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08º dia: CONCEIÇÃO DAS PEDRAS a CRISTINA – 36 quilômetros


08º dia: CONCEIÇÃO DAS PEDRAS a CRISTINA – 36 quilômetros

Com a nossa autoridade apostólica, concedemos que a Venerável Serva de Deus Francisca de Paula de Jesus, conhecida como 'Nhá Chica', leiga, virgem, mulher de assídua oração, perspicaz testemunha da misericórdia de Cristo para com os necessitados do corpo e do espírito, doravante seja chamada Beata e que se possa celebrar sua festa, todos os anos, no dia 14 de junho, dia de seu nascimento ao céu, nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” (Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos.)




Para minha preocupação nesse dia e conforme estava previsto, acordei de madrugada devido a fortes trovões e torrencial chuva.

Levantei bem cedo, ingeri uma banana acompanhada de uma barra de chocolate, e parti sozinho às 4 h 30 min, debaixo de forte garoa que, lentamente, foi amainando.

Os primeiros 6 quilômetros do trajeto foram percorridos sob a luz de minha lanterna de mão e nesse trecho passei por um pequeno bairro, depois, diante do Santuário Ecológico de Santo Expedito.

Com o dia clareando, a estrada passou a empinar e segui vencendo os patamares com força e disposição, por locais onde o forte eram as plantações de café e banana.

Percorridos 11 quilômetros sob um clima fresco e hidratado, cheguei ao topo da Pedra Branca, num local onde há um cruzamento de vários caminhos e uma bela casa edificada do lado esquerdo mas, pelo que pude observar, ela se encontra desabitada.

Caminhei um quilômetro pelo topo da montanha, depois, principiei a descender e logo passei pela Comunidade de São Judas Tadeu, que ainda pertence ao município de Conceição das Pedras.

Prossegui ainda em forte descenso por locais de paradisíaca beleza, rodeado por imensos cafezais e bananais, uma tônica nesse etapa, até que depois de percorrer 16 quilômetros, transitei pelo bairro de Sertãozinho, que já pertence a Cristina, local de cultivo de cafés especiais, onde pude fotografar a capela de São Judas Tadeu.

Prosseguindo, dois quilômetros à frente, passei pelo bairro de Vargem Alegre onde, num bar, fiz uma pausa para ingerir um copo de delicioso café quente e adquirir uma garrafa de água.

Na sequência, prossegui por mais 4 quilômetros, caminhando por uma estrada larga e integralmente plana, situada em meio a imensas pastagens até que, após percorrer um total de 22 quilômetros eu desaguei na MG-347.

Ali, obedecendo à sinalização, eu girei à direita e caminhei mais 3 quilômetros ao lado da rodovia, num percurso inseguro e perigoso, pois além dela não conter acostamento, os motoristas desenvolvem expressiva velocidade nesse trecho.

Finalmente, após percorrer 25 quilômetros, eu adentrei à esquerda, numa larga e ascendente estrada de terra, integralmente deserta, onde pude me conectar novamente com a exuberante natureza que me rodeava.

Depois de sobrepujar um pequeno ascenso, passei a descender e nesse intermeio cruzei com 12 cavaleiros que seguiam rumo à Basílica de Aparecida, com os quais troquei algumas palavras de incentivo.

Mais abaixo, eu transitei pelo bairro da Colônia, onde se localiza a Fazenda Amarela, do século XVIII, que pertenceu à família do Conselheiro do Império Joaquim Delfino Ribeiro da Luz.

Ali, eu girei à direita, venci um pequeno outeiro e logo estava caminhando pelo acostamento da MG-383, rodovia que me levou até Cristina, minha meta para esse dia.

De plano, depois de reencontrar a Sônia muito bem disposta, pude abraçar o Célio da farmácia, que foi me recepcionar na porta do hotel onde me hospedei.

Trata-se de um farmacêutico gentil e hospitaleiro, que também é um grande amigo do Polly, fundador do Caminho da Prece, e do Oswaldinho “Xará”, de Inconfidentes/MG, portanto, é uma pessoa da mais alta qualidade, que dispensa apresentações.

À tarde, após breve descanso e uma profícua visita à igreja matiz da cidade, atendendo ao convite do preclaro “irmão peregrino” Célio, nos reunimos no Restaurante Real para uma confraternização, regada a uma boa cerveja, apesar do frio reinante na ocasião.

Ali pude conhecer o Zezé da Detinha, o Leôncio, presidente da Câmara Municipal, o Sr. Antônio Gaspar e, ainda, o cicloturista e Secretário Municipal de Turismo Rafael Rezek.

Nesse sentido eu agradeço, imensamente, esses amigos/irmãos pela cordial recepção e, certamente, essa cidade ficará guardada em meu coração e memória, como uma das mais acolhedoras localidades por onde já passei/pernoitei.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Quase no topo da serra. Sinalização (à esquerda) excelente!


Desde o topo do morro, vista do maciço da Pedra Branca, ao longe.


Em descenso, entre bananais.


Descendendo, abaixo e ao longe, o bairro de Sertãozinho.


Cafezais espalhados pelo morro, a perder de vista.. Nessa região há intenso cultivo de cafés especiais.


Igrejinha de São Judas Tadeu, situada no bairro Sertãozinho.


