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4ª etapa: SÃO TOMÁS DE AQUINO/MG a SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO/MG – 24 QUILÔMETROS


4ª etapa: SÃO TOMÁS DE AQUINO/MG a SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO/MG – 27 QUILÔMETROS

Pensamento positivo, otimismo e fé são o combustível de uma mente sadia.




Seria, em teoria, uma etapa de média extensão e com baixa dificuldade altimétrica, assim, parti às 5 h 15 min, com tranquilidade e o dia clareando.

Inicialmente, depois de abandonar a zona urbana, transitei uns 600 m pela rodovia LMG-836, que segue em direção à cidade de São Sebastião do Paraíso.

Então, obedecendo à sinalização, adentrei à esquerda em continuado ascenso, que me levou, depois de 4 quilômetros percorridos, à 1086 m de altitude, o local de maior altimetria nessa etapa.

O clima estava frio naquela manhã, então, fiquei por longos minutos de olhos perdidos no límpido azul do céu, como para impregnar-me dele à saciedade, numa verdadeira transfusão tônica, e isso me revivificou.

O forte nesse primeiro tramo foram os imensos cafezais, a perder de vista, e algumas fazendas de gado leiteiro, onde observei a ordenha em pleno andamento naquela fria manhã de final de verão.

Depois de caminhar pelo interior de vasto eucaliptal, eu voltei a me encontrar com a rodovia, porém, observando à sinalização, eu prossegui à esquerda, por larga e arejada estrada de terra, sempre ladeado por pés de café.

Mais adiante, já em franco descenso, tive a companhia de canaviais, mas também observei culturas de milho e batata.

Por um caminho integralmente ermo, eu segui por mais de uma hora sem avistar vivalma, depois, passei a caminhar em locais abertos, onde o sol já importunava.

Percorridos 18 quilômetros, eu transitei diante do Condomínio Cachoeira, depois enfrentei outro forte ascenso, agravado pelo intenso trânsito de veículos que encontrei nesse trecho.

Ocorre que várias máquinas de terraplanagem trabalhavam no local, visando ao futuro asfaltamento da estrada, então, aspirei muita poeira, pisei sobre inúmeras pedras, e me senti extremamente vulnerável, pois os caminhões passavam por mim a grande velocidade.

Foi este, sem dúvida, um dos piores locais que caminhei em toda a amplitude desse novel Ramal, mas com sua futura pavimentação, tal óbice desaparecerá, espero.

Já no topo do morro, adentrei em zona urbana e ainda caminhei 6 quilômetros sobre piso duro, até encontrar o local de pernoite que eu havia reservado.

À tarde, após almoçar e descansar bastante, retornei ao centro da cidade para visitar e fotografar a igreja matriz da cidade, de excelsa beleza arquitetônica

Toda em estilo eclético foi construída em duas etapas; na primeira, em 1941, foi concluída a torre sineira com 43 m de altura, e o corpo da igreja, na segunda etapa, em 1952.

Bela por dentro e por fora, tem como ornamento externo superior uma imagem do Cristo Redentor, em cimento, com 5 m de altura.

Internamente, são destaques: seus três enormes sinos, fundidos em bronze na Itália, em 1929, o altar-mor, constituído de um bloco maciço de mármore Carrara, e a imagem do padroeiro São Sebastião, de madeira laqueada em tamanho natural, trabalho do notável artista Marino del Fávero, que obteve o 1º lugar na Exposição de Arte Sacra do Rio de Janeiro, em 1920.

Algumas fotos do trajeto desse dia:


No início, clima fresco e nublado.


Finalmente, o sol aparecendo..


Trecho fresco e sombreado..


Caminho plano, o sol aparecendo...


Trecho fresquíssimo..


Muita sombra nesse trecho.


Trecho final, entre canaviais.


Quase chegando, caminho arejado, sol forte.


Almoçando em São Sebastião do Paraíso/MG. Na Cantina do Chico: Recomendo!

A corrida pela descoberta de ouro no Sul de Minas fez surgir no século XVII, a cidade de Jacuí, precursora de todas as cidades da região.

Após a mineração entrar em declínio, cujo efeitos ainda podem ser vistos nos limites perímetros da cidade, seus moradores começaram a se dedicar tanto a agricultura quanto a pecuária.

A partir da adaptação natural surgiram inúmeras fazendas, e dentre essas, 'Fazenda da Serra', propriedade da família Antunel Maciel, família essa constituída de grandes criadores de gado.

A expansão do café na região de Campinas para o oeste Paulista, impulsionou a cafeicultura na região de Ribeirão Preto.

A proximidade com a zona cafeicultora de Ribeirão Preto e a própria vocação agrícola de Paraíso, fez da cidade umas das maiores produtoras de café no Estado na época, chegando a colher, no final do século XIX, doze milhões de sacas anuais.

A participação da cidade no surto cafeeiro do Segundo Reinado fez com a cidade fosse beneficiada com a vinda de primeiras levas de imigrantes, que chegavam em carros de boi, depois de desembarcar na estação da Cia Ferroviária São Paulo e Minas, em Mococa.

No começo de 1870, crianças de pais italianos já haviam sido registradas na cidade, porém, as primeiras estações de trem da cidade chegaram apenas no ano de 1911, apesar de preencher as atas da Câmara desde 1901.

Em meados de 1893 em diante, a cidade recebeu cerca de 500 colonos italianos, contribuindo para o desenvolvimento da cidade.

Visto a grande contribuição dos imigrantes italianos para a cidade, foi criado pelo então prefeito Luiz Calafiori, um monumento que homenageasse os italianos e seus descendentes.

O artista tcheco Johann Musil foi o responsável pela criação da peça em bronze 'Monumento aos Imigrantes', localizada na Praça dos Imigrantes.

São Sebastião do Paraíso, antigo distrito criado em 1855, foi elevado à categoria de vila em 13 de setembro de 1870.

População: 71 mil habitantes.


A igreja matriz da cidade de São Sebastião do Paraíso/MG.


O belíssimo interior da igreja matriz da cidade de São Sebastião do Paraíso/MG.




RESUMO DO DIA: Clima: Frio de manhã, depois ensolarado, variando a temperatura entre 16 e 25 graus.

Pernoite no Hotel das Acácias: Espetacular! Apartamento individual ótimo! Preço: R$80,00.

Almoço no Restaurante Cantina do Chico: Ótimo! – Preço: Por R$19,90 pode-se comer à vontade no sistema self-service.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de média extensão e que apresenta alguns entraves altimétricos, porém, todos de pouca monta. No geral, um percurso agradável, silencioso e ermo até o 18º quilômetro, quando enfrentei um dos piores trechos desse Ramal, mas que em breve deixará de ser problema, face ao seu asfaltamento. A cidade de São Sebastião do Paraíso é bastante extensa em termos de periferia, assim, caminhei bastante tempo sobre piso duro, ao lado de intenso tráfego de veículos e expressivo movimento de pessoas. Porém, no global, trata-se de uma etapa bonita e extremamente aprazível em seus 18 quilômetros iniciais.