicos (costa do Cristo), seguindo pela rua das Hortas (é a mesma, só muda de nome), continuar até passar pelo Campo da Hortas e pegar a Rua Poza de Bar, bordejando o Campus Universitário Sul pela rua de San Lorenzo até a Carballeira - é lá que se avista a primeira flecha amarela . Há também um cruzeiro, uma ponte e uma igreja.

Foi neste ponto que eu me perdi e tive que caminhar dois km pela carretera até reencontrar o caminho! E se não fosse a ajuda de um santo senhor, teria ido até Negreira pela carretera!

Neste ponto vou transcrever o que diz o guia: pegar à direita a Corredoira dos Muiños até a ponte de Sarela (passar pela igreja de San Fructuoso). Nesta etapa, pela zona rural, se encontra ainda ruínas de moinhos e antigas fábricas.

Daí para frente tudo fica mais fácil e haverá vários pueblos até Negreira. São eles: Moas, Carballal, Quintáns, Aguapesada, Transmonte, a puente Macieira (linda !!!), Barca, Chancela e finalmente Negreira ! Muitas vezes o Caminho não entra nos pueblos.

Bem, chegando em Negreira, a entrada é pela rua de San Mauro até o Campo da Feira. Daí para frente é só seguir as flechas. O albergue fica fora da cidade. É novo, confortável, tem cozinha ( e pode ser usada !!! - tem tudo: panela , pratos, talheres). Só não se esqueça de um detalhe: como o albergue fica depois da cidade, se você for cozinhar, compre seus mantimentos logo quando entrar em Negreira.

Aqui uma pequena, mas importante, observação: você perceberá que logo as flechas serão trocadas por marcos onde estão vieiras. A questão é que os marcos indicarão pelo desenho da Vieira, a direção a ser tomada - se ela estiver em pé, a direção é para frente e se estiver virada para a direita ou esquerda, deve-se virar na direção indicada. Muitos peregrinos se perdem porque avistam o marco e vão em frente em vez de virar para um lado ou outro, se assim for necessário. Imagine, é fácil: veja sua mão de frente, com os dedos abertos, assim é a Vieira, ela para cima, significa ir em frente; imagine agora sua mão virada para a direita.... assim ficará a representação. Agora, dê uma olhada na foto à esquerda. Fácil, né? Prestando atenção neste detalhe, não há perigo de se perder!

Outra Observação: ao se chegar perto do refúgio, há uma seta que indica o albergue e a Iglesia de Negreira, à direita. Não vá por lá. Mantenha-se à esquerda e siga em frente que o albergue estará a poucos metros.



Segunda Etapa: Negreira a Olveiroa - 32 km

A partir do refúgio, o caminho sobe e você vê a igreja e o cemitério ao seu lado direito. Continue e passe ao lado, entre algumas casas. Há cachorros (e grandes), mas estão presos. Neste lugar, encontrei uma senhora muito simpática com quem conversei um pouco. Seguindo adiante, você passará pelo rio Barcala por uma pequena ponte. Deste ponto se sobe até avistar Zas (ou Xas). Depois do pueblo preste atenção, pois é fácil se perder nos eucaliptos. Um pouco mais a frente você verá a carretera e, daí para frente, ela lhe acompanhará sempre pela direita. Vão passar as aldeias de Camiño Real, Rapote, Piaxe e logo Portocamiño. Então virão Vilaserío, Maroñas, Mazaricos, Ponteolveiroa (não confunda com Olveiroa!) e, finalmente, Olveiroa!

Olveiroa é um pueblo pequeno. O albergue também tem tudo para se cozinhar. Quando fiquei lá, foram oferecidos o jantar e o café da manhã e não pagamos nada ! O lugar tem aquele ar de Grañon, onde você se sente bem e feliz de ver pessoas que querem cuidar de você. Quem sabe que, como eu, você não tem a sorte de encontrar o hospitaleiro que eu tive!?

