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6º dia: CHANTADA a RODEIRO – 28 quilômetros


6º dia: CHANTADA a RODEIRO – 28 quilômetros


Vivemos em um mundo maravilhoso que é cheio de beleza, encantos e aventuras. Não existe fim para as aventuras que podemos ter se simplesmente as procurarmos com os nossos olhos abertos.” (Jawaharial Nehru)




Deixei o local de pernoite, como de praxe, às 6 h 30 min, sob um clima frio, neblinoso e chuvisquento.

Eu saí da cidade caminhando ao lado de uma rodovia, trajeto que me fez passar, um quilômetros depois, pela pequena localidade de Centulle.

Quatrocentos metros adiante, finalmente, eu deixei o piso asfáltico e adentrei à esquerda, onde acessei uma larga estrada de terra, que seguiu paralela à “carretera”, num trajeto fresco, plano e neblinoso.

O trajeto seguiu sem novidades, até que, obedecendo à sinalização, adentrei à esquerda e segui sobre uma rodovia até a cidade de Penasillás, onde cheguei depois de percorrer 7 quilômetros, por um itinerário que ascendeu desde a minha partida, mas, sempre lentamente.

No local há comércio, porém encontrei tudo fechado e só me restou seguir em frente, ainda por estradas rurais, mas já em forte aclive, contudo, a cada outeiro superado, sempre surgia um pequeno planalto, onde eu aproveitava para recuperar o fôlego e as forças.

E sem grandes novidades, percorridos mais 3 quilômetros, o caminho se nivelou e eu passei a caminhar sobre uma rodovia vicinal asfaltada, pela qual prossegui em lenta ascensão até o topo da serra de Faro, onde cheguei depois de caminhar 14 quilômetros.

Esse lugar, situado a 1.153 m de altitude, fica junto a um grande conjunto de torres captadoras de energia eólica e que faziam um grande barulho quando por ali passei, posto que ventava forte.

Edificada a 400 m desse local, encontra-se a ermida de Nossa Senhora de O Faro, que me aguardava como a milhares de peregrinos que ao longo dos séculos a ela acudiram, pedindo seus favorece, e sobre esse local, João de Requeixo, em suas cantigas medievais, no século XIII, menciona os milagres atribuídos a esse templo de origem românica.

O esforço para, ali chegar é recompensador, porque dali é possível contemplar uma das mais famosas vistas do Caminho do Inverno, com os sopés da quatro províncias galegas, formadas pelo maciço de Courel, os Ancares, Peña Trevinca, Cabeza de Manzanede e monte Farelo.

Trata-se de um ponto geográfico que, além de fazer limite com as províncias de Ourense, Lugo e Pontevedra, tem a declaração de Lugar de Importância Comunitária (LIC).

Infelizmente, não encontrei placas ou indicações de onde estava tal capela, e para me desanimar, caía uma fina e fria garoa quando por ali transitei, bem como havia forte neblina ao redor do cume obstando minha visão do entorno, de forma que, após fazer uma pausa para hidratação numa área de descanso, onde há bancos e mesas de pedra, resolvi prosseguir adiante.

E o fiz em forte, fácil e contínuo descenso, primeiramente, por uma rodovia vicinal, depois, por uma larga estrada de terra cascalhada.

Durante o longo declive, o clima melhorou e abriu-se uma paisagem de grande beleza, com espetaculares vistas panorâmicas, e me levou até uma ponte que cruza, rapidamente, esse corredor, para me introduzir, através das terras de Camba, no concelho de Rodeiro.

Percorridos 20 quilômetros, passei pela povoação de Vilanova de Camba, depois, alternando trechos em terra com outros sobre piso asfáltico, transitei, sucessivamente e ainda em leve descenso, por A Ermida de Camba, A Feira e Mouriz, antes de chegar em Chantada, minha meta nesse dia.

No global, trata-se de uma etapa plenamente rural e muito interessante, paisagisticamente falando; o ascenso e a posterior declive da serra de Faro, o teto do Caminho de Inverno, marcam a pauta dessa jornada.

Algumas fotos dessa etapa:


Caminho neblinoso e sob garoa.


A umidade prossegue..


Depois de Penasillás, início do ascenso..


Em alguns trechos há pedras para facilitar o ascenso.


Em ascenso e com neblina. Clima fresco.


Placa explicativa.


Quase chegando ao topo; o clima melhorou.


No cume do morro, pausa para descanso.


Em descenso, sobre terra..


Vista desde o topo do morro, ainda em descenso.


O descenso prossegue...


Caminhando no plano, locais desertos e silenciosos...


Como nas demais etapas, Caminho muito bem sinalizado.


Quase chegando, um trecho sob fresco bosque galego.

Rodeiro é capital de conselho homônimo e nela se destaca a preciosa Casa do Conselho, antiga Fortaleza de Rodeiro (século XIV).

Diante dela há uma bonita fonte de pedra, com quatro canos, e do outro lado a pequena igreja de São Vicente, românica de origem, do século XII, ainda que reformada posteriormente.

A atual Casa Consistorial fui antigamente uma fortaleza: a Torre de los Camba.

Próximo a ela, no meio de uma rotatória, há um monumento à roda, possivelmente, relacionado a origem do nome da vila.

Desde várias décadas, todo pão consumido pela “família real espanhola” sai da Padaria Jesus, um estabelecimento situada no centro de Rodeiro.

Toda semana são enviadas ao palácio de Zarzuela (Madri), ou ao palácio de Marivent (Malloca), durante as férias dos monarcas, uma embalagem com várias pítiças de 1,5 kg, cozidas em forno com lenha de carvalho, assim como, também, roscas, tortas de amêndoa caseira e empanadas feitas com panceta e linguiça.

Os pães artesanais por eles fabricados são, nunca foi melhor dito, um “manjar dos reis”, ainda que ao alcance, também, dos plebeus e peregrinos.

Habitantes: 334 pessoas.



No centro de Rodeiro, uma escultura que homenageia o nome da cidade.

RESUMO DO DIA: Clima: Chuvoso de manhã, depois nublado, variando a temperatura entre 12 e 18 graus.

Pernoite na Pensão O Guerra - Apartamento individual excelente! Preço: 25 Euros;

Almoço no Restaurante Casa Sánchez: Ótimo! – Preço: 10 Euros o “menú del dia”;

IMPRESSÃO PESSOAL: Outra jornada de razoável extensão, onde eu atravessei a serra do Faro que, com 1.153 m de altitude, é o “teto” do Caminho de Inverno. Apesar do duro desnível a ser vencido, sua ascensão é progressiva e muito agradável. E, ainda, que o ascenso à serra implique num desnível positivo de 600 m, ele é suave até o povoado de Penasillás e mais pronunciado a partir dessa localidade. O descenso pelo lado oposto também é gradual e sem grandes atropelos, e segue paralelo a uma linha de torres de captação eólica, que marca a paisagem e alimenta as povoações existentes entre as províncias de Lugo e Pontevedra. No global, uma etapa plenamente rural, agradável, mas onde fui aspergido por leve e persistente garoa, em quase todo o trajeto.

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