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Caminho da Fé Invertido


CAMINHO DA FÉ INVERTIDO – APARECIDA a ÁGUAS DA PRATA – 283 QUILÔMETROS

É preciso ver e rever, de todos os ângulos, com o coração e a alma, com os amigos que cultuamos à distância e com aqueles com os quais caminhamos. É preciso ver Deus aqui e ali, na queda, na bolha, na chuva, no sol a pino, na lua nova, no amigo que surge a todo instante!” (José Saramago) 




Já cheguei em Santuário Mariano de Aparecida, a pé, por vários roteiros diferentes, o que sempre representou, para mim, uma grande benção divina.

E, em todas essas oportunidades, invadiu-me um desejo incomensurável de retornar ao ponto inicial do trajeto.

No caso do Caminho da Fé ao templo de Nossa de Senhora de Lourdes, em Águas da Prata, local onde tudo começou, em 11/02/2003.

No entanto, premido pelo fator tempo e sempre açodado em retornar ao meu lar, visando honrar compromissos familiares e profissionais, tal sonho foi sendo adiado, “ad eternum”.

Ocorre que, inesperadamente, tal ocasião surgiu e eu não vacilei: tomei um ônibus, apeei em Aparecida e lá permaneci por 24 horas.

Tempo mais do que suficiente para assistir à missa, comungar, acender velas votivas, percorrer o Caminho do Rosário, passear, enfim, receber o influxo divino necessário para alimentar minha alma nesse retorno às origens.

No dia seguinte parti rumo à cidade de Águas da Prata e um pouco do que vi e vivenciei no caminho, relato a seguir.


1º dia: APARECIDA/SP ao BAIRRO GOMERAL (GUARATINGUETÁ/SP) – 30 QUILÔMETROS

A liberdade não é nada mais do que a possibilidade de sermos melhores.” (Albert Camus) 

Parti às 5 horas, sob uma fina garoa e depois de ultrapassar a cidade de Potim, ainda caminhei mais 7 quilômetros sobre piso asfáltico, antes de adentrar em terra.

O clima prosseguiu neblinoso, excelente para caminhar, assim, sem maiores problemas, quando eu já transitava pelo distrito de Pedrinhas, encontrei um peregrino que seguia em direção ao Santuário de Aparecida.

Tratava-se do Nino Carneiro, meu amigo virtual, que naquele dia finalizaria sua peregrinação, após percorrer 449 quilômetros, desde Tambau/SP.

Conversamos um pouco, tiramos fotos, depois cada um seguiu o seu destino.

Após uma parada providencial na Pousada do Sr. Agenor para tomar café e comprar água, prossegui em frente, agora sob forte sol e percorridos 24 quilômetros, principiei a ascender pela Serra de Pedrinhas.

Não foi nada fácil, pela ingremidez que enfrentei no trecho inicial, porém, sob as bênçãos divinas, consegui chegar ao meu destino do dia, a tempo de ingerir um almoço supimpa. 


Caminho neblinoso no início do dia.


Encontro com o peregrino Nino Carneiro, que finalizava o seu Caminho nesse dia.


Vista do vale que leva a Aparecida, desde a Pousada/Restaurante Aconchego.


RESUMO DO DIA:

Pernoite: Pousada Aconchego – quarto coletivo simples (só havia eu nesse dia), com banheiro – R$65,00

Almoço e Jantar no Restaurante da Pousada Aconchego – R$25,00 o Prato Feito, mas tudo muito delicioso e saudável!



2º dia: BAIRRO GOMERAL (GUARATINGUETÁ/SP) ao HORTO FLORESTAL DE CAMPOS DO JORDÃO/SP - 19 QUILÔMETROS 

A experiência não é o melhor professor, é o único professor.” (Jeremy Wolff) 

Parti às 4 h, ainda no escuro, porque sabia que a parte final da serra seria bastante exigente e não me enganei.

No entanto, após muita labuta e com o dia clareando, cheguei ao topo do morro e logo passei diante da Pousada Santa Maria.

