2º dia – ANDRADAS/MG a OURO FINO/MG – 43 quilômetros


2º dia – ANDRADAS/MG a OURO FINO/MG – 43 quilômetros


A verdadeira viagem da descoberta consiste não em buscar novas paisagens, mas em ter olhos novos.” (Marcel Proust)


Mãe Aparecida, peço a vossa benção e proteção, sempre!

Novamente teria uma longa jornada pela frente, de forma que, metodicamente, levantei às 4 h, ingeri frutas e um cappuccino e, às 5 h eu deixei o local de pernoite, seguindo em direção à saída da cidade.

O percurso urbano é praticamente todo plano e está muito bem sinalizado, assim, caminhei em bom ritmo, porquanto o clima frio da madrugada era um estímulo importante, que se desvaneceria logo que sol apontasse.

Vinte minutos depois eu encontrei um trevo, que atravessei pelo meio e, já do outro lado, adentrei em larga estrada asfaltada.

Sobre minha cabeça eu podia ver um lindo céu estrelado, onde os astros pareciam ter um brilho especial, realçados pela escuridão e o silêncio que imperava naquele trecho.

Com a lanterna nas mãos, lançando círculos concêntricos de luz, segui sem problemas, enquanto lentamente a natureza acordava, com pássaros cantando, galos saudando o novo dia, cachorros latindo ao longe.

Nessa toada, passei defronte à Casa Geraldo, uma famosa vinícola que comercializa vinhos finos.

Mais adiante, logo após uma ponte, a estrada se bifurcou e, observando à sinalização, prossegui à direita.

E logo passava diante da Granja União, um local que estava bastante iluminado, e onde pude perceber pessoas se movimentando pela propriedade, apesar do horário extemporâneo.

A partir desse patamar a paisagem mudou radicalmente, porquanto passei a caminhar cortando enormes fazendas de café, numa estrada bastante movimentada, com muita poeira e pedras alocadas em seu leito.


Lentamente, o dia amanhece..

Lentamente o céu clareava a leste, e a aurora benfazeja não tardou a apontar.

E, após duas horas, sempre por uma estrada larga e em leve ascensão, cheguei às franjas da temível Serra dos Lima que, atualmente, tem seu piso asfaltado, obra feita em 2013.

Até li enfrentara um caótico tráfego de veículos, além de aspirar intensa poeira, o que me obrigou a utilizar minha máscara cirúrgica, visando proteger, ainda que precariamente, meus pulmões.

E quando ocorria o cruzamento de caminhões e ônibus próximo de onde eu me deslocava, eu corria sério risco de ser atropelado.


A Serra dos Lima aparece adiante.

E nada podia fazer, vez que eu fazia parte do elo fraco da cadeia de seres que se movimentava pela estrada.

Iniciei, então, uma subida íngreme e brusca.

A escalada é lenta e árdua, pois a encosta é terrivelmente alcantilada.

Logo no início da escalada, eu passei defronte uma singela capela, onde existe uma gruta dedicada à Nossa Senhora de Lourdes.

Ao lado da ermida há uma pia com água potável, onde aproveitei para lavar as mãos, matar a sede e lavar o rosto, o que me deu um novo alento para prosseguir em frente.


Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, onde existe água potável.

Um senhor, de meia idade, estava ali aguardando a condução que o levaria até o local de trabalho naquele dia.

Conversamos amistosamente e ele contou um pouco de sua liça, posto que colheria café, vez que estávamos em plena safra desse fruto.

Sua mãos enormes, plenas de extensas ranhuras e calos, denunciavam sua ríspida profissão.

Penalizado, o ouvi dizer que se levantava diariamente, 6 vezes por semana, às 4 h da madrugada, para preparar a marmita que seria sua refeição ao meio dia.

Quase sempre, retornava a casa já no escuro, restando pouco tempo para dialogar com os filhos e a esposa.

Efetivamente, uma vida dura e sem promessas, pensava comigo, quando reiniciei minha jornada rumo ao topo da serra.

