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FINAL


FINAL

A humildade é a chave que abre todas as portas.” (São Francisco de Assis)




A HISTÓRIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS 

Quem foi São Francisco de Assis?

São Francisco de Assis nasceu como Giovanni di Pietro Bernardone, na cidade de Assis, na Itália, em 05.07.1182.

Filho de um rico comerciante de tecidos, Francisco Bernardone, nome de batismo, tirou todos os proveitos de sua condição social vivendo entre os amigos boêmios.

Tentou como o pai, seguiu a carreira de comerciante, mas a tentativa foi em vão.

Sonhou então, com as honras militares.

Aos vinte anos, alistou-se no exército de Gualtieri de Brienne que combatia pelo papa, mas em Spoleto teve um sonho revelador.

Foi convidado a trabalhar para “o Patrão e não para o servo”.

Suas revelações não parariam por aí. Em Assis, o santo dedicou-se ao serviço de doentes e pobres.

Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: “Francisco, restaure minha casa decadente”. 


O local onde São Francisco faleceu.

O chamado, ainda pouco claro para São Francisco, foi tomado no sentido literal e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de São Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o.

Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, São Francisco deu início à sua vida religiosa, “unindo-se à Irmã Pobreza”.

A Ordem dos Frades Menores teve início com a autorização do papa Inocêncio III a Francisco e onze companheiros de tornarem-se pregadores itinerantes, levando cristo ao povo com simplicidade e humildade.

O trabalho foi tão bem realizado que, por toda a Itália, os irmãos chamavam o povo à fé e à penitência.

A sede da Ordem, localizada na capela de Ponciúncula de Santa Maria dos Anjos, próxima à Assis, estava superlotada de candidatos ao sacerdócio.

Para suprir a necessidade do espaço, foi aberto outro convento em Bolonha.

Um fato interessante entre os pregadores itinerantes foi que poucos, dentre eles, tomaram as ordens sacras. São Francisco de Assis, por exemplo, nunca foi sacerdote, nunca estudou religião.

Em 1212, São Francisco fundou com sua fiel amiga Santa Clara, a Ordem das Damas Pobres ou Ordem das Clarissas.

Já em 1217, o movimento franciscano começou a se desenvolver como uma ordem religiosa. 


Nessa imagem, localizada no interior da Basílica de Santa Maria Degli Angeli, nas mãos do Santo, residem pombinhas há mais de 500 anos.

E como já havia ocorrido anteriormente, o número de membros era tão grande, que foi necessária a criação de províncias que se encaminharam por toda a Itália e para fora dela, chegando a vários países da Europa, inclusive à Inglaterra.

Por um momento da história, Francisco renunciou à liderança da ordem e em sua ausência, os irmãos criaram algumas inovações.

Apoiado pelo amigo cardeal Ugolino, em 1221, São Francisco de Assis apresentou uma versão revisada de sua regra de Pobreza, Humildade e Liberdade evangélica e, após feitas algumas modificações, ela foi aprovada.

A devoção a Deus não se resumiria em sacrifícios, mas também em dores e chagas. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado “estigmatização”.

Em Monte Alverne estão simbolizadas em afrescos todos os passos de importância da vida do santo.

Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física e, dois anos após o fenômeno, São Francisco de Assis foi chamado ao Reino dos Céus.

Autor do Cântico do Irmão Sol, considerado um poeta e amante da natureza, São Francisco foi canonizado dois anos após a sua morte.

Em 1939, o papa Pio XII tributou um reconhecimento oficial ao “mais italiano dos santos e mais santo dos italianos”, proclamando-o padroeiro da Itália. EPÍLOGO


FINALIZANDO...

Peço a todos que me ouvis que, ao sairdes daqui, não vos mostrais desinteressados pela luz do coração. Procurai, na sequência das horas, melhorar em todos os sentidos e anular o mal que ainda existe em cada um de nós, como princípio de ajuda ao Bem que deseja entrar em nossos corações.” (São Francisco de Assis) 




Percorrer o Caminho de Assis sempre foi um sonho distante para mim, no entanto, por obra divina, tive a benção de poder realizá-lo neste ano.

Infelizmente, o clima reinante na Itália, à época, que, segundo os moradores locais, foi o mais atípico dos últimos 50 anos na região, acabou por empanar, de alguma forma, o brilho de minha peregrinação.

Choveu, praticamente, todos os dias e, por essa razão, encontrei trilhas lamacentas, ascensos perigosos, declives quase intransponíveis, fatores que, em muitos momentos, me fizeram indagar se eu conseguiria alcançar o meu objetivo final.

Ainda, pelo fato de caminhar preocupado em observar atentamente onde eu colocaria os meus pés, pouco tempo restou para apreciar a beleza circundante, quase sempre, mergulhada na neblina renitente ou embaçada pela garoa pertinaz. 


O Diploma peregrino que recebi na Basílica de Assis.

Em minha opinião, como esse Caminho apresenta em seu traçado uma massiva cobertura arbórea, pois se atravessa bosques nativos todos os dias, creio que junho e outubro seriam os meses ideais para percorrê-lo, quando as chuvas minguam e o calor impera.

Apesar dos infortúnios, São Francisco me pareceu ainda vivo nos lugares que deixou vestígios, onde seus irmãos e irmãs ainda vivem e persistem a disseminar seus ideais pelo mundo.

Quanto aos aspectos organizacionais, não há muito a dizer, por exemplo, entre o Caminho de Santiago e a rota Franciscana.

A superioridade do primeiro diz respeito à sua longa tradição, a organização logística dos albergues, aos acessíveis valores monetários nele praticados, a solidariedade dos hospitaleiros, a bênção de João Paulo II, que lhe deu muito pulso, etc..

Por isso, o Caminho Franciscano é certamente bem menos concorrido e muito mais meditativo, ao contrário do espanhol, mas não menos bonito.

Como exemplo, eu destacaria La Verna, Gubbio, Assis e toda a Umbria verde, que nunca deixou de me surpreender pela sua extasiante beleza. 


Com a Maria Cristina Wu, na chegada à Basílica de Assis.

Para finalizar, gostaria de agradecer a companhia da peregrina Maria Cristina Wu que, com sua invejável experiência em caminhadas, aliada ao indelével bom humor, concorreu, decisivamente, para tornar o meu Caminho mais leve e prazeroso.

Na verdade, à medida que demandávamos à majestosa cidade de Assis, o cimento mágico que une os peregrinos autênticos, as qualidades que criam laços de amizade, inquebrantáveis, começou a se moldar e, imperceptivelmente, formamos uma equipe.

Que, embora pequena, soube enfrentar e superar desafios, porquanto, as dificuldades provocadas pelas reviravoltas surgidas ao longo do percurso, e as peripécias envidadas para superá-las, tornam esse tipo de “viagem” um tanto tensas se não houver convergência de objetivos e perseverança na meta a ser alcançada.

Por derradeiro, diria que para devassar, com intensidade, um roteiro novel e bem-aventurado como o Caminho de Assis, nada melhor que manter a chama da descoberta acesa e proeminente, do contrário, a alma se enche de neve e o espírito morre de frio.

Nesse sentido, penso no encanto do Caminho de Francisco que acabo de concluir como peregrino e me vem à mente as palavras extraordinárias de Antoine de Saint Exupèry, o autor do Pequeno Príncipe:

O peregrino é quem procura, aceitando o risco incalculável de realmente encontrar. Por que encontrar significa não ser o que você era antes, estar mudando, morrendo de vontade renascer.” 


Bom Caminho a todos! 

Junho/2019