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2020 – CAMINHO DA PRECE – IX


2020 – CAMINHO DA PRECE – IX

“Todos temos a oportunidade de ser viajantes; basta que tenhamos coragem. Viajar para perto ou longe, sozinho ou em grupo, não importa, pois toda e qualquer experiência que saia de nosso cotidiano nos enriquece e nos faz crescer.” 



O ano de 2020 estava ainda no início e eu sentia urgência de retomar minhas peregrinações.

Nesse sentido, nada melhor do que buscar a benção da Mãe Maior em uma de suas Basílicas, então, face à sua proximidade, fui percorrer novamente o Caminho da Prece.

Nessa oportunidade, tive a companhia do Demétrius, amigo de longa data, que percorrera, em 2013, em minha companhia, o Caminho de Santiago Português, a partir da cidade do Porto.

Tudo acertado, locais de pouso reservados, aportei à linda cidade de Jacutinga/MG numa quinta-feira à tarde e, como sempre faço, me hospedei no Hotel Gandhi, onde havia feito reserva.

Lá, por R$70,00, pude dispor de um excelente quarto individual, limpo e agradável.

Aproveitei a ocasião para ali mesmo adquirir minha credencial peregrina, passaporte obrigatório para aqueles que desejam receber seu Diploma no final do trajeto.

Posteriormente, passei pelo SEDECON de Jacutringa, para rever e abraçar meu grande amigo e coordenador de Turismo da cidade, o preclaro Odval Aparecido Bertolassi.

À noite, como de praxe, estivemos o Demétrius, sua noiva Valéria e eu na casa do Polly que, mais uma vez, nos recebeu carinhosamente, com direito a café, queijo, cerveja, etc.

Ali passamos momentos agradáveis, de muita alegria e descontração, relembrando com saudades encontros pretéritos.

Um ótimo momento para rever os amigos Benedito (irmão do Polly) e o Ely Prado, saber das novidades, cotejar experiências e combinar projetos futuros.

Abaixo, algumas fotos desse fraterno reencontro:


Com meu amigo Odval Aparecido Bertolassi, diante do SEDECON de Jacutinga/MG.


Com o Demétrius e a Valéria, diante da casa do Polly.


Com meu parceiro Demétrius, na casa do Polly!


Com o Benedito (irmão do Polly), Polly, Ely e o Demétrius. Momentos de muita alegria!

1º dia – JACUTINGA a INCONFIDENTES – 39 quilômetros 


Quem pode dizer que a alegria de respirar ou caminhar em uma manhã brilhante, inalando o ar fresco, não vale todas as penas e o esforço que a vida implica?” (Erich Fromm) 


Estávamos em meados de fevereiro, sem horário de verão, tempo firme, com previsão de sol ardente brilhando num céu azul e sem nuvens, a partir das 9 horas.

Assim, como forma de agilizar e tornar mais agradável nosso deslocamento, deixamos o local de pernoite às 4 horas, depois de ingerir um profícuo café da manhã que o porteiro noturno do estabelecimento, gentilmente, nos preparou.

Um quilômetro à frente, assim que terminou o piso asfáltico e a iluminação urbana, adentramos em piso de terra, acionamos nossas lanternas de mão e seguimos em frente determinados.

Nossa caminhada foi tranquila, plena de bons momentos e muito riso, com trânsito por locais ermos e verdejantes.

Durante o trajeto nós fizemos duas pausas para descanso e hidratação: uma no bairro Peitudos e outra no bairro Ponte Preta.

Ainda, e como de costume, efetuamos paradas obrigatórias para fotografar, refletir e orar em 3 cruzeiros que estão fincados ao longo desse percurso.

E, sem maiores intercorrências, aportamos em Inconfidentes/MG, mais especificamente, no bar do Maurão, após 7 h 30 min de uma “viagem” extremamente alegre e proveitosa.

À tarde, após uma revigorante soneca, tive tempo para visitar a igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é São Geraldo Majela.

Posteriormente, no bar do Maurão, tive o prazer de rever e abraçar meu Xará, o Oswaldo Francisco Bueno, amigo de longa data, “figurinha carimbada” na cidade de Inconfidentes, com quem confraternizei alegremente.

ALGUMAS FOTOS DO PERCURSO DESSE DIA


Ao longe e à direita do Caminho, o Pico da Forquilha.


O Dedé com muita disposição no Caminho..


O primeiro Cruzeiro do Caminho da Prece.


Igrejinha do bairro de Peitudos, cujo padroeiro é São Sebastião.


Paisagens imorredouras!


Segundo cruzeiro do Caminho da Prece.


Caminho sem sombras, mas com paisagens fantásticas.


Muito verdor nesse trecho e sob sol forte..


Quase chegando...!


Terceiro cruzeiro do Caminho da Prece.


Monumento que homenageia os peregrinos, em Inconfidentes/MG.


Com o Demétrius, Oswaldinho (Xará) e Maurão. No Bar do Maurão, um local imperdível!

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o prédio do SEDECON, localizado em Jacutinga/MG, até a Pousada Martinelli, localizada em Inconfidentes/MG: 7 h 30 min.

Clima: nublado de manhã, ensolarado, após às 9 horas, com temperatura variando entre 17 e 24 graus.

Pernoite na Pousada Martinelli – Apartamento individual excelente – Preço: R$70,00;

Almoço no Restaurante Martinelli - Excelente! – Preço: R$39,90 o Kg, no sistema self-service.


2º dia – INCONFIDENTES a BORDA DA MATA – 32 quilômetros


Devemos viver como se fosse uma festa, porque todos os dias recebemos de presente um vale de 24 horas para gastarmos da melhor maneira possível.” (Marina Maiello) 


Após uma profícua noite de sono, me coloquei em pé alvoroçado e bem-disposto, já prelibando a jornada do dia, quando vivenciaríamos o final de mais um Caminho.

Seria outra jornada de grande superação, além do que pretendíamos retornar às nossas cidades de origem naquele mesmo dia.

Assim, partimos às 4 h, depois de ingerir o farto café da manhã que, gentilmente, o proprietário da pousada deixou-nos preparado na noite anterior.

Quando deixamos a zona urbana, já encontramos alguns trabalhadores circulando pelas ruas desertas e ventosas da simpática urbe.

Três quilômetros percorridos sobre piso duro, finalmente, numa bifurcação, seguimos à esquerda, adentramos em terra e, então, prosseguimos em ascenso, enquanto lentamente o dia raiava.

O primeiro grande desafio dessa etapa está no topo do morro Monjolinho, situado a quase 1100 m de altitude, onde se encontra fincado o 4º Cruzeiro da Prece.

Ali chegamos após uma hora de caminhada, com tempo para orações, fotos e, ainda, depositar as pedrinhas que levávamos em nossas mochilas para tal finalidade.

O trajeto sequente nos levou a perpassar pelo bairro Boa Vista da Adelaide, depois, pela Venda da Ziza, etc..

Sob clima ameno e, praticamente, sem sol, fizemos algumas pausas para fotos, hidratação e ingestão de frutas e carboidratos.

Efetivamente, por obrigações pré-agendadas, tínhamos horários a honrar naquela data e, por conta disso, implementamos um ritmo constante na jornada.

Nesse pique, sem maiores intercorrências físicas, às 10 h 30 min nos perfilamos diante do Marco Zero do Caminho da Prece, localizado na praça fronteiriça à Basílica de Borda da Mata, para uma foto histórica.

Depois, adentramos ao templo para as preces de agradecimento.

Em seguida, seguimos até o Hotel San Diego, para carimbar a Credencial e receber nosso Diploma Peregrino.

Na sequência, embarcamos no automóvel do Demétrius, de regresso às nossas residências.

ALGUMAS FOTOS DO PERCURSO DESSE DIA


Cruzeiro de Pedra. Momento de oração e agradecimento!


Quinto cruzeiro do Caminho da Prece.


Paisagens espetaculares!


Vistas surreais em todo o percurso...


Igrejinha de Nossa Senhora Aparecida.


Tudo verde... entorno maravilhoso!


Sexto cruzeiro, localizado a 1.101 m de altitude, o ponto mais alto do Caminho da Prece.


Igrejinha do bairro Moji.


Com o Benedito (irmão do Polly), na sua residência em Borda da Mata/MG.


RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada Martinelli, em Inconfidentes/MG, até o Hotel San Diego, localizado em Borda da Mata/MG: 6 h 30 min

Clima: frio e nublado de manhã, depois ensolarado, com temperatura variando entre 17 e 25 graus.



FINAL


Colecione histórias dos lugares que passar, faça da sua trajetória na vida um bom motivo para conhecer cada dia mais as pessoas e as culturas. Aproveite para relaxar, para saciar a sua sede de conhecimento e passe essa rica experiência para quem encontrar no caminho.” 


Finalmente, no "Marco Zero" do Caminho, em Borda da Mata/MG.


O PODER DO MOVIMENTO

Os turistas que partem em férias e os viajantes de fim de semana, cujo objetivo declarado resume-se à vontade de respirar ar puro ou tomar um simples banho de mar, estarão também cumprindo, sem o saber, algum secreto rito de transformação e de crescimento interior pelo movimento?

Sem dúvida! 

O desejo do movimento está sempre associado à dinâmica da vida, assim como a inação se associa à rigidez da morte.

Dessa forma, todo deslocamento físico, em última análise, é uma viagem.

E, nesse sentido, até um simples passeio ao redor do quarteirão pode ser enriquecedor.

Com uma condição: que ele seja feito com a consciência desperta.

Com os cinco sentidos inteiramente ligados, e acoplados àquela capacidade intrínseca da consciência que é a observação.

Quando alguém se acostuma a “viajar” desse modo, a própria vida se transforma numa permanente e excitante viagem, e cada um de nós em peregrinos da existência.

(Luis Pellegrini)


Meu 9º Diploma do Caminho da Prece.


EPÍLOGO 


Existem pessoas especiais que marcam a nossa vida, conseguem falar, ouvir, tocar, sem ao menos estarem perto. Elas nos tocam de forma especial, onde nenhum olho físico consegue enxergar, nenhum som se faz necessário e nenhuma mão precisa tocar. Tocam de forma sutil, com sinceridade e deixam marcas que nem o tempo pode apagar, porque é de coração para coração.” (Prof. Lourdes Duarte) 


“De um modo geral, toda viagem possui uma dinâmica básica que obedece às estruturas de um rito de passagem: a partida, o período limiar e a chegada.

Na partida percebe-se o momento da separação, quando aquele que viaja abandona temporariamente seu lar, sua família e tudo o que faz parte de sua vida cotidiana. 

O período limiar, ou a liminaridade, é aquele em que a viagem de fato acontece, a fase intermediária entre a partida e a volta ao lar.

Finalmente, temos a chegada, o período de agregação, quando aquele que partiu volta transformado após a experiência vivida na liminaridade; a viagem, portanto, é uma facilitadora desse processo de transformação.

Quando falamos de ritos de passagem, ou ritos de transformação, podemos relacionar ao processo à ideia da jornada do herói, tema abordado pelo mitólogo norte-americano Joseph Campbell.

O herói, (sempre alguém que viaja!), parte em busca de um tesouro e tem como objetivo principal o de estabelecer a ordem (simbolicamente, a ordem interior – seus conflitos, e a exterior, que ocorre geralmente como consequência); durante a jornada, muitas dificuldades irão aparecer, dragões simbólicos que devem ser enfrentados para que o ciclo se complete.

Vencendo os dragões, o herói volta ao lar fortalecido e transformado, daí a ideia de que aquele que parte nunca é o mesmo que retorna." (Victor Turner) 


Com meu valoroso amigo Demétrius no "Marco Zero" do Caminho da Prece.

No Brasil existem inúmeros caminhos sagrados, porém, independentemente do roteiro, o que realmente importa é o coração do peregrino.

Nesse sentido, o Caminho da Prece surgiu como uma alternativa diferenciada, por se tratar de um traçado de diminuta dimensão, possível de ser vencido em, apenas, duas jornadas, por peregrinos audazes.

E os depoimentos daqueles que já percorreram esse trajeto abençoado, são testemunhas de que o percurso é realmente belíssimo, repleto de paisagens espetaculares e pessoas amigas.

Você duvida?

Então, venha testemunhar “in-loco” tudo o que afirmo e demonstro pelas fotos e gestos de amizade que recebi ao longo desse venturoso itinerário.

Por derradeiro, um agradecimento especial ao meu fraterno amigo Demétrius (Dedé), que me acompanhou nesse roteiro.


Bom Caminho a todos! 

Fevereiro/2020