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4º dia – SPOLETO a ARRONE - 32 quilômetros


4º dia – SPOLETO a ARRONE - 32 quilômetros

Não compare o teu caminho com o dos outros, pois ele é único.” (Ram Dass) 




A chuva, salvo pequenas pausas, não deu trégua no dia anterior e prosseguiu noite adentro.

De manhã, quando levantei, ela persistia caindo em forma de grossa garoa e pelas previsões meteorológicas, seguiria dessa forma o dia todo.

O percurso daquele data seria de grande extensão e abarcaria a transposição de uma grande elevação, logo na saída de Spoletto, a ser feita por trilhas de montanha situadas dentro de frondoso bosque que, inferi, deveriam estar extremamente escorregadias.

O descenso, pelo lado oposto, envolveria 10 quilômetros em brusco declive, sempre em meio a mata nativa e um tombo nesse local não estava descartado sendo que, se isto viesse acontecer, quem me socorreria?

A Cristina prosseguia com os joelhos baleados e já me avisara que seguiria de condução para o nosso destino naquele dia.

Assim, busquei consolo nas palavras de um contumaz caminhante, que dessa forma se expressou:

“Uma das sabedorias de um peregrino é saber a hora de parar. Peregrinação não é sofrimento, é curtir o momento, apreciar a paisagem, entrar em conexão consigo mesmo, com Deus e buscar algo que só você sabe o que é. É viver o caminho e não simplesmente passar por ele. Faça como quiser, caminhando, sorrindo, conversando, introspectivo mas faça o seu caminho porque ele é só seu...”

Chovendo como estava, certamente, passaria o tempo todo preocupado em não cair e deixaria de apreciar o verdejante entorno, dessa forma, ainda que um tanto pesaroso, resolvi desistir de caminhar nesse dia e, mais tarde, com a Cristina, embarcamos num trem em direção à cidade de Terni.

Ali tomamos um ônibus que, 30 minutos depois, nos deixou na cidade de Arrone, próximo do hotel onde havíamos feito reserva.



Visão da cidade de Arrone no momento da chegada. 

Arrone é uma comuna italiana da região da Umbria, província de Terni, com cerca de 2.700 habitantes.

Recentemente, ela foi selecionada como “uno dei piu belli borghi d’Italia” (um dos burgos mais bonitos da Itália).

O mais interessante em pernoitar nessas pequenas cidades é a recepção tão carinhosa das pessoas que são orgulhosas da sua terra e do seu trabalho, e isso em Arrone é visível.

Sua Igreja matriz dedicada a Santa Maria Assunta, construída em 1504, possui afrescos de Giovanni da Spoleto e Vincenzo Tamagni, dos irmãos Torresani, do Maestro di Arrone e outros.

À tarde, quando a chuva deu uma trégua, eu subi até o castelo, transitando por vielas medievais, até chegar à pequena Igreja de S. Giovanni Battista, que possui afrescos de 1483 e 1486, onde em muitos deles é representado São Sebastião em seu martírio.

A antiga torre de defesa da cidade, hoje transformada em campanário, depois, Torre di Arrone, possui 17 metros de altura.

Um fato curioso é que há um pé de oliveira plantado no alto da torre, porém, seus moradores dizem que ela nasceu ali naturalmente.

Situada a 6 quilômetros da cidade está a “Cascata delle Marmore”, a maior cascata artificial da Europa.

Ela possui 3 quedas divididas em 3 níveis, contando com uma altura de 165 m, foi obra de engenharia dos romanos, e idealizada por M. Curio Dentato, no séc. III a.C.

Hoje a força das suas águas produz energia elétrica que serve toda a região.


Mata 


Vista da charmosa cidade de Arrone e do vale que a acolhe.


A igreja matriz de Arrone.


A igreja de São João, situada dentro das muralhas.


Vista da parte baixa da cidade de Arrone. Uma pintura!

RESUMO DO DIA - Clima: Chuvoso o dia todo, variando a temperatura entre 6 e 13 graus.

Pernoite: Hotel Loggia Sul Nera – Apartamento individual - Preço: 30 Euros.

Almoço: Pizzeria Piza em Piza - Preço: 13 Euros.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Seria, se eu houve caminhado nesse dia, mais uma jornada de grande extensão, agravada pelo clima chuvoso, que certamente deixaria as trilhas extremamente escorregadias. Ademais, logo na saída de Spoleto é necessário sobrelevar uma grande elevação que, ao seu cume, me levaria a 904 m de altitude. O longo descenso pelo lado oposto, me obrigaria a caminhar por 10 quilômetros, em sofrido declive. Depois, ainda enfrentaria outro ríspido aclive, antes de aportar em Arrone. Pelos riscos envolvidos, acrescidos à chuva renitente, creio que fiz bem em abortar a caminhada desse dia também.