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2019 – CAMINHO DA FÉ – RAMAL SANTA LUZIA


2019 – CAMINHO DA FÉ – RAMAL SANTA LUZIA

Abençoados são os curiosos, pois eles terão aventuras.” (Lilly Pulitzer) 



RAMAL SANTA LUZIA - O RAMAL ESPIRITO SANTO DO PINHAL - ENTRANDO NO RAMAL PRINCIPAL, NO MUNICÍPIO DE ANDRADAS/MG

O Ramal de Santa Luzia remete ao ciclo do café, onde o peregrino percorre estradas rurais que adentram cafezais e fazendas antigas, que beneficiam, praticamente, toda a sua produção.

O peregrino que percorrer esse trajeto em meados de agosto, ficará maravilhado com o cheiro das flores do cafeeiro, ao longo de todo o trecho.

O percurso é caracterizado por aclives e declives suaves, sempre emoldurado pela bela paisagem da serra do Caracol.


CARACTERÍSTICAS DO RAMAL:

– grau de dificuldade médio;

– início do caminho, com presença de aspectos religiosos muito fortes, pois vale a pena conhecer o santuário de Santa Luzia, no bairro de Santa Luzia, logo que se acessa a área rural;

– atenção à sinalização, para não se perder dentre os caminhos nos cafezais.


Opção I: Via Município de Pindamonhangaba – TOTAL 318 KM

Opção II: Via Município de Guaratinguetá -----– TOTAL 295 KM

(Fonte: caminhodafé.com.br)




SANTUÁRIO DE SANTA LUZIA (ESPÍRITO SANTO DO PINHAL/SP) a ANDRADAS/MG – 27 quilômetros

Primeiro vem o pensamento; depois a organização desse pensamento em ideias e planos; então, a transformação desses planos em realidade. O começo, como você vai observar, está na sua imaginação.” (Napoleão Hill)

Não posso afirmar com precisão, mas, acredito que tal ramal está sinalizado desde a igreja matriz de Santo Espírito do Pinhal, porém, seu trajeto inicial perpassa por bairros periféricos, depois, adentra à vicinal Prefeito Agenor Mondadori, um percurso urbano e asfaltado, que nada acrescenta ao peregrino, além do que, a rodovia que segue em direção ao bairro de Santa Luzia não contém acostamento e acolhe expressivo trânsito de veículos.

Dessa forma, salvo melhor juízo, essa etapa deve ser iniciada no Santuário de Santa Luzia, localizado a 7 quilômetros do centro da cidade de Pinhal, para onde o peregrino deverá se deslocar de ônibus ou táxi.

Isto posto, desse local sacro, até o centro da cidade de Andradas/MG, o caminhante percorrerá ao redor de 27 quilômetros, transitando por estradas bucólicas, bem-demarcadas e com excelente sinalização.


Santuário de Santa Luzia, em Espírito Santo do Pinhal, local de nossa partida nesse ramal.

A IGREJA DE SANTA LUZIA 

A Igreja de Santa Luzia localiza-se no bairro rural de mesmo nome, na cidade de Espírito Santo do Pinhal/SP.

A região onde se situa era conhecida – em fins do século XIX – como Bairro Morro Azul e fazia parte da Fazenda Monte Alegre, de propriedade do tenente-coronel Vicente Gonçalves da Silva, que herdara de familiares.

Em 1868, o tenente-coronel casou-se com Francisca Tomázio – carinhosamente chamada de Chiquinha Ramos. Segundo consta, dona Chiquinha era mulher religiosa e os últimos anos de sua existência “foram consagrados ao bem”.

Essa religiosidade alcançou maior expressividade quando ela passou a se preocupar com colonos e conhecidos que tinham problemas na vista.

Na ânsia de ajudá-los, dona Chiquinha dedicou-se às orações e a devoção a Santa Luzia, a santa protetora dos olhos.

O marco da devoção a Santa Luzia ocorreu em 1908, com a chegada da imagem da santa em sua residência, vinda de Fuscaldo (Itália), através da Estação Ferroviária Mogiana.

Sendo a imagem de tamanho natural, não foi possível Dona Chiquinha colocá-la no oratório de seu quarto, então, resolveu construir (1909-1910) uma capelinha para abrigar a “Santa dos Olhos”.

Era uma capela pequena, que comportava cerca de trinta pessoas em pé.

A primeira missa foi rezada pelo Pe. Guilherme Landel de Moura, no dia 13 de dezembro de 1909, da qual participaram os proprietários da Fazenda Morro Azul e seus familiares, bem como toda a colônia italiana ali moradora.

