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8ª etapa: ARCEBURGO/MG a TAPIRATIBA/SP – 32 QUILÔMETROS


8ª etapa: ARCEBURGO/MG a TAPIRATIBA/SP – 34 QUILÔMETROS

A perseverança e a fé em Cristo, é a nossa resistência contra as adversidades.




E, finalmente, chegava à jornada mais longa desse novel Ramal, então, como seu percurso me era desconhecido, soava como a mais dificultosa, além do que, havia previsão de chuvas durante o dia todo, como de fato ocorreu.

Prudentemente, optei por despachar minha mochila no dia anterior com um motorista de aplicativos e, dessa forma, pude me deslocar com maior tranquilidade e rapidez.

Assim, parti às 5 h, descendendo por ruas frias e vazias em direção a bairros periféricos que, sob o conforto da iluminação urbana, me propiciaram percorrer 2 quilômetros sobre piso duro, antes de adentrar em larga e plana estrada de terra.

Com o dia claro, pude ver que eu caminhava entre imensos canaviais e campos de pastagem, a tônica desta etapa.

Depois de enfrentar forte descenso, percorridos 6 quilômetros, o caminho se bifurcou, então, obedecendo à sinalização, eu segui à direita, ultrapassei o rio Canoas por uma ponte e, ao mesmo tempo, deixei Minas Gerais para retornar ao Estado de São Paulo.

Algumas pessoas haviam passado a noite ali pescando e cumprimentei alguns deles que, inclusive, já guardavam a tralha e se preparavam para retornar às suas residências.

Trinta metros adiante o caminho voltou a se bifurcar e por haver mato alto na beira da estrada, não consegui visualizar flechas, contudo, seguindo minha intuição, prossegui à direita e cinquenta metros à frente, ao ver uma seta amarela pintada num mourão, confirmei que estava no rumo certo.

Prosseguindo, caminhei um bom tempo pelo interior de um enorme e sorumbático bosque de eucaliptos, contudo, logo, retornei aos infindáveis canaviais.

A chuva que vinha rondando o ambiente resolveu cair de vez e precisei fazer uma pausa rápida para vestir minha capa protetora.

Depois de ultrapassar outro grande eucaliptal, prossegui meu roteiro alternando campos de pastagens com grandes culturas de cana-de-açúcar.

E no 16º quilômetros, quando a chuva cessou, eu desaguei numa rodovia vicinal asfaltada e ali prossegui, à esquerda, sobre piso duro.

Finalmente, percorridos 20 quilômetros, passei pelo distrito de Igaraí, criado em 1904, cuja sede é Mococa/SP, um povoado de média dimensão, com variado comércio, onde residem, aproximadamente, 2.700 pessoas.

Fiz uma pausa numa padaria para ingerir um copo café acompanhado de um pão tostado na chapa, comprei água, descansei um pouco, depois segui adiante.

Caminhei ainda 1.500 m sobre piso asfáltico, depois adentrei à direita e prossegui entre imensos canaviais, agora em ascenso e, no 28º quilômetro percorrido, cheguei a 839 m de altura, o ponto de maior altimetria nessa etapa.

Depois, já em descenso, surpreendentemente, transitei um bom tempo pelo interior de um grande cafezal, ainda em formação.

Gostaria de uma carona, indagou-me um solícito motorista ao passar com seu veículo, um incrementado fusca, ao meu lado.

Fora uma oferta sincera, bem-intencionada, que, de certa forma, sublinhava como é bizarra a ideia de caminhar qualquer distância nestes tempos modernos.

Grato por sua gentileza e preocupação, respondi-lhe, mas realmente preciso fazer o caminho inteiro até Aparecida a pé.

Prosseguindo, após transpor outro caudaloso ribeirão por uma ponte, caminhei entre um imenso feijoal, porém, depois de vencer pequeno outeiro e descender pelo lado oposto, logo adentrei em zona urbana e segui caminhando até o local de pernoite.

Ali fui recebido pelo simpático Sr. Onofre, o proprietário do hotel, pessoa boníssima e alegre que conhecera há um ano, quando ali pernoitara provindo da cidade de Guaxupé, pelo Ramal Dom Inácio do Caminho da Fé.

À tarde, após profícuo almoço e descanso, ainda tive ânimo para ir visitar e fotografar a igreja matriz da cidade, de expressiva beleza, cuja padroeira é Nossa Senhora Aparecida.

