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03º dia: CONGONHAL a ESPÍRITO SANTO DO DOURADO – 27 quilômetros


03º dia: CONGONHAL a ESPÍRITO SANTO DO DOURADO – 27 quilômetros

Com a nossa autoridade apostólica, concedemos que a Venerável Serva de Deus Francisca de Paula de Jesus, conhecida como 'Nhá Chica', leiga, virgem, mulher de assídua oração, perspicaz testemunha da misericórdia de Cristo para com os necessitados do corpo e do espírito, doravante seja chamada Beata e que se possa celebrar sua festa, todos os anos, no dia 14 de junho, dia de seu nascimento ao céu, nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” (Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos)




De antemão, eu sabia que enfrentaríamos uma jornada desafiadora, assim, após o café da manhã, deixamos o local de pernoite às 6 h, retornando sobre nossos passos no dia anterior, utilizando, para tanto, o acostamento da rodovia MG-259.

Porém, 1 quilômetro à frente, deixamos o piso asfáltico e adentramos à direita, numa estrada de terra, passando pelo interior de um bairro periférico.

Mais mil metros percorridos, o trajeto principiou a ascender com vigor, entremeando trechos íngremes com intermeios planos, onde podíamos desacelerar nossa respiração.

Fazia muito frio, estava escuro e havia uma forte cerração cobrindo o entorno, contudo, à medida que vencíamos os aclives, o dia foi amanhecendo e logo o sol estava brilhando.

No 7º quilômetro, passamos diante de uma fonte de água e, mais 1.000 m percorrido em forte inclinação, chegamos, finalmente, ao topo da serra, ofegantes e com o coração batendo forte, num local situado a 1.308 m de altitude.

Passamos, então, a transitar pelo topo da montanha, num percurso belo, fresco e interessante, onde a temperatura estava ao redor dos 9°C.

Finalmente, percorridos 10 quilômetros, adentramos a um local místico e de intensa visitação: o Santuário de Nossa Senhora da Obediência, onde ocorreram inúmeras visões da Virgem Maria e cuja história detalhada, onde estão expostas as mensagens por ela ditadas, poderão ser visualizadas na página: https://aveluz.ning.com/group/apariesdemariapelomundo/forum/topics/nossa-senhora-rainha-da-obediencia-congonhal-mg

Ali visitamos a Capelinha das Aparições e a igreja principal, aproveitando a estrutura do local para utilizar os sanitários, ingerir uma banana, repor nosso estoque de água e fotografar o local.

Prosseguindo, logo houve outro aclive a ser vencido e atingido o seu topo, chegamos a 1.352 m de altitude, o ponto de maior altimetria dessa etapa.

Então, passamos a descender, sempre em meio a imensos cafezais, pastagens e plantações de morango, situados em locais bucólicos, em meio e inúmeras chácaras e fazendas, onde notamos intensa movimentação de veículos e pessoas em direção ao seu labor diário.

Um senhor que se dirigia a uma imensa plantação de brócolis, questionou nosso destino e ao saber de nossa motivação, alegremente, nos incentivou e desejou uma “boa viagem!”.

A partir do 16º quilômetro passamos a transitar por locais desertos e silenciosos, situados entre fresca e arborizada mata nativa, porém, um quilômetro adiante, passamos a descender com violência e tal declividade perdurou pelos próximos 3 quilômetros.

Já no plano, ainda caminhamos mais 5 quilômetros por uma imensa planície até atingir a zona urbana de Espírito Santo de Dourado.

O centro velho da cidade está edificado no topo de um pequeno outeiro e ofegamos muito para atingir o local de nosso pernoite nesse dia: a Pousada Praia.

Diga-se de passagem que o local é meio improvisado e suas instalações sanitárias deixam a desejar, no entanto, a amabilidade e a vontade de agradar que o Sr. Adão demonstrou, o simpaticíssimo e acolhedor proprietário, superaram, com folga, qualquer obstáculo ou decepção que, eventualmente, poderíamos aventar em relação ao lugar.

