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06º dia: CAREAÇU a HELIODORA – 24 quilômetros


06º dia: CAREAÇU a HELIODORA – 24 quilômetros

Com a nossa autoridade apostólica, concedemos que a Venerável Serva de Deus Francisca de Paula de Jesus, conhecida como 'Nhá Chica', leiga, virgem, mulher de assídua oração, perspicaz testemunha da misericórdia de Cristo para com os necessitados do corpo e do espírito, doravante seja chamada Beata e que se possa celebrar sua festa, todos os anos, no dia 14 de junho, dia de seu nascimento ao céu, nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” (Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos.)




O trajeto oficial seria de pequena extensão e seguiria por uma estrada situada à esquerda da Pedra Preta, porém, para acessá-la, seria necessário caminhar 2 quilômetros à beira da rodovia Fernão Dias, como fora feito na caminhada inaugural, trecho que o Eraldo queria evitar, por se tratar de um trajeto extremamente perigoso, face ao trânsito ininterrupto de veículos.


Assim, seguindo suas instruções, no dia anterior eu contatei o “Pão” e o Zati, experientes caminhantes da cidade de Careaçu que, graciosamente, me deram todas as instruções para modificar esse itinerário, a quem agradeço calorosamente.

Assim, partimos a Sônia e eu às 6 h, após ingerir um espesso copo de café preto, gentilmente, preparado pela cozinheira do hotel.

Depois de transitar em bairros periféricos, por um túnel, atravessamos sob a Fernão Dias, caminhamos pelo interior de uma Comunidade Religiosa e prosseguimos, sempre por terra, sobre uma trilha que seguiu paralela à rodovia até que, percorridos 2.700 m, fletimos à esquerda e acessamos uma estrada que segue à direita da Pedra Preta.

Vencido pequeno outeiro, passamos a descender e logo transitamos por uma imensa planície situada à beira do rio Turvo, por onde seguimos sem maiores empecilhos, num trajeto arborizado, silencioso e extremamente fresco.

Foi uma jornada épica e extremante agradável, caminhando ao lado de grandes pastagens, respirando o ar puro da manhã, enquanto o sol, lentamente, nascia.

Percorridos 11.400 m num aprazível “passeio” matinal, confluímos com o roteiro oficial do Caminho, que vinha à esquerda, então, giramos à direita e seguimos adiante, sob o conforto das setas cor salmão, até que, mais adiante, ultrapassamos o rio Turvo por uma ponte.

Na sequência, acessamos uma estrada larga e retilínea, situada no interior de outra vasta e fértil planície, por onde prosseguimos confiantes, com visibilidade de 180 graus do horizonte.

Nesse trecho nós cruzamos com alguns ciclistas que faziam seu pedal domingueiro e que nos cumprimentaram efusivamente.

Prosseguindo, depois de vencer outra pequena elevação, principiamos a descender, vagarosamente, por outro trecho integralmente aberto, de onde detínhamos ampla visão do entorno.

Percorridos 16 quilômetros sem maiores dificuldades, chegamos a um cruzamento de rodovias.

Ali, observando a sinalização, tomamos à direita e prosseguimos por mais 8 quilômetros em direção a Heliodora, nossa meta para esse dia, sobre uma rodovia asfaltada, sem acostamento e que apresentou intenso tráfego de veículos, talvez, por ser domingo, um perigo para os peregrinos.

Superado esse difícil trecho, já em zona urbana, aportamos ao local de pernoite, onde fomos recepcionados por Dona Sheila, uma senhora atenciosa e extremamente solícita, o que me faz pensar que esse Caminho de Nhá Chica tem um grande futuro, tamanha a afabilidade que recebemos em seu trajeto, pelas pessoas que nos acolheram.

À tarde, após farto e delicioso almoço, fomos visitar e fotografar a igreja matriz da cidade, cuja patrona é Santa Isabel.

Nesse percurso até a praça central da cidade, fomos questionados por várias pessoas sobre o que fazíamos ali e a todos prestamos esclarecimentos de nossa caminhada, recebendo, sempre, grata torcida por um final feliz.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Trecho inicial plano, deserto e hidratado.


O sol nascendo...


Dia fresco, caminho maravilhoso!


Longo trecho aberto à beira do rio Turvo.


Retão sem fim, integralmente vazio.


A paisagem que ia ficando à nossa retaguarda.


A Sônia me segue à distância...


Outra grande estrada retilínea.


Trecho final, pelo asfalto; ao fundo a cadeia de montanhas por onde atravessaríamos na jornada sequente.

Foi mais ou menos no ano de 1850 que vieram ocupar as terras que constituem o atual município de Heliodora, os seus primeiros fazendeiros.

Nesse tempo, toda sua extensão era coberta de opulenta e cerrada mata virgem.

Localizada na região Sul do Estado de Minas Gerais, Heliodora tem posição privilegiada, pois está próxima as cidades de Lambari, São Lourenço, Caxambu, Cambuquira, Pouso Alegre e Varginha, e é um local estratégico por se localizar nas proximidades da Rodovia BR 381 - Fernão Dias (São Paulo/Belo Horizonte).

Região rica em montanhas, clima tropical de altitude, cidade serrana caracterizada por dias quentes e noites frias, Heliodora faz parte do Circuito Serras Verdes do Sul de Minas Gerais, e tem alto potencial turístico ecológico,
com áreas de lazer, cachoeiras, cavernas e belas montanhas.

O Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, representado pela EMBRATUR, outorgou o SELO DE MUNICÍPIO COM POTENCIAL TURÍSTICO ao município de Heliodora em 07 de março de 1996, e hoje, é pertencente ao Circuito das Águas, juntamente com os municípios de Lambari, Cambuquira, São Lourenço, Caxambu e outros.

Heliodora com sua tranquilidade, comum em cidades do interior, é um lugar excelente para o descanso e lazer de seus moradores e também de visitantes, que vêm em busca de paz e tranquilidade.

O nome da cidade vem de Bárbara HEliodora Guilhermina da Silveira Bueno, heroína da inconfidência.

População: 6.500 pessoas.

Fonte: Wikipédia


A igreja atriz de Heliodora/MG.


O interior da igreja atriz de Heliodora/MG.


Estátua que homenageia o fundador da cidade.

RESUMO DO DIA - Clima: Nebuloso no início, depois, ensolarado, variando a temperatura entre 6 e 19 graus.

Pernoite: Hotel Vilarejo – Apartamento individual excelente - Preço: R$50,00;

Almoço: Restaurante Armazém – Ótimo! Preço: por R$17,00 pode-se comer à vontade no sistema self-service.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de média extensão e, praticamente, toda plana. O trecho inicial que inauguramos, situado à direita da Pedra Preta, se mostrou maravilhoso, hidratado e extremamente silencioso e vazio, um bálsamo para os nossos sentidos. Infelizmente, o trajeto final, sobre piso asfáltico, foi decepcionante, contudo, no global, trata-se de um etapa que apresenta até o 16º quilômetro do percurso paisagens de exuberante beleza, orladas de muita sombra e ermosidade.