Home‎ > ‎Caminho de Nhá Chica‎ > ‎

05º dia: SILVIANÓPOLIS a CAREAÇU – 20 quilômetros


05º dia: SILVIANÓPOLIS a CAREAÇU – 20 quilômetros

Com a nossa autoridade apostólica, concedemos que a Venerável Serva de Deus Francisca de Paula de Jesus, conhecida como 'Nhá Chica', leiga, virgem, mulher de assídua oração, perspicaz testemunha da misericórdia de Cristo para com os necessitados do corpo e do espírito, doravante seja chamada Beata e que se possa celebrar sua festa, todos os anos, no dia 14 de junho, dia de seu nascimento ao céu, nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” (Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos)




Embora a jornada fosse de pequena dimensão, partimos às 6 horas, depois de ingerir um saboroso café da manhã preparado, gentilmente, pela Luciana, a proprietária do Hotel.

Na verdade, o Eraldo e o Oswaldinho “Xará” haviam me pedido para testar um percurso alternativo para essa etapa, que me levaria a transitar por locais desertos e desabitados, embora essa alteração acrescesse 5 quilômetros ao percurso desse dia.

Ocorre que, infelizmente, a Sônia, minha companheira de trilha, estava terrivelmente gripada e como forma de preservar sua higidez, optamos por seguir o caminho original, por ser mais curto, embora eu me arrependesse depois, amargamente dessa decisão.

Inicialmente, face ao horário matutino, transitamos por uma estrada larga e neblinosa, contudo, com o dia avançando, o trânsito de veículos se intensificou, terrivelmente, e ingerimos muita poeira nesse trajeto, por sinal, todo plano.

Para a nossa sorte, eu havia levado máscaras cirúrgicas e seu uso atenuou nosso padecimento, pois havia farta camada de pó no leito transitável e a cada passagem de veículos uma nuvem de pó nos cobria e sufocava.

Foi um percurso sofrido, o mais deslustroso de todos, face à inquietude com nossa arfante respiração.

Percorridos 12.500 m, acabamos por desaguar em outra estrada maior, já minha conhecida, pois nessa via transcorre o Caminho de Aparecida que eu já percorrera em 2 oportunidades.

Esse trecho final de, aproximadamente, 7 quilômetros, foi o pior de todos que vivenciamos no Caminho de Nhá Chica e creio que deverá ser estudado um percurso alternativo, como forma de preservar a saúde e o conforto dos peregrinos.

No final dessa sofrida odisseia, ultrapassamos o caudaloso rio Sapucaí por uma ponte, depois seguimos em direção ao local de pernoite.

À tarde fomos visitar e fotografar a igreja matriz da cidade, cuja padroeira é Nossa Senhora da Conceição.

Havia inúmeras barraquinhas sendo montadas no entorno da praça central, visto que estava em curso a Festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, muito concorrida na região.

Por sinal, a imagem da Mãe Aparecida havia chegado no dia anterior, trazida pelo grupo “Andarilhos da Fé” de Careaçu/MG.

Esta história de amor e devoção a Nossa Senhora Aparecida teve início quando três amigos, por fé e agradecimento, fizeram em 1976 a primeira romaria a pé, de Careaçu a Aparecida.

A partir do ano de 2005, o roteiro se inverteu, passando a ser de Aparecida a Careaçu com a chegada dos romeiros trazendo a imagem peregrina para o início da Festa de Nossa Senhora da Conceição e de São Sebastião realizada, anualmente, no mês de julho.

No total, são percorridos 146 quilômetros, em cinco jornadas, sendo que, no último dia, a romaria sai do centro de Santa Rita do Sapucaí, rumo à cidade de São Sebastião da Bela Vista através da estrada da serra.

Na chegada a Careaçu, os romeiros são recebidos com festa e fogos pelos devotos de Nossa Senhora Aparecida, então, todos seguem em procissão para a praça da matriz, onde ocorre a celebração da Santa Missa e a coroação da imagem trazida pelos penitentes.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Muita nebulosidade no trecho inicial.


Caminho plano, hidratado e silencioso no início do dia.


Um mar de nuvens cobre uma lagoa próxima.


Sol e piso com pó: poeira na certa!


Minha máscara salvadora...


Longos estirões retilíneos, a tônica desse dia.


Como sempre, entorno maravilhoso!

A origem de Careaçu data da segunda metade do século XVIII, quando havia referências a uma Repartição Fiscal, a que chamavam Paragem do Sapucairy, no extremo da localidade.

Esse local constitui, hoje, o Bairro da Itagaçaba, denominação derivada de um marco rochoso debruçado sobre o Rio Sapucaí, que consistia, no passado, em um ponto de referência aos forasteiros que cruzavam o vale.

No ano de 1802, faziam-se as primeiras menções sobre a Ermida de Volta Grande, erguida, ao que tudo indica, no correr do último quarto do século, supostamente por João Antônio da Rocha.

A formação do primitivo núcleo se atribui, então, aos apreciáveis contingentes humanos que afluíam atraídos pela lavra de ouro na região.

Instalavam-se nesta área devido às boas condições de fixação que oferecia: às margens do rio, terras férteis, e uma rica fauna, que asseguravam a sobrevivência dos viajantes.

No dia 19 de setembro de 1881, o distrito era elevado à categoria de Freguesia, por força da lei nº 779 com o mesmo nome de Nossa Senhora da Conceição de Volta Grande.

A freguesia permaneceu vinculada a São Gonçalo do Sapucaí, e a 12 de setembro de 1886 era reconhecida canonicamente a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Volta Grande, criada em 1881.

Em 1923, pela Lei Estadual nº 843, Volta Grande desligou-se da Comarca de São Gonçalo do Sapucaí, anexando-se a de Santa Rita do Sapucaí.

A emancipação política e administrativa da localidade viria a primeiro de janeiro de 1954, pela Lei Estadual nº 1039, de 12 de dezembro de 1953, com a alteração de sua denominação original para Careaçu.

Que no idioma tupi-guarani significa: Caré, a coisa torta; Açu, grande.

Sua população atual é composta de 6.302 habitantes.

Fonte: Wikipédia


A igreja matriz de Careaçu/MG.


O interior da igreja matriz de Careaçu/MG.


Beata Nhá Chica, a vossa benção!


Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a vossa benção e proteção!

RESUMO DO DIA - Clima: Neblinoso no início, depois, ensolarado, variando a temperatura entre 6 e 20 graus.

Pernoite: Hotel Castelo – Cêntrico – Apartamento individual espetacular! - Preço: R$50,00;

Almoço: Versiani Restaurante e Pizzaria – Ótimo! Preço: por R$17,00 pode-se comer à vontade no sistema self-service.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa de pequena extensão e, praticamente, toda plana, com trânsito em meio a inúmeras fazendas, onde a criação de gado leiteiro é a tônica. No entanto, visualizei também inúmeros cafezais e plantações de aveia no percurso. Trata-se de um trajeto de média intensidade, contudo, trilhado por estradas rurais que, desta vez, apresentou um expressivo e irritante tráfego de veículos. O que acabou por complicar nossa jornada, pois vencido em meio a extensas e sufocantes nuvens de poeira. Em minha opinião, a etapa mais desgastante e menos interessante de todo o Caminho de Nhá Chica mas que, certamente, como todo Roteiro é dinâmico, poderá ser melhor traçada num futuro próximo.