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15 – GUIMARÃES A BRAGA – 23 quilômetros


15 – GUIMARÃES A BRAGA – 23 quilômetros

"Gratificante é o esforço, não a conquista. Esforço completo é vitória completa." (Mahatma Gandhi)




A jornada desse dia também não seria longa, ocorre que a chuva retornara e quando deixei o local de pernoite, às 7 h, o fiz com a capa protetora.

Partindo da Praça de Santiago, o roteiro me levou em direção ao estádio de futebol da cidade, depois, já deixando a zona urbana, adentrei em terra e segui por uma bonita estrada até a belíssima ponte medieval de Rodes, por onde eu transpus o rio do Selho.

A partir daqui, para evitar a rodovia nacional, o roteiro me levou a transitar por locais povoados, porém, em determinado local, eu acessei um bonito corredor situado entre hortas, que me levou a cruzar um arroio, afluente do rio Ave, até chegar a igreja de Prado.

Na sequência, passei por Caldas de Taipas, cruzando antes a maravilhosa Ponte de Taipas, sobre o rio Ave, quase ao nível das águas.

Por esse local passava a via romana que ligava Guimarães a Braga, por isso Caldas de Taipas guarda importantes vestígios de seu antiquíssimo passado, destacando-se, dentre todos, a espetacular Ara de Trajano.

A chuva, finalmente, cessou e eu pude me livrar da capa protetora, pois eu já transpirava abundantemente.

Seguindo adiante, fui em direção a Falperra, mas antes passei por Sande-São Martinho, onde encontrei uma série de lápides e estrelas funerárias, colocado ao lado da “Fuente de los Quatro Irmaos”, que segundo a lenda, morreram depois de brigar entre si, para resolverem quem desfrutaria dos favores de uma bela dama.

Depois de percorrer 13 quilômetros, já no início do aclive para Falperra, encontrei um caminho empedrado que, segundo a história, poderia ser o que restou de uma calçada romana.

Ele está bem conservado, no entanto, por conta das fortes chuvas, em alguns locais houve erosão e isso dificultou, sobremaneira, meu deslocamento morro acima, sempre feito com muita atenção e cuidado.

Ascendendo entre eucaliptais, cheguei ao Santuário de Santa Maria Madalena, de onde eu detinha uma espetacular vista de Braga, para onde me dirigi, descendendo por um fresco e bem-sinalizado caminho, situado entre eucaliptos recém-plantados.

Finalmente, adentrei à cidade de Braga pelo agradável Parque do Ponte para, depois de transitar pelo Campo de São Tiago, chegar até a igreja da Sé, final dessa etapa.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Ponte medieval de Rodes.


Nova sinalização nessa etapa. Mas, como de praxe, excelente!


Igreja de Prado.


Trajeto bucólico.


Ponte de Taipas sobre o rio Ave.


Após essa transposição, o caminho seguiu sempre em ascenso. 


Início do ascenso forte... Sinalização, à direita: excelente!


Calzada Romana... sempre em forte ascenso.


Calzada Romana... trechos erodidos.


Chegando ao topo do morro...


A bela Braga vista desde o cume da elevação. Depois, só descenso...


A Sé de Braga, ponto final dessa jornada.

Os vestígios da presença humana na região vêm de há milhares de anos, como comprovam vários achados. Um dos mais antigos é a Mamoa de Lamas, um monumento megalítico edificado no período Neolítico.

No decurso do século II a.C., a região foi tomada pelos romanos. Braga foi edificada em 16 a.C., com a designação de Bracara Augusta, em homenagem ao imperador romano Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.).

A cidade tornar-se-ia capital da província da Galécia e integraria os três conventos do Noroeste peninsular e parte do Convento de Clúnia, com uma população de aproximadamente 285.000 tributários livre nas 24 cividade no ano 25.

Desta época data também a criação do bispado de Bracara Augusta, segundo a lenda, São Pedro de Rates foi o primeiro bispo bracarense entre os anos 45 e 60, ordenado pelo apóstolo Santiago Maior que teria vindo da Terra Santa e foi martirizado quando convertia povos aderentes à religião romana no noroeste da Península Ibérica. Mas, só no ano 385 é que o papa Sirício faz referência à metropolitana de Bracara Augusta.


