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3º dia: SINTRA a MAFRA – 25 quilômetros


3º dia: SINTRA a MAFRA – 25 quilômetros


Rezai o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito! E fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas. Quando rezardes o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu bom Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.




A jornada não seria demasiada longa, mas prometia trechos desafiadores, assim, deixei o local de pernoite às 6 h 30 min e segui por ruas vazias e desertas.

No primeiro trecho, caminhei sempre em descenso e ao lado de um rumorejante ribeirão.

Sem grandes problemas, pois a sinalização se mostrou excelente, fui ultrapassando vários bairros periféricos e me afastando do centro da povoação, mas em Cabriz tive certa dificuldade para encontrar o rumo a seguir.

Superado esse empecilho, passei a transitar sobre terra, atravessando locais planos e extremamente desertos, num trajeto agradável e fresco, pois o sol não chegou a nascer nesse dia.

Depois, em sequência, passei por diversas mas minúsculas povoações, onde não avistei nenhum tipo de comércio, sempre alternando caminhos em terra e trechos em rodovias vicinais asfaltadas.

Após caminhar 15 quilômetros, logo depois de ultrapassar as vilas de Odrinhas e Funchal, acessei o “Caminho dos Moinhos”, inicialmente, em leve declivência, num local descampado, onde se avistam alguns espécimes dessas antigas construções, hoje desativadas, em face do progresso.

Então, se iniciou um terrível descenso, por trilhas empedradas e matosas, um perigo para os pés e joelhos do caminhante, onde também não avistei sinalização e prossegui, basicamente, pelo instinto.

O declive é longo e acidentado, mas superado a bom termo esse desafio, atravessei o rio Lisandro por uma ponte, depois transitei pela vila de Carvalhal, onde encontrei estabelecimentos comerciais abertos.

O ascenso pelo lado oposto, pelo bairro de Cheleiros, também exigiu extremo cuidado e muito esforço físico, vez que também feito por uma trilha extremamente pedregosa e lisa.

Na sequência, prossegui caminhando pelo campo mais algum tempo, entre muros baixos de pedra, depois, por uma passarela metálica ultrapassei a Autovia Nacional e logo adentrava em zona urbana.

À tarde, após lauto almoço e merecido descanso, retornei ao centro da urbe para conhecer seu conjunto monumental, com ênfase para a visita à igreja matriz de Mafra, que possui a primeira cúpula octogonal já construída em Portugal

Nela estão expostos, ainda, inúmeros painéis e obras religiosas realizados pelos melhores pintores e artífices da época, além de um conjunto de seis órgãos históricos, único no mundo, mandados executar por D. João VI.

Algumas fotos dessa etapa:


 Finalmente, caminhando sobre terra.


 Locais desertos e silenciosos..


O sol bem que tentou, mas não apareceu nesse dia...


Adentrando em nova Freguesia.


Outro trecho ermo..


 Caminho desabitado e silencioso, mas sob piso asfáltico.


 Caminho antes de Odrinhas.


Iniciando o belo "Caminho dos Moinhos".


Trilha em forte descenso.


 A vila de Carvalhal, abaixo, por onde eu transitaria em sequência.


 O terrível e empedrado ascenso pelo lado oposto.


No topo do morro, caminho plano e desabitado..


O espetacular Palácio Nacional de Mafra.

Mafra é um município próximo de Sintra, junto ao litoral, dentro da região de Lisboa.

Apesar das muitas incertezas em relação à sua origem, alguns descobrimentos arqueológicos sugerem que já povos do neolítico habitavam nesta região. No entanto a sua importância apenas começa a emergir no século XVIII, quando o rei português D. João V ordena que seja iniciada construção do que é a atual maior obra do Barroco em Portugal, o Convento de Mafra também designado Palácio Nacional de Mafra, um imponente edifício com centenas de quartos, uma conceituada biblioteca, um hospital e uma basílica com dois carrilhões, considerados os maiores e melhores do mundo, contendo mais de 92 sinos.

Mafra contém também importantes recursos naturais, como a Tapada Nacional de Mafra, onde se procede à conservação e preservação do lince ibérico.

Junto a Mafra encontramos também a localidade de Ericeira, uma vila piscatória conhecida pelas suas bonitas e extensas praias, bons restaurantes e bons locais para a prática de surf e outros desportos náuticos.

Visite Mafra e deixe-se encantar pelas maravilhas do campo, cidade e praia, aproveitando os seus recursos para descansar profundamente.

População: 77 mil habitantes.


A Basílica de Nossa Senhora e Santo Antônio de Mafra.


O interior da igreja matriz de Mafra.


O Palácio Nacional de Mafra, visto de outro ângulo.

RESUMO DO DIA - Clima: Nublado o dia todo, variando a temperatura entre 12 e 17 graus.

Pernoite: Mafra Guest House – Cêntrico – Apartamento individual excelente - Preço: 45 Euros;

Almoço: Restaurante Sabores – Ótimo! Preço: 7 Euros o “menu do dia”.

AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma jornada de média extensão, mas, extremamente desafiadora em alguns trechos. Mormente, naquele compreendido entre o Caminho dos Moinhos e o ascenso após o trânsito pela vila de Carvalhal. No geral, o percurso alterna trechos em terra com outros sobre piso asfáltico. O dia se manteve fresco, ótimo para caminhar. No global, uma etapa deveras surpreendente em termos de paisagens, pois atravessei vários “tramos” silenciosos e ermos, além de outros, de rara beleza paisagística. Mas, infelizmente, a sinalização está falha em vários trechos do trajeto, com ausência de setas ou marcos, induzindo o peregrino a dúvidas e erros.