Na realidade, meu pai também fora camponês por 27 anos, e residíamos numa fazenda até o ano de 1957, quando nos mudamos para a cidade de Itu.

Por isso, conhecia bem a laboriosa rotina submetida aos trabalhadores rurais que, ademais, são pessimamente remunerados.

E como papai falecera recentemente, depois de uma vida plena de provações e sacrifícios para criar seus 8 filhos, segui adiante compungido, repensando o que o futuro reservaria a esses campesinos.

Na verdade, como a mecanização também avança na colheita do café, assim como já ocorreu com a cana-de-açúcar, futuramente, muitos roceiros ficarão desempregados, não lhes restando outra alternativa a não ser migrar para a periferia das grandes cidades.

E, pelo que eu li sobre o tema, com o impacto gerado pela mecanização nas lavouras, grande parte dos cafeicultores preferiu trocar seus cafezais por uma espécie de “poupança verde”.

Isto é, de 2007 para cá, alguns produtores iniciaram um processo de substituição, trocando a cultura tradicional pelo eucalipto devido a diversos fatores, entre eles: impossibilidade de mecanização do café em áreas de relevo acentuado, facilidade na comercialização da madeira e por esta ser uma cultura mais rústica, que dispensa maiores cuidados.

Com isso, a área de florestas plantadas no estado de Minas Gerais atingiu uma marca histórica, superando a mais tradicional cultura mineira.

O plantio de “pinus” e eucalipto já atinge uma área de cerca de 1,5 milhão de hectares no Estado, contra 1,1 milhão de hectares do café.


Igrejinha localizada a 1.200 m de altitude, no bairro dos Limas.

Bem, o interessante de uma caminhada, é que não sabemos o que nos reserva a próxima curva.

No caso da montanha por onde eu ascendia, aguardava expectante pelo próximo rodeio, na esperança de ver uma estrada plana, mas na maioria das vezes apareciam novos patamares a serem superados.

No meio da serra, olhando para trás, descortinava-se uma visão panorâmica da região, inclusive, eu avistava a cidade de Andradas muito longe, ao fundo, uma mancha borrada em meio a nebulosidade existente naquele dia.

E após atravessar a Fazenda Roda D’água, atinge-se o cume, a 1.221 m de altitude.

Entretanto, o esforço empregado é compensatório, posto que a visão ampla de quem está no topo do morro é simplesmente espetacular.

Foi agradabilíssimo caminhar no alto da serra, pois, além da paisagem verdejante e paradisíaca ali existentes, o clima ainda estava ameno e fresco naquele horário.

Em breve, adentrei à pequena povoação, após já ter vencido 13 quilômetros da jornada.

A localidade pertence ao Município de Andradas e possui igreja, escola e bar.

E tem na cultura cafeeira a sua principal atividade econômica.

Fiz uma pausa num banco existente na praça fronteiriça à igreja para fotos, hidratação e descanso.


Caminho deserto, já próximo da Pousada de Dona Natalina.

Na sequência, ainda prossegui em leve ascensão, mas depois de 1 quilômetro, se tanto, principiei a descender.

E logo passei defronte à casa e pensão de Dona Natalina, onde observei que tudo estava quieto, apenas um cachorro fazia a guarda da residência e latiu à minha passagem.

De forma que no momento em que por ali transitei, deixei de carimbar minha credencial, bem como conhecer as instalações desse local tão elogiado pelos que ali pernoitam.


Flores para alegrar o caminho.

Mais tarde, fiquei sabendo através de dois peregrinos que, além deles, mais 5 ciclistas também haviam dormido ali.

Assim, imagino que Dona Natalina estava ocupada com a arrumação e limpeza do alojamento destinado aos hóspedes.


Mais flores, caminho festivo!

Prosseguindo em frente, observei bonitas paisagens e extensas lavouras de café dos dois lados da estrada, onde alguns trabalhadores faziam a manutenção das plantações, utilizando enxadas e foices.


Caminho serpeante entre plantações de café.

Cumprimentei-os, depois me pus a bendizer os proprietários que investem e persistem no ramo, proporcionando o pão de cada dia ao seu semelhante.


