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05 – CIUDAD RODRIGO a ALDEA DEL OBISPO - 32 quilômetros


05 – CIUDAD RODRIGO a ALDEA DEL OBISPO - 32 quilômetros

Um dos maiores obstáculos na vida é ter medo de errar, porque isso o paralisa. E você precisa se movimentar livremente na arena, não pode esperar pela situação perfeita, o momento ideal. Se tiver de cometer um erro, é melhor que seja agindo do que por omissão. Se tivesse mais uma chance, eu me arriscaria.” (Federico Fellini) 




Seria outra longa jornada, além de ser um domingo, assim, deixei o local de pernoite às 6 h, ultrapassei as muralhas pela “Puerta Norte”, descendi por uma calçada empedrada, depois, por uma ponte medieval eu ultrapassei o rio Águeda e quando a zona urbana se findou, eu acessei a antiga rodovia que unia Gallegos com Ciudad Rodrigo, que é, inicialmente, asfaltada, mas depois de 5 quilômetros, passa a ser uma larga estrada de terra.

Logo passei junto à fazenda de Manzanillo onde, por uma moderna ponte, cruzei um riacho de mesmo nome, num local em que se destacam algumas árvores, que permitem aninhar cegonhas..

O dia, finalmente, clareou e pude constatar que eu transitava entre extensas pastagens, onde a tônica era a criação de gado bovino.

Prosseguindo, depois de cruzar as vias férreas, passei ao lado da fazenda de Palácios e Mariaalba.

O clima persistia frio, ventoso, algo perturbador, mas segui sempre confiante, agradecendo a Deus por mais um dia de vida, pleno de saúde e bons augúrios.

Mais adiante, cheguei ao riacho de Azaba, afluente do rio Águeda, que atravessei utilizando uma robusta ponte do século XVII.

Depois de passar diante da fazenda Puentecilla, principiei a descender e do alto eu já divisava a cidade de Gallegos, ao longe e abaixo.

Porém, antes de chegar a povoação, cruzei o rio Gallegos por uma preciosa ponte do século XVII, que se encontra em magnífico estado de conservação.

Gallegos de Argañán, como outras cidades com esse nome de lugar, deve o seu nome ao seu repovoamento pelos galegos durante a Reconquista, e sua igreja paroquial é dedicada a Santiago Apóstolo.

Até ali eu já havia caminhado 17 quilômetros, portanto, já havia ultrapassado a metade da jornada.

Enquanto atravessava a diminuta povoação, eu não avistei vivalma, pois suas ruas se encontravam silenciosas e, estranhamente, desertas, apesar de ali residirem, segundo as estatísticas, quase 300 almas.

Na cidade há um albergue de peregrinos, localizado na Plaza Mayor, defronte à Prefeitura, junto ao Consultório Médico, porém, pelo que pude ler na internet, o local de pernoite se encontra, atualmente, inapropriado para abrigo, face a sua degradação.

Na sequência, prossegui pelo acostamento de uma rodovia vicinal, até chegar à cidade de Alameda de Gardón, num total de mais 6 quilômetros, sempre sobre piso asfáltico, num trajeto duro e desestimulante.

Porém, depois, tudo mudou, quando prossegui pelo campo até as margens do rio Dos Casas.

A partir desse local, eu girei à direita e penetrei em outro trecho espetacular, um dos mais belos e ermos do Caminho Torres.

Caminhando sempre à beira do riacho, passei por locais de rara beleza e grande ermosidade, na verdade, eu abri e fechei algumas porteiras, e perpassei por pequenas propriedades rurais, onde estavam confinados gado leiteiro e ovelhas.

Nesse intermeio deserto, belíssimo e silencioso, também não avistei vivalma e por ali, com calma contemplativa, caminhei durante mais de uma hora, curtindo a paisagem e respirando o ar puro que emanava da espetacular natureza que me cercava.

Mais abaixo, após descender pequena ladeira, passei pela cidade de Castillejo de Dos Casas e depois de caminhar mais 2 quilômetros em lenta ascensão, cheguei ao meu destino desse dia.

Porém, um pouco antes de lá aportar, precisei transpor, novamente, o rio Dos Casas, desta vez, utilizando as pedras que estão alocadas em seu leito.

Algumas fotos do percurso desse dia:


No caminho, em direção a Gallegos de Argañán.


A cidade de Gallegos de Argañán já aparece no horizonte, abaixo.


Prédio da Prefeitura Municipal de Gallegos de Argañán.


Retorno aos campos...


Trânsito por locais ermos e deserto, junto ao rio Dos Casas.


O rio Dos Casas, à esquerda.


Trajeto arejado e espetacular.


Descendendo em direção à cidade de 
Castillejo de Dos Casas.


Para pedestres, a transposição desse riacho é feita pelas pedras, à direita.


Aldea del Obispo já aparece no horizonte, no topo do morro.


Prédio da Prefeitura Municipal de Aldea del Obispo.

A fundação de Aldea del Obispo remonta ao repovoamento feita pelos reis de Leon, na Idade Média, sendo integrada no campo Argañán e, depois, cedida como domínio privado a um Senhor da Ciudad Rodrigo, pelo rei Fernando II de León, no século XII.

Um evento significativo para Aldea del Obispo foi a perda de Riba-Coa por Leon, no Tratado de Alcañices (1297), que se tornou uma cidade de fronteira, porque até então a fronteira luso-leonês estava no rio Coa.

O Real Fuerte de la Concepción foi, posteriormente, erguido, visando reforçar este ponto da fronteira leonesa.

Em 1833, com a criação das atuais províncias espanholas, Aldea del Obispo foi integrada à de Salamanca, na região de León.

População: 332 pessoas.



Igreja matriz de Aldea del Obispo.

A pequena cidade de Aldea del Obispo tem um albergue municipal, extremamente bem equipado, e foi ali que me hospedei nesse dia. Há três quartos, um com um beliche e dois com dois beliches, além de alguns colchões extras. Há, também, quatro chuveiros, dois banheiros e cada dormitório tem uma pia. Acrescente-se a isso, uma cozinha totalmente equipada, mesa de jantar, um quintal grande e uma área gramada na frente.

Preço: 15 Euros, com direito a toalha e roupa de cama.

Website e número de telefone da Hospitaleira Rosi: +34 628 549 912.

Site: http://aytoaldeadelobispo.es/web/informacion-sobre-el-albergue-rural/

Telefone de contato: Segunda a sexta-feira, pela manhã: +34 923 48 83 02

Todos os dias: +34 628 54 99 12


Num bar da cidade, festejando a entrada em Portugal na manhã sequente.

RESUMO DO DIA: Clima: Frio e nublado, variando a temperatura entre 6 e 13 graus.

Pernoite no Albergue local – Preço: 15 Euros.

Almoço: Na cidade há dois bares que fornecem refeições e eu almocei no bar da Ângela – Preço: 8 Euros o “menu del dia”.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma etapa de grande extensão, com alguns trechos em asfalto, mas, em sua maior parte, de incrível beleza visual. Ressalte-se que no percurso até Gallegos de Argañán eu não avistei vivalma, assim, caminhei integralmente solitário, escoltado apenas pelos animais do campo. Ainda, o trecho que se percorre ao lado do rio Dos Casas, revelou-se um dos mais espetaculares desse roteiro, pela sua ermosidade e beleza. De se elogiar, ainda, o local de pernoite nesse dia, que aconteceu num ambiente extremamente espaçoso, limpo e funcional.