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2º dia: ANGELINA a MAJOR GERCINO – 29 quilômetros


2º dia: ANGELINA a MAJOR GERCINO – 29 quilômetros

Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo.” (Guimarães Rosa)




Saída às 5 h 45 min, depois de ingerir o café da manhã que a proprietária do hotel, dona Ivone, gentilmente, deixou preparado.

O primeiro trecho, de 2 quilômetros de extensão, foi trilhado sobre piso duro e por bairros periféricos, sob a benfazeja iluminação urbana.

Então, numa bifurcação, adentrei à esquerda e passei a caminhar em terra, enquanto o dia raiava.

Tudo estava deserto e silencioso, assim, aproveitei a ocasião para colocar minhas orações matutinas em dia.

O trajeto seguiu sempre em agradável descenso e quatro quilômetros percorridos, passei a margear a Barragem do Garcia, que foi inaugurada em 1963, sendo o primeiro empreendimento da CELESC - Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A, na geração de energia elétrica.

O lago foi formado pela barragem da Usina Hidrelétrica Garcia, inaugurada em 1960 e responsável pelo fornecimento de energia para Florianópolis – a área alagada tem 500.000 m2 e a capacidade de geração da usina é de 9.600 Kw.

O caminho plano e, em alguns trechos, com profundos declives, seguiu ao lado do maravilhoso rio das Antas, que corria célere pelo meu lado esquerdo.

Em vários trechos, encontrei aglomerações de residências, bem como inúmeras chácaras e pequenas propriedades pertencentes a pessoas que residem em outras cidades.

Depois de 13 quilômetros percorridos, adentrei ao distrito de Garcia, cuja sede é Angelina.

O piso passou a ser calçado por bloquetes e logo transitei diante de uma igrejinha existente nesse povoado.

Nesse enclave, vi abertos um bar, padaria e supermercado, além de outros estabelecimento comerciais.

Mais adiante, eu atravessei uma ponte e, na sequência, passei a caminhar sobre piso asfáltico, já no bairro Coqueiros.

Finalmente, depois de percorrer 18 quilômetros, encontrei uma bifurcação e, observando a sinalização, adentrei à esquerda em direção à cidade de Major Gercino, minha meta para aquele dia.

Fiz, então, uma pausa para intensa hidratação e ingestão de uma barra de cereal, pois ainda me restavam 11 quilômetros para o final da jornada.

Bem disposto, reiniciei minha caminhada e prossegui em contínuo ascenso, contudo, sempre rodeado por abundante vegetação que, em alguns locais, me propiciou sombra e consequente refrigério.

Numa das curvas da estrada pude fotografar um acontecimento inusitado: trata-se da união de duas árvores que, com raízes diferenciadas, penderam e se encontraram no alto e, imbricadas e amalgamadas com total solidez, a partir daí, prosseguiram o crescimento em um só tronco.

No mínimo, algo curioso e distinto, que fiz questão de registrar em fotos, embora existam referências desse fenômeno na internet sob o título: “duas árvores abraçadas”.

Prossegui ainda em leve ascensão por dentro da mata nativa até que, finalmente, acabei por sair num local aberto, no pico do monte, de onde eu tinha uma visão privilegiada de todo o entorno que se desenhava abaixo.

Fiz ali uma pausa para contemplação e fotos.

Então, passei a descer com ímpeto, pois o caminho descai desabaladamente e precisei tomar muito cuidado para não levar um tombo.

Nessa hora o cajado é essencial!

Já no plano, adentrei em zona urbana e passei a caminhar por uma avenida asfaltada e logo chegava ao meu destino do dia.

À tarde, surpreendentemente, o tempo mudou e caiu pesada chuva na região, plena de raios e trovões, que prosseguiu noite a dentro, ainda que em forma de garoa.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Trecho inicial silencioso e ermo. Vegetação exuberante.


Início de forte descenso.


Um grande retão dá o toque nesse trecho.


Adentrando ao distrito de Garcia. Temperatura 12°C.


De volta aos bosques silenciosos.


Caminho belíssimo, um colírio para os olhos do peregrino.


As árvores que se abraçam...


Outro trecho mavioso...


Visão deste o topo do morro.


Início do descenso final.


A igreja matriz velha de Major Gercino/SC

A cidade de Major Gercino é um lugar tranquilo e belo, e seus principais colonizadores foram os alemães, portugueses, italianos e poloneses.

Dista 100 quilômetros de Florianópolis e sua população atual é de 3.795 habitantes..

O turismo é fomentado pelos inúmeros rios e cachoeiras existentes na região, sendo que sua hidrografia é constituída, principalmente, pelo rio Tijucas, que passa pela cidade.

Além disso, possui belíssimas paisagens esculpidas pela própria natureza, sendo também uma cidade rica culturalmente.


Praça central de Major Gercino/SC.

Sua principal fonte de renda é o turismo e a fabricação artesanal de vinhos e champanhas.

Emancipado em 03 de novembro de 1961, pela Lei nº 756, recebeu o nome de Major Gercino em homenagem a Gercino Gerson Gomes, filho de Manoel Vicente Gomes, que também se empenhou pelo desenvolvimento desta comunidade.

Além de Major do Exército, ele também foi professor da Faculdade de Farmácia, em Florianópolis.

Um dos pontos mais visitados é a gruta edificada com pedras do rio, e a pracinha central, onde há o busto do Major Gercino, que dá nome à cidade.


Igreja matriz de Major Gercino/SC.

Importante ressaltar que dentro dos limites que compõem o município, 90% são ocupados por parreirais e os 10% restantes são de pessegueiros, que abastecem o litoral catarinense.

Ao todo, são colhidas 1.000 toneladas de uvas por ano, das quais a metade é utilizada para a produção de vinho colonial. O restante é comercializado na Grande Florianópolis e no litoral através da Ceasa.

Nas 590 propriedades rurais de Major Gercino também são cultivados fumo, milho, mandioca, oleaginosos e criadas aves, suínos e bovinos de corte e de leite, sendo que as principais etnias ali habitantes só de origem alemã, portuguesa, italiana e polonesa.

Fonte: www.majorgercino.sc.gov.br


O busto do Major que dá nome à cidade.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o Sens Hotel, em Angelina/SC, até o Hotel e Restaurante Senadinho, localizado em Major Gercino/SC: 5 h 30 min.

Clima: frio e nublado de manhã; depois das 8 horas, sol e clima ameno até o final da jornada.

Pernoite no Hotel e Restaurante Senadinho: Apartamento individual – Ótimo! – Preço: R$70,00.

Almoço no Restaurante do próprio hotel: Excelente – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no self-service.


Para ver ou baixar essa etapa, salva no aplicativo Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/angelina-a-major-sertorio-27357740


AVALIAÇÃO PESSOAL – Outra etapa de média extensão, porém, bem mais tranquila que a anterior, posto que há apenas um pequeno ascenso a ser superado no trajeto. Na verdade, eu descendi por 13 quilômetros, utilizando uma estrada de terra de piso excelente, depois, transitei mais 5 quilômetros sobre piso duro, quando atravessei os distritos de Garcia e Coqueiros. O trecho final foi trilhado em meio a exuberante mata nativa, integralmente preservada, num trajeto ermo e silencioso. O trânsito de veículos se mostrou ínfimo, de forma que pude curtir com intensidade esse tramo derradeiro, embora tenha enfrentado desabalado declive antes de aportar ao meu destino. No global, uma jornada agradável, fácil e que oferece ao peregrino um magnífico entorno a partir do 18º quilômetro.