Algumas fotos do trajeto desse dia:


Atravessando um imenso eucaliptal..


Canaviais e tempo fechando..


Seguindo pelo interior de canaviais, sob fresca garoa.


Trânsito por outro belíssimo eucaliptal.


Caminho hidratado e silencioso...


Os quilômetros restantes seguem em descenso..


Chegando em Igaraí, distrito de Mococa/SP.


A sequência foi novamente entre canaviais...


O percurso prossegue ermo e silencioso. A chuva vem chegando..


Caminhando entre uma grande plantação de feijão.


Chegada ao meu destino do dia.


Com o Sr. Onofre, o simpático proprietário do hotel.

“Tapiratiba” é um nome de origem tupi, que significa “morada das tapir”, pela junção dos termos tapira (anta, mamífero) e tiba (morada, ajuntamento).

Seu nome anterior era Soledade, mas como havia quatro localidades homônimas no país, e não se querendo denominar a localidade “Soledade Paulista”, deram-lhe o nome de Tapiratiba.

Segundo vários moradores do município, aqui chegaram Domiciano José de Souza e família, que vieram em companhia de Vigilato José Dias, procedentes da Freguesia de Caconde.

Domiciano José de Souza, natural de Ibiturana no Estado de Minas Gerais, nasceu em 1800, chegando aqui durante o ano de 1842 aproximadamente. Movido pela cobiça de ouro, reuniu seus escravos tratando imediatamente da exploração das terras. Demonstrou possuir conhecimento e invulgar inteligência.

Domiciano José de Souza, no cenário político de Caconde, foi eleito por várias vezes Juiz Municipal, sendo também agraciado com todos os méritos pelo Presidente da Província, com a patente de Capitão das Ordenanças do Termo de Vila de Mogi-Mirim da Freguesia de Caconde.

Domiciano não parava, e seus ideais de desbravador aumentavam dia a dia, até que arquitetando o futuro promissor da cultura do café na companhia de Vigilato José Dias, com isso, fundou as Fazendas Soledade e Bica de Pedra.

Com o falecimento dos dois desbravadores, a fazenda Soledade passou ao genro de Domiciano, Thomas José Dias, enquanto que a Fazenda Bica de Pedra teve como sucessor o Capitão Indalécio.

Em 1897, Thomas José Dias, casado com Carolina de Almeida e Silva, filha de Domiciano José de Souza, doou 20 alqueires de terras da Fazenda Soledade à Paróquia Nossa Senhora da Aparecida.

Em 1898 era então construída por Thomas José Dias e Carolina de Almeida e Silva a primeira Capela, denominada Capela Nossa Senhora Aparecida.

Na Fazenda Soledade, poucas eram as construções existentes, pois Thomas José Dias não vinha precedido de idéias progressistas.

Já na Fazenda Bica de Pedra, quando administrada por Vigilato José Dias, várias foram as construções ali realizadas, como também certos melhoramentos, como a sede da Fazenda e construções das mais sólidas (até hoje existentes), engenhos de serra e várias casas de colonos.

Estando a uma altitude de 760 metros, com uma população de, aproximadamente, 13 mil habitantes, foi fundada como município em 1929, emancipando-se de Caconde.

Gentílico: Tapiratibense ou Tapiratibano


Igreja matriz de Tapiratiba/SP


O interior da belíssima igreja matriz de Tapiratiba/SP




RESUMO DO DIA: Clima: Frio de manhã, depois chuvoso, variando a temperatura entre 17 e 23 graus.


Pernoite no Tapiratiba Hotel: Apartamento individual bom! Preço: R$70,00.

Almoço no Restaurante da Silvana: Ótimo! – Preço: Por R$22,90 pode-se comer à vontade no sistema self-service.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de grande extensão e que apresenta alguns obstáculos altimétricos no percurso, mas nada de grande monta. No restante, um percurso, praticamente, todo plano. Tirante os 6 quilômetros caminhados antes e depois do distrito de Igaraí, vencidos sobre piso duro, o complemento da jornada foi sobre terra sedimentada e sem pedras, excelente para caminhar. A natureza também se mostrou exuberante no entorno, com imensas culturas agrícolas, tudo concorrendo para um trajeto silencioso e ermo, em quase todo o caminho. No global, uma etapa exigente, contudo, plena de belas paisagens.


09ª etapa: TAPIRATIBA/SP a CACONDE/SP– 19 QUILÔMETROS