Barra, já aparece na foto, ao fundo e à esquerda.

Em determinado local, pude contemplar, à minha frente, no horizonte, um pequeno aglomerado de casas num vale, uma minúscula vila, exatamente aquela que seria o meu próximo destino.

A partir dali, iniciou-se terrível e constante descenso, sempre em meio a belas fazendas de gado, porém o piso irregular continha uma expressiva camada de pó em seu leito, assim, segui com bastante cuidado para evitar um tombo ou um escorregão mais traumático.

Que, certamente, teria efeitos catastróficos.


Divisa de municípios e, ao fundo, igrejinha localizada na vila de Barra.

E, mais 6 quilômetros percorridos, cheguei à pequena São Pedro da Barra, mais conhecida por Barra, um povoado simples e hospitaleiro, cuja vila situa-se parte no município de Andradas e parte em Ouro Fino.

Ela se encontra encravada a 922 m de altitude e, curiosamente, fazendo divisa, também, num pequeno vértice, com o município de Jacutinga.


Pausa para foto.

Possui atualmente 250 habitantes, e tem na cultura cafeeira sua principal atividade econômica.

O calor já se fazia presente, de forma que fiz uma parada num bar localizado na entrada da povoação, onde aproveitei para comprar chocolates e me prover de água,

Depois, prossegui meu caminho e, logo na saída encontrei forte e inclinada elevação, numa ascensão brusca que se prolongou por um bom trecho. 


Mais flores no caminho...

Trata-se do famoso Morro do Calisto de Oliveira.


Do topo do morro do Calisto de Oliveira, e olhando-se à retaguarda, avista-se a vila de Barra ao longe e abaixo.

Logo adiante, um riacho passava sobre a estrada e a travessia foi feita sobre pedras de uma cachoeira que despenca à esquerda.


Cachoeira da Barra, lugar de descanso e com sombras.

Na verdade, ali foi colocada uma tábua para auxiliar o caminhante, mas ela está solta e, por isso, não sei se ajuda ou atrapalha, em vista do risco dela se deslocar e derrubar o incauto peregrino.

Contudo, sem dúvida, um local onde se deve redobrar os cuidados, principalmente, em épocas de chuvas torrenciais e correnteza.

Depois, o Caminho prossegue em meio a locais bucólicos e singelos, com pequenas subidas e descidas, cortando inúmeras fazendas de café e de criação de gado.


Pelo lado direito, e ao longe, vista do distrito de São José do Mato Dentro, que pertence à Ouro Fino.

Na sequência, segui em frente por uma estrada plana e levemente descendente, e logo depois avistei ao longe, à direita, no sopé da serra, uma pequena povoação, denominada São José do Mato Dentro, cuja sede também é Ouro Fino.

Ainda descendendo, alcancei dois peregrinos que seguiam pela trilha, com os quais logo travei contato.

Tratava-se do Enilson e sua irmã Marineide, residentes em Currais Novos/RN, e que percorriam o Caminho da Fé pela primeira vez.

Pessoas do mais fino trato, educadíssimos, logo nos enturmamos e seguimos por algum tempo em agradável palestra.


Os amigos peregrinos Enilson e Marineide, do RN, fazem fotos.

O Enilson, já conhecia meu “site” pela internet, e confessou que ainda estava em “lua de mel” com a aposentadoria, vez que jubilara recentemente.

Já a Marineide é um caso a parte, pois essa curraisnovense já foi campeã mundial Master de Atletismo, na modalidade de 10 mil metros.

Fazendo jus a sua fama, em junho último ela fora uma das escolhidas e carregara a tocha olímpica quando de sua passagem pelo estado do Rio Grande do Norte.

Em determinado trecho, o Enilson ligou a câmera e, enquanto caminhávamos, a Marineide fez breve entrevista comigo, questionando sobre os Caminhos que eu já percorrera, queria saber quais eram os próximos desafios, etc.


