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2º dia – TRES CANTOS a MANZANARES EL REAL - 27 quilômetros


2º dia – TRES CANTOS a MANZANARES EL REAL - 27 quilômetros

O Caminho é como a vida: ensina muitas coisas, mas de maneira concentrada.



A jornada não seria de grande extensão, mas eu sabia que encontraria algumas surpresas no percurso desse dia.

Assim, deixei o local de pernoite às 6 h 30 min e caminhei 1.500 m em zona urbana, até me enlaçar novamente com o roteiro, no mesmo local onde o havia deixado no dia anterior.

Ali as flechas me direcionaram à esquerda, para uma estrada em descenso, que bordeja as instalações de uma grande fábrica de “ATT” e se dirige até o Arroio Tejada.

Então, dobrei à direita e precisei transpor esse riacho em 11 oportunidades, vez que ele serpenteia o tempo todo, sempre no sentido leste a oeste.

Por duas vezes utilizei pontes de concreto, mas, nas demais, precisei ultrapassá-lo utilizando como apoio para os pés cubos graníticos alocados, caprichosamente, em seu leito.

Porém, como nem todas as pedras se mostravam estáveis, por duas vezes perdi meu precário equilíbrio e acabei por mergulhar as pernas em seu leito líquido, até o meio da canela, pois, face às chuvas recentes, seu caudal estava avolumado.

Na verdade, foi um percurso tenso, porque o risco de cair pela borda contrária do regato, sempre esteve presente, vez que se isto ocorresse, eu me molharia por inteiro.

Ultrapassado esse obstáculo, segui por uma estrada de terra levemente ascendente, localizada em meio a imensas pastagens e, depois de percorrer 10 quilômetros, adentrei em Colmenar Viejo, cidade bonita e extensa, situada nas faldas da “Sierra de Guadarrama”, cuja população está em torno 50 mil habitantes.

Primeiramente, passei diante de sua igreja matriz, dedicada à Nossa Senhora da Assunção, uma construção do século XV.

Depois, seguindo a sinalização, percorri ruas, praças, jardins e avenidas, até, finalmente, abandonar a civilização.

O trajeto sequente foi bastante acidentado, pois encontrei uma senda extremamente pedregosa e irregular, situada entre muros de pedras e bastante molhada e lisa em alguns trechos.

Porém, depois de transpor o rio Manzanares pela bonita “Puente del Batán, construída no século XVI em substituição à anterior, do período medieval, tudo melhorou e passei a transitar por uma larga estrada de terra em leve, porém perene ascendência.

No trecho sequente e final, apenas alguns ciclistas me ultrapassaram, no entanto, como tônica, estive sempre solitário, transitando por locais ermos e silenciosos.

À minha frente, podia avistar a esplendorosa Serra de Guadarrama, com seus cumes nevados, que transporia dali a dois dias.

Depois de enfrentar ríspido descenso na parte final, adentrei em Colmenares, minha meta para aquele dia.

Algumas fotos da jornada desse dia:


Cubos de granito para a travessia Arroio Tejada.


Estrada deserta, plana e silenciosa.


Atravessando o Arroio novamente. Haja equilíbrio!


Sinalização impecável!


Em aclive, pois Colmenar Viejo fica no topo de um morro.


A igreja matriz de Colmenar Viejo.


De volta às estradas de terra..


Novamente, a solidão e o silêncio dos campos...


Trecho acidentado e em descenso.


Ponte romana para transpor o rio Manzanares;


Tudo deserto, estrada com piso bom para caminhar, dia nublado..


Descenso forte em direção a Manzanares, que já aparece no horizonte, abaixo.


Adentrando em zona urbana.

O patrimônio histórico de Manzanares el Real remonta aos assentamentos pré-históricos ocorridos nessa zona, conhecidos graças aos recentes descobrimentos de sítios arqueológicos, dentre os quais cabe destacar pinturas rupestres de valor incalculável.


Agora falta pouco....

Não há praticamente ruínas de sua ocupação durante a época romana, e após um período sob a tutela dos visigodos e de conquista árabe, esse povoado renasceu em 1248, época do reinado do rei Fernando III.


Praça central da cidade.

Ao final do século XIV, a coroa espanhola cedeu esse território a Dom Pedro González de Mendoza, membro da saga dos Mendoza, uma das linhagens mais poderosas de Castilla.

A cidade, então, viveu sua época de maior esplendor, ao largo dos séculos XV e XVI, durante os quais se construiu o castelo - palácio dos Mendoza, que é o monumento mais emblemático da povoação.


A igreja matriz da cidade.

Uma grande área da superfície de seu município se encontra integrada ao Parque Nacional da Serra de Guadarrama, enquanto o restante faz parte do Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares.

Distante 46 quilômetros de Madri, oferece espaços naturais espetaculares aos turistas, como La Pedriza e o Embalse de Santillana.

Em seu município também está situado o morro “Cabezas de Hierro”, a segunda montanha mais alta da Serra de Guadarrama, com 2.383 m de altitude.


O belíssimo Castelo de Manzanares.

Destaque também para o Castelo de los Mendoza, construído numa mescla dos estilos gótico, isabelino e plateresco, o melhor conservado da Província de Madri, e um dos mais importantes da Espanha.

População atual: 8.600 habitantes.


Ainda o Castelo de Manzanares, de outro ângulo

Em Manzanares el Real fiquei hospedado no Hotel Parque Real, cêntrico e de excelente qualidade.

Para almoçar, utilizei os serviços do Restaurante La Charca Verde, onde despendi 10 Euros por um apetitoso “menú del dia”.


IMPRESSÃO PESSOAL – A jornada se iniciou com pastagens e árvores que acompanharam, todo o tempo, o curso de águas do arroio Tejada, que precisei transpor em 11 ocasiões. No horizonte, podia avistar sempre a serra de Guadarrama, por onde eu transitaria na jornada subsequente. Manzanares é uma vila que possui um embalse, um castelo e de onde se avista a mágica paisagem de La Pedriza.

No global, diria que foi uma etapa agradável, por locais ermos e que, salvo exceções, se faz por estradas de terra desertas e com ótimo piso. Ainda, por sorte, o dia se manteve nublado e fresco, com temperatura máxima ao redor de 11 °C, visto que não há sombras no trajeto.