Olhando à minha retaguarda, a serra de onde eu descendi.


Retão sem fim... mais serras à frente!


Paisagens incríveis..


Em forte descenso.. quase chegando!


 A cidade de Cristina já aparece abaixo..


Com o Célio, conterrâneo do Polly, que foi me receber no hotel. Amigo nota mil!


A igreja matriz de Cristina/MG, de um ângulo diferente.

O Sul de Minas Gerais foi efetivamente desbravado somente na segunda metade do século XVIII, quando começou a se esgotar o ouro de localidades como Sabará, Ouro Preto, Mariana, Congonhas e São João Del Rey, dentre outras.

Mineradores partiram daquela região, procurando o metal nos sertões sul mineiros, que serviam de caminho do interior para o litoral.

Outros os seguiram, atraídos pela possibilidade de se apossarem das vastidões de terras ainda desabitadas e pela fertilidade de seu solo.

Dessa maneira foi povoado o Sertão da Pedra Branca, localizado em uma das ramificações da Serra da Mantiqueira.

O local era habitado somente por um pequeno número de índios da tribo dos Puris.

Em torno do pico com o mesmo nome, a partir de 1797, surgiram 22 sesmarias.

Da sesmaria de "Comquibios" (variação do termo latino cum quibus) e de parte da sesmaria do Urutu, teve origem a cidade de Cristina.

Em 1817 já havia uma pequena povoação na sesmaria de "Comquibios", quando alguns moradores solicitaram à Diocese de Mariana licença para construírem uma capela, tendo como orago o Divino Espírito Santo.

Por volta de 1820, o pequeno templo já estava edificado.

O topônimo foi permutado pela designação Cristina, seguindo determinação da Lei nº. 485, de 19 de junho de 1850, que criou o município e elevou a povoação à categoria de vila, sendo instalados oficialmente em 20 de janeiro de 1852.

Com a alteração do nome, prestava-se uma homenagem a Imperatriz do Brasil, Tereza Cristina Maria de Bourbon, esposa de Dom Pedro II.

Entre os dias 1º e 2 de dezembro de 1868, a Princesa Isabel, seu marido, o Conde D'Eu, e comitiva, visitaram a Vila Cristina, hospedando-se na residência de Joaquim Delfino.

Em 15 de julho de 1872 Cristina foi elevada à categoria de cidade (Lei nr. 1.885), e, quatro anos mais tarde, tornou-se sede de Comarca, isto em 8 de julho de 1876 (Lei nr. 2.273).

Em meados do século XIX, o plantio e beneficiamento de fumo era o principal produto das maiores fazendas.

Hoje Cristina se dedica à produção de café, destacando-se a produção da fazenda do agricultor Sebastião Afonso da Silva, ganhador duas vezes seguidas do “Cup Of Excellence”, que consagra os melhores produtores de café do mundo.

O município integra o Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas e conta com várias cachoeiras, dentre elas a da Gruta que fica a poucos metros da praça central da cidade, além de belos casarões antigos dos séculos XIX e XX.

População: 10.500 habitantes.

Fonte: Wikipédia.



A igreja matriz de Cristina/MG.


O interior da igreja matriz de Cristina/MG.


Sr. Antônio, eu, Célio, Sônia e o Sr. Leôncio: confraternização em Cristina/MG.


Sônia, Célio e esposa, eu e o Rafael. Amigos do coração, obrigado por tudo!


Com o Rafael Rezek, cicloturista e Secretário Municipal de Turismo de Cristina/MG.

Já, com referência ao borda-matense Célio Benedito de Souza, o “Moquém”, e ao cristinense Rafael Rezek, que tão bem nos recepcionaram na localidade, diria que, atualmente, cultivo por eles uma espécie de invulgar admiração imune ao tempo e a distância, como é praxe no universo peregrino.

Suas amizades estarão sempre entre as mais agradáveis e, também, devo dizer, entre as mais importantes de minhas lembranças do Caminho de Nhá Chica.

Se algum dia, porventura, nos revermos pessoalmente, será como se o tempo não tivesse passado, porque “viajantes” não cobram a ausência dos amigos, mas celebram os reencontros.


Com o grande amigo Célio, farmacêutico e peregrino! Prazer enorme em conhecê-lo!

RESUMO DO DIA - Clima: Chuvoso no início, depois, nublado/ensolarado, variando a temperatura entre 7 e 15 graus.

Pernoite: Hotel Casarão – Cêntrico – Apartamento individual ótimo - Preço: R$100,00;

Almoço: Restaurante, Pizzaria e Pousada Real - Ótimo! Preço: R$32,00 o kg, no sistema self-service.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão e extremamente desafiadora em termos altimétricos. Primeiramente, pelo ascenso e descenso do complexo da Pedra Branca, depois, relativamente aos dois aclives existentes após o trecho na rodovia MG-347. Porém, um percurso de incríveis e inesquecíveis paisagens, uma das mais belas que já conheci em minha vida peregrina. No global, nomino como a etapa mais difícil que percorri no Caminho de Nhá Chica, não me esquecendo, ainda, da calorosa acolhida que recebi por parte dos amigos que fiz em Cristina. A eles minha eterna gratidão!