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1º dia: SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA a ANGELINA – 28 quilômetros


1º dia: SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA a ANGELINA – 28 quilômetros

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.” (Paulo Coelho)




Para a consecução de meus planos, deixei o conforto de meu lar e embarquei num avião da AZUL LINHAS AÉREAS que, após 1 h e 15 min de um voo tranquilo e confortável, me deixou na cidade de Florianópolis, em seu aeroporto Hercílio Luz.

Na cidade, me hospedei no Sumaré Hotel, estabelecimento cêntrico, muito bem conservado e de preço acessível, que recomendo com efusão.

Na manhã seguinte, tomei um táxi às 5 h 30 min que, depois de 30 minutos, me deixou na cidade de São Pedro de Alcântara, início do Caminho.


Igreja matriz de São Pedro de Alcântara/SC.

São Pedro de Alcântara foi a primeira colônia alemã em Santa Catarina, povoada por imigrantes provenientes em sua maioria das regiões do Hunsruch e Eifel, sudeste da Alemanha, que chegaram na montanhosa região em 1829.

A partir dela surgiram, nos arredores, várias outras localidades germânicas que conservam as tradições de seus fundadores ate hoje.

Apesar da proximidade da capital, apenas 32 quilômetros, e de quase 180 anos de história, o município ainda mantém atrativos turísticos ligados à natureza, além dos produtos artesanais, como a saborosa aguardente elaborada em centenários engenhos movidos a água.

São Pedro de Alcântara tem um clima mesotérmico úmido, com temperatura média entre 15ºc e 25ºc, a uma altitude de 300 m, sendo que sua igreja matriz foi construída em 1929, no primeiro centenário da imigração alemã.

Obra de grande beleza, com altar esculpido em madeira oriundo da Alemanha, abriga várias imagens sacras bem trabalhadas e sua cúpula, de grande altura, remete a basílica de São Pedro, no Vaticano.

A cidade tem seu desenvolvimento estruturado no turismo rural, ecoturismo, turismo histórico/cultural, na produção de hortigranjeiros e derivados de cana-de-açúcar (cachaça artesanal de alambique, principalmente).

O município tem relevo predominantemente acidentado, possui mais de 68% de sua área em cobertura arbórea e tem na exuberância da sua vegetação, na sua topografia acidentada, nas suas colinas, cachoeiras e cascatas seus maiores atrativos turísticos.

São Pedro de Alcântara convida a retomar antigos hábitos e a melhor forma de entrar no clima do passeio é abandonar o carro e sair a pé, sem pressa, ou preocupação com a violência.

População: 5.200 pessoas – Altitude: 230 m.


Monumento existente na praça central de São Pedro de Alcântara/SC.

Depois dos competentes acertos monetários, eu afivelei a minha mochila e segui caminhando por uns duzentos metros, até me postar diante da imponente igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é São Pedro.

Ali, me persignei, professei orações, depois supliquei a proteção de Santa Paulina, pois era em direção ao seu Santuário que eu caminharia, rezando da seguinte forma.

ORAÇÃO A SANTA PAULINA:

Ó Santa Paulina, que puseste toda a confiança no Pai e em Jesus e que, inspirada por Maria, decidiste ajudar o povo sofrido, nós te confiamos a Igreja que tanto amas, nossas vidas, nossas famílias, a Vida Consagrada e todo o povo de Deus. Santa Paulina, intercede por nós junto a Jesus a fim de que tenhamos a coragem de lutar sempre na conquista de um mundo mais humano, justo e fraterno. Amém. Santa Paulina, rogai por nós!

Então, dei início à minha jornada, seguindo à beira da rodovia SC-281, que corta a cidade.

Trezentos metros abaixo, tive dificuldade em localizar a trilha correta por onde eu seguiria, pois ali nasciam 3 caminhos diferentes.

Salvou-me do imbróglio um caminhante matutino, a quem pedi ajuda.

Então, acessei uma senda empedrada, que seguiu em perene e liso ascenso, dentro de uma neblinosa mata nativa.

