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HISTÓRIA DO CAMINHO DA PRECE


A HISTÓRIA DO CAMINHO DA PRECE



Arquitetado por José Policarpo Ferreira, conhecido popularmente por “Polly”, o caminho surgiu com o intuito de fé e companheirismo, onde o idealizador e alguns amigos, durante o período da Semana Santa no ano de 2007, fizeram a seguinte sugestão: que tal uma caminhada?

É isso mesmo, um percurso de aproximadamente 70 quilômetros ou, simplesmente, "um trekking de travessia".

É necessário que a pessoa goste e tenha um bom preparo físico, porque até o 40º quilômetro, existem ascensos e declives suaves, até atingir a cidade de Inconfidentes/MG.

Daí para frente, a paisagem é linda, porém não se pode deixar de dizer que um bom preparo físico se torna imprescindível.

A altitude do passeio varia de 832 m (Várzea da Forquilha), a 1100 m (entre o bairro Paredes e o bairro Moji), entre os municípios de Inconfidentes e Borda da Mata.

Importante ressaltar que o caminho pode ser feito na sua totalidade com a ajuda de carro de apoio, vez que ele transcorre por estradas transitáveis o ano todo.

É magnífico olhar a beleza da natureza, e na maioria das encostas afloram minas d'água que, quase sempre, correm nas margens do caminho; árvores frutíferas, como goiabeiras e abacateiros, são encontradas carregadas de frutos maduros, principalmente, nos meses de janeiro a março.

Ainda é possível, em meio à tecnologia da internet e velocidade de informação, encontrar pessoas como o Sr. Luizinho Félix que, com sua Toyota 1973, trabalha como mascate pela zona rural de Ouro Fino, esbanjando simpatia.

Também, presenciar uma partida de futebol de várzea, onde os jogadores estão, uns descalços, outros, sem camisa, uns de chuteira, caneleira e chapéu, outros, sem nenhuma proteção.

É maravilhoso saber que ainda existem coisas desse naipe, a nos induzirem a relaxar e sorrir como, por exemplo, verificar a enorme quantidade de charretes, que se encontram nesse trajeto.

Eu mesmo, pessoa nascida e criada em cidade do interior, acho que nunca vi tantas.

Como poderíamos descrever uma região onde as pessoas, mesmo as mais simples, fazem questão de cumprimentar o peregrino com um "Bom dia", "Boa tarde"!

E não são apenas os mais velhos não, as crianças já são ótimas aprendizes na arte de cativar seus visitantes.

É aconselhável o uso de cajados, bastão de caminhada ou bengalas, como alguns chamam, porque, diante de um desafio desses é que se descobre sua utilidade, seja como apoio nos aclives e declives, escora de cerca ao passar por elas, atravessado nas costas, serve para descansar os braços, além de ser útil para afastar animais e, até, para apanhar frutas.

Vestir sempre calçados macios, de preferência, usados, roupas leves, protetor solar, antialérgico, pomada antialérgica para picadas de insetos, boné ou chapéu, água, lanche, ataduras, capa de chuva e um cajado.

Antes de sair para uma longa caminhada ou travessia, procure conversar com pessoas que já tenham feito algo semelhante, porquanto, sua experiência no assunto poderá lhe ajudar muito.

Adaptado do texto inserto no site: http://www.natventure.com.br/


Banco situado defronte ao Ghandi Hotel.


SUA OFICIALIZAÇÃO



Inspirado no Caminho da Fé, que guia os peregrinos ao Santuário de Aparecida, e em caminhos milenares como, por exemplo, o Caminho de Santiago de Compostela (Espanha/Europa), o Caminho da Prece surgiu da ideia de se desenvolver um trajeto de menor extensão, propiciando oportunidade a muitas pessoas que desejam peregrinar, mas não se sentem confortáveis ou preparadas para realizar um caminho longo.

Foi com o objetivo de dar alento a esses caminhantes, e proporcionar alguns outros benefícios, que depois de quase 10 anos de muitas caminhadas e orações, o Caminho da Prece foi tomando forma, assim, oficialmente aprovado, possibilitou a desejada reflexão religiosa, num trajeto relativamente curto.

Pois, ele pode ser realizado em dois dias, em geral, num fim de semana.

Apesar de ser conciso, como em toda caminhada, ele exige foco, dedicação e moderado esforço.

Esses fatores são altamente recompensados com as Preces realizadas ao longo do Caminho, pela contemplação da natureza, superação dos desafios, contato com outros peregrinos, realização de novas amizades e, o mais importante, permitir aos participantes a chance de uma renovação religiosa.

Vez que, o Caminho da Prece privilegia a simplicidade, valor essencial à vida.

Sua inauguração oficial ocorreu em 27 de março de 2015.


Reflexão Religiosa


Caminhar nos leva à reflexão e, esta permite um olhar diferente sobre você mesmo. Seja sozinho ou em grupo, caminhar mostra que a vida se faz de coisas simples, desapego e compartilhamento. Além do que, proporciona alegria à alma e prazer espiritual.

