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FINAL


FINAL

Nunca se esqueça de que você é um milagre.” (Dan Brown)




Relato de Catarina Maria Rüdiger - (07 a 10 de junho de 2017)

O Caminho dos Milagres, é uma caminhada de São Pedro de Alcântara a Nova Trento, mais especificamente em Vígolo, no Santuário de Santa Paulina, que é trilhada por muitos peregrinos durante todo o ano. Em nossa Associação, seu nome foi sugerido pelo primeiro presidente da Acacsc, Talmir Duarte da Silva, quando mapeou este Caminho em sua gestão. Este Caminho de 4 dias, é mais um trabalho da diretoria que acolhe os associados com vontade de participação e preparação ao Caminho de Santiago de Compostela.

Neste percurso passamos também por Angelina, Major Gercino e São João Batista. Toda a região é de colonização alemã e italiana recebendo a simpatia dos moradores da região. As laranjas bergamotas estavam por todo o Caminho fazendo a alegria dos caminhantes e as muitas flores embelezavam toda a rota, especialmente nas residências com seus bem cuidados jardins.

Foram aproximadamente 102 km de vales, montanhas, rios e cachoeiras, natureza exuberante, de tirar o fôlego, quando pela manhã a neblina cobria as montanhas, dando um ar mágico naquele cenário e, para completar a maravilha da natureza, todos os dias caminhamos ao som da água de rios e cachoeiras, num volume bem maior que o normal, pois em dias anteriores tivemos um tempo de muita chuva em todo o Estado.


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Nos três primeiros dias tivemos chuva com menos intensidade e aliada ao excesso anterior, como consequência, a lama estava presente deixando botas e pernas de calças repletas de barro, mas isso não tirou a animação na caminhada. O peregrino segue em frente! No quarto dia o sol apareceu lindo e brilhante, coroando a caminhada com muita luz e energia no Caminho e entre os participantes.

A diretoria previamente comunicou a todos a existência de uma aldeia guarani, vinda do Morro dos Cavalos, a TEKOA WY’A, com tradução informada, Aldeia Feliz, em São João Batista. São 20 famílias, com 198 habitantes, com uma média de oito crianças por família. Grande número de crianças, que aprendem o guarani numa Escola precária, mas com vontade e garra do professor que nos recebeu. As crianças receberam material escolar de pintura e leitura e guloseimas. E muitos peregrinos compraram seus artesanatos.

Muitas igrejas por todo o percurso demonstram a religiosidade da região e de peregrinos de diversas regiões do Estado e do Brasil sempre presentes. Além da mandala humana todos os dias para avisos e oração, tivemos dois pontos altos nesta caminhada: a visita noturna de oração na Gruta Nossa Senhora de Lourdes, em Angelina e o final da caminhada no Santuário de Santa Paulina, em Vígolo, Nova Trento, onde participamos da missa da comunidade e uma benção aos presentes ao final e, o padre lembrou ainda, os 300 anos da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida encontrada no rio Paraíba na segunda quinzena de outubro de 1717.

A partilha entre peregrinos e comunidade, ao som das águas, como pano de fundo, fez a caminhada ter momentos especiais de reflexão, espiritualidade e contemplação.

Fonte: www.amigosdocaminho.org.br


EPÍLOGO

Coloque um “D” no começo e um “S” no fim do seu “eu”. E descubra um caminho de milagres que você ainda não conheceu.” (Tumblr)




Quando projetei percorrer o Caminho dos Milagres sozinho, tentei me cercar de todos os cuidados e alternativas possíveis, porque sabia que se algo me acontecesse em termos de saúde ou violência, não teria a quem pedir auxílio de imediato.

Independentemente, desses desvelos, sabemos que no Caminho ficamos à mercê do destino, mas, sempre, sob a proteção divina, quando professamos a fé ao cumprir nossos objetivos.

Penso que em atividades solitárias desse tipo, sempre se fala de superação, tenacidade, perseverança, ambição, gestão de momentos críticos, decisões chaves, etc., mas esses elementos não podem ser comprados em uma loja, nem acredito que sejam um talento inato ou algo exclusivo de um determinado tipo de pessoa ou caráter.

Todos esses fatores estão à disposição de qualquer peregrino, mas dependem, basicamente, de outro elemento importante para que sejam despertados: a motivação.

Que, em última análise, significa ter “motivos para a ação”.

Nesse contexto, gosto muito de um provérbio dos marinheiros segundo o qual em um veleiro, em plena tempestade, o pessimista acha que não vai se salvar, o otimista acredita que as nuvens logo desaparecerão e tudo vai se acalmar, e o realista começa a ajustar as velas.

E todo mundo sabe que os bons marinheiros não são aqueles que se desesperam diante dos contratempos, nem os que esperam que as nuvens se dispersem, mas sim os que administram a situação com toda sua capacidade e todo seu valor para superar a tempestade.


"Caminho dos Milagres": Seguramente, um dos roteiros mais belos e tranquilos que já percorri. Recomendo-o, com efusão!

Relativamente, ao Caminho dos Milagres, diria que foi um dos roteiros mais belos e seguros que já trilhei em minha vida errante, e o recomendo com efusão.

Nele, transitei por locais ermos, silenciosos e de excelsa beleza, onde a natureza está integralmente preservada.

Também, conheci pessoas íntegras, que me ampararam com carinho e respeito, como se eu fizesse parte de suas famílias.

O aporte em nosso objetivo final é sempre gratificante, entretanto, devo admitir que nesse momento eu me senti tomado por sentimentos contraditórios no que dizia respeito ao final de minha escoteira “travessia”.

Por um lado, eu me sentia eufórico por ter completado o desafio, contentíssimo de ter superado todos os obstáculos, satisfeito de já estar em um lugar seguro e ansioso para voltar para minha casa e ver a família.

Por outro lado, no entanto, eu sentia uma nostalgia prematura pelo que estava deixando para trás e tinha consciência de que esse final de trajeto só me distanciaria de um lugar onde eu havia tido uma das melhores experiências de minha vida, onde havia realizado uma viagem interior imensa e que dificilmente seria repetida.

Como bem afirmou o célebre gênio Albert Einstein:

Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.

Bom Caminho a todos!

Agosto/2018

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