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1º dia – ASSIS a SPELLO - 19 quilômetros


1º dia – ASSIS a SPELLO - 19 quilômetros

Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto se expor ao perigo. A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada.” (Helen Keller)




A jornada seria de pequena extensão, então, partimos às 5 h 30 min, a Cristina e eu, com tempo bom, sem previsão de chuvas para aquela data.

Nós deixamos a cidade por uma das 8 portas que existem em Assis, depois acessamos a Strada Provinciale 251 e alguns metros adiante, a sinalização nos remeteu para uma trilha pedregosa e alcantilada, situada à esquerda, porém, como havia chovido muito nos dias anteriores, inferimos que encontraríamos muito barro se fôssemos por ali.

Dessa forma, optamos em seguir diretamente pelo asfalto nesse primeiro trecho, para evitar riscos desnecessários.

Fomos ascendendo continuamente até que, percorridos 4 quilômetros, adentramos ao Eremo de Carceri, um local que São Francisco frequentava sempre que precisava meditar.

Localizado a 791 m de altitude, nas encostas do Monte Subasio, essa ermida fica em meio de várias cavernas naturais, frequentado por eremitas desde o início do período cristão.


EREMO DE CARCERI - Localizado quatro quilômetros acima de Assis, nas encostas do Monte Subasio, era um lugar onde São Francisco e seus frades se retiravam para orar e meditar.

O atual mosteiro foi construído em torno da gruta habitada por São Francisco, entre 1205 e 1206, quando ele começou a frequentar a montanha.

Com a chegada de novos companheiros, outras grutas da floresta passaram a ser habitadas.

São Francisco dedicou sua vida às pregações, mas retornou a esse lugar várias vezes durante sua vida para orar.

Nos séculos seguintes, vários edifícios foram adicionados ao redor da caverna de São Francisco, formando o importante complexo que existe hoje.


Fizemos uma visita pormenorizada ao quase milenar complexo religioso, batemos algumas fotos e adentramos à Capella della Madona para orar.

No local há um circuito maravilhosamente complicado a ser visitado, pois envolve um subir e descer por portinhas estreitas e apertadas escadinhas.

Mas como a Cristina ainda estava se ressentindo das dores nos joelhos e eu fiquei preocupado em descender com a mochila, evitamos fazer tal trajeto, como forma de preservar nossa higidez, pois muitos desafios físicos nos aguardavam morro acima.

Prosseguindo, ainda por asfalto, dois quilômetros adiante, as flechas nos remeteram para a montanha, num percurso difícil e extremamente íngreme, que fomos vencendo, passo a passo, num esforço atroz.

Ao final do terrível aclive, atingimos o ponto de maior altimetria dessa etapa, o topo do monte Subasio, onde há um cruzeiro fincado, exatamente a 1.100 m de altitude.

No pé do madeiro há uma caixa metálica e, dentro dela, um livro para registro do nome daqueles que por ali passaram, a ser feito pelo próprio peregrino, ato que envidei de pronto.

Fizemos uma pausa no local para contemplação, fotos, descanso e ingestão de carboidratos, já que o percurso sequente seria sempre em contínuo e perigoso descenso.

Primeiramente, caminhamos por campos relvados mas, no final, adentramos em bosques verdejantes, depois, por trilhas úmidas e silenciosas, seguimos em perene declive pelo interior do vasto Parque Provincial do Monte Subasio, pertencente à cidade de Assis.

Foram momentos de intensa introspecção, eu ia na frente e a Cristina uns 100 m atrás, respirando o ar puro e hidratado emanado pela floresta.

Ao deixar a área boscosa, num local plano, encontramos 3 peregrinos austríacos que seguiam no sentido inverso e fizemos uma pausa para trocar informações e experiências.

No final, já a céu aberto, mergulhamos em outro tresloucado e pedregoso descenso, situado entre imensas plantações de oliveiras, até adentrar em Spello, nossa meta para esse dia.

