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13 - AMARANTE a FELGUEIRAS - 22 quilômetros


13 – AMARANTE a FELGUEIRAS – 22 quilômetros 

O que o ar é para um pássaro ... e o mar é para um peixe ... A quietude interna é para a sua alma humana. Vá lá com frequência, meu amigo ... É o seu habitat natural.” (Steve McSwain) 




O guia do Caminho Torres preconiza ir diretamente de Amarante para Guimarães, num percurso extenso de, aproximadamente, 38 quilômetros.

Porém, o bom senso imperou e resolvi dividir essa longa jornada em duas, pernoitando na bela cidade de Felgueiras, metade do trajeto, e não me arrependi.

Assim, como o etapa seria de pequena extensão, parti às 7 h, já com o dia claro.

Os primeiros quilômetros foram percorridos em piso duro, atravessando zonas integralmente urbanizadas, e a saída de Amarante implicou, obrigatoriamente, em superar um importante desnível para sair do profundo vale do rio Tâmega.

Assim, primeiramente, meu rumo foi na direção do Alto do Crasto, porém, antes passei pelos bairros de São Lázaro, Monco, do Barração e Chãos, mas o ascenso prosseguiu até o monte Prelonga, depois, já em descenso, passei por Áuga Nova.

A partir desse ponto, teve início o tramo mais urbano que encontrei no Caminho Torres, até aquele momento, pois, em sequência, passei por inúmeras e pequenas aldeias, onde extensos vinhedos sempre estiveram presentes na paisagem que me ladeava.

Além disso, necessário enfatizar que a sinalização se manteve impecável e não tive dúvidas em seguir o meu rumo.

Depois de percorrer 12 quilômetros, passei por Lixe, uma cidade industrial de razoável tamanho, onde há farto e variado comércio.

Prosseguindo, em leve descenso, já na localidade de Caramos, caminhei sobre os resquícios de uma antiga calçada romana, ainda hoje, muito bem conservada.

Na sequência, o roteiro oficial internaria à esquerda, porém, seguindo as flechas amarelas e sem maiores preocupações, adentrei a Felgueiras, cidade belíssima e de razoável densidade demográfica, uma grata surpresa para mim.

À tarde, recebi um convite do Nuno Pontes da Costa, o atual presidente da AEJ – Associação Espaço Jacobeus, para um encontro amigável à noite, que acabou acontecendo num bar próximo do local onde eu estava hospedado.

Também estiveram presentes o João Ferreira e sua esposa Conceição Sousa, representantes da AEJ em Felgueiras onde, conforme me confessaram, lutam para a implantação de um albergue de peregrinos.

Foi uma conversa amena, plena de bons augúrios, onde a troca de conhecimentos imperou, mas eu tinha compromissos na manhã sequente e eles também, de forma que logo nos despedimos.

Deixo aqui consignado um agradecimento especial a esse valoroso pessoal da AEJ, cuja sede é em Braga, pela preocupação e solidariedade com os peregrinos que cruzam as terras portuguesas em direção a Santiago de Compostela.

Algumas fotos do percurso desse dia:


O trajeto nessa etapa, também contempla sinalização diferente, como a dessa placa.


Campos floridos, por conta das chuvas recentes.


Transitando sob videiras.


Um trajeto bucólico...


Mais videiras...


Vinhedos, o forte nessa região, também.


Acesso à calçada romana.


A calçada em todo o seu esplendor...


Chegando à praça central de Felgueiras.

Felgueiras é uma cidade pertencente ao Distrito do Porto, atualmente, com 58 mil habitantes.

A primeira referência histórica a Felgueiras data de 959, no testamento de Mumadona Dias, quando é citada para identificar a vila de Moure (Felgueiras): "In Felgaria Rubeans villa de Mauri".

Felgueiras deriva do termo felgaria, que significa terreno coberto de fetos que, quando secos, são avermelhados (rubeans).


Praça central de Felgueiras, sob outro ângulo.

Havendo quem afirme que o determinativo Rubeans se deve a que o local foi calcinado pelo fogo.

Este município integra a Rota do Românico do Vale do Sousa.

Existem historiadores que afirmam que Felgueiras recebeu foral do conde D. Henrique.


Cópia da matéria de um jornal publicado em 1893.

No entanto, apenas se conhece o foral de D. Manuel a 15 de Outubro de 1514, no entanto, já em 1220, a terra de Felgueiras contava com 20 paróquias (conhecidas hoje em dia como freguesias) e vários mosteiros e igrejas.

Um dos mais conhecidos no concelho de Felgueiras é o Mosteiro de Pombeiro ou Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, declarado Monumento Nacional pelo Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910.

Em 1855, ao ser transformada em comarca, Felgueiras ganhou mais doze freguesias, sendo que em 13 de Julho de 1990 Felgueiras foi elevada à categoria de cidade.



Momentos indeléveis! Confraternizando com o Nuno Pontes da Costa, Presidente da AEJ. Também, com o 
João Ferreira e sua esposa Conceição Sousa, representantes da AEJ em Felgueiras. Gratidão, amigos, pela cordial acolhida!

RESUMO DO DIA: Clima: Frio de manhã, depois nublado, variando a temperatura entre 8 e 18 graus.

Pernoite no Horus Apartamento - Apartamento espetacular! Preço: 49 Euros;

Almoço no Restaurante Fever-Tree: Ótimo! – Preço: 8 Euros o “menu del dia”.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de pequena extensão e que apresenta apenas um leve obstáculo altimétrico a ser superado, até o 11º quilômetro, pois se caminha sempre em ascenso. No entanto, cumprida entre vinhas, plantações de kiwi, perpassando por inúmeras aldeias, num percurso quase todo urbano, onde talvez eu tenha visto a maior concentração de cães em lares lusitanos, infelizmente, sempre presos em espaços diminutos. No global, porém, uma etapa bela, fácil e extremamente verdejante.