A Marineide e seus múltiplos troféus. (Foto/Fonte: Facebook)

Posteriormente, analisando tal episódio, pude pesquisar e conhecer as conquistas dessa atleta ímpar, ironia do destino, percebi que quem deveria ter bancado o repórter era eu, visto que era ela a estrela, por ser dona de um autêntico “pulmão de aço”.

Tudo, em face de seus múltiplos galardões auferidos, um exemplo para todos que fazem do esporte a opção para uma vida mais saudável.

Era, portanto, uma celebridade no Caminho da Fé e eu, humildemente a cumprimentei pelas suas incontáveis vitórias.


Igrejinha situada no bairro Taguá.

Seguimos juntos até o pequeno povoado de Taguá, onde fizemos uma breve pausa para fotos.

Os norte-rio-grandenses eram novatos no roteiro e estavam curtindo intensamente a paisagem, marchando tranquilos, de forma que, após fraternais despedidas, segui em frente num ritmo mais desenvolto, com a promessa de nos encontrarmos, à noite, em Ouro Fino.


Trecho belíssimo.

O trecho sequente se revelou um autêntico sufoco, pela quantidade de terra solta existente no leito da estrada.

Não chovia na região há mais de um mês e a longa estiagem propiciara um cenário de “sertão nordestino” no entorno.


Muita poeira nesse trecho.

Então, como os veículos trafegavam quase sempre em alta velocidade, enormes nuvens vermelhas de pó se elevavam a minha volta.

Por sorte, eu havia levado máscaras cirúrgicas e utilizei essa proteção para amenizar o desconforto e salvaguardar minha saúde.

Ainda assim, posso dizer que toda a beleza existente nesse trecho foi maculada por conta da preocupação com minha opressa respiração.


Caminho retilíneo e empoeirado.

Finalmente, após vencer esse estressante trecho, adentrei em Crisólia, distrito de Ouro Fino, distante sete quilômetros de sua sede.

Esse pequeno povoado nasceu por ter sido encontrada uma pequena imagem de Nossa Senhora da Piedade, primeiro nome dado ao vilarejo, que posteriormente passou a se chamar Paróquia de Nossa Senhora da Piedade.

Construído o primeiro oratório, vieram as primeiras graças e, em razão desses milagres, o número de devotos não parou de crescer.

Foi construída, então, a atual igreja e o distrito atualmente denomina-se Crisólia, contando com 2.300 habitantes.


Restaurante da Zeti, em Crisólia.

Eu aportei no restaurante da Zeti, extremamente exaurido, pois o sol já molestava e minha água havia acabado quando restavam 2 quilômetros para atingir aquela povoação.

Sentei numa cadeira e me refresquei tomando 1 litro do precioso líquido, que lentamente renovaram minha disposição.

Aproveitei, ainda, para ingerir uma parte do lanche que havia levado, pois não tinha intenção de almoçar enquanto não chegasse ao meu destino.

Para dizer bem a verdade, em relação ao meu estado de espírito naquele momento, tinha vontade de pernoitar naquele distrito, tal como ocorrera em 2.005.

Porém, o antigo local onde fiquei alojado, uma rústica habitação pertencente ao casal Dona Adelaide e Sr. Mário, infelizmente, não acolhe mais peregrinos.

Atualmente, foi disponibilizada a Pousada Cabo Elói, localizada logo na entrada do vilarejo, porém eu não havia feito reserva antecipada, como é praxe, nem tinha a intenção de retroceder até o local.


A simpática Zeti, em seu restaurante, em Crisólia.

Assim, fiquei um tempo ali palestrando com a Zetti, uma senhora risonha e franca.

Ela é também um dos ícones do Caminho da Fé, pela simpatia e ternura com que trata a todos os peregrinos.

Quinze minutos depois, razoavelmente renovado, parti para cumprir a derradeira etapa daquele dia.

Contudo, realmente, eu estava sem sorte na jornada, vez que, por razões que desconheço, a estrada asfaltada que liga Crisólia a Ouro Fino estava interditada naquele dia.

Com isso, todo o trânsito entre essas duas localidades fora desviado para uma estrada vicinal de terra, exatamente, por onde discorre o roteiro do Caminho da Fé.