Para minha surpresa, nós que até aquela data desconhecíamos a existência da cidadezinha, encontramos dezenas de turistas passeando pelas ruas tortuosas e floridas dessa milenar povoação.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Em ascenso pelo morro. Abaixo, muita nebulosidade.


Chegando ao Eremo de Carceri.


Algumas construções existentes no Eremo de Carceri.


Entrada para o pátio principal do Eremo de Carceri.


Em ascenso pela montanha. Trilha pedregosa.


Topo do Monte Subasio. Um grande cruzeiro marca o local.


Assinando o Livro de Visitas ali existente.


Em descenso por pastos relvados. A Cristina (de verde) me segue ao longe.


Trilhas ermas e silenciosas.


Descendendo pelo interior do Parque.


Já no plano, caminho arejado.


A cidade de Spello vista de cima, desde a trilha.


Descenso final para a cidade.

Entre as cidades da região, Spello é a que possui o maior número de construções romanas; muralhas e uma torre de vigia ainda podem ser vistas.

Seu centro medieval está muito bem preservado, com ruas estreitas e sinuosas.

A cidade foi construída com pedra calcária, de cor rosa, retirada do Monte Subasio, a qual está presente em seus telhados, paredes e balcões.

Na praça Matteotti fica a Igreja de Santa Maria Maggiore, que possui belos afrescos pintados por Pintoricchio, em 1500.

Spello é conhecida pela Infiorata, ou Festa das Flores, que acontece todos os anos em junho, durante o Corpus Christi.

As ruas e as praças públicas são tomadas por composições de flores, que liberam aromas agradáveis e criam um espetáculo de grande beleza.

A cidadezinha, cujo santo padroeiro é Felix de Cantalice, tem cerca de 8.300 habitantes e era habitada pelos "umbros".

Depois virou uma colonia romana, no século 1 a.C., como "Hispellum" e, como todas as cidades de sua época, foi edificada numa colina.

A cidade possui três portas ainda bem conservadas, sendo a mais importante a "Porta di Venere", do séc. 1 a.C, sendo que na parte baixa fica a Porta Consolare, da mesma época.

Recentemente, foi descoberto um complexo monumental fora da Porta Consolare, onde existe um piso decorado, provavelmente, de alguma residencia aristocrática, algo em torno do ano 500.

Por sua grande importância, Spelo foi declarada “Splendidíssima Colonia Julia”, porém, quando foi destruída pelos bárbaros, a cidade perdeu muito de seu prestígio, sendo considerada então apenas como parte do pobre ducado de Spoletto.

O Palazzo Comunale é um dos mais antigos da cidade, tendo sido concluído em 1270, ampliado em 1575 e restaurado depois do terremoto ocorrido na região em 1997.

Diversas torres se sobressaem na cidade , sendo que algumas são parte de estruturas que não mais existem.

A torre quadrada que fica no ponto mais alto da cidade, foi provavelmente parte de alguma fortaleza.

A Roca Albornoz está lá desde 1354, construída por Gil Albornoz, sobre uma antiga fortaleza romana.


Ruas antigas e charmosas...


Um dos antigos palácios existentes na cidade.


Uma escultura singular e representativa..


Charmosas ruazinhas...


A Porta di Venere, séc. I a.C.


As flores estão por toda a cidade..


Outro Palácio revitalizado.

RESUMO DO DIA - Clima: Neblinoso de manhã, depois ensolarado, variando a temperatura entre 7 e 16 graus.

Pernoite: Hotel Palazzo Bocci: Excelente! – Apartamento individual - Preço: 40 Euros.

Almoço: no Gusto Ristorante - Preço: 18 Euros.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de pequena extensão, mas de intensas dificuldades, mormente pela escalada do Monte Subasio, que se faz em íngreme ascenso, por uma senda pedregosa, situada no interior de um silencioso bosque. Depois, o descenso pelo lado oposto também é bastante exigente, pois a declivência é ríspida em alguns trechos. Porém, a maior parte dessa etapa se faz pelo interior de frondosa mata, um bálsamo para o peregrino. O trecho final trilhado sobre uma estrada de leito instável continha muitas pedras e também exigiu extrema atenção e cuidado.