A partir de então, tornou-se tradição a realização da festa todo dia 13 de dezembro, que ano após ano, foi crescendo, e que hoje é o maior acontecimento religioso da região.

Contando sempre com a participação de milhares de devotos de Espírito Santo do Pinhal, das cidades vizinhas, do Sul de Minas Gerais e da Grande São Paulo, que chegam ao local do evento a pé, de carro ou de ônibus para agradecer bençãos recebidas da padroeira da boa visão.

Nos primeiros anos, a festa de Santa Luzia foi promovida por Dona Chiquinha Ramos e por familiares e depois pelos imigrantes italianos que trabalhavam na Fazenda Morro Azul.

Em 03/04/1956 teve início a construção da nova igreja ao redor da velha capelinha para que fosse posteriormente demolida.

As obras transcorreram durante cinco anos com a ajuda financeira dos próprios agricultores, sitiantes e moradores das imediações.

Em 13 de dezembro de 2009, na festa em comemoração aos 100 anos da Capela de Santa Luzia, por decreto de Dom David Dias Pimentel, que presidiu a celebração, elevou-se a Capela a condição de Santuário Paroquial ligado à Paróquia do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora das Dores, tendo como pároco Monsenhor Augusto Alves Ferreira.

A singularidade desta festividade municipal encontra-se no fato de Santa Luzia não ser padroeira da cidade e figurar como a festa religiosa de maior expressão no município, tornando o dia 13 de dezembro, feriado municipal desde 1995.

Atualmente a comunidade continua lutando para a preservação de tamanha devoção, não medindo esforços para atender aos romeiros que veem de diversas cidades de São Paulo e Minas Gerias.

Calcula-se que durante a primeira semana de dezembro até o dia 13, passam pelo bairro aproximadamente 30.000 devotos a Santa Luzia, e são celebradas diversas missas por padres da cidade e demais vindos de outras
paróquias, para melhor atender aos romeiros e devotos.

(Fonte: http://www.santuariosantaluzia.com.br/o-bairro.php)


O interior da igreja matriz de Espírito Santo do Pinhal/SP.

A CIDADE DE ESPÍRITO SANTO DO PINHAL/SP

Espírito Santo do Pinhal é carinhosamente chamada de “Pinhal”. Suas origens remontam ao tempo dos índios Caiapós, que habitavam a região nordeste do Estado de São Paulo e que viviam em pequenas aldeias, caçando, pescando e cultivando milho e mandioca. Eles também fabricavam a igaraçaba (urna funerária) para enterrar seus mortos.

No final de 1700, as Entradas (expedições de caráter oficial que visavam a conquista da terra e a consolidação do domínio português) e as Bandeiras (expedições particulares empreendidas para capturar índios e descobrir jazidas de pedras e metais preciosos), ajudaram a povoar a região. A formação da cidade começou na primeira metade do século XIX, quando Romualdo de Souza Brito, vindo de Mogi das Cruzes, estabeleceu-se por ali, dedicando-se à agricultura com outros membros da família. Com a chegada de outros agricultores às suas terras, Romualdo e a esposa, Tereza Maria de Jesus, decidiram que, para acabar com as invasões, doariam as terras que eram disputadas para formar o patrimônio do Divino Espírito Santo. A partir da doação (de aproximadamente 40 alqueires) surgiu uma igreja e um povoado, que, com o passar dos anos, ganhou o nome atual (“Pinhal” é uma referência à grande quantidade de araucárias da região).

Por volta de 1850, o cultivo do café trouxe à região um número significativo de escravos para trabalhar nas lavouras. Logo, aquele era um dos principais focos de produção do Brasil. Por volta de 1929, porém, o café começou a perder força no município, também em função da quebra da Bolsa de Nova York.

Com base no censo de 2010, Pinhal tem, aproximadamente, 42 mil habitantes. E o café se mantém como sua principal cultura agrícola, seguido pela cana-de-açúcar e o milho (também há indústrias metalúrgicas e de confecção).

(Fonte: www.motoadventure.com.br) 


A Igreja Matriz de Espírito Santo do Pinhal/SP.


MINHA JORNADA NESSE RAMAL


Iniciamos, a Marlene e eu, a nossa caminhada às 5 h 30 min, diante do Santuário de Santa Luzia, onde chegamos de táxi.

Vivenciávamos, à época, os estertores do “Horário de Verão”, dessa forma, face à escuridão reinante, partimos com nossas lanternas acesas.

O percurso inicial, em leve ascensão, nos levou a transitar em meio a extensos cafezais, uma tônica durante essa jornada.

