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5º dia - PIETRALUNGA a GUBBIO - 28 quilômetros


5º dia - PIETRALUNGA a GUBBIO - 28 quilômetros

Somente eternas são as coisas do Bem, a função caritativa e as leis que o Evangelho nos revela.” (São Francisco de Assis) 
vc



Para variar, choveu quase a noite toda e quando partimos às 5 h, o dia se mantinha úmido, frio e enfarruscado.

O percurso inicial foi feito sobre asfalto, sempre em descenso, porém, percorridos 2 quilômetros, a sinalização nos remeteu para a direita, onde acessamos uma larga estrada de terra, por onde prosseguimos em forte ascenso, mas por locais de extrema beleza.

O forte eram os pinheirais, mas havia, também, carvalhos, faias e aveleiras.

Percorridos 8 quilômetros, sempre por locais ermos, infelizmente, principiou a chover e fizemos uma pausa para colocar nossas capas protetoras.

Seguimos caminhando por imensos bosques, com extremo cuidado, pois o piso se encontrava extremamente escorregadio.

Mais adiante, em determinado local, o caminho fez uma curva de 90 graus à esquerda e iniciamos um terrível descenso, sobre um piso liso e irregular, onde passamos muito apuro e tivemos sorte porque não levamos nenhum tombo, apesar dos enormes escorregões que deixamos gravados na encosta.

Já no plano, giramos à direita e prosseguimos ainda sob forte intempérie, que foi aumentando gradualmente.

Estávamos caminhando por uma extensa planície, plena de verde em todo o seu derredor, num panorama maravilhoso, pena que a forte garoa não dava trégua.

Depois de tranpor um riacho por uma ponte, voltamos a ascender e, para a nossa felicidade, a chuva cessou e fizemos uma pausa para hidratação e ingestão de carboidratos.

Faltando dez quilômetros para aportar ao nosso destino final, o caminho passou a ser feito sobre piso asfáltico, atravessando pequenos bairros periféricos, num trajeto já bastante urbano.

No trecho final, integralmente plano, enfrentamos intenso tráfego de veículos, o que nos obrigou a redobrar a atenção, visto que as rodovias italianas não contêm acostamento e o mato invadia as laterais da pista.

Mas, com muito esforço, chegamos ao centro de Gubbio e logo adentrávamos ao hotel Grotta dell'Angelo, local onde nos hospedamos nesse dia.

À tarde a chuva voltou a cair, mas não nos impediu de dar um grande giro pela localidade, objetivando conhecer e visitar as igrejas e seus principais monumentos.

Algumas fotos do percurso desse dia: (O meu celular entrou em pane nessa etapa, por isso publicarei as fotos que gentilmente me foram cedidas pela Maria Cristina Wu.)


Em ascenso; clima frio, mas sem chuvas ainda...


Nuvens chegando...


Em ascenso...


Residências sem muros ou cercas..


A chuva esta chegando...


Neblina e garoa..


Mais garoa..


Trecho intermediário, depois que a chuva cessou.


A Umbria, como de praxe, integralmente verde.


Flores no caminho.


Uma estátua de São Francisco, situada próximo da zona urbanizada.


A Maria Cristina e São Francisco.


Almoço em Gubbio.

A origem de Gubbio é muito antiga, e suas colinas já estavam ocupadas na Idade do Bronze. Com o nome de Ikuvium foi uma cidade importante dos umbros, em tempos pré-romanos, tornada famosa pela descoberta das Tabulae Eugubinae, um conjunto de tábuas de bronze que constituem o maior texto sobrevivente na língua umbra.

Depois da conquista romana, no século II a.C. ela manteve seu nome como Igúvio (em latim: Iguvium) e sua importância, como atesta o seu teatro romano, o segundo maior do mundo ainda existente.