Mais acima, o caminho se nivelou e passei a transitar entre extensas pastagens e muitas fazendas de criação de gado.

O clima frio e úmido, me propiciou uma caminhada extremamente agradável, enquanto o dia raiava.

O roteiro prosseguiu plano e perpassando por locais de incrível beleza paisagística.

Durante grande parte do trajeto eu caminhei tendo o rumorejante rio Imaruí correndo pelo meu lado esquerdo.

Nesse percurso inicial, eu transitei por alguns bairros e colônias, onde havia igrejas, porém, em nenhum deles vi algum estabelecimento comercial em funcionamento.

Contudo, depois de percorrer 16 quilômetros, encontrei um bar aberto, onde adquiri uma garrafa de isotônico.

Enquanto seguia animado pela trilha, passei diante de muitas casas típicas da região, um museu, um alambique situado à beira da estrada, onde fiz rápida visita, alguns casarões antigos conservados e outros, infelizmente, abandonados.

O caminho seguiu sempre ascendente e quase imperceptivel, mas depois de 18 caminhar quilômetros, eu cheguei ao topo de um morro, situado a 690 m de altitude, exatamente, no local onde se localiza a divisa dos municípios de São Pedro de Alcântara e Angelina.

Depois de uma pausa no cume para fotos e contemplação, teve início um intenso declive, que perdurou por uns 2 quilômetros, situado numa região erma e com bastante mata nativa.

Na sequência, voltei a ascender, desta vez, de forma continuada, por outros 2 quilômetros, contudo, sob a sombra fresca de frondosos eucaliptos, que minorizaram o meu esforço físico.

O restante do trajeto foi em desabalado descenso, por locais de expressiva beleza, tendo um encachoeirado riacho a correr pelo meu lado direito, até atingir a cidade de Angelina, minha meta para esse dia.

À tarde, após o almoço e a necessária soneca vespertina, pude visitar e fotografar, com tranquilidade, a bela igreja matriz da cidade, bem como a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, uma obra magnífica.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Muito frio e intensa nebulosidade no início do caminho.


Este casarão, do século XX, abriga um museu relativo à imigração alemã.


Natureza exuberante no entorno.


O belo rio Imaruí me acompanhou sempre pelo lado esquerdo.


O famoso Casarão Kretzer, uma construção de 1920.


A religiosidade, sempre presente nesse roteiro.


Igreja de Nossa Senhora de Fátima, localizada numa dos bairros por onde passei.


Caminho florido, apesar da época.


Do topo do morro, visão fantástica do entorno.


O derradeiro trecho do último ascenso.


Quase chegando, sol ameno e paisagem aberta.


Igreja matriz de Angelina/SC e sua praça central.

A história de Angelina começou em 1845, com a família Garcia, que fixou residência naquelas terras.

Inicialmente a colônia foi denominada Colônia Nacional, sendo reservada para nativos da região e descendentes de imigrantes açorianos da Villa de São José.

Em 1858 chegaram os primeiros imigrantes alemães, vindos das colônias vizinhas de Sacramento, Santa Isabel e São Pedro de Alcântara, que batizaram o lugar com o nome de Villa Mundéus (armadilha rudimentar de caça usada na época).

Além dos germânicos, a Villa também abrigou imigrantes oriundos de Luxemburgo, França, Bélgica, Holanda, Itália e Polônia, que ali chegaram em torno de 1862.


Interior da belíssima igreja matriz de Angelina/SC.

O encarregado de medir e demarcar os lotes da colônia e seu primeiro diretor foi o engenheiro agrimensor Carlos Othon Schlappal.

Em 1891 foi elevada a distrito de São José e recebeu o nome de Angelina, em homenagem ao então presidente do Conselho de Ministros do Rio de Janeiro, Ângelo Moniz da Silva Ferraz (Barão de Uruguaiana).

Tornou-se município em 23 de agosto de 1962, e sua população atual é de 5.300 habitantes.

Fonte: Wikipédia.com



Portão de entrada para o Santuário de Nossa Senhora de  Angelina.

