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5ª etapa: SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO/MG a ITAMOGI/MG – 31 QUILÔMETROS


5ª etapa: SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO/MG a ITAMOGI/MG – 28 QUILÔMETROS

Com uma atitude otimista e fé inabalável no coração não há obstáculo que não se consiga ultrapassar.” 




Seria outra jornada de razoável extensão, assim, deixei o local de pernoite às 5 h e logo adiante me enlacei com o roteiro do Caminho, então, seguindo as flechas amarelas, transpus a rodovia BR-491 por uma passarela, depois, já do outro lado, atravessei alguns bairros periféricos, mas logo acessei uma larga estrada de terra, por onde segui compenetrado e orante, enquanto o dia clareava.

Nesse trecho inicial encontrei muitos estirões arenosos, situados entre eucaliptais, que dificultaram, sobremodo, meu deslocamento.

Porém, mais à frente, passei a caminhar sobre terra pilada e entre cafezais, novamente, a tônica nessa etapa.

O clima era de intensa satisfação interior, pois vive-se tão raramente momentos semelhantes a este, períodos em que você se envolve a tal ponto no esforço, no isoladamente e no risco, que você os degusta realmente, sabendo que eles deixarão marcas por toda a vida.

O caminho seguiu sempre em perene ascenso, embora, de forma quase imperceptível, e num local arejado, olhando para o lado direito, pude visualizar no horizonte, pela derradeira vez, a cidade de São Sebastião do Paraíso, situada a uns 7 quilômetros de distância em linha reta.

O itinerário foi girando, lentamente, para a direita e, percorridos 13.300 m, cheguei, novamente, à BR-491, que segue em direção à cidade de Monte Santo de Minas.

Então, obedecendo à sinalização, girei à esquerda e prossegui em forte ascenso pelo acostamento da rodovia, num trajeto difícil e extremamente perigoso, pois o trânsito de veículos, principalmente, os de grande porte, era intenso.

Foi este, sem dúvida, o trecho mais desagradável e inseguro que enfrentei em toda a extensão desse novel Ramal.

Por Deus, porque não há mal que dure, eternamente, após 5.500 m cruciantes e sobre piso duro, finalmente, entrei à direita numa larga estrada de terra e a magia da natureza retornou ao Caminho.

Então, prossegui com tranquilidade, atravessando locais de infinda beleza, sem maiores preocupações físicas, pois esse trecho final é, praticamente, todo plano, e depois de caminhar o quilômetro derradeiro sob a fronde de um espesso eucaliptal, cheguei ao meu destino do dia.

Diga-se de passagem que nesse percurso final, em 3 locais distintos, enquanto caminhava, fui abordado por moradores rurais do entorno, que insistiram, vivamente, em me oferecer auxílio naquilo que eu necessitasse.

O local de pernoite nesse dia foi bastante precário, no entanto, o calor humano e a preocupação externados por Dona Maria, a proprietária do hotel, fizeram com que minha estadia em Itamogi se tornasse inesquecível.

Tanto é verdade, que atendendo ao convite, eu almocei e jantei em sua cozinha, na companhia da família dela, gratuitamente.

Algumas fotos do trajeto desse dia:


Dia amanhecendo, clima nublado e fresco.


Muita areia no piso...


Caminho ermo...


Atravessando um imenso eucaliptal.


Depois de transitar pela rodovia, finalmente, retornando aos campos..


Placa dos 500 quilômetros restantes até Aparecida/SP.


Entre imensos cafezais, a tônica dessa etapa.


Trecho sombreado.. o peregrino agradece!


Ao longe, Itamogi já aprece no horizonte...


Trecho final, integralmente sombreado.


A igreja matriz de Itamogi/MG.

Quando Minas Gerais começou a incentivar a lavoura cafeeira, a zona do Sudoeste Mineiro foi a primeira a receber a imigração, não só de colonos estrangeiros, mas de todos os lados do País.

De modo bem diferente de muitos outros municípios brasileiros nasceu Itamogi (antigo Arari).

De suas matas virgens foram desbravadas pelo vigoroso e audaz Antônio Gonçalves da Costa, vulgo “Gronga”, rico proprietário de vasta extensão de terras nas imediações do município de São Sebastião do Paraíso.

Depois de se estabelecer nas imediações da área onde hoje se localiza o município de Gronga, com seus filhos Vicente e Bernardino, e grande número de escravos, abriram uma brecha na floresta, fizeram as primeiras construções e, em seguida, iniciaram a exploração da lavoura de café e cereais.

Em 1872, por iniciativa de José Furtado de Medeiros e João Pereira Silva, foi construído o patrimônio da localidade com cerca de 50 alqueires, e construída uma capela, que teve por padroeiro São João.

Aos 17 de junho de 1924, com júbilo geral de toda a população, foi instalada a Câmara Municipal.

O topônimo Itamogi” – rio das pedras – origina-se de um córrego que banha a cidade e é denominado ribeirão das Pedras.

Vizinho dos municípios de Santo Antônio da Alegria, São Sebastião do Paraíso, Itamogi se situa a 16 km a Norte-Oeste de Monte Santo de Minas a maior cidade nos arredores.

Situado a 1 006 metros de altitude, Itamogi contava com 10 349 habitantes no último censo.

Fonte: Wikipédia


Dona Maria, a proprietária do Hotel Santa Rita, uma pessoa maravilhosa e extremamente generosa!




RESUMO DO DIA: Clima: Frio e ventoso de manhã, depois ensolarado, variando a temperatura entre 17 e 25 graus.

Pernoite no Hotel Santa Rita: Apartamento individual razoável! Preço: R$40,00;

Almoço e Jantar na cozinha de Dona Maria, a proprietária do Hotel: Ótimo! – Preço: Grátis!


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de média extensão e que apresenta um entrave de grande perigo, que são os 5.500 m a serem caminhados pelo acostamento da rodovia BR-491, o trecho mais temerário que enfrentei nesse Ramal. Ainda, o roteiro segue sempre em perene ascenso até o 16º quilômetro, situado a 1086 m de altitude, o ponto de maior altimetria dessa etapa. Porém, tirante o percurso sobre o asfalto, onde a tensão sufocante não me permitiu admirar o derredor, a natureza se mostrou sempre exuberante no entorno, com ênfase para a cultura cafeeira. No global, uma etapa de razoável complexidade e bastante cansativa em termos físicos.