Nesse trecho final e comi eu aspirei muita poeira. Um castigo!

Novamente, fui assolado por nuvens de poeira que magoaram sensivelmente meus já combalidos pulmões.

Sem dúvida, o pior trecho que percorri em toda a minha peregrinação.

Nesse sofrido intermeio, segui pensando que em alguns pedaços do caminho são assim mesmo, pois nem sempre é possível conectar somente lugares interessantes ou bonitos.

Às vezes, a rotina é caminhar e caminhar, como eu fazia naquele instante, e nada mais.

Nesses casos, o trajeto se resume a ponto de partida e a ponto de chegada, separados apenas por muito esforço.

E isso não é bom ou ruim, é apenas a realidade.

No entanto, ao final da etapa é possível sentir brevemente o conforto da vitória – efêmera e insignificante -, apagada no instante seguinte pela certeza de que mais um dia de esforço virá em seguida.

Na realidade, a cada chegada não sobeja tempo para comemorações, pois a prioridade é descansar.

Vez que tudo o que a mente quer é silêncio e poder saborear a paz do corpo esgotado.

Não sobra energia para ansiedade ou frustrações e o sorriso quase imperceptível que aparece involuntário no rosto é de pura satisfação pelo percurso sobrepujado naquele dia.

Que, guardada as devidas proporções, dá até para confundir essa sensação com felicidade.

Contudo, não há mal que sempre dure e, após uma caminhada asfixiante, fui me aproximando, ainda que lentamente, do meu objetivo.


Adentrando em zona urbana de Ouro Fino.

Finalmente, superado um pequeno trecho urbano, parei para fotografar e admirar o gigantesco monumento erigido em homenagem à música “Menino da Porteira”.

A estátua de 10 m de altura, por 16 m de largura, impressiona pelo seu tamanho, e está localizada no trevo principal da rodovia MG 290.


Trevo onde se encontra a escultura do "Menino da Porteira".

Nunca é demais relembrar que a não menos famosa música “Chico Mineiro”, também, tem seu desfecho fatal numa “Festa do Divino Espírito Santo”, ocorrida nesta mesma cidade.

Eu segui por ruas movimentadas até o centro da cidade, e me alojei na Pousada Don Paolo, que recomendo com efusão, pois nela fiquei muito bem hospedado.

Ali, paguei R$70,00 por um quarto individual, dotado de ar-condicionado, frigobar, amplo espaço interno, excelente iluminação, etc.

Estafado pela longa “travessia” efetuada naquela ocasião, eu tomei banho, lavei minhas roupas, depois saí para almoçar.

Para tanto, utilizei o restaurante Biba’s, localizado próximo dali, onde por R$16,00 pude comer à vontade, inclusive me servir de vários tipos de carne.

Efetivamente, um dispêndio irrisório em troca de uma excelente refeição, num local que também recomendo, com efusividade.


Local onde almocei nesse dia.

Integrante do Circuito das Malhas, Ouro Fino surgiu com a descoberta de ouro e, mais tarde, a cafeicultura tornou-se a principal fonte de subsistência dos moradores.

A Igreja Matriz, o Museu de Arte Sacra, os casarões centenários, a Casa Café com Leite e a mega escultura do Menino da Porteira, além de matas, montanhas e cachoeiras, são algumas das atrações que a cidade reúne em mais de 250 anos de história.

Conta atualmente com 35 mil habitantes e está situada numa altitude média de 900 metros.


Igreja Matriz de Ouro Fino, dedicada à São Francisco de Paula.

Mais tarde, depois de escrever meu diário e curtir uma merecida soneca, saí passear pela cidade, e adentrei em sua igreja matriz, que é dedicada a São Francisco de Paula.


Imagem de Nossa Senhora, localizada no interior da igreja matriz de Ouro Fino.

Já descendendo, curioso, adentrei à Casa do Café com Leite, como é conhecida popularmente, um dos importantes monumentos da história da política mineira e até nacional, que hoje abriga a Biblioteca Municipal.