Prosseguindo, segui sem preocupações no trajeto, meu velho conhecido, e após percorrer, aproximadamente, 15 quilômetros, já no interior do bosque do Horto Florestal, encontrei com a peregrina Val Guimarães que, corajosamente, também caminhava solitária.

Conversamos algum tempo, cotejamos nossas experiências, fizemos fotos e depois de calorosa despedida, cada um seguiu seu rumo em busca de seus objetivos.

Na sequência, já em descenso, passei a cruzar com um sem número de ciclistas e outros peregrinos, em minhas contas, mais de 60 pessoas, sinal de que o caminho se encontrava em franco renascimento.

Chegando ao Portão do Horto Florestal, chamei um táxi e fui pernoitar no bairro Campista, pois queria evitar o burburinho de transitar por Campos do Jordão, uma cidade grande e onde há um forte afluxo turístico. 


Encontro com a peregrina Val Guimarães, no interior do Horto Florestal de Campos do Jordão.


Vista da cidade de Campos do Jordão, desde o Mirante do Pau Arcado.


RESUMO DO DIA:

Pernoite: Pousada da Rose, no bairro Campista, em Campos do Jordão: Excelente! Recomendo! – Preço: R$90,00, com almoço, jantar e café da manhã.


3º dia: BAIRRO CAMPISTA (CAMPOS DO JORDÃO/SP) a PARAISÓPOLIS/MG – 48 QUILÔMETROS

Onde há o silêncio, há sempre o encanto.” (M. Shopa) 

A parte inicial do trajeto contemplava um forte ascenso sobre piso asfáltico, algo que eu pretendia evitar por causa de lesões.

Assim, a Rúbia, solícita filha de Dona Rose, me levou de carro por 9 quilômetros, até a estrada de terra que dá acesso à Serra do “Quebra-Perna”.

Com o dia clareando, passei a descender sem pausas, transitei diante da Pousada de Dona Inês e fiz uma pausa em Luminosa para adquirir água, e nesse trajeto não cruzei com nenhum peregrino.

O ascenso pelo lado oposto, em direção ao bairro Cantagalo, foi penoso e vencido passo a passo, pois o sol já crestava forte.

Passei na Pousada do Jucemar e não o encontrei, assim, depois de adquirir um isotônico eu segui em frente e na descida da serra do Cantagalo encontrei vários grupos de peregrinos, com quem conversei, ainda que rapidamente.

Com o calor aumentando, sofri muito nos derradeiros 4 quilômetros, caminhados sobre piso asfáltico, e precisei fazer razoável esforço físico para vencer uma forte ascendência e chegar até a Pousada da Praça, onde reencontrei a Jandira, minha grande amiga de longa data. 


O Morro do Cruzeiro, à esquerda, por onde eu subiria a montanha.


Ultrapassando a divisa de municípios, no bairro Áreas.


RESUMO DO DIA:

Almoço: Restaurante Cantina Mineira: Excelente! – Preço: R$18,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.

Pernoite: Pousada da Praça: Excelente! – Apartamento individual – Preço: R$75,00.


4º dia: PARAISÓPOLIS/MG a ESTIVA/MG – 42 QUILÔMETROS 

Um viajante que não observa é um pássaro que não voa.” (Moslih Eddin Saadi) 

Parti às 4 h, sob vento frio e dia nublado, pois havia chovido forte no dia anterior, à noite, em toda a região.

O clima fresco favoreceu o meu deslocamento e sem grandes atropelos, quando o dia clareou, eu estava transitando pelo bairro Pedra Branca.

Prossegui em franco descenso, depois, já sobre piso asfáltico, enfrentei dura aclividade até chegar à cidade de Consolação onde, numa padaria, fiz uma pausa para tomar café com pão na chapa e comprar água.

Seguindo adiante, mais 2 quilômetros percorridos, enfrentei íngreme ascenso, porém de curta extensão, desta vez, sobre piso duro, pois esse trecho recebeu cobertura asfáltica, recentemente, e nele cruzei com vários ciclistas.

Transitando pelo alto da serra, em determinado e bucólico local, tive a imensa alegria de encontrar com 4 senhoras catarinenses, todas chamadas Maria, residentes em Nova Trento, que seguiam animadas em direção à Casa da Mãe Aparecida.