O moderno e o antigo se congraçam em Braga. 

No século XX, dá-se a revolução dos transportes e das infraestruturas básicas, reformula-se a Avenida da Liberdade, de onde se destaca o Theatro Circo e os edifícios do lado nascente. Em 28 de Maio de 1926, o general Gomes da Costa inicia nesta cidade a Revolução de 28 de Maio de 1926. Por fim, no final deste século, Braga sofre um grande desenvolvimento e cresce a um ritmo bastante elevado.

Na gíria popular é conhecida como "A cidade da Juventude", que apesar de ser a cidade mais antiga de Portugal (mais de 2000 anos) é simultaneamente uma cidade preenchida por muitos jovens e um espírito jovem, chegando a ser distinguida como a cidade mais jovem da Europa. Em 2012, celebrou-se a "Braga 2012 - Capital Europeia da Juventude".

A "Roma Portuguesa": no século XVI o arcebispo D. Diogo de Sousa, influenciado pela sua visita à cidade de Roma, desenha uma nova cidade onde as praças e igreja abundam tal como em Roma. A este título está também associado o facto de existirem inúmeras igrejas por km² em Braga. É, ainda, considerada como o maior centro de estudos religiosos em Portugal.

A "Cidade Barroca": durante o século XVIII o arquiteto André Soares transforma a cidade de Braga no Ex-Libris do Barroco em Portugal.

A "Cidade dos Arcebispos", durante séculos o seu Arcebispo foi o mais importante na Península Ibérica; É ainda detentor do título de Primaz das Espanhas.


As ruas do casco antigo já preparadas para a Páscoa.

A"Cidade Romana" que no tempo dos romano era a maior e mais importante cidade situada no território onde seria Portugal. Ausônio, ilustre letrado de Bordéus e prefeito da Aquitânia, incluiu Bracara Augusta entre as grandes cidades do Império Romano.

A"Capital do Minho" ou o "Coração do Minho", por estar localizada no centro desta província. Braga reúne um pouco de todo o Minho e todo o Minho tem um pouco de Braga.

A"Cidade dos Três Sacro-Montes": são santuários situados a Sudeste da cidade numa cadeia montanhosa, e são pela ordem Este a Sul: O Bom Jesus, Sameiro e a Falperra (Sta. Maria Madalena e Sta. Marta das Cortiças).


Braga e sua praça principal. Simplesmente, fantástica!

A cidade está estritamente ligada a todo o Minho: a Norte situa-se o tradicional Alto Minho, a Este o Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Sul as terras senhoriais de Basto e o industrial Ave e a Oeste o litoral marítimo Minhoto.

Braga - A Cidade Encantadora, foi eleita pelo jornal 'The Guardian' a "cidade mais encantadora" de Portugal. A cultura e a gastronomia estão entre as qualidades destacadas pela publicação britânica.

Em 2012 foi distinguida como Capital Europeia da Juventude, concedido pelo Fórum Europeu da Juventude, tendo desenvolvido várias iniciativas de âmbito cultural, social, político e econômico destinadas aos jovens.

Eleita Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Media Arts, em 2018 ostenta também o título de Cidade Europeia do Desporto.

População: 193 mil habitantes.

Fonte: Wikipédia


Braga: Cidade encantadora e inesquecível!

RESUMO DO DIA: Clima: chuvoso de manhã, depois nublado/ensolarado, variando a temperatura entre 6 e 14 graus.

Pernoite no Hotel Avenida Shopping - Apartamento individual excelente! Preço: 25 Euros;

Almoço no Restaurante Arretados-Brasil: Ótimo! – Preço: 4 Euros o “menu del dia” combinado.


IMPRESSÃO PESSOAL: Etapa tranquila e de pequena extensão, cuja única dificuldade está no ascenso a Falperra, que apresenta um desnível de 250 m. Salvo esse empecilho, todo o restante do percurso é, praticamente, urbano, onde encontrei bares e comércio variado. De se ressaltar que desde a cidade de Amarante, percebi que a sinalização melhorou 100