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1º dia: LISBOA a ESTORIL – 27 quilômetros

1º dia: LISBOA a ESTORIL – 27 quilômetros

"Quando você tenta controlar tudo, você não desfruta de nada. Às vezes você só precisa relaxar, respirar, deixar ir, e apenas viver o momento.


Diante da Sé de Lisboa, iniciando minha peregrinação rumo ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Portugal.

Minha aventura começou numa terça-feira à tarde, quando embarquei em São Paulo, rumo à Espanha.

No dia seguinte, após um breve translado pelo aeroporto de Madri, eu desembarquei na cidade de Lisboa.

Então, tomei um táxi e fui até a Catedral da Sé, um templo dedicado a Santa Maria Maior.

Após algumas fotos do local, adentrei à igreja e me dirigi à Secretaria da Catedral, onde obtive o primeiro carimbo em minha Credencial Peregrina.

Depois de profícua visita no interior da Sé, repensei minha trajetória para esse dia, posto que ainda era muito cedo.

O dia se encontrava parcialmente nublado, ventoso, temperatura na casa dos 14°C, ideal para caminhar.

Então, sem muita pressa, segui na direção do “Cais do Sodré”, local de onde partem trens com destino a Estoril, amiúde, contudo, quando ali cheguei, como forma de me exercitar, posto que estivera muito tempo sentado nas derradeiras 24 horas, resolvi seguir a pé até o meu destino.

Foram pouco mais de 25 quilômetros transitando, calmamente, à beira mar, num percurso belíssimo, que serviu para aguçar meus sentidos, ainda um tanto anestesiados pela longa viagem que empreendera.

O percurso seguiu à beira do rio Tejo até o logradouro de Carcavelos, a partir de onde eu prossegui junto à orla marítima.

Todo o trajeto foi efetuado sobre um passeio ribeirinho que conta com, apenas, duas interrupções, quando se caminha ao lado da Rodovia Nacional (N-6) que, por sorte, possui largo acostamento em toda a sua extensão.

Tais descontinuações se dão em dois trechos específicos: de Caxias à praia de Paço de Arcos (2 quilômetros) e, depois, da Parede até São Pedro do Estoril (2/3 quilômetros).

No traçado, perpassei em locais magníficos e de grande relevância histórica, dentre os quais destaco o trânsito pela Rota dos Descobrimentos Portugueses, onde também se situa a Torre de Belém.

Um “passeio” tranquilo e integralmente plano, pleno de deslumbrantes paisagens, cujo silêncio foi quebrado em alguns locais, apenas, pelo ininterrupto grasnar das inquietas e vivazes gaivotas.

E sem maiores novidades, aportei à cidade de Estoril, ponto inicial do Caminho do Mar.

Ali me hospedei no Hotel San Mamede, onde havia feito reserva.

Mais tarde, apesar do cansaço acumulado durante a longa viagem, ainda tive forças para me dirigir à Paróquia de Santo Antônio, marco “zero” oficial do Caminho do Mar, que eu iniciaria no dia sequente.

Ali pude agradecer por minha saúde e pedir bençãos e proteção em minha jornada peregrina.

À noite, conforme previsto, o tempo mudou e caiu forte tempestade, que seguiu noite adentro.

Algumas fotos dessa etapa:


A igreja Sé de Lisboa, cujo padroeiro é Santo Antônio.


Arco do Triunfo, em Lisboa.


Caminhando pela ciclovia..


À frente e acima, a ponte 25 de Abril.


Ciclovia à beira mar...


Tudo plano... vistas maravilhosas!


O Padrão dos Descobrimentos.


Ao longe, do outro lado da pista, o Mosteiro dos Jerônimos. 


Estátua do grande benfeitor de Estoril, responsável pelo seu rápido e profícuo desenvolvimento.


Ao fundo, o famoso Casino de Estoril.

O 1.° Senhor do Estoril, por mercê de D. Afonso III de Portugal, a 13 de Julho de 1256, foi Estêvão Anes, Alcaide-mor da Covilhã e de Chanceler do Reino de Portugal:

A sua proeminência recente, no entanto, teve início no começo do século XX, por Fausto de Figueiredo (detentor da concessão de exploração de jogo, no Casino Estoril).

Finalmente, sob a sua visão e a do seu sócio, Augusto Carreira de Sousa, surge, em 1913, o projeto do Estoril enquanto centro turístico de ambições internacionais.

O início da I Guerra Mundial implicou atrasos consideráveis na sua concretização, pelo que só em 16 de Janeiro de 1916 se procedeu à colocação da primeira pedra para a construção do casino.

Situado na costa norte de Lisboa, a freguesia de Estoril destaca-se por suas belas praias e por sua atmosfera glamourosa.

Isso porque a região serviu de moradia de veraneio para a realeza portuguesa e muitas das famílias mais abastadas do país, e ainda é possível ver palacetes, casarões e estâncias por ali.

Pertencente à cidade de Cascais, outro conhecido destino de veraneio português, Estoril faz parte também faz parte da história portuguesa, tendo sido refúgio de escritores, políticos, artistas, negociantes e muitos judeus perseguidos pelo III Reich.

Não deixe de, pelo menos, passar pelo Casino Estoril, que é hoje considerado o maior da Europa, pois além de ser um grande centro de entretenimento, ainda tem um belo jardim.

A vida noturna da região gira em torno da Avenida Marginal, que percorre as praias.

Ali estão os restaurantes e bares mais badalados, além do cassino, que é uma atração por si só.

Para quem gosta de balada, a Jezebel, dentro do prédio do cassino, funciona durante o outono e o inverno; já no verão, o agito é na praia do Tamariz.

População: 27 mil pessoas


Interior da igreja de Santo Antônio, em Estoril.


Diante da igreja de Santo Antônio, em Estoril, marco "Zero" do Caminho do Mar.


As primeiras flechas do Caminho do Mar que avistei nesse dia, situadas ao lado da igreja de Santo Antônio, em Estoril.

RESUMO DO DIA - Clima: Nublado e fresco no início, depois, chuvoso, variando a temperatura entre 14 e 18 graus.

Pernoite: Hotel São Mamede – Apartamento individual excelente - Preço: 40 Euros;

Almoço: Restaurante El Sabor – Ótimo! Preço: 10 Euros o “menu do dia”.

AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de média extensão e, praticamente, toda plana, que apresenta paisagens diferentes e inspiradoras, pois caminha-se sempre à beira mar. Infelizmente, a partir do 15º quilômetro o clima mudou e passou a chover, ainda que em forma de garoa. Porém, tal entrave impediu que eu prosseguisse fotografando, por medo de comprometer o funcionamento de meu aparelho celular. No global, percurso fácil, agradável e extremamente belo.