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5º dia: MONFORTE DE LEMOS a CHANTADA – 31 quilômetros


5º dia: MONFORTE DE LEMOS a CHANTADA – 31 quilômetros

Não compare o teu caminho com o dos outros, pois ele é único.” (Ram Dass) 




Novamente, teria outra longa jornada, por isso pretendia sair bem cedo, porém, às 6 h, quando eu estava pronto para partir, caía uma forte borrasca.

Pacientemente, eu aguardei pela melhora no clima e às 6 h 30 min, quando tudo amainou, deixei o local de pernoite e segui por ruas urbanas bem iluminadas, ultrapassei o rio Cabe por sua ponte medieval e, mais adiante, depois de transpor uma rotatória, acessei a rodovia LU-P-3204 e segui em frente, enquanto a garoa retornava com vigor.

Sem maiores problemas, 3 quilômetros percorridos, passei por A Corga, onde tudo estava escuro e deserto.

Logo acima, eu retornei à rodovia e, mais adiante, transitei por Regueiro, depois, por A Broza e 500 m à frente, depois de percorrer 10 quilômetros sobre piso asfáltico, finalmente, adentrei à esquerda e acessei uma estrada de terra que, logo adiante, se converteu numa trilha florestal, situada entre muros de pedra.

Mil metros adiante, eu passei por Piñeiro, outra pequena vila, depois prossegui por largos e sombreados caminhos de terra, que retratam os famosos “bosques galegos”, sempre neblinosos e hidratados.

Seguiram-se várias e pequenas aldeias, que fui ultrapassando sem pressa, enquanto a chuva caia, pouco depois cessava.

Nessa toada, ultrapassei vários bosques, campos de cultivo, pastagens, num trajeto plano e agradável, transitando por terras salpicadas de numerosas igrejinhas românicas.

Desde o início do trajeto, de maneira quase imperceptível, eu segui sempre em lenta ascensão e depois de caminhar 20 quilômetros, próximo de Vendanova, eu passei a descender, por uma estrada vicinal asfaltada, de escasso tráfego de veículos.

Ainda em suave declive, passei próximo da igreja românica de San Paio de Diomondi, onde um mojón, localizado próximo de uma parada de ônibus, marcava os 100 quilômetros restantes até Compostela.

Nesse local, as flechas intimam o peregrino a girar quase 180 graus à esquerda, depois descender por um tramo sinuoso da antiga calzada romana: são os “Codos de Belesar”, um enclave, sem dúvida extraordinário, que corresponde a uma trilha pedregosa e lisa, existente sob a fronde de espessa mata nativa, com, aproximadamente, 600 metros de extensão, que representam um declive perigoso e exigente para joelhos e tornozelos.

Em Belezar, uma pequena vila, onde cheguei após caminhar 25 quilômetros, fiz uma merecida pausa para hidratação, descanso e ingestão de uma banana.

Então, depois de cruzar o rio Minho, o curso d'água mais largo e caudaloso da Galícia, por uma moderna ponte, teve início um duro ascenso de uns 300 m de desnível, pela ladeira contrária, com alguns trechos que superaram a mítica “escalada” do Cebreiro, localizado no Caminho Francês.

Resulta impressionante o aproveitamento de ambas as ladeiras que flanqueiam o rio, mediante terraços ou paredes, onde os vinhedos ficam suspensos, uma mostra da viticultura heroica, praticada em locais cuja orografia não permite a mecanização, quase igual ao tempo dos romanos.

O difícil aclive se prolongou por 2.500 m, a maior parte dele pela velha calzada romana, “os Codos de Belesar”.

Nesse duríssimo tramo, já cansado pela distância vencida até aquele local, embora a temperatura estivesse na casa do 12°C, foi o lugar que mais transpirei em todo o Caminho de Inverno, face à rudeza que encontrei nesse curto trajeto.

Já no cume do morro, em San Pedro de Líncora, eu estava distante apenas 3 quilômetros de Chantada, minha meta para esse dia, onde cheguei após transitar por uma estrada vicinal asfaltada, em franco descenso e sob intenso temporal.

Algumas fotos dessa etapa:


Transitando do Reguengo sob chuva.


Caminhos campestres...


Efeito outonal....


Outro trecho campestre.


Bosques galegos, em profusão nessa etapa.


Outro trecho agradável e deserto.


Céu escuro, chuva para breve...


Restam só 100 km!!


Descendendo para o rio Minho, por uma trilha milenar, pedregosa e escorregadia.


Ponte sobre o rio Minho.


Em ascenso pelo lado oposto..


Parreirais a perder de vista...


Chegando em Chantada, sob chuva.

Chantada é uma interessante e aprazível localidade da Ribeira Sacra, com 4.500 habitantes.

Sua comarca possui um patrimônio rico em românico, vinho e lendas.

Diz-se também que a comarca de Chantada é o “Coração da Galícia”, por estar situada no centro geográfico dessa província.

Em seu casco antigo se conservam casas senhoriais em sua maior parte, construída nos séculos XVI-XVIII, testemunho das nobres família que nelas habitaram.

A mais famosa é a antiga Casona de Lemos, atual Casa da Cultura, localizada noa praça do Mercado.

Na entrada da cidade está o monastério beneditino de São Salvador de Asma, de grande importância histórica, fundado no século IX.

De seu conjunto, ainda se conserva a igreja (século XII), românica, conhecida como “El Convento”, e várias dependências do monastério, mas em péssimo estado de conservação.



Mapa explicativo numa rua de Chantada.


Ultrapassando o "mojón" que marca os 100 quilômetros restantes até Santiago.

RESUMO DO DIA: Clima: chuvoso de manhã, depois nublado/chuvoso, novamente, variando a temperatura entre 9 e 14 graus.

Pernoite na Pensão Yoel - Apartamento individual excelente! Preço: 17 Euros;

Almoço no Restaurante do Centro: Ótimo! – Preço: 10 Euros o “menú del dia”;

IMPRESSÃO PESSOAL: Novamente, outra etapa de larga extensão e sem serviços intermediários, que discorre, majoritariamente, sobre piso asfáltico. Por sorte, gozei das exuberantes paisagens da região de “Codos de Belesar”, com vinhedos suspensos, quase em vertical, sobre o rio Minho. O forte descenso, posterior, por uma calçada empedrada, magoou, sensivelmente, meus membros inferiores. Depois, ainda enfrentei mais 300 m de desnível, em duro aclive, antes de aportar ao final da jornada. No global, um trajeto bastante complicado, contudo, de paisagens deslumbrantes e monumentos históricos de peso.

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