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1º dia – LA VERNA a PIEVE SANTO STEFANO – 19 quilômetros


1º dia – LA VERNA a PIEVE SANTO STEFANO – 19 quilômetros

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.” (São Francisco de Assis)




A jornada não seria de grande extensão, no entanto, era o primeiro dia de caminhada, além do que, eu teria que ascender por quase 3 quilômetros, até chegar marco inicial do Caminho de Assis.

Necessário, ainda, clarificar que o dia, surpreendentemente, estava amanhecendo às 5 h, de forma que em nenhuma etapa eu precisei utilizar minha lanterna.

Assim, deixei o local de pernoite às 6 horas, já com o dia claro, acessei uma estradinha vicinal asfaltada e 40 minutos depois aportei ao Monastério de La Verna, sob intenso frio, temperatura na casa de 5 °C.

O ambiente estava silencioso e deserto, mas todas as portas ali existentes já se encontravam abertas, de forma que, aproveitando a propícia ocasião, fiz outra visita a igreja principal do Santuário, para orar e pedir proteção em minha “viagem”.

Depois, resoluto e animado, dei início à minha peregrinação deixando o local por uma rodovia asfaltada em declive.

Contudo, uns 500 m adiante, as flechas me remeteram para à esquerda, em direção a uma estrada de terra ascendente que, por sinal, face às recentes chuvas, se encontrava com bastante lama em seu leito, onde eu segui os sinais para a “Croce della Calla - Sentiero Frassati”.

O trajeto prosseguiu dentro de um frondoso e silencioso bosque onde eu podia interceptar os muitos aromas da natureza ali presentes como: resina de pinheiro, fragrância de flores e vegetação rasteira, folhas orvalhadas e grama recém-cortada.

Sempre em ascenso, coração galopando, respiração em apuros, eu cheguei ao cume do Monte Calvano, situado a 1254 m, depois de percorrer cerca de dois quilômetros.

No topo, de repente, num grande gramado, tudo floresceu e uma alegria genuína e simples invadiu a minha alma.

O cume de uma montanha é o lugar onde tudo parece permanecer suspenso por um momento e se reúne novamente, onde a luz transmuda, assim como a voz do vento e o chilrear, intermitente, dos pássaros.

Nesse local, enquanto eu fazia fotos e uma pausa para hidratação, passaram por mim 3 peregrinos italianos que logo se perderam na névoa circundante e só voltei a avistá-los ao final da etapa sequente, na chegada a Sansepolcro.

Prosseguindo, já em franco descendo, eu alcancei o “Passo Delle Pratelle”, alguns quilômetros à frente.

Em seguida, voltei a ascender, sempre por trilhas situadas entre frondosa vegetação, até alcançar o cume do Monte Modina, a 1181 m de altitude.

Até ali eu já havia percorrido 9 quilômetros, então eu fiz outra pausa para descanso e ingestão de uma banana.

A partir desse ponto teve início forte declive por estradas, primeiramente, situadas em bosques de pinheiros, depois, sobre solo asfáltico, que corta imensas pastagens.

E logo, de um ponto do morro, eu pude avistar num vale, ao longe, a cidade de Pieve Sanato Stéfano, minha meta para esse dia, onde cheguei depois de 5 horas de caminhada.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Chegando novamente ao Monastério de La Verna, pela lado oposto.


Vista matutina desde o Monastério.


Partindo para a aventura... início do caminho em terra.


Sinalização excelente. Piso um tanto revolto...


Monte Calvano, ponto de maior altimetria dessa etapa.


Em descenso pela mata.


Sinalização impecável!


Locais ermos e silenciosos...


Descendendo entre pinheirais..


Tudo muito verde... lindo!


Ainda em descenso, mas quase chegando ao destino final.

Na parte da Toscana que faz fronteira com a Úmbria, em um vale cercado pelas montanhas dos Apeninos, fica a pequena cidade de Pieve Santo Stefano.

Em um documento público de 723, lê-se que Teodaldo, senhor de Tifernum, doou aos monges beneditinos um monastério que ele construiu em Cerbarolum (Cerbaiolo) e é o primeiro documento em que Pieve é citada, então com o nome de Suppetia.

Em 1589, um acontecimento sobrenatural trouxe Pieve ao centro da cena: uma multidão de anjos, portando tochas acesas, foi vista durante a noite indo em procissão até uma imagem sacra, pintada no muro de um pequeno santuário, na estrada que leva a Sansepolcro.

No ano seguinte, foi colocada ali a pedra fundamental do Santuário Della Madonna dei Lumi. O templo, em forma de cruz grega, é elegante e esguio. Em 1612, a imagem milagrosa foi inserta no altar maior.

A cidade foi quase completamente destruída em agosto de 1944, pelos alemães, quando se retiravam para o norte, diante do avanço das forças americanas.

A rápida reconstrução do pós-guerra fez pouco para restaurar o antigo estilo arquitetônico da vila.

A Colegiata de Santo Stefano fica na praça do mesmo nome. A antiga igreja matriz, do século XIII, foi reconstruída no século XIX, em estilo neoclássico.

A pequena comunidade atrai turistas do mundo todo que visitam o “Arquivo Nacional do Diário”, um verdadeiro museu dedicado à prática do registro diário.

São mais de 4000 escritos autobiográficos, memórias, diários e coleções de cartas não só da população local, mas de pessoas de toda a Itália, alguns com mais de 200 anos.

Ali se pode ler, por exemplo, cadernos de soldados nas trincheiras, cartas de amor do século passado, diários de crianças e jovens, e histórias dos migrantes.

População: 3.316 habitantes


Placa explicativa.


O rio Tibre, que corta a cidade de Pieve Santo Stefano.


A igreja matriz de Pieve.


O interior da igreja matriz.


Local eu onde almocei nesse dia.

RESUMO DO DIA - Clima: Frio e nublado de manhã, depois, com sol à tarde, variando a temperatura entre 05 e 15 graus.

Pernoite: Apartamento em La Torre de Pieve, alugado pelo Airbnb - Preço: 25 Euros – Infelizmente, horroroso! - Não aconselho!

Almoço: Restaurante Il Pórtico - Preço: 13 Euros.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de pequena extensão, mas de razoável rudeza, porque encontrei a trilha extremamente embarreada e escorregadia. Além disso, os primeiros quilômetros são todos em ascenso, porém, pelo interior silencioso de verdes bosques, onde o único som audível foi o gorjear dos pássaros. A parte final, em perene descenso, merece uma atenção especial, por exigir bastante dos membros inferiores. No global, uma etapa belíssima e muito bem sinalizada.