O Santuário Nossa Senhora de Angelina é um Santuário Católico localizado na cidade de Angelina, na região Metropolitana da Grande Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Ele é composto pela Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição e a Gruta dedicada à Nossa Senhora de Lourdes no alto da colina.

A Gruta foi iniciada em 1899 por Frei Zeno Wellbroehl, cumprindo uma promessa, feita em 1897, durante uma grave enfermidade e desenganado pelos médicos.

A Imagem de Nossa Senhora de Lourdes veio da Alemanha e foi benta em 1902, por D. José de Camargo Barros, Bispo de Curitiba.

A Gruta de Angelina foi um presente de Frei Zeno Wallbroehl OFM. Frei Zeno (1866-1925), missionário franciscano em suas andanças pelo sul do país, certa vez acometido de uma doença grave que o levou a beira da morte.

Com muita fé, bebia da água da gruta de Lourdes (França), que visitara. Fizera a promessa de construir uma gruta a Nossa Senhora se ela lhe devolvesse a saúde. Numa noite febril, viu, em sonho, um local muito lindo, apropriado para a uma bela gruta à Virgem Mãe de Deus.


A belíssima gruta de Nossa Senhora de Lourdes, localizada no alto do morro.

Já com a saúde restabelecida, com ardor muito grande pôs-se a procura deste lugar nas cercanias de Angelina. Penetrou na mata virgem atrás da Igreja paroquial e, depois de árdua subida, Frei Zeno exclama entusiasmado: ‘É aqui! Este é o lugar que eu vi no sonho!’

A sua frente, entre paredes de rocha estendia-se um corredor largo e longo, terminando num paredão com 12 metros de altura por onde descia uma rumorosa cascata.

Agradecido pela cura e alimentado pela fé o sacerdote franciscano escreveu a Alemanha encomendando uma imagem da Imaculada Conceição igual a de Lourdes, com 1,95 metros.

Conta-se que a senhora sua mãe fez a doação.


Belíssima cascata existente dentro do Santuário.

Transportada para o Brasil logo após a virada do século XIX, desembarca no porto de Desterro de onde veio para Angelina, em carro de boi.

A gruta localiza-se em meio a quedas d’águas e plantas nativas, o caminho até ela é um zigue-zague, todo lajotado, de 740 metros, com passagens da Via Sacra produzidas em gesso por um artesão na Alemanha, em 1900.

Na tarde de 15 de agosto de 1907, uma procissão com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes subiu o morro, para ali proceder-se a benção da gruta, entronizando nela a bela imagem.

No dia 06 de fevereiro de 1988 o Arcebispo Metropolitano, Dom Afonso Niehus, instituiu a Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Angelina e, em sua gruta anexa, como Santuário Nossa Senhora de Angelina.

Fonte: http://santuarioangelina.com.br/



Igreja matriz de Angelina/SC, de outro ângulo.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a igreja de São Pedro, em São Pedro de Alcântara/SC, até o Sens Hotel, localizado em Angelina/SC: 5 h 30 min.

Clima: frio e nublado de manhã; depois das 9 horas, sol e clima ameno até o final da jornada.

Pernoite no Sens Hotel: Apartamento individual – Ótimo! – Preço: R$80,00.

Almoço no Restaurante do próprio hotel: Excelente – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no self-service.


Para ver ou baixar essa etapa, salva no aplicativo Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/sao-pedro-de-alcantara-a-angelina-27337259


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa de média extensão, e com algumas variações altimétricas importantes. Nela, também, transitei por inúmeros locais ermos e silenciosos, encontrei várias igrejas, um museu, casarões antigos, um alambique situado à beira do roteiro, além de caminhar por bairros periféricos, todos muito bem cuidados. Por sinal, logo após ultrapassar a metade da jornada, perpassei por locais maravilhosos, onde a natureza se fazia exuberante. Porém, todo final de etapa é desgastante e este não foi diferente, porque enfrentei 5 quilômetros em brusco descenso, um suplício para os joelhos e tornozelos de qualquer caminhante.