No Caminho da Prece, há dois pontos em cada um dos dois dias do percurso, onde todos os Peregrinos se unem para oração. Essas orações em grupo são momentos fortes de encontro com Deus.

Lembrando que esse Caminho é ecumênico, ou seja, aberto a qualquer cristão.


Ser Peregrino:


É estar desprovido de tudo e peregrinar seu caminho voltado ao outro. É caminhar, não pedindo, mas só agradecendo pela dádiva da vida. É dar uma chance a si mesmo. É buscar respostas e paz interior caminhando.

Os resultados acontecem naturalmente, vindo das orações, do convívio com as pessoas desprovidas de qualquer tipo de ostentação, do contato com a natureza, e da simplicidade com que todos enfrentam suas dificuldades para superar obstáculos e prosseguir.

O peregrino recebe uma força que ele em geral desconhece. É a força que vem da fé e das orações.

Lembrando sempre que, peregrinação não é competição, onde quem chega primeiro é o vencedor, e quem pensa assim, precisa caminhar muito ainda...

O peregrino vencedor é aquele que se dispõe a dar o primeiro passo, e o tempo do percurso é o que menos importa.

O bom Peregrino mesmo estando em perfeitas condições físicas, faz companhia aos que têm dificuldade em acompanhar o grupo, dá atenção a todos e, sobretudo, ora com fé.

Esse é o espírito do peregrino!

Adaptado do texto inserto em: https://www.facebook.com/CaminhoDaPreceJacutinga



MINHA VIAGEM


Minha aventura começou numa terça-feira, quando embarquei sozinho num ônibus da Viação Gardênia que, após duas horas de viagem, me deixou na rodoviária de Jacutinga/MG.


Local onde fiquei hospedado em Jacutinga/MG.

Na sequência, me hospedei no Gandhi Hotel, onde havia feito reserva.

Ali, por R$45,00, pude desfrutar de um quarto individual, limpo e agradável.


Sedecon de Jacutinga: Marco zero do Caminho da Prece.

Após as providências de praxe, fui à Secretaria do Desenvolvimento Econômico - Sedecon retirar minha Credencial de Peregrino, pela qual paguei R$10,00.

Ali, fui muito bem recebido pelo simpático Coordenador de Turismo, o Sr. Odval Aparecido Bertolassi que, além de me fornecer o perfil altimétrico do Caminho, também fez questão de ser fotografado ao meu lado, para publicação no site que a empresa mantém no Facebook.


Restaurante onde almocei em Jacutinga/MG.

Depois, em vista ao adiantado do horário, fui almoçar no restaurante Kasarão, onde pude saborear uma refeição tipicamente mineira, feita em fogão de lenha, por um preço justo.

Em seguida me recolhi, pois fazia muito calor, e o sol forte inibiu um passeio mais demorado pela cidade.


Antiga estação da Estrada de Ferro.

Até a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, no século XVI, a atual região do sul de Minas Gerais era habitada pelos índios puris.

A atual cidade de Jacutinga tem, como marco de sua fundação, o ano de 1835, data da construção da primeira capela do então povoado chamado "Ribeirão de Jacutinga".



O nome foi assim designado pelas muitas aves dessa espécie que habitavam a região.



Passados 36 anos, o vilarejo tornou-se "Santo Antônio de Jacutinga", já apresentando desenho e ares de cidade.

A partir daí, vieram os lampiões a gás, a estrada de ferro e o primeiro jornal impresso, em 1927: "A Gazeta de Jacutinga", um grande avanço para a época.

Foi elevada à condição de município em 16 de setembro de 1901, passando a se chamar somente "Jacutinga".


Portal de Jacutinga, com a ave que dá nome à cidade.

Com um crescimento em ritmo acelerado devido ao cultivo de café, destaca-se um período de expansão, até o declínio da cafeicultura, em meados da década de 1930.

Paralelamente ao grande boom da era industrial no Brasil ocorrido nessa época, imigrantes italianos se instalaram na cidade, trazendo, consigo, a habilidade de tecer e bordar.

Já no fim da década de 1960, um jovem italiano, Antônio Pieroni, trouxe para Jacutinga, a primeira máquina manual de fazer tricô: a Lanofix.



Surgia, consequentemente, o turismo de negócios, fomentado pelas compras nas mais de mil pequenas empresas que hoje existem na cidade.

Posto que, a população abraçou a nova vocação econômica e, durante quase cinquenta anos, conseguiu transformar o município em referência nacional na fabricação de malhas e tricô, formada por mais de mil unidades produtivas, popularmente chamadas de "malharias".

Cerca de 450 lojas de varejo comercializam a produção e, durante a temporada de março a julho, são gerados cerca de 6 mil empregos, com uma produção mensal de pelo menos 2 milhões de peças, que também são exportadas para outros países e expostas em novelas e comerciais.