Gubbio se tornou muito poderosa no início da Idade Média. Os séculos seguintes foram bastante turbulentos, e Gubbio esteve envolvida em guerras contra as cidades vizinhas. Uma dessas guerras viu a intervenção milagrosa de seu bispo, Santo Ubaldo, que obteve uma vitória esmagadora para Gubbio em 1151, seguindo-se um período de prosperidade.

Em 1350 Giovanni Gabrielli, conde de Borgovalle, um membro da família nobre mais proeminente de Gubbio, tomou o poder e tornou-se senhor de Gubbio. No entanto, seu reinado foi curto, e ele foi forçado a entregar a cidade ao cardeal Albornoz, que representava a Igreja, em 1354.

Alguns anos mais tarde Gabriello Gabrielli, bispo de Gubbio, proclamou-se o senhor da cidade. Traído por um grupo de nobres que incluía muitos de seus parentes, o bispo foi forçado a deixar a cidade e procurar refúgio no seu castelo em Cantiano.

Com o declínio do prestígio político da família Gabrielli, Gubbio foi posteriormente incorporada aos territórios de Guidobaldo de Montefeltro, que reconstruiu o Palazzo Ducale, incorporando nele um estúdio revestido de marchetaria como havia feito com seu em Urbino.

A famosa produção de majólica em Gubbio atingiu o seu apogeu na primeira metade do século XVI, quando a cidade se tornou parte dos Estados Pontifícios em 1631, sendo que em 1860 foi incorporada ao Reino de Itália junto com o resto dos Estados Pontifícios.

Gubbio é mais conhecida por seu festival da Corsa dei Ceri, uma espetacular corrida realizada todos os anos em 15 de maio, em que três equipes, dedicadas a Santo Ubaldo (o santo padroeiro de Gubbio), São Jorge e Santo Antônio, vestidas com as cores da cada patrono, percorrem as ruas entre uma multidão de entusiastas, cada uma carregando uma estátua de seu santo montada sobre um prisma octogonal de madeira, semelhante a uma forma de ampulheta, com 4 metros de altura e pesando cerca de 280 quilos. A corrida tem fortes associações devocionais, cívicas e históricas, e é uma das manifestações folclóricas mais conhecidas na Itália.

Gúbbio é popularmente e particularmente conhecida pela história de Francisco e o lobo.

A lenda trata de um lobo que aterrorizava a cidade, matando o gado e fazendeiros.

Francisco decidiu enfrentar o animal pessoalmente e ignorando os apelos da população, partiu para a floresta e logo se deparou com o bicho.

Os dois entraram em negociação de paz e o bicho se tornou dócil diante de Francisco.

O lobo se comprometeu, inclinando a cabeça, a não mais agredir a população e esta se compromissou em alimentá-lo.

Daquele dia em diante o animal parou de acossar a população e pedia sua comida, de porta em porta.

Todas as pessoas do vilarejo lhe davam alimento, até o dia em que ele morreu.


A cidade ainda estava enfeitada, por conta do Pálio recém-realizado.


O interior da Catedral de Gubbio.


A cidade de Gubbio vista de cima, desde a Piazza Grande.


A cidade de Gubbio vista de cima, desde a Piazza Grande.


A Piazza Grande e Il Palazzo dei Consuli.

RESUMO DO DIA - Clima: Chuvoso no início, depois, ensolarado, variando a temperatura entre 5 e 16 graus.

Pernoite: Hotel Grotta dell'Angelo: Excelente! – Apartamento individual - Preço: 36 Euros.

Almoço: no restaurante do próprio hotel - Preço: 15 Euros.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão, agravada pelo clima chuvoso, que deixou as trilhas extremamente escorregadias. Mas, como nas etapas anteriores, plena de muito verde e locais silenciosos. O trecho final, aproximadamente, 10 quilômetros, é cansativo porque se caminha em piso duro, por locais asfaltados e desprovidos de calçadas para pedestres, um perigo para um peregrino distraído. A cidade de Gubbio está encravada num morro e só aparece, realmente, quando adentramos ao seu centro histórico.

6º dia – GUBBIO a VALFABBRICA - 40 quilômetros