CONSIDERAÇÕES FINAIS


CONSIDERAÇÕES FINAIS 


"Caminhar ao ar livre ou ficar em casa? Caminhar ao ar livre, no sol e no vento, produz sem dúvida uma camada mais espessa que cobre o rosto e as mãos, como um rigoroso trabalho manual retira das mãos um pouco da delicadeza do tato. Já permanecer em casa, por sua vez, pode produzir um aveludamento da pele. Quanto maior a dose de ar e de luz solar em nossos pensamentos, tanto melhor. As mãos calosas do operário condizem com os tecidos mais finos do respeito próprio e do heroísmo, cujo toque emociona o coração, do que os dedos lânguidos da ociosidade. É pura sentimentalidade a de quem se deita de dia e se julga puro, isento do breu e do calor da experiência." (Henry D. Thoreau) 


Mas, afinal, sempre ponderei, qual seria o significado exato ou amplo do verbo peregrinar?

Peregrinar, acudia-me, antes de tudo, é um ato de fé que se faz através de um Caminho e, como tal, pressupõe um itinerário, mas não se esgota nele.

Necessário associar-lhe uma intenção e um objetivo, cuja motivação despertem e alimentem a busca interior, promovendo assim o enriquecimento espiritual e cultural. 


Muita alegria no Caminho... 
(Créditos da foto: peregrina Marlene Santos)

Entre nós cristãos, as peregrinações mergulham suas raízes no Antigo Testamento, no Êxodo do povo eleito para a Terra Prometida.

E a Igreja, desde os primeiros tempos, promoveu o culto dos lugares santos e fomentou essa saudável prática.

Ao observarmos a Bíblia, veremos que muito nos falam de peregrinações, vez que era o povo de Deus que caminhava unido, ora rumo a Cidade Santa, ora aos lugares sagrados.

Todos nos lembramos da grande peregrinação que o povo de Deus fez pelo deserto junto com Moisés. 


Nossa Senhora Aparecida, protegei a todos os peregrinos, hoje e sempre! 
(Créditos da foto: peregrina Marlene Santos)

Os salmos proclamam “Que alegria quando me disseram, vamos para casa do Senhor: Eis que meus pés se estacam diante de tuas portas, oh Jerusalém” (Salmo 121).

Jesus também foi um peregrino, visto que, como bom judeu, saía da Galileia e em peregrinação dirigia-se até a Judeia (Jerusalém), para celebrar grandes festas solenes.

Inspirados pelas Sagradas Escrituras, os cristãos sempre se utilizaram desse exemplo e rumaram aos lugares sagrados, alimentando a fé das Comunidades que caminham ao encontro de Deus.

Afinal, todos somos peregrinos: na vida, no nosso dia a dia, e também, em visita a Santuários de Nossa Senhora Aparecida, Lourdes, Fátima, Terra Santa e outros, ainda que utilizando de modernos meios de transporte, como trem, navio, avião ou ônibus.

Assim, peregrinar não é só viajar, tirar férias, passear com os amigos ou viver o povo da Igreja, posto que esse verbo engloba um sentido mais amplo: É, principalmente, levar algo dentro de si e acolher a todos também!

Nesse contexto, o importante é sabermos que Deus nos convida a construir seu Reino, caminhando junto Dele e dos irmãos!

Com relação ao trecho percorrido no Caminho da Fé, diria que fui privilegiado com clima propício, um alto-astral contagiante e paisagens imorredouras.

Pensando nisso, meu agradecimento sincero ao Criador, por me proporcionar momentos tão gratificantes vivenciados junto à exuberante natureza que, com sua beleza explícita, enlaça e acolhe esse abençoado ramal do Caminho da Fé.

Para finalizar, gostaria de agradecer a companhia da peregrina Marlene Santos que, com seu invejável denodo e extrema persistência, aliado ao indelével bom humor e contagiante otimismo, concorreu, decisivamente, para tornar o meu Caminho mais leve e prazeroso. 


Caminho da Fé: Caminho Sacro! (Créditos da foto: peregrina Marlene Santos)

Na verdade, à medida que demandávamos à cidade de Tambaú, terra sagrada do saudoso Padre Donizetti, o cimento mágico que une os peregrinos autênticos, as qualidades que criam laços de amizade, inquebrantáveis, começou a se moldar e, imperceptivelmente, formamos uma equipe.

Que, embora pequena, soube enfrentar e sobrepujar desafios, porquanto, as dificuldades provocadas pelas reviravoltas surgidas ao longo do percurso, e as peripécias envidadas para superá-las, tornam esse tipo de “viagem” um tanto tensas se não houver convergência de objetivos e perseverança na meta a ser alcançada.

Por derradeiro, diria que para devassar, com intensidade, um roteiro bem-aventurado como o Caminho da Fé, nada melhor que manter a chama da descoberta acesa e proeminente, do contrário, a alma se enche de neve e o espírito morre de frio.



Bom Caminho a todos!


Março/2017

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