Conversamos bastante, batemos fotos e depois nos despedimos emocionados, pois elas me conheciam virtualmente, via minha página na internet.

Então, após fazer uma pausa para orações e agradecimentos na “Capelinha da Troca”, descendi a serra do Caçador, onde cruzei com vários grupos de peregrinos e mais alguns ciclistas.

O restante do trajeto, ainda sob clima fresco e sem maiores preocupações, pois ele é integralmente plano, me levou à Pousada Poka, onde Dona Zezé, com sua simpatia e amor pelos peregrinos, faz toda a diferença.


As marcas vão caindo... restam 170 quilômetros até Águas da Prata.


Encontro com as peregrinas de Nova Trento/SC.


A capelinha do bairro Caçador.


Uma porteira estilizada localizada na serra do Caçador.


RESUMO DO DIA:

Almoço: Restaurante e Pizzaria Kibarato: Excelente! – Preço: R$15,00, o Prato Feito, extremamente delicioso.

Pernoite: Pousada do Poka: Excelente! – Apartamento individual – Preço: R$70,00.


5º dia: ESTIVA/MG a TOCOS DO MOJI/MG – 22 QUILÔMETROS 

O medo é o primeiro inimigo natural que o homem deve ultrapassar ao longo do caminho para o conhecimento.” (C. Castaneda) 

Parti às 5 h, já com dia claro, depois de ingerir um saboroso café da manhã, especialmente, preparado pela Dona Zezé, a proprietária da Pousada Poka.

Após um leve descenso, enfrentei uma longa aclividade que, em seu final, me levou ao topo da temível serra do Pântano dos Teodoros, que descendi com grande fluidez.

Já no plano, próximo da igrejinha dedicada a São Benedito, cruzei com 3 peregrinos de Cordeirópolis/SP, com quem passei um bom tempo dialogando.

Após as necessárias fotos, prossegui em longo ascenso pelo lado oposto e, depois, sem maiores novidades, cheguei ao distrito de Fazenda Velha, onde fiz uma pausa para tomar café e adquirir um isotônico.

Na sequência, enfrentei outro pequeno aclive e, na sequência, descendi outra grande elevação.

Já no plano, segui com tranquilidade e sob sol ameno até Tocos, local de meu pernoite nesse dia. 


Com Dona Zezé, proprietária da Pousada Poka, uma mulher excepcional!


O Pântano dos Teodoros, abaixo.


Encontro com os peregrinos de Cosmópolis/SP.


RESUMO DO DIA:

Pernoite: Pousada do Peregrino: Excelente! – Apartamento individual – Preço R$35,00.

Almoço: Bar e Restaurante Beira Rio: Excelente! – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no self-service.


6º dia: TOCOS DO MOJI/MG a INCONFIDENTES/MG – 38 QUILÔMETROS

A maior aventura que você pode ter, é viver a vida dos seus sonhos.” (Oprah Winfrey) 

Parti às 4 h, ainda no escuro, sob um clima fresco e hidratado, pois havia chovido forte na tarde do dia anterior.

Com calma, fui superando as elevações e quando o dia clareou, eu já estava transitando pelo alto do morro, onde fiz uma pausa para orações diante da bela capelinha dedicada a São Peregrino.

Mais adiante, após suplantar outro pequeno trecho de serra, cheguei à Porteira do Céu, onde parei para fotos e hidratação.

O trajeto sequente, todo em declive, me levou até a cidade de Borda da Mata, sendo que nesse trajeto eu encontrei, em momentos distintos, um peregrino e uma senhora, ambos caminhando solitários.

Numa padaria eu tomei café, adquiri água e uma barra de chocolate, depois segui adiante e, novamente, em forte descenso.

Caminhando sobre terra e seguindo firme à frente, encontrei vários ciclistas e mais 2 peregrinos, com quem conversei rapidamente.

Na metade desse segundo trajeto, parei para descansar na área que o Sr. Joaquim disponibiliza aos peregrinos e depois de enfrentar outra leve elevação, eu venci o trecho final sem maiores dificuldades, pois ele é todo plano.

