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3º dia – TREVI a SPOLETO - 23 quilômetros


3º dia – TREVI a SPOLETO - 23 quilômetros

Algumas paisagens são obviamente bonitas: montanhas verdes sob céu azul, um rio correndo entre campos floridos. Esse cenário existe no caminho. Mas há também os dias de chuva, vilas abandonadas, campos áridos, planícies infinitas. E todas elas dão belíssimas fotos e são capazes de emocionar. Basta procurar o ângulo certo.” (Marina Bessa)




A previsão meteorológica indicava fortes intempéries para os próximos dias e foi isto exatamente o que aconteceu, já que na Europa, raramente eles se enganam nesse mister.

Eu levantei às 5 horas e observei que desde a noite anterior, quando eu me deitara, chovia torrencialmente, então, fiquei em dúvida sobre o que fazer naquele dia, um domingo.

A Cristina prosseguia com fortes dores nos joelhos e já me avisara que seguiria de táxi para Spoleto.

O trajeto não seria de grande extensão, mas a chuva não dava trégua e eu certamente enfrentaria sendas lamacentas e escuras, porque o clima persistia neblinoso e ameaçador.

Eu havia lido no guia da Ângela de que no final da jornada desse dia eu transitaria por locais de expressivo risco, porque a trilha a ser enfrentada era inóspita e escorregadia.

Como às 7 h a borrasca que se abatia sobre Trevi não amainava, mesmo a contragosto, inferi que não ganharia nada em caminhar olhando para o chão, correndo ainda o risco de contrair uma gripe e colocar em perigo minha saúde física, pois uma queda poderia me fazer abandonar a peregrinação.

Isto decidido, o bom senso prevaleceu, fui tomar café e às 10 h, com a Maria Cristina, seguimos de táxi em direção à cidade de Spoleto.

A lamentar, que deixei de conhecer dois locais por onde São Francisco passou:


Antes de partir, um derradeiro giro pela cidade de Trevi, assim que a chuva amainou.


O local de nosso pernoite em Trevi.

SAN PIETRO IN BOVARA - A igreja de São Pedro Bovara está localizada no meio rural, perto de Trevi, e foi construída no século XII pelos beneditinos.

Por estar próxima de uma estrada de grande comunicação, recebeu muitos peregrinos, dentre eles, São Francisco e seus companheiros.

Numa dessas visitas, São Francisco orava com Frei Pacífico diante do crucifixo, quando o frei, em êxtase, viu muitos tronos no céu, sendo um deles mais bonito e relevante.

Impressionado com o esplendor, ficou curioso em saber quem assumiria aquele trono, e nisso uma voz lhe disse que aquele trono pertencia ao humilde Francisco.

Essa visão está retratada em um dos afrescos de Giotto na Basílica de Assis.


FONTI DEL CLITUNNO - As fontes de Clitunno são um pequeno paraíso naturalístico conhecido desde o tempo dos romanos.

As fontes eram sagradas para os romanos, que vinham ali para ouvir as respostas do oráculo, ao Deus Clitunno.

A partir de fendas nas rochas brotam águas cristalinas, que formam um lago, e depois são canalizadas para um córrego.

O local é de beleza e paz, com uma rica vegetação que se reflete nas águas límpidas do lago.

Francisco, com certeza, passou por esse local diversas vezes, conforme atestam depoimentos dessa época.



Uma das praças de Spoleto.


A igreja matriz de Spoleto.

A primeira menção histórica da cidade de Spoleto ocorreu com o estabelecimento de uma colônia romana em 240 a.C, logo depois do final da 1ª Guerra Púnica.

Aníbal, famoso general, tentou conquistá-la em vão, em 217 a.C, sendo que a cidade sofreu pesados danos durante uma guerra civil entre Caio Mario e Lucio Cornélio Sula.

Em 89 a.C presenciou a batalha entre Pompeu e Crasso (daí o ditado “erro crasso”).

