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02 – ROBLIZA DE COJOS a SAN MUÑOZ – 22 quilômetros


02 – ROBLIZA DE COJOS a SAN MUÑOZ – 22 quilômetros

Quando estás inspirado por um grande propósito, por algum projeto extraordinário, teus pensamentos rompem com as ataduras. Forças adormecidas, faculdades e talentos despertam e descobres que és uma pessoa muito melhor do que nunca sonhastes.” (Patanjali)




Durante a noite a temperatura baixou drasticamente e eu me socorri com duas mantas que havia levado em minha mochila para enfrentar tal emergência, mas elas não me agasalharam o suficiente.

Assim, mesmo vestindo duas camisetas de lã, blusa de tactel, calça e meias, tirintei durante toda a madrugada.

Dessa forma, às 4 h eu já estava em pé, doido para beber algo quente, como forma de aplacar o frio que sentia.

A solução foi caminhar 1.500 m em direção ao bar existente no Posto de Gasolina de Robliza, onde pude ingerir um substancioso café da manhã, que me deixou aquecido e reconfortado.

O trajeto do dia seria de pequena extensão, de forma que parti às 6 h 30 min e como não há uma estrada vicinal que ligue Robliza de Cojos a Cojos de Robliza, eu precisei retornar pelo mesmo caminho do dia anterior, seguindo pelo acostamento da rodovia, até Matilla de los Caños del Rio.

Assim, depois de caminhar 3 quilômetros sobre piso asfáltico, acessei novamente a Cañada Real de Extremadura e por ela cheguei a Cojos de Robliza, o único lugar habitado que encontrei nessa etapa, atualmente, uma fazenda agropecuária, onde se destaca a igreja dedicada a Virgem dos Remédios.

Um pouco à frente, eu atravessei o arroio de Arganza, onde avistei pilares de uma antiga ponte romana, o que por certo, em épocas de chuva intensa, será preciso ultrapassá-lo com água pela canela; entretanto, no inverno e no verão, é normal encontrar seu leito seco, como ocorreu no meu caso.

Superado esse desafio, o caminho se abriu em toda a sua amplitude, entre fazendas de gado, onde avistei, ao longe, alguns touros bravios.

Depois de cruzar uma rodovia vicinal e ultrapassar uma porteira, o caminho se transformou num corredor amplo e perfeitamente delimitado, que ainda respeita sua largura original de 90 varas espanholas (75 m), me permitindo desfrutar dessa joia ecológica, em todo o seu esplendor.

Depois de vadear, sem grandes problemas, o arroio de Valdemoro e passar próximo das fazendas de “los Cuartos de Pilar e Sánchez Arjona”, eu descendi, agradavelmente, até aportar em San Muñoz, que me fez lembrar a cidade de Hontanas, situada no Caminho Francês, porque esse simpático "pueblo" também só é avistado quando estamos a menos de 200 m de suas edificações.

Esse simpático povoado está situado nas margens do rio Huebra e oferece alguns tipos de comércio que interessam ao peregrino, como bar e “tienda”.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Adentrando à terra novamente, na Cañada Real de Extremadura.


O sol, finalmente, apareceu...


A fazenda Cojos de Robliza.


Solidão total...


Alguns touros bravios me observam ao longe.


Trecho com piso gramado.


Em descenso.. ao longe, um grande bosque de encinas.


Placa explicativa.


De volta ao silêncio e a ermosidade.


Somente eu e Deus...


Trecho em forte descenso.. quase chegando!


Chegada a San Muñoz.

Há indícios e existência de núcleos povoados anteriormente em vários locais do município, como pelos romanos, por exemplo.

Sua fundação remonta a repovoação efetuada na Idade Média, pelo rei Alfonso IV, no reino de León.

Em 1833, com a criação das atuais províncias espanholas, a cidade se integrou à de Salamanca, dentro da região Leonesa.

Em 17 de novembro de 1812, houve um renhido combate em San Muñoz, durante a guerra entre as tropas espanholas, que tentavam expulsar os francesas, comandados, à época, por Napoleão.

População atual: 241 pessoas.


Meu local de pernoite nesse dia. Muito bom!

As chaves do albergue se consegue numa rua situada junto ao famoso bar Recreo que, infelizmente, fechou suas portas, recentemente.

Nessa residência habita o casal Tomás e Ana Maria, e foi ela que gentilmente me levou até o local de pernoite, situado no final da longa rua principal, ao lado do Centro Médico.

Nele há três quartos, com várias camas, uma cozinha com muitos equipamentos, um banheiro com água quente, quintal para lavar roupas e uma agradável sala de estar ensolarada.

Esse refúgio foi inaugurado em 3 de agosto de 2013, está localizado na Calle Calzada e o responsável pelo abrigo é o sr. Tomás Gonzalez.

Para fazer refeições na cidade, atualmente, só existe o bar Chan, que prepara carne grelhada, mediante pedido, porém o estabelecimento só abre após as 14 horas.

Assim, numa “tienda” situada junto à Torre do Relógio, próximo da praça central, adquiri provisões para o delicioso lanche que substituiu o meu almoço.

À tarde, no bar Chan, mediante prévia encomenda, comprei uma saborosa “tortilla”, composta de batatas e ovos que, acompanhada de uma garrafa de um encorpado vinho tinto, me serviu de jantar. 


A praça central, a torre do relógio e, ao fundo, parte da igreja matriz.

RESUMO DO DIA: Clima: Frio de manhã, depois, com sol, variando a temperatura entre 03 e 15 graus.

Pernoite no albergue local – Trata-se de uma edificação adequada, dotada de um excelente banheiro, ampla cozinha, vários beliches, que oferece roupa de cama e mantas. Preço: Donativo.

Jantar no Restaurante Chan: Bom!


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de pequena extensão e nenhum obstáculo altimétrico no percurso, que compensa a longa etapa do dia anterior. No entanto, não há população intermediária, nem provisão de suprimentos ou fontes. Assim, antes de partir, essa circunstância deve ser prevista e, sobretudo, no verão, deve-se carregar água suficiente para toda a etapa. Na estação chuvosa, será preciso descalçar as botas para ultrapassar o riacho Arganza, situado próximo de Cojos de Robliza. No global, uma etapa tranquila e integralmente deserta e silenciosa, onde apenas avistei gado e pássaros. Foi, na verdade, um autêntico mergulho na natureza, que nesse trajeto se encontra integralmente preservada. E, em San Muñoz encontrei forte calor humano em seu povo, a começar pela simpática hospitaleira Ana Maria, o que contribuiu para reenergizar minha solitária peregrinação.