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A VIAGEM


A VIAGEM


Em nossa adoração da segurança, jogamo-nos embaixo das rodas da rotina e, antes que possamos perceber, nossas vidas se foram”. (Sterling Hayden, viajante)


Tudo teve início quando tomei um ônibus da Viação Nasser que, após 2 horas de viagem, me deixou na rodoviária de Aguaí/SP.

Numa rua próxima, tomei informações com um transeunte e, logo depois, aportava à Pousada Primavera, onde havia feito reserva.


Pousada Primavera em Aguaí, onde fiquei hospedado.

Ali, por R$79,00, pude dispor de um apartamento individual, de excelente qualidade, pleno de muito conforto e limpeza.

Foi lá também que adquiri a Credencial de Peregrino do Caminho da Fé, pela qual paguei R$10,00.

Findos os procedimentos de praxe, tomei um revigorante banho, depois fiz uma breve pausa para descanso, em face do calor reinante.


Um ipê florido enfeita uma das ruas de Aguaí.

De se lembrar que Aguaí associou-se ao Caminho da Fé, como ponto de partida, em 19/06/2010.

Saindo dessa cidade, o peregrino percorre 28 quilômetros até São João da Boa Vista, e transita por mais 13 cidades e 5 distritos, até chegar à Basílica de Aparecida.


Igreja matriz de Aguaí.

Existem registros de possessões das pouco produtivas planícies de Aguaí, desde o começo do século XVIII, mas somente após a vinda da ferrovia (1887) é que a região experimentou relevante desenvolvimento.

Afinal, era a partir da estação Cascavel, nome da antiga vila, que saía o ramal para Poços de Caldas.

Conhecida como “Pouso do Itupeva” na época dos bandeirantes, uma grande cobra encontrada justamente no potreiro, acabou por emprestar seu nome à então vila.

Com a finalidade do meio de transporte, em 1887, o Major João Joaquim Braga estabeleceu-se com comércio no local, desenvolvendo intenso trabalho pela prosperidade do núcleo.

Major Braga, natural de Braga, Portugal, era dinâmico, empreendedor, comerciante, idealista de espírito publico, e desde logo pôs-se em ação para conseguir a formação do Patrimônio do Senhor Bom Jesus de Cascavel, obtendo, já no ano de 1.889, a criação da Agência de Correios, a nomeação do Subdelegado de Polícia e as primeiras doações de terrenos.


Busto fincado na praça central da cidade, que homenageia seu fundador: Major João Joaquim Braga 

Por todos esses fatos e reconhecida liderança por mais de três décadas desenvolvida na cidade para a qual tanto dedicou-se, Major João Joaquim Braga é considerado o fundador de Cascavel que, mais tarde, em 30 de novembro de 1.944, conquistava sua condição de Município, com o nome de Aguaí.

Ao passar a categoria de município em 1944, o nome teve que ser alterado devido à existência de outros com a mesma nomenclatura.

Algumas cidades, que não tinham nada a perder, se insurgiram contra o decreto que vedava nomes em duplicata, e a solução foi incluir sua localização geográfica, como ocorreu com Bragança Paulista, Monte Santo de Minas, Vargem Grande do Sul, etc.


Justa homenagem aos heróis da 2º guerra mundial.

Foi, então, realizado um plebiscito, e o nome escolhido significa justamente chocalho ou mesmo cascavel na língua indígena, qual seja, mudaram o nome, mas não o significado.

Por curiosidade, os outros nomes constantes da cédula de votação eram: Teçaindá (lugar alegre, risonho, aprazível) e Toripá (lugar, tempo, modo de alegrar-se).

Ainda, a partir dessa época, todo o Município começou a desenvolver mais eficazmente sua área agrícola e pastoril, ao mesmo tempo que via se instalarem algumas industrias de pequeno porte, numa expansão paulatina, sem os inconvenientes de desordenada explosão industrial que poderia ter trazido mais problemas do que vantagens, contribuindo na construção de uma sociedade mais estável e conservadora, durante vários anos.

Aguaí da atualidade, inspirada em tantos exemplos bons de amor a sua gente ao longo de seus anos de fundação, de existência feliz, tem tudo de essencial para prosseguir na construção do seu futuro, com seus quase 35.000 habitantes, em compasso trepidante da progressista gente paulista e em uníssono com a alma patriótica do nosso Brasil, sempre novo e muito amado.

Fonte:http://www.aguai.sp.leg.br/


Igreja matriz de Aguaí.

Mais tarde, assim que o sol amainou, segui até o centro da simpática cidade, onde pude fotografar sua praça central, bem como a igreja matriz, cujo padroeiro é o Bom Jesus.

Infelizmente, ela se encontrava fechada por ser uma segunda-feira, e não pude adentrar ao seu interior.

Pude ainda fotografar uma pedra branca, que foi colocada pelo próprio Major Braga debaixo de uma frondosa figueira, que existia defronte à sua residência.


A pedra histórica de Aguaí.

Por décadas ela enfeitou o jardim e lá permanece até hoje, sendo considerada um verdadeiro marco histórico.

Em 1989, quando se comemorou o centenário da cidade, ela foi incorporada a um monumento alusivo à data.

Pude, ainda, fotografar um arbusto nominado Aguaí, homônimo da urbe, que medra num dos canteiros existentes na praça central.

Os índios, que habitavam a região, utilizavam a semente dessa árvore para fazer enfeites e colares.


Um pé de Aguaí, árvore ainda em formação.

Seco, esse gérmen, curiosamente, produz o mesmo som característico do guizo da cobra cascavel.

Depois, fui até a Casa da Cultura, a fim de obter informações sobre a Rota das Capelas, que tem seu início nessa cidade, pois manifesto meu interesse em percorrer esse Caminho futuramente.

Segundo soube, esse roteiro nasceu com o propósito de, num percurso de fé e devoção, unir 6 municípios de São Paulo e Minas Gerais.

Idealizado pela advogada, jornalista e peregrina veterana Arlene Padrão, guaçuana radicada em Aguaí, a mais nova rota de peregrinação do Brasil ligará, por estradas vicinais, as cidades de Aguaí (ponto inicial do caminho), o bairro rural de Santa Luzia, em Espírito Santo do Pinhal, além de Santo Antônio do Jardim, Andradas, Ibitiúra de Minas e Santa Rita de Caldas.

Com um trajeto de 94 quilômetros, demarcado no dia 12 de março de 2005, encontra-se sinalizado com flechas de cor laranja e placas indicativas, os peregrinos que por alí seguem passam por cerca de 30 capelas, algumas bem antigas, e cada qual com seu estilo e história.


Praça central de Aguaí.

Posteriormente, segui por um bom tempo as flechas amarelas, como forma de facilitar meu deslocamento pela cidade no dia seguinte, pois, face ao calor reinante e à baixa umidade do ar, pretendia partir bem cedo.

À noite, ingeri um lanche que adquiri numa padaria da cidade, acompanhado de uma merecida cervejinha.

E logo fui dormir, pois a jornada do dia sequente, prometia ser bastante movimentada.


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