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4º dia - CITTÁ DI CASTELO a PIETRALUNGA - 32 quilômetros


4º dia - CITTÁ DI CASTELO a PIETRALUNGA - 32 quilômetros

Quem a tudo renuncia, tudo receberá.” (São Francisco de Assis) 




Estávamos num domingo e seria outra jornada de grande extensão, porém, observando o itinerário que levara gravado em meu aparelho celular, via aplicativo Wikiloc, atentei que os dez primeiros quilômetros seriam por uma rodovia asfaltada e sem acostamento.

Assim, para evitar transitarmos excessivamente sobre piso duro, combinamos a Cristina e eu seguir de táxi esse percurso inicial, que perpassa por inúmeras e pequenas vilas, num trajeto extremamente urbano.

Dessa forma, conforme combinado no dia anterior, embarcamos num automóvel que 20 minutos mais tarde nos deixou num local onde se inicia uma larga estrada de terra.

Um pouco adiante, principiamos a ascender por um caminho empedrado, localizado entre luxuriante natureza que, em seu final, no topo da serra, nos remeteu a outra rodovia asfaltada, porém, com escasso tráfego de veículos.

Prosseguimos pelo alto do morro, caminhando entre bosques e com ampla visão do mavioso entorno, até que passamos por Pievi de Saddi, onde fizemos uma visita para fotos externas, já que a igreja ali existente se encontrava fechada.


PIEVE DE SADDI – Localizado próximo da cidade de Pietralunga, tem grande importância histórica, por ter sido local de uma comunidade cristã no século III.

Da aldeia primitiva só restou a igreja, reconstruída no século onze.

Dentro dela se encontra a cripta onde foi enterrado São Crescentino, um militar que pregava a fé cristã.

No entanto, os soldados romanos eram proibidos de praticar o cristianismo, por isso ele foi martirizado em Pieve de Saddi, em primeiro de junho de 303.


Na sequência, enfrentamos um extenso e contínuo descenso, depois enfrentamos outro duro ascenso pelo lado oposto que, em seu cume, nos levou a transitar por locais habitados, onde pontuavam belíssimas mansões solitárias, localizadas no interior de grandes terrenos, todos muito bem cuidados.

A partir desse ponto o trânsito de veículos recrudesceu, contudo, mais à frente, já descendendo, adentramos em zona urbana e logo chegamos ao centro de Pietralunga, nosso destino nesse dia.

À tarde a chuva retornou com intensidade, mas não impediu nossa breve visita ao centro histórico dessa simpática urbe.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Início do trajeto em terra...


Em ascenso, por terrenos pedregosos.


Vista desde o alto da colina.


Aqui  o Caminho segue à esquerda. Nesse local de descanso para peregrinos, também há água.


Muito verde no entorno...


A igreja de Pieve de Saddi. Fechada nesse dia. (Créditos: Maria Cristina Wu)


Visitando as ruínas de Pieve de Saddi. (Créditos: Maria Cristina Wu)


Quase chegando ao final da jornada.


Uma rua de Pietralunga. (Créditos: Maria Cristina Wu)

Pietralunga tem origens pré-históricas, testemunhada pela flauta feita de tíbia humana, mantida no Museu Arqueológico de Perugia, as várias fortalezas espalhadas no território, mais de 80, e o material de argila e achados líticos.

Destruída durante as invasões bárbaras, ela foi reconstruída entre o século VI e VIII d.C, no mesmo local onde se encontra hoje, uma posição estratégica: no limite da fronteira com o domínio bizantino (corredor), localizado no centro da instalação de dois grandes eixos rodoviários, de leste a oeste, a rota mais importante do cume naquele tempo, conectando diretamente as cidades de Arezzo e Tiferno de Gubbio, e do sul ao norte, a rota alternativa para a província de Flamínia.

Essas estradas foram protegidas por fortificações, equipadas com torres de vigia e defesa.

Durante o reinado de Lombard, Pietralunga se transformou em uma vila fortificada, acolhendo muitos habitantes e tomando a forma de uma cidadela real.

Localizada a 566 metros de altitude, seu assentamento urbano ocupa a extremidade de uma crista montanhosa, que está inclinada para o vale do Carpinella.

A cidade ainda conserva o aspecto de burgo medieval, amuralhado e espremido em torno da fortaleza longobarda do século VIII, da qual, desde a praça, é possível admirar seus vigorosos frontões.

Sua igreja matriz, cuja padroeira é Santa Maria, é uma construção do século XIII.

População: 2.300 habitantes.


Monumento em Pietralunga aos heróis da 1ª Guerra Mundial - (Créditos: Maria Cristina Wu)


Vista da região, desde o belvedere de Pietralunga - (Créditos: Maria Cristina Wu)


Vista da região, desde o belvedere de Pietralunga - (Créditos: Maria Cristina Wu)

RESUMO DO DIA - Clima: Nublado de manhã, depois chuvoso, variando a temperatura entre 7 e 15 graus.

Pernoite: B&B Luna: Razoável – Apartamento individual - Preço: 30 Euros.

Almoço: Restaurante Triângulo - Preço: 15 Euros.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão, mas que, a partir de seu 10º quilômetro, oferece estradas silenciosas e ermas, plenas de verdejante natureza. O dia, inicialmente, se manteve fresco e nublado, agradável para caminhar. No entanto, quase no final da etapa, o clima mudou e voltou a garoar. No global, enfrentamos 2 ascensos de razoável complexidade, porém, ambos vencidos em boa cadência. A Cristina se mostrou uma excelente companheira e, embora seguíssemos em ritmos diferentes, para a nossa segurança, nunca deixamos de manter contato visual.