3º dia – PIRANGUÇU a WENCESLAU BRÁS - 33 QUILÔMETROS


3º dia – PIRANGUÇU a WENCESLAU BRAZ/MG - 33 QUILÔMETROS

A solução não está em conseguir tudo e logo. Mas em chegar à meta passo a passo. Andando com paciência, calma, confiança e perseverança. Reconhecendo e honrando cada pequena meta obtida.” 



A jornada seria longa e, como as anteriores, bastante complicada.

Assim, partimos às 4 h, depois de ingerir o substancial café da manhã que a Dona Silvânia nos deixou preparado na cozinha da pousada.

Inicialmente, cruzamos a urbe em sentido longitudinal e 20 minutos depois, reencontramos as flechas sinalizadoras.

Na sequência, acessamos uma estrada larga e plana em terra, e prosseguimos em bom ritmo, amparados pela luz de nossas lanternas de mão.

Então, percorridos 4 quilômetros, teve início severo ascenso que fomos vencendo passo a passo, com algumas pausas para desacelerar a respiração e fazer fotos, além de admirar a beleza do entorno.

A subida prosseguiu sem patamares para descanso, porém prosseguimos sempre com pertinácia e, percorridos 7.500 m, nós atingimos o cume da Serra dos Vieiras, também conhecido pela alcunha de “Morro do Defunto”.

Naquele lugar, observamos a existência de um mata-burro, além de uma estrada que seguia à esquerda, em direção a uma pista de decolagem para asa-delta, parapentes e outros esportes radicais.

Dessa forma, depois de uma breve e necessária pausa para hidratação e fotos, prosseguimos em frente, e a partir desse patamar nós principiamos a descender com ímpeto e, para complicar, por uma vereda escorregadia, a qual nós fomos vencendo com extremo desvelo, cuidando para não levar um tombo, embora os escorregões se sucedessem com pouco intervalo.

Foi uma declividade maluca e em meia hora nós alcançamos à altitude de 900 metros, agora já no bairro São Bernardo que, também, pertence ao município de Piranguçu.

Um senhor ali residente e extremamente simpático, que caminhou conosco por quase um quilômetro, clarificou-nos um evento interessante: disse ele que, antigamente, quando ainda não havia automóveis, as pessoas que faleciam nesse enclave eram levadas para serem enterradas na cidade.

Para tanto, era necessário sobrelevar a elevação que recém tínhamos vencido, seja em carro de boi, lombo de burro ou nos ombros dos parentes.

Daí a alcunha de “Morro do Defunto” que ganhou essa dificultosa passagem elevada que acabáramos de sobrepujar, mas no sentido inverso.

Logo no plano, passamos a caminhar entre inúmeras chácaras, todas muito bem cuidadas, com flores, casas com edificação nova, pintura recente e decoração externa de muito bom gosto.

Nesse local existe um belíssimo pesqueiro, bem como abriga a cachoeira São Bernardo, um atrativo muito procurado nos finais de semana pela população da região, por sua exótica e insofismável beleza.

Logo adiante nós encontramos uma ponte que serve para a população ribeirinha transpor o rio Sapucaí, um maravilhoso curso d’água de aproximadamente 40 metros de extensão, que conta com inúmeras pedras e corredeiras, em seu encorpado leito líquido.

Naquele local situa a divisa dos municípios de Piranguçu e Wenceslau Brás, e do outro lado do rio, as terras fazem parte do Estado de São Paulo, já que pertencem ao município de Campos do Jordão.

Sapucaí quer dizer rio das sapucaias, isto é, rio que canta ou grita.

O nome foi dado pelos índios em alusão às lecitidáceas que, quando fustigadas pelos ventos, frequentes no vale, produziam silvos semelhantes a gemidos.

Daí chamarem eles sapucaia, isto é, árvore que chora, que geme, então existentes com abundância em quase todo o vale, sobretudo nas margens e barrancas do rio, onde eram mais aglomeradas.

Prosseguindo adiante, passamos, sequencialmente, pelo bairro dos Borges, depois, pelo Chalé da Paz e, mais à frente, transitamos pelo bairro dos Freires e, em todos eles, talvez por ser um feriado, não encontramos comércio aberto.

Na sequência, caminhamos mais 5 quilômetros, por uma estrada larga e pedregulhada, de onde detínhamos uma visão fantástica de toda região ao nosso redor, onde sobressaiam cores verdes de todos os tons da bela paisagem que se descortinava no horizonte.

Finalmente, após percorrer 25 quilômetros, aportamos no bairro de São Pedro e ali paramos num bar para nos hidratar e ingerir algo consistente, face ao adiantado da hora.

Na sequência, obedecendo à sinalização do caminho, nos dobramos à direita, ultrapassamos o rio Sapucaí por uma ponte e seguimos em frente sobre piso asfáltico, numa estrada ascendente, pouco sombreada e sem acostamento, por mais 7 quilômetros, até adentrar em Wenceslau Braz, um município que conta, na atualidade, com aproximadamente 2.700 habitantes.

Mais tarde, por volta das 17 h, nos reencontramos com os peregrinos José Veloso, seu filho João e a Shirley, que chegavam naquele horário, com os quais confraternizamos antes do jantar.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Quase no cume da serra. O vale por onde viéramos caminhando, aparece abaixo...


Chegando ao topo do "Morro do Defunto".


Flores no bairro São Bernardo.


Trecho plano e aberto, com ampla visão do horizonte.


E, novamente, paisagens campestres a nos ladear.


Entorno maravilhoso! Ar puro e fresco, tipo "sabor de Minas".


Trecho final, sobre piso asfáltico.


Pousada Castelinho, o local de pernoite nesse dia.


A cidade de Wenceslau Braz. Em primeiro plano, sua igreja matriz.




RESUMO DO DIA:

Pernoite na Pousada Castelinho – Apartamento duplo, simples, mas com banheiro – Preço: R$55,00 p/pessoa;

Almoço e jantar na Lanchonete da Derly: Excelente! – Preço: R$20,00 o prato feito.

IMPRESSÃO PESSOAL – Uma etapa bastante difícil, a começar pela escalada da Serra dos Vieiras ou Morro do Defunto, a mais agressiva dentre todas que venci. Depois, a descida pelo lado oposto, que exigiu muito esforço dos membros inferiores. O percurso sequente, embora de beleza incomum, transcorre quase sempre por locais urbanizados, onde existe um expressivo tráfego de veículos. E a parte final, diretamente por asfalto, desanima e estressa o peregrino, já cansado pelo percurso até ali vencido. No geral, uma jornada de larga extensão, com muito verde, pessoas solícitas e belas paisagens, mas, também, extremamente fatigante.