4º dia: ESTALAGEM SOBREIRA (TAMBAÚ/SP a TAMBAÚ/SP – 21 quilômetros


4º dia: ESTALAGEM SOBREIRA (TAMBAÚ/SP a TAMBAÚ/SP – 21 quilômetros

"Somente com a fé em Deus os sonhos se atingem, as batalhas se vencem e os milagres surgem."


Novamente teríamos pela frente um percurso agradável a trilhar e de pequena extensão.

Todavia, ao final dessa jornada, a Marlene e eu retornaríamos às nossas cidades de origem e, inclusive, já tínhamos passagens de ônibus adquiridas com antecedência.

Assim, como pretendíamos sair bem cedo, ainda no escuro, combinamos com a Dona Maria José para que deixasse a nossa refeição já preparada e assim foi feito.

Dessa forma, às 5 horas já estávamos ingerindo uma supimpa xícara de café, complementada por pão caseiro, geleia e frutas.

Cumprindo o combinado, às 5 h 30 min partimos em direção à cidade de Tambaú, nossa meta para aquele dia.

O percurso inicial, todo feito em descenso, por um caminho liso e erodido, mereceu cuidados extremos para evitar acidentes. 


Trecho extremamente liso. 
(Créditos da foto: peregrina Marlene Santos)

Já no plano, ultrapassamos um riacho por uma ponte, giramos à esquerda, e prosseguimos por um caminho enlameado, onde as poças de água eram uma constante.

Vencido esse acidentado trecho, no internamos em agradável e fresco bosque de eucaliptos, culminando por atingir, já no topo da elevação, um trecho plano, que oferecia amplas visões do entorno. 


O sol finalmente aparece.

O sol logo mostrou seu brilho, saudado por nós com alegria, porquanto, já com o dia claro, demos início ao nosso terço na trilha.

Quando ele se findou, transitávamos por uma estrada larga e sombreada, toda plana e integralmente deserta. 


Caminho ermo, silencioso e hidratado.

Foram momentos de grande alegria e, caminhando bem à frente de minha parceira peregrina, pude adentrar num estado de intensa introspecção e comunhão com a esplêndida paisagem circundante. 


Paisagens lindas...

Esse intermeio é um tanto complicado por conta de seu piso arenoso que dificulta sobremaneira a locomoção do caminhante. 


Retornam os eucaliptos... e meu caminho ficou perfumado!

Mas, também nesse mister fomos aquinhoados por Deus, porquanto, por conta das chuvas recentes, o chão se encontrava compactado, facilitando nosso deslocamento. 


Caminho retilíneo e extremante agradável...  uma das etapas mais belas co Caminho da Fé.

Nesse trecho específico, a vegetação do entorno variou de frondosos eucaliptais, a canaviais e áreas matosas, até culminar em um extenso laranjal.

Nele, a Marlene não se fez de rogada e utilizando o meu canivete, seguiu sorvendo laranjas colhidas dentre aquelas que demonstravam estar maduras e, por consequência, mais palatáveis. 


A Marlene descascando uma de suas 15 laranjas colhidas... caminho maravilhoso e acolhedor!

Mais abaixo, próximo de frondosa mata, quando atingimos a metade da jornada, fizemos uma pausa para descanso, hidratação e ingestão de frutas. 


Ambiente mágico e sombreado. A Marlene caminha à minha retaguarda.

Revigorados, partimos para vencer o derradeiro percurso, que também nos premiou com florestas, bosques e muita sombra.

De determinado local, quando ainda restavam 8 quilômetros para a chegada, pudemos avistar a cidade de Tambaú, ao longe, o que muito nos animou. 


Uma curiosa árvore nos aguarda mais adiante.

Prosseguimos em franco descenso e, após vencermos pequena ladeira, adentramos em zona urbana, caminhando, a partir desse local, sobre piso duro.

Tendo em vista o feriado reinante, uma terça-feira de carnaval, o trânsito se mostrou ínfimo e encontramos as ruas vazias, face ao comércio se encontrar, salvo raras exceções, integralmente fechado. 


Igreja matriz de Tambaú.

Assim, sem maiores contratempos, aportamos diante da igreja matriz da cidade, dedicada à Nossa Senhora Aparecida, onde adentramos para orar e agradecer pelo final da jornada, recheada de bons, saudáveis e gratíssimos momentos.

Na sequência, nos hospedamos no Hotel Tarzan, onde havíamos feito reserva.

Ali, utilizamos suas instalações para banho e breve descanso. 

Ao meio dia fomos almoçar próximo dali, no Bar e Restaurante do Vô Tarzan, onde a comida caseira e a extrema gentileza do proprietário fizeram a diferença.

Por R$18,00, o prato individual, pudemos ingerir uma comida simples, mas extremamente saborosa. 


Interior da igreja matriz de Tambaú.

Mais tarde, após visitarmos a Casa do Padre Donizetti e fazer outra proveitosa visita à igreja matriz, reunimos nossos parcos pertences e seguimos em direção à rodoviária local.

Ali tomamos um ônibus em direção às nossas residências, sendo que a Marlene tem intenção de retornar brevemente a essa cidade, para prosseguir sua peregrinação em direção à Basílica de Nossa Senhora Aparecida. 


Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

De minha parte, voltei refortalecido em minha fé, na certeza de que as lancinantes dores que sentia em meu pé esquerdo, há dois meses, no qual passei por rigoroso tratamento médico, estavam integralmente curadas.