O albergue é muito bonito e tem um ambiente gostoso. Particularmente, adorei ter ficado lá. Há um bar próximo ao albergue.

Nesta etapa eu fiquei muito cansada e não saí para lugar nenhum, além do que o hospitaleiro era muito gentil. Preferi ficar conversando com ele.

Um detalhe: esta etapa é um pouco confusa porque há flechas para quem vai e para quem volta! Os marcos também estão por lá, na maioria das vezes apenas na carretera, mas é um lugar bem povoado, não há perigo de se perder. É só perguntar, sempre ! Os habitantes do local não estão acostumados como os que estão no caminho até Santiago, mas já sabem cuidar um pouco melhor dos peregrinos que por lá passam. Então, seja gentil e abuse dos pedidos de informações.



Terceira Etapa: Olveiroa a Finisterre - 30 km

Para mim esta etapa foi a mais dura e a mais bonita!

Você verá moinhos de vento por lá também. Muitos ! Em seguida passará por uma região de bosques, mas muito aberta, onde o sol é forte e castiga muito, mas compensa quando você avistar o mar.! É como ver a catedral pela primeira vez.

Do albergue em Olveiroa se desce a rua por onde se veio e se segue para a direita. Saindo do povoado se passa por Logoso seguindo-se até Hospital - se passa por uma fábrica de "Carburos Metálicos", à esquerda e, depois de subir um pouco se encontra uma bifurcação na carretera FISTERRA- MUXIA. Para Fisterra deve-se virar à esquerda.

Daí para frente, diga adeus aos povoados por um bom tempo, verifique a reserva de água e se envolva pelo Caminho que terá... quase nada até Ceé. É uma LONGA etapa ! Você passará por uma igrejinha no meio do nada e, depois de um tempo razoável, encontrará, a sua direita, uma construção branca, fechada. Então, preste atenção, pois um pouco mais, abaixo dela, há um Arroyo, uma pequena caixa onde corre água. Dizem que é uma fonte milagrosa, que cura reumatismo, dores nos pés e verrugas. A partir deste ponto você ainda terá um bom trecho pela frente. Logo começará a descida para Ceé, que é um trecho difícil, com pedras soltas (mas, para quem passou pelo Perdón... não é nada).

Ceé é uma cidade grande a beira mar. Lá tem de tudo. Também é fácil de se atravessar. É só prestar atenção nas flechas. Eu fui pelo Caminho até Finisterre, mas, particularmente, acho que é muito melhor seguir a Carretera, pois é um caminho bem confuso, com um sobe e desce de ladeira que não tem fim. A carretera pelo menos é mais rápida (esse é o único momento que eu indico a carretera de Ceé a Finisterre).

Depois se passa por Corcubión e, finalmente, Fisterra! Você entra na cidade por uma calçada que acompanha a orla. É uma delícia!

O albergue está bem no centro da cidade e é fácil chegar porque está bem sinalizado. Se estiver fechado, faça como eu: deixe a mochila em algum restaurante ali nas imediações, pegue suas coisas e parta para o farol! Serão 6 km de onde você está.



Para mim foi um trecho feito muito corrido, pois iria voltar na manhã seguinte para Santiago, para a missa do Botafumeiro. Tive que andar muito rápido para fazer tudo a tempo, mas, como manda a tradição, queimei minhas roupas, assisti o por do sol coloquei o pezinho na água estupidamente gelada e chorei!

Só não tive coragem de devolver minha Vieira para o mar.

Bem... é isso. Estava então terminado meu Caminho. Uma sensação de paz, de quietude, acho que de transcendência mesmo. Havia cumprido a missão que o meu coração pedia.

Só me resta desejar a você, que vai agora, que tenha um Caminho lindo como o meu. Que ele seja repleto de anjos e de encontros felizes.


Lara Doumen Zimmer - Peregrina pelo Caminho no outono de 2001


(*) Texto Original publicado no: www.caminhodesantiago.or.br

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