Nesse primeiro trecho, há alguns ascensos e descensos, mas todos de média intensidade.

Percorridos 10 quilômetros, já com o dia claro, passamos pela cidade de Santo Antônio do Jardim, porém, na verdade, o trajeto bordeja essa pequena e simpática urbe para, logo em seguida, fletir, radicalmente, à esquerda, e retornar ao campo.

Tudo está muito bem sinalizado, de forma que não tivemos problema nesse trecho inicial.

No entanto, face ao calor reinante, num posto de combustível, localizado na saída da cidade, fizemos uma pausa para utilizar banheiros e adquirir água.

Prosseguindo, o trajeto nos levou a transitar por estradas largas, contudo, com forte trânsito de veículos e muita poeira.

Todavia, percorridos 13 quilômetros, fletimos à direita e, então, tudo se acalmou e passamos a caminhar por locais desertos e extremamente silenciosas, onde perpassamos defronte à inúmeras fazendas e chácaras, todas localizadas em locais de rara beleza.

Contudo, o calor se fazia opressivo e nosso estoque de água estava se findando, o que muito nos preocupava.

Por sorte, no 21º quilômetro, quando o calor esturricava, adentramos ao estabelecimento em que se fabrica o queijo Rigoni, famoso na região, onde fomos atendidos por seus simpáticos proprietários.

Ali pudemos repor o precioso líquido em nossas garrafas plásticas e, depois de efusivas despedidas, partimos para percorrer os derradeiros 7 quilômetros, onde tivemos a companhia da maravilhosa Serra do Caracol a nos encantar pelo lado esquerdo.

Quase no final, já em zona urbana, enfrentamos um difícil ascenso, depois, descendemos tranquilamente, por ruas largas e limpas, até chegar ao centro de Andradas/MG.

Ali, ficamos hospedados no Villa Pastre Hotel, atualmente, gerenciado pela Silmara e o Wagner Martins, pessoas que dispensam elogios, pois, tratam os peregrinos do Caminho da Fé como irmãos, tamanha a dedicação em socorrer e amparar àqueles que necessitam de apoio no percurso.

No global, foi um percurso de razoável dificuldade, mormente, pela época em que a temperatura é de forte calor e baixa umidade.

Contudo, de ótimas lembranças, pela plasticidade do percurso e a grata parceria vivenciada no trajeto.

Para finalizar, gostaria de consignar um agradecimento especial à Marlene, que dividiu essa trilha comigo, uma pessoa que muito admiro, de fácil trato e excelente preparo físico.

Algumas fotos desse dia:


Mais um dia nascendo, e nós firmes na trilha...


Caminhando entre imensos cafezais, a tônica também nessa etapa.


Os cafezais prosseguem...


Início de pequeno descenso, mas, sempre entre muito verde...


Placa dos 300 km restantes até Aparecida.


v
O sol já brilha forte..


Sinalização impecável!


A serra do Caracol, do nosso lado esquerdo...


Quase chegando, a serra do Caracol prossegue nos encantando...


RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o Santuário de Santa Luzia, em Espírito Santo do Pinhal/SP, até o Villa Pastre Hotel, em Andradas/MG: 6 h 15 min.

Clima: Fresco no início da jornada, depois, sol forte e calor opressivo.

Pernoite no Villa Pastre Hotel – apartamento individual excelente – Preço: R$60,00

Almoço no Restaurante Styllus: Excelente – Preço: R$29,90 o quilo, no sistema self-service.


Para visualizar ou baixar essa trilha, acesse o link: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pinhal-a-andradas-32662762




FINAL

Para os espíritos pobres a natureza é cinza. Para os espíritos curiosos, o mundo inteiro arde e brilha com uma luz intensa.” (Ralph Waldo Emerson) 



Com a Silmara e o Wagner, pessoas especialíssimas, proprietários do Villa Pastre Hotel.


ORAÇÃO DA GRATIDÃO!

(Antiga poesia indiana)

Pedi-lhe força e Deus me deu dificuldades para me fortalecer.

Pedi-lhe sabedoria e Deus me deu problemas para resolver.

Pedi-lhe prosperidade e coragem e Deus me deu perigos para superar.

Perguntei-lhe do amor e Deus me deu pessoas necessitadas para serem ajudadas.

Pedi-lhe favores e Deus me deu oportunidades.

Eu não recebi nada do que eu queria, mas tudo o que eu precisava.

Minha oração foi ouvida.” 


Bom Caminho a todos!

Fevereiro/2019