A chegada ao bar do Maurão foi sob sol forte e intenso calor, mas nada que uma boa cerveja Peregrina não amenize.

À tarde tive o prazer de rever meu grande amigo e Xará, o Oswaldinho, que deixou seus afazeres em Ouro Fino para vir me abraçar e desejar boa sorte à minha solitária jornada. 


Ultrapassando a mítica "Porteira do Céu" em sentido contrário.


Caminho fresco e hidratado nesse dia.


Encontro com meus irmãos peregrinos no bar do Maurão, em Inconfidentes/MG. Pela ordem: Maurão, Oswaldinho, eu e o Rui.


RESUMO DO DIA:

Pernoite na Pousada Martinelli: Excelente! Apartamento individual – Preço: R$65,00

Almoço no Restaurante Martinelli: Excelente! – Refeição por peso no self-service: R$34,90 o quilo.


7º dia: INCONFIDENTES/MG a BARRA (ANDRADAS/MG) – 31 QUILÔMETROS

O futuro depende do que você faz hoje.” (Mahatma Gandhi) 

Parti às 4 h sob intensa cerração e logo enfrentei um contínuo ascenso até que, no topo do morro, me enlacei com a Estrada dos Santos Negros e em agradável declive, com o dia nascente, transitei pela cidade de Ouro Fino onde, diante de sua igreja matriz, fiz uma pausa para hidratação e orações.

Prosseguindo, deixei o núcleo urbano, ultrapassei bairros periféricos, depois acessei uma silenciosa estrada de terra e por ela, em contínuo descenso, cheguei em Crisólia, onde fiz outra pausa para adquirir água e uma barra de chocolate.

Os sete quilômetros seguintes foram sobre piso asfáltico e, na sequência, transitei pelo distrito de Taguá, onde teve início um contínuo ascenso, que fui vencendo com tranquilidade, fazendo várias pausas para descansar e contemplar o entorno.

O calor já se fazia presente quando principiei a descender pelo famoso Morro do Sabão, e depois de mais um quilômetro no plano, cheguei ao povoado de Barra, onde me alberguei.

Lembrando que nesse dia cruzei com inúmeros ciclistas, mas nenhum peregrino a pé.

À tarde, ainda tive tempo de ir até o Constantino Bar, uma visita obrigatória nesse enclave, onde o Tiago trata todos os peregrinos com muito respeito e carinho.


A igreja matriz de Ouro Fino/MG.


A igrejinha da Barra.


Pousada João e Joelma outro local espetacular!


RESUMO DO DIA:

Pernoite: Pousada João e Joelma, na Barra, em Andradas/Ouro Fino: Excelente! – Preço: R$90,00, com almoço, jantar e café da manhã.


8º dia: BARRA (ANDRADAS/MG) a ANDRADAS/MG – 22 QUILÔMETROS

Nenhum obstáculo será tão grande se sua vontade de vencer for maior.” (Anônimo) 

Seria um percurso de média extensão, então, calmamente, tomei café da manhã conversando com a Joelma, depois, parti às 5 h, já com dia claro.

Logo enfrentei ríspida aclividade, que se prolongou até o 9º quilômetro, próximo da Pousada de Dona Natalina, onde fiz uma pausa para conhecê-la e ingerir um espesso copo de café que me foi, gentilmente, oferecido por ela.

Prosseguindo, logo transitei pela serra dos Limas, mas em agradável descenso, depois, já no plano, encontrei, sucessivamente, com vários peregrinos a pé e inúmeros ciclistas.

No trecho final, já em ascenso e sobre piso asfáltico, senti bastante calor, mas nada que empanasse o brilho dessa jornada, que finalizei no centro de Andradas, onde me hospedei.

À tarde, tive tempo para visitar a igreja matriz da cidade, professar orações, bem como me preparar mentalmente e fisicamente para a derradeira jornada, que encetaria na manhã sequente. 


Em forte ascenso, logo após sair da Barra.


Uma gruta maravilhosa, localizada diante da Chácara Paraíso.


Dona Natalina, no bairro dos Limas.


Vista de Andradas, ao longe, desde o topo da serra dos Limas.


Pousada do Wagner, em Andradas, outro local imperdível!