À tarde, como não poderia deixar de ser, fomos visitar e fotografar a belíssima igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é o Divino Espírito Santo.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Em forte ascenso no meio de muita neblina.


A cerração prossegue...


O sol nascente..


A cidade de Congonhas abaixo, sob um mar de nuvens.


Paisagem que se descortinava à nossa retaguarda. Incrível!


Fonte de água potável no 7º quilômetro.


O Santuário de Nossa Senhora da Obediência.


Interior da Capelinha das Aparições.


A imagem de Nossa Senhora da Obediência.


A sequência foi por trechos abertos e ensolarados.


Capelinha de Nossa Senhora de Aparecida, no bairro da Bocaina.


Em descenso pelo interior de fresca mata nativa.


Em forte descenso, paisagem aberta.


O descenso prossegue forte...


Retões intermináveis, debaixo de forte sol.

Numa região de mineração marcada pelos conflitos territoriais entre Minas e São Paulo, Espírito Santo do Dourado surgiu como povoado numa praia do rio Dourado, que era lavra de ouro, por volta do séc. XVIII, no município de Santana do Sapucaí, hoje Silvianópolis.

A areia fina, de aspecto claro, proveniente das escavações cercavam a enchente formando uma pequena prainha no sopé do morro, onde mais tarde, se ergueria a capelinha de madeira, coberta de capim- sapê, onde foi colocado a imagem do Divino Espírito Santo, esculpido em madeira.

A denominação do povoado tem origem na construção da capela onde foi colocada a imagem do Espírito Santo.

Foi elevado a distrito, no município de Silvianópolis, em 30 de agosto de 1911.

Em 1923 passa a denominar-se apenas Dourado e, em 1943, Jangada.

A denominação de Espírito Santo do Dourado foi restaurada em 1948 e, finalmente, com esse nome, o município emancipou-se em 01 de março de 1963.

A cidade se encontra a 910 metros de altitude, em território montanhoso, onde se destacam as serras do Gonçalves e do Cervo e o pico da Bandeira, com 1.500 metros de altura.

Como beleza natural, a região oferece a cachoeira do Bordado e do Marcílio.

Outra atração existente na cidade são as festas religiosas, como a Festa de São Benedito e Festa de Nossa Senhora do Rosário.

População: 4.500 pessoas


Fonte: http://www.espdourado.mg.gov.br 


 A igreja matriz da cidade.


O interior da  igreja matriz de Espírito Santo de Dourado/MG.


Com o Sr. Adão, o simpaticíssimo dono da Pousada onde pernoitamos.

RESUMO DO DIA - Clima: Neblinoso no início, depois, ensolarado, variando a temperatura entre 6 e 18 graus.

Pernoite: Pousada Praia (Pousada do Adão) – Apartamento individual bom - Preço: R$50,00;

Almoço: Restaurante Bom Apetite (da Regina) – Ótimo! Preço: por R$15,00 pode-se comer à vontade no sistema self-service.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa de média extensão, mas extremamente desafiadora, pelo forte ascenso a ser vencido entre o 2º e o 8º quilômetro do percurso. O trânsito pelo topo da serra foi fresco, agradável e proporcionou impressionantes vistas do entorno. A visitação ao Santuário de Nossa Senhora da Obediência foi outro memorável acontecimento, pois eu desconhecia a história das aparições no local. O intermeio sequente foi ermo e silencioso, culminando por uma forte e extensa declivência. O trecho sequente foi percorrido sob fresca sombra em sua parte final, até acessarmos a zona urbana. No geral, uma jornada difícil, mas extremamente bela e plena de exuberantes paisagens. Em termos globais, um percurso desafiador e, na minha opinião, o segundo mais exigente do Caminho de Nhá Chica, em face das dificuldades vivenciadas no trajeto.