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1º dia: PARAISÓPOLIS a LUMINOSA: 23,3 quilômetros


1º dia: PARAISÓPOLIS a LUMINOSA: 23,3 quilômetros


Eu quero, eu posso, eu vou conseguir!” 


O percurso não seria demasiado longo e nem prometia dificuldades consideráveis, porém, vivenciávamos dias de forte calor, assim, optei por sair às 5 h 30 min e não me arrependi.

Conforme eu combinara no dia anterior com a Jandira, a Gerente da Pousada, 15 minutos antes de partir, pude ingerir um copo de espesso e cheiroso café, acompanhado de frutas e pães de queijo.

Os primeiros 4 quilômetros, praticamente, todo ele percorrido em zona urbana, me levou a transitar sobre piso asfáltico, enquanto o dia lentamente clareava e eu “aquecia meus motores”, inativos há quase 60 dias.

Depois, adentrei numa estrada de terra, situada do lado direito da rodovia que liga São Bento do Sapucaí/SP a Brasópolis/MG.

O trecho sequente, todo plano, me levou, depois de percorrer 12 quilômetros, ao início da serra do Cantagalo, que venci em bom ritmo.

Às 9 horas eu adentrei ao bairro Cantagalo e ali fiz um pausa para descanso e hidratação na Pousada e Restaurante do Jucemar.

Infelizmente, seu proprietário se encontrava em São Bento do Sapucaí, fazendo compras.

Fui, no entanto, muito bem atendido por seu genitor, o Sr. Paulo, a quem agradeço a hospitalidade.

Prosseguindo depois de vencer mais 3 quilômetros, em lenta aclividade, deixei o Estado de São Paulo e adentrei no de Minas Gerais.

E após percorrer mais 3 quilômetros em ríspido descenso, aportei a Luminosa/MG, local onde me hospedei nesse dia.

Algumas fotos dessa etapa:


Início do caminho em terra.


Caminho fresco e belíssimo nesse trecho.


O sol já apareceu...


Frondosa árvore, que sempre fotografo quando por aí passo.


Início de forte descenso, em meio a muito verde.


Escalando a serra do Cantagalo, ainda em seu início.


A cachoeira do ribeirão Cantagalo.


Igrejinha situada do bairro do Cantagalo.


O Sr. Pedro, pai do Jucemar, que tão bem me recebeu na pousada.


Integralmente solitário na trilha, hora de comemorar.


A charmosa Luminosa já aparece ao fundo e abaixo, rodeada por imensas serras.


Igreja matriz de Luminosa/MG.


Os simpáticos Sr. Nilton e Dona Ditinha, que tão bem recebem os peregrinos em Luminosa, na Pousada Caminho da Fé. Recomendo!

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde a Pousada da Praça, em Paraisópolis/MG, até a Pousada de Dona Ditinha, em Luminosa/MG: 5 h 18 min

Clima: Ensolarado, variando a temperatura entre 15 e 27 graus.

Pernoite: Pousada Caminho da Fé, de Dona Ditinha: Excelente! – Apartamento, com café da manhã e mais 2 refeições - Preço: R$85,00.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa tranquila, quase toda plana, à exceção da forte aclividade a ser enfrentada na serra do Cantagalo, além do desenfreado descenso até Luminosa. Porém, sempre em meio a exuberantes paisagens, rodeadas de muito verde. No geral, uma das jornadas mais fáceis e belas que enfrentei em Caminhos. Não se esquecendo de ressaltar o especial acolhimento que o peregrino recebe em Luminosa, na Pousada de Dona Ditinha.


Para visualizar essa trilha, gravada no aplicativo Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/paraisopolis-a-luminosa-21510891

Sobre o percurso desse dia, quando eu ainda não o conhecia, o peregrino, ator, dramaturgo, diretor teatral e professor de dramaturgia, Calixto de Inhamuns, cronicando, assim se expressou no Facebook, e, com sua autorização, compartilho seu texto, para deleite de meus irmãos peregrinos:




“Hoje, 12.12.2017, terça-feira, 39 km, de Paraisópolis, MG, passando pelo Bairro Cantagalo de São Bento do Sapucaí, SP, passando por Luminosa, MG, e avançando naquela que dizem ser uma das piores serras de todo o trajeto: a Serra de Luminosa.

Saímos de Paraisópolis tarde, 6 h, mas logo na saída encontramos, vindo em nossa direção, um anjo, dona Fátima, de 75 anos, passeando com sua bengala. Foi com bom humor que nos cumprimentou:

- Estão indo, agora? Já estou voltando.

Foi uma benção o que ela falou sobre a fé em nós mesmos e na vontade da superação. Tirei fotos dela, agradecemos as palavras e partimos.

Quando pluraleio, estou incluindo o meu parceiro de caminhada Vinícius Souza, de Amparo, SP, que hoje descobri que é metido com a ornitologia.

Depois de um trecho de asfalto, 4 km depois de sair de Paraisópolis, entramos em um uma trilha na direção do Bairro Cantagalo. Na cerca de uma fazenda, vários passarinhos empoleirados. O Vinícius me brecou com a mão no meu peito:

- Para! Olha quantos pássaros-pretos!

- São chupins, Vinícius.

- Chupins? Tá doido? Mora em São Paulo e quer saber mais do que eu que moro em Amparo? Minha cidade é coalhada de pássaros-pretos. Não tira foto que vai assustar.

Eu parei, olhei e não tive dúvidas. Era com certeza um bando de chupins de olho em ninhos de tico-ticos para colocarem seus ovos no famoso "toma que o filho é teu".

O Vinícius, ornitólogo de Amparo, colocou a mochila no chão e começou a imitar o canto dos pássaros-pretos para eles responderem. Assobiou em dó, repicou em ré sustenido, fez a primeira, pediu pra eu fazer a segunda e os chupins, para ele pássaros-pretos, nada. Olhavam para o Vinícius, olhavam um para com cara "de quem é esse maluco" e faziam de conta que não era com eles. Insisti:

- Se fossem pássaros-pretos já tinham voado, Vinícius.

- Acho que são filhotes, ainda não sabem voar.

Passou a assoviar e bater os braços pra ensinar os bichinhos voarem. Não resisti, peguei o celular para registrar aquela cena, mas assustei os chupins e eles voaram.

- Viu? Eles aprenderam voar! Outro dia ensino a cantar.

Sei não... Com certeza foram procurar ninhos de tico-ticos longe do ornitólogo de Amparo.”