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3º dia – CAMPOS DO JORDÃO/SP a PEDRINHAS (GUARATINGUETÁ/SP) – 28 quilômetros


3º dia – CAMPOS DO JORDÃO/SP a PEDRINHAS (GUARATINGUETÁ/SP) – 28 quilômetros


A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.” (Horácio) 


Eu me levantei às 4 h, depois, conforme combináramos na noite anterior, tomei café junto com meus confrades Vinícius e Calixto.

Às 4 h 45 min, adentramos num táxi que, depois de percorrer 16 quilômetros, nos deixou diante do portão do Horto Florestal de Campos de Jordão.

Após os acertos monetários e rápida pausa para checagem de nossos equipamentos, demos início à etapa do dia.

Tudo ainda estava escuro, de forma que seguimos com nossas lanternas ligadas.

Quatro quilômetros adiante, já com claridade suficiente para desligar nossas lanternas, fizemos uma pausa no Mirante do Pau Arcado, para fotos e hidratação.

Prosseguimos sempre em bom ritmo, pois a baixa temperatura e a umidade proveniente da mata que nos envolviam, propiciavam um clima ideal para a caminhada.

Depois de percorrer 9 quilômetros, já em campo aberto, ladeados pelas pastagens da Fazenda Lavrinhas, atingimos 1965 metros de altitude, o local de maior altimetria do Caminho da Fé.

Três quilômetros adiante, transitamos diante da belíssima Pousada Santa Maria, que também atende peregrinos.

Mais 500 metros percorridos, principiamos a descender, ininterruptamente.

Meus amigos fizeram uma pausa para fotografar o entorno, pois, neófitos nesse trecho de Pedrinhas, tudo lhes era novidade.

Eu, como já conhecia o percurso, preferi deixá-los à vontade, assim, me despedi e prossegui em frente.

No vigésimo quilômetro percorrido, eu transitei pelo famoso bairro Gomeral, cuja sede é Guaratinguetá.

Alguns quilômetros adiante, eu adentrei em asfalto e, caminhando sobre ele, às 11 h 30 min, me hospedei na Pousada do Sr. Agenor, meu velho conhecido.

Como das vezes anteriores, ali me senti em casa, tamanha a hospitalidade que a família Rodrigues dispensa aos peregrinos, mormente Dona Maria e sua filha Elen Cristina.

Uma hora após a minha chegada, aportaram ao local os meus “companheiros de viagem”, Calixto e Vinícius.

Após a ingestão de um almoço pra lá do bom, nos recolhemos todos para merecido descanso.

Depois, o restante da tarde e o início da noite se resumiu em confraternizações, boa prosa e muitos brindes a nossa novel amizade, regados a goles de cerveja e uma boa cachaça “da casa”.

Algumas fotos dessa etapa:


Vista da cidade de Campos do Jordão, sob forte cerração, desde o Mirante do Pau Arcado.


Trânsito pelo Horto de Campos do Jordão. Entorno belíssimo!


Caminho em leve ascenso, mas hidratado e com muito verde.


Rústica capelinha comemorativa dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida (km 036).


Vinícius e Calixto escalando a montanha. Pose junto as imagens da Mãe Aparecida.


Descida de Pedrinhas... piso com muitas pedras.. (pleonasmo?)


Mais abaixo, encontrei severa cerração...


O Bairro Gomeral, situado abaixo, estava integralmente obscurecido pela neblina reinante.


Graciosa cachoeira existente no Bairro Gomeral.


Próximo de acessar a rodovia asfaltada, muito verde no entorno.


Pousada do Sr. Agenor: Pela ordem: Elen, eu, Agenor, Calixto e Vinícius. 


Dia de Festa e Alegria: A filha da Elen, Calixto, Dona Maria, Agenor, Eu e a Elen.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o Portão do Horto Florestal, em Campos do Jordão/SP, até a Pousada do Sr. Agenor, localizada no distrito de Pedrinhas/Guaratinguetá/SP: 6 h 16 min.

