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2º dia: PUENTE DE DOMINGOS FLORES a A RÚA DE VALDEORRAS – 32 quilômetros


2º dia: PUENTE DE DOMINGOS FLORES a A RÚA DE VALDEORRAS – 32 quilômetros

É preciso ser aquele tipo de pessoa que ouve com clareza uma voz em seu interior e decide segui-la, mesmo que para isso seja preciso enfrentar alguma, ou muita dificuldade.” (Clodoaldo T. Braga)




Parti às 6 h 30 min, novamente, sob um frio terrível, contudo, por sorte, havia um posto de gasolina situado defronte ao local onde pernoitei, que já estava em funcionamento, então, na “tienda” ali existente, ingeri um supimpa copo de café quente, que muito me animou.

Seguindo em frente, por uma bonita ponte eu ultrapassei o rio Sil e, concomitantemente, deixei a província de León para adentrar na Galícia, mais especificamente, na provincia de Ourense.

E imediatamente a sinalização mudou, porque os “mojóns” passaram a ser confeccionados em bloquetes de pizarra (ardósia), a pedra própria dessa zona.

Na sequência, transitei pela minúscula vila de Quereño, depois prossegui em meio a frondosa mata, bordejando o tempo todo, a meia altura da montanha, o “Encoro de Pumares”, que se refere ao lago resultante do represamento do rio Sil.

O clima estava fresco, hidratado, temperatura na casa dos 12°C, ótima para caminhar, então, sem grandes atropelos, fui vencendo as distâncias e, percorridos 10 quilômetros, adentrei em Sobradelo onde, num bar, fiz uma pausa para tomar café com tostadas e carimbar minha credencial.

Seguindo adiante, caminhei uns 2 quilômetros por uma estrada asfaltada, passei pela vila de Éntoma, depois, logo me embrenhei num fresco bosque de pinheiros, por onde segui entre ascensos e descensos leves, num percurso extremamente agradável e rural.

Depois de 6 quilômetros nessa profícua toada, acabei por adentrar em O Barco de Valdeorras, uma cidade de razoável porte, que conta com, aproximadamente, 14 mil habitantes, depois de percorrer um total de 18 quilômetros.

Ali encontrei farto comércio, apesar de ser um domingo, tudo estava em pleno funcionamento em sua zona comercial.

No percurso citadino, eu caminhei sempre à beira do rio Sil, por extensos calçadões, sombreados pela vegetação de ribeira, num autêntico passeio fluvial.

Mais adiante, adentrei em terra, e a beleza e a tranquilidade prosseguiram imperando no trajeto.

O trecho final, sempre próximo ao rio, foi integralmente plano e bem sinalizado, de forma que sem maiores novidades, debaixo de fria garoa, aportei em A Rúa de Valdeorras.

E precisei atravessar toda a cidade, que se encontra esparramada ao lado da rodovia OU-536, para chegar ao meu local de pernoite nesse dia.

De se lembrar que entrei à Comarca de Valdeorras, cujos afamados vinhos contam com “Denominação de Origem” própria, sendo que os brancos são feitos com uma variedade autóctona, conhecida como “Godello”; já os tintos só podem incorporar as variedades “Mencía” ou o “Garnacha Tintureira”.

Ainda, o trajeto pela Comarca de Valdeorras coincide, em muitos trechos, com a Vía XVIII, do itinerário de Antonino, calzada romana contruída no século I d.C., em tempos do imperador Vespasiano e que unia Bracara Augusta (atual Braga) com Astúrica Augusta (Astorga).

Algumas fotos dessa etapa:



Caminho agradável à beira do rio Sil.


Na Galícia,, mojón (direita) em ardósia.


Quase chegando em Sobradelo.


Esculturas existentes na saída de Éntoma.


De volta aos bosques galegos..


Vista que eu tinha do outro lado do vale.


Caminhando em O Barco de Valdeorras.


Calçadão ao lado do rio Sil em O Barco de Valdeorras.


De volta a natureza e a paz...


Fabuloso rio Sil... caminho agradabilíssimo!


À frente, ponte medieval de Santiago..


Paisagens surreais...


Escultura existente na entrada da cidade de A Rúa de Valdeorras.

Segundo as crônicas de Plínio, o Velho, e Ptolomeu, antes de sua romanização, as terras de La Rúa estavam habitadas pelos Cigurros e Egurros.

Em La Rúa se situava o Fórum Cigurrorum, onde se assentava a VIII mansão da via XVIII ou Via Nova do itinerário de Antonino, que unia Braga a Astorga, cruzando o rio Sil pela ponte de Cigarrosa.

No município foi encontrada uma lápide romana, que se conserva defronte à igreja de San Esteban e uns elaborados mosaicos, custodiados no museu arqueológico provincial de Ourense.

Durante a Guerra da Independência, em 1809, a comarca seria testemunha dos enfrentamentos entre a guerrilha espanhola e as tropas napoleônicas.

Um dos principais motores econômicos do município e da comarca de Valdeorras é o cultivo das vinhas e a elaboração de vinhos e aguardentes de excelente qualidade, haja visto suas múltiplas bodegas.

Além de seus famosos vinhos a comarca de Valdeorras conta com magníficos embutidos, azeite, pão, mel e doces. 

Seus pratos típicos são a Empanada de Costelas, a Bica de Trives (um biscoito a base de manteiga de vaca, farinha, ovos, açúcar e canela) e as Castanhas em Almíbar.

Na região também há forte extração e comércio de pedras ardósias.

População: 5 mil pessoas.


Prestigiando o vinho local.


Vista que eu tinha desde a janela do meu quarto na Pensão.

RESUMO DO DIA - Clima: Nublado durante toda a jornada, variando a temperatura entre 9 e 15 graus.

Pernoite: Pensión Fábio Sánchez – Apartamento individual Espetacular! - Preço: 20 Euros;

Almoço: Restaurante a Lareira – Ótimo! Preço: 10 Euros o “menú del dia”.

AVALIAÇÃO PESSOAL – Outra jornada de grande extensão mas, praticamente, toda plana. De se recordar que nessa etapa eu deixei as terras leonesas do Bierzo e de La Cabrera, para adentrar à Galícia. Onde caminhei o tempo todo junto ao rio Sil, um importantíssimo curso d'água, descobrindo as paisagens da Comarca de Valdeorras, muito conhecida por seus afamados vinhos. O trecho final, aproximadamente, 10 quilômetros, foi todo sobre asfalto, um tormento para os pés. Contudo, no global, uma etapa fácil, agradável, extremamente bela e que está muito bem sinalizada.

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