RESUMO DO DIA:

Pernoite na Pousada do Wagner – Apartamento individual excelente – Preço: R$60,00

Almoço no Restaurante Belotto: Excelente! – Preço: R$19,90, pode-se comer à vontade no Self-Service.


9º dia: ANDRADAS/MG a ÁGUAS DA PRATA/SP – 31 QUILÔMETROS 

Mais cedo ou mais tarde você vai perceber, como eu fiz também, que uma coisa é conhecer o caminho certo, outra é vivê-lo.” (The Matrix) 

Seria a derradeira etapa e, após encerrá-la, eu pretendia retornar, imediatamente, ao aconchego do meu lar.

Assim, parti às 4 h, ainda no escuro, e após abandonar o trecho urbano, segui em perene ascenso, utilizando a lanterna de mão para me guiar.

Depois de 6 quilômetros percorridos, teve início um íngreme aclive. que se prolongou por mais 3 quilômetros quando, já no cume do morro, diante da Pousada Pico do Gavião, passei a caminhar em leve declive.

O dia se apresentava fresco e agradável, proporcionando uma caminhada prazerosa, e logo passei a encontrar grupos de ciclistas, todos acompanhados por carros de apoio.

Sem maiores problemas, fui vencendo as distâncias e no 17º quilômetro eu fiz uma pausa na Capela do Sagrado Coração de Jesus para descanso, orações, ingestão de carboidratos e reposição de meu estoque de água.

Prosseguindo, agora em franco descenso, prossegui encontrado levas de ciclistas e creio que nesse dia eu cruzei com mais de 150 pessoas e, dentre elas, 5 peregrinos a pé.

O trajeto final, todo plano ou em pronunciado descenso não apresentou novidades, assim, sem grandes preocupações, segui até a igreja matriz de Águas da Prata, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes onde, após preces de louvor e agradecimentos, dei por encerrada minha peregrinação.

Então, após algumas fotos, me dirigi à Pousada do Peregrino, onde fui muito bem recebido pela Eliana.

E depois de tomar banho, almoçar e descansar um pouco, tomei um ônibus e retornei à minha residência. 


Mais um dia nascendo... 


Capela do Sagrado Coração de Jesus.


Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, em Águas da Prata, ponto final de minha peregrinação.


FINAL

Quero aquela emoção de volta, as dores, os suores, o esforço, a alegria do nascer do sol, as lágrimas na cruz. Quero os sorrisos e o bom caminho... quero a felicidade ... quero retornar para você, Caminho!” (Giusy Marchese) 


Finalizando mais um Caminho, sob as graças divinas!

Percorridos 300 quilômetros, desde o Santuário Mariano de Aparecida, aportei à cidade de Águas de Prata, onde finalizei meu périplo, e nesses 9 dias que caminhei no “contrafluxo”, encontrei com inúmeros ciclistas e peregrinos que se dirigiam à Casa da Mãe Maior.

Uma prova inquestionável de que o Caminho da Fé está, a cada dia que passa, mais vibrante e movimentado.

Sobre o tema, diria que uma longa caminhada, como toda senda de peregrinação, imita a vida.

A cada aurora que nasce, uma nova etapa, um novo desafio, com seus encantos e obstáculos, porém, jamais igual ao da véspera.

Um convite a uma reflexão mais profunda sobre nossa breve passagem por esse plano celeste.

Afinal, peregrinar, é isso: viajar a lugares próximos ou distantes, em busca de recados, descobertas e “insights” que possam ampliar os limites de nossa consciência de mundo, de vida, de nós mesmos.

Finalizo, respondendo às perguntas feitas por amigos peregrinos, sobre qual percurso é o mais exigente: a ida ou a volta?

Bem, eu diria que, em termos, ambos os trajetos se equivalem em nível de dificuldades.

Ocorre, porém, que o regresso implica em escalar a laboriosa Serra de Pedrinhas, de grande amplitude e inclinação, e ela faz a grande diferença no roteiro.

Então, em minha modesta opinião, retornar a Águas da Prata foi mais penoso que caminhar até ao Santuário de Aparecida.


Bom Caminho a todos! 

Novembro/2020