Mas, já no ano 568, Spoleto destacou-se e foi escolhida para ser a capital de um dos principais ducados da Itália, o Ducado de Spoleto, passando então a influenciar politicamente todo o território centro meridional do país.

Com a queda dos Lombardos, seu domínio passou a ser dos francos com certa influência dos papas e bispos que aos poucos foram chegando e tentando ganhar o território até que em 1230 Spoleto deixou de ser ducado e tornou-se domínio papal.

Posteriormente passou ainda pelo domínio napoleônico em 1805, depois voltou ao domínio papal em 1814 e por fim, passou a fazer parte do Reino da Sardenha em 1860, pouco antes da unificação da Itália, por Vitor Emanuel.

Como a maioria das cidades medievais, Spoleto cresceu ao longo de uma colina, no caso a Sant'Elia e seu ponto mais alto está a 400 m do nível do mar, portanto é uma cidade cheia de ruelas e ladeiras.

Rodeada pelos muros de pedra medievais construídos em cima de fundações romanas, Spoleto tem 3 portas ainda bem conservadas, sendo a mais importante a Porta di Venere, do seculo 1 a.C, que foi recentemente restaurada e lá do alto tem-se uma vista fantástica .

Na parte baixa fica a Porta Consolare, também do séc. 1 a.C, que parece ser a porta principal de entrada da cidade.

Catedral de Santa Maria Assunta: espetacular templo católico, consagrado em 1198. Seu exterior é uma mistura de elementos renascentistas e românticos, enquanto que o fascinante interior é cheio de afrescos reluzentes com cenas da vida da Virgem, pintados por Filipo Lippi. Espantosamente alta, possui portas de rara beleza.

A poucos metros de distância está a igreja mais famosa de Spoleto, a de Sant'Euphemia, construída no século XII e única na Umbria, por seu "matroneum", uma galeria elevada sobre a nave, de onde as mulheres assistiam à missa..

Abaixo das muralhas, uma alameda leva à Ponte delle Torri, um magnífico aqueduto medieval, cujos dez arcos cruzam a garganta de Tessino. Foi desenhado por Gattapone e construído por volta de 1230. Possui 230 m de comprimento e 90 m de altura. Fantástico!

A população hoje é de cerca de 35 mil habitantes.


A igreja matriz de Spoleto, de outro ângulo.


Interior da igreja matriz de Spoleto. Belíssimo!


A muralha que envolve a cidade e o castelo.


A praça principal da cidade de Spoleto. 

Em 1205, foi em Espoleto que Francisco definitivamente abriu mão de suas ambições de ser cavaleiro, dando novo rumo à sua vida:

Era primavera quando ele e o escudeiro partiram de Assis, chegando em Espoleto ao anoitecer.

Durante a noite Francisco teve um sonho no qual uma voz lhe perguntou de quem ele poderia obter mais préstimos, do servo ou do Senhor.

Do Senhor, respondeu Francisco. Então, continuou a voz, por que ele insistia em procurar pelo servo, e não pelo Senhor?

Senhor, o que desejais que eu faça?, perguntou Francisco. A voz o orientou a retornar a Assis, onde ele receberia orientação.



RESUMO DO DIA - Clima: Chuvoso o dia todo, variando a temperatura entre 5 e 14 graus.

Pernoite: Hotel Clitunno: Excelente! – Apartamento individual - Preço: 36 Euros.

Almoço: no restaurante do próprio hotel - Preço: 15 Euros.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Seria uma jornada de média extensão, se eu a tivesse percorrido. Aparentemente, analisando pela gravação disponibilizada pelo Wikiloc, uma boa parte da jornada, talvez a metade, seria por estradas rurais, situadas entre extensas plantações de oliveiras que, imaginei, poderiam estar bastante alagadas, face à violência da tempestade que desabara na noite anterior. No percurso há, ainda, 2 pequenos ascensos, sendo que o aporte à cidade de Spoleto envolve também escalar uma grande colina.