Clima: frio e nebuloso, no alto da serra, depois, ensolarado, com temperatura variando entre 12 e 25 graus.

Pernoite na Pousada do Sr. Agenor: Atendimento excelente! – Apartamento simples, com café da manhã e mais 2 refeições – Preço: R$100,00

IMPRESSÃO PESSOAL: Uma etapa longa e extremamente difícil, em face de sua parte final: um profundo e extenso descenso. Porém, todo o trajeto é feito em meio a exuberante natureza, com preciosas vistas, para qualquer lado que se olhe. Um pouco disso se perdeu, infelizmente, por conta da nebulosidade existente naquele dia. Mas, o atendimento na Pousada do Sr. Agenor, compensa qualquer dissabor suportado na jornada.

Para visualizar essa trilha, gravada no Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/horto-de-campos-do-jordao-a-pedrinhas-21532330


Sobre o percurso desse dia, o peregrino, ator, dramaturgo, diretor teatral e professor de dramaturgia, Calixto de Inhamuns, cronicando, assim se expressou no Facebook, e, com sua autorização, compartilho seu texto, para deleite de meus irmãos peregrinos: 




“Hoje, quinta, 14.12.2017, foram 43,74 km, alguns feitos de táxi para atravessar a cidade e o dia, acho eu, que mais desci na minha vida.

Não moralmente, claro, que nesta área já tive dias piores, mas em termos de altitude. Em Campos de Jordão dormi na altura de 1592 metros, subi até os 1966 m no Horto Florestal de Campos de Jordão e despencamos para os 648 metros até a Pousada do Agenor, na Estrada Gomeral, no Município de Guaratinguetá. Um descenso de 1218 metros, em 12 km, uma massagem maravilhosa nos joelhos, tornozelos, unhas dos pés e no ego.

Tá certo que o dia não começou bem pela falta de coragem de alguns dois. Tem uma lenda, que juram verdadeira, da existência, no Horto Florestal, de uma onça terrível, que já jantou duas crianças e almoçou doze peregrinos. O Oswaldo Buzzo, que não dorme pra acordar mais cedo, e o Vinícius Souza, tremeram nas bases.

- Nossa, quanta neblina. É melhor esperar o dia clarear. - Falou o Buzzo e foi a senha pra fala do Vinícius:

- E tem poucas placas no caminho. É melhor esperar mesmo.

Eu, mateiro até os treze anos, acostumado a dar nó em rabo de onça, retruquei:

- Pera aí, gente, a onça não vai atacar três pessoas armadas de cajados! Além do mais, carne de peregrino, que vive subindo e descendo morro, é igual carne de boi de montanha, dura.

Conversa vai, conversa vem, garanti a vida dos dois e saímos às cinco da manhã. Pra vocês verem o que faz o medo onçal, esta hora, quase sempre, o Buzzo já almoçou. E, graças a Deus, tudo transcorreu bem. Só o Vinícius, o ornitólogo de Amparo, se assustou com uma pegada imensa na areia, mas o Buzzo, o que não dorme pra chegar mais cedo, voltou ao normal e explicou, com muita paciência:

- A onça tem garras, como um gato, quem tem a pata rachada assim é o boi.

Mesmo com esta onçalidade toda descemos e o dia terminou maravilhoso na Pousada do Agenor. Dois anjos, Dona Maria e a Élen, secundadas pelo Agenor, o próprio, foram presentes mandados por Deus. Hospitalidade, cordialidade, humanidade e uma comida maravilhosa. Truta frita, frango, arroz e feijão caseiros e, pra arrematar, saladas saborosas e lindas feitas com verduras e legumes colhidas na própria pousada.

Estamos chegando ao fim. 20 km nos separam de Aparecida onde, com a graça de Deus, vou acender uma vela para o meu amigo Cid Pimentel.

Bem grandona, do tamanho do coração dele.”