Possui o título de "Estância Hidromineral" e é reconhecida como a capital nacional das malhas, sendo responsável por 27% de toda a produção nacional dessa espécie de vestuário e tecido.

População atual: 23 mil pessoas.

Fonte: Wikipédia


No poste, a primeira flecha do Caminho da Prece.

Depois de uma reconfortante soneca, fiz contato com o Polly, um dos idealizadores do Caminho da Prece, pois eu tinha muito interesse em conhecê-lo pessoalmente, e marcamos encontro para as 17 horas.

Na verdade, conhecer a história dos lugares que visito é, para mim, como uma viagem dentro da viagem.


Igreja matriz de Jacutinga/MG.

Assim, fui visitar e fotografar a igreja matriz de Jacutinga, cujo padroeiro é Santo Antônio.

Trata-se de uma das construções mais antigas do município, e reserva belíssimas surpresas aos visitantes, em face de suas obras de artes, que a tornam ainda mais valiosa.


Interior da igreja matriz de Jacutinga/MG.

A começar pelo relógio, fabricado em Jacutinga por Lourenço Fernandes, passando pela porta principal, com um belo entalhe feito por João Pinheiro de Oliveira Pires, seguindo para seu interior, onde os vitrais, murais e telas disputam a atenção das pessoas, com destaque para as cópias feitas por Antônio Volponi, retiradas de cartões do renomado pintor alemão Fugel, que segue o estilo expressionista, e do pintor italiano Fra Bartolomel.


Igreja matriz de Jacutinga/MG.

Depois, dei um giro pelo comércio da simpática cidadezinha.

Na sequência, fui até um supermercado, onde adquiri água, frutas e barras de chocolate, para utilizar durante o percurso do dia seguinte.


Com o Polly e o Ely Prado, em Jacutinga/MG.

No horário aprazado, recebi a visita dos idealizadores do Caminho da Prece, os simpáticos José Policarpo Ferreira (Polly) e o Ely Prado, que foram até o hotel me cumprimentar

Experienciamos, então, momentos de intensa alegria e descontração, onde pude abraçar esses jovens e bravos lutadores, que trabalham por uma causa que interessa a todos nós peregrinos.

Fizemos algumas fotos, trocamos impressões sobre nossa vida peregrina, depois eles me deram algumas dicas sobre o percurso que eu enfrentaria nos dois dias sequentes, quando eu percorreria o Caminho da Prece integralmente solitário.

O Ely já tinha compromissos agendados, de maneira que ele logo se despediu e seguiu para casa.

Porém, atendendo ao convite do Polly, fui com ele até sua residência, localizada junto a sua oficina de tapeçaria onde, além de ingerir gostoso café, regado a queijo mineiro e pão fresco, pudemos dialogar um bom tempo sobre caminhadas pretéritas e futuras.

Os cômodos de sua casa foram estilizados no melhor estilo romeiro, sendo que até uma capelinha dedicada a Nossa Senhora Aparecida, foi erigida em seu jardim de inverno.


Painel explicativo existente numa das paredes da residência do Polly.

Nas paredes, além de imagens motivadoras, há uma que está descreve sua longa experiência de caminhante, iniciada no ano 2000.

Conforme está ali demonstrado, através de uma tabela, a soma de todos os caminhos vencidos, por ele, perfaz, até o momento, 6.216 quilômetros.

Número que seguirá em evolução, pois o Polly percorrerá novamente o Caminho da Fé e o da Prece, ainda no ano em curso.


Frase meditativa pintada numa das paredes da residência do Polly.

Passamos bons momentos, onde a tônica foi a descontração e uma intensa e rica troca de vivências peregrinas.

Mais tarde, o dileto amigo me levou de volta ao hotel, visto que ele frequentaria um curso naquela noite e eu necessitava descansar.


Festejando com o simpático Polly.

Então, ingeri frugal lanche num bar próximo e logo me recolhi.

Já no quarto, arrumei calmamente a mochila, como forma de me concentrar para o desafio que enfrentaria na manhã sequente.


Imagem de Nossa Senhora de Aparecida, existente no interior da igreja matriz de Jacutinga/MG.

Depois, como sempre faço, e antes de deitar, fiz uma prece pedindo proteção à Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Basílica da cidade de Borda da Mata, onde eu esperava aportar dentro de 2 dias.

Então, rezei assim:



Santíssima Virgem Maria, Esplendor e Glória do Carmelo, vós olhais com especial ternura os que se revestem com o vosso Santo Escapulário.

Cobri-me com o manto da vossa maternal proteção, pois a Vós me consagro hoje e para sempre.

Fortalecei a minha fraqueza com o vosso poder.

Iluminai a escuridão do meu espírito com a vossa sabedoria.

Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade.

Adornai a minha alma com muitas graças e virtudes.

Assisti-me na vida, consolai-me na morte com a vossa presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho dedicado, para que eu possa louvá-la por toda a eternidade.

Amém!”