Por trás de sua fachada, de características ecléticas, com predominância neorenascentista, o prédio foi palco da assinatura do pacto do café com leite, firmado entre o representante do Estado de São Paulo, Cincinato Braga, e o presidente do Estado de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão, em 1.913. 


Local onde me hospedei nesse dia. Recomendo!

O tratado representou a aliança dos dois Estados, garantindo um revezamento na Presidência da República entre candidatos de São Paulo e de Minas Gerais, que durou até 1.930, quando Getúlio Vargas foi eleito presidente.

Construído no século XIX, por um imigrante italiano, o casarão foi doado por seu proprietário para a Loja Maçônica Deus e Caridade em 1.898, quando o dono voltou para a Itália.

Em 1.908, o imóvel foi vendido para Francisco Ribeiro da Fonseca, que era cunhado do presidente de Minas, Júlio Brandão. 


Rezar sempre faz bem!

Em minha opinião, outras boas lembranças terá o peregrino de Ouro Fino, se procurar, posto que o casario antigo e conservado empolga pela beleza arquitetônica.

Os interiores também, como a Farmácia Rossi, que conserva todo o mobiliário desde a fundação, há mais de cem anos, pois sua inauguração aconteceu em 1.906: prateleiras e balcões em jacarandá maciço, com incrustações e relevos de arte.

No retorno, quando transitava pelo centro da urbe, tive a satisfação de encontrar o Enilson e a Marineide que retornavam de compras em um supermercado.

Conversamos animadamente, depois, o Enilson e eu fomos admirar e fotografar a estátua do “Boi sem Coração”, que matou o "Menino da Porteira", inaugurada em dezembro de 2015.


A escultura do "Boi sem Coração", recentemente inaugurada.

Trata-se de uma escultura de concreto do artista plástico Genésio Moura, o Ceará, que demorou cinco meses para ser construída e faz parte de um complexo de estátuas que está sendo construído na cidade, em alusão aos elementos da famosa música sertaneja "O Menino da Porteira", de Teddy Vieira e Luís Raimundo.

A célebre composição foi gravada pela dupla Luizinho e Limeira, em 1955.

Desde então, foi regravada por diversos cantores e duplas sertanejas, tornando-se muito conhecida nas décadas seguintes por meio das interpretações do cantor Sérgio Reis e da dupla Tonico e Tinoco.

A escultura do "Boi sem Coração", com cinco metros de altura e nove metros de comprimento, foi instalada na praça em frente ao terminal de ônibus do município, aproximadamente 300 metros de distância do trevo de entrada de Ouro Fino, no km 51 da rodovia MG-290, onde está instalada a escultura "O Menino da Porteira".

Interessante ressaltar que outras duas esculturas vão compor o complexo "Menino da Porteira", o “Berrante” e o “Boiadeiro” que serão construídas ainda no ano em curso.

A estátua do “Berrante”, que terá 15 metros de altura, será a maior escultura do instrumento no país.

Ela também terá a assinatura do artista plástico Ceará, sendo que a escultura do “Boiadeiro” terá cinco metros de altura.


Igreja Matriz de Ouro Fino, ao fundo.

RESUMO DO DIA: Tempo gasto: 8 h 30 min – Clima: frio e ensolarado, com temperatura variando entre 8 e 22 graus.

Pernoite na Pousada Don Paolo: Apartamento individual excelente – Preço: R$70,00

Almoço no Restaurante Biba’s: Excelente – Preço: R$16,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.


AVALIAÇÃO PESSOAL - Uma etapa, também, de grande dificuldade, a começar pela distância percorrida. Depois, a Serra dos Lima realmente é um obstáculo nada fácil de superar, bem como a forte descida até a Barra, que magoa sensivelmente pés e joelhos, pela impetuosa descensão que se enfrenta nos quilômetros derradeiros. O restante do percurso, afora a extenuante aclividade do Morro do Calisto de Oliveira, é praticamente todo plano, porém a quantidade de poeira que aspirei nesse dia, concorreram para que essa jornada se transformasse numa das mais difíceis e desafiadoras que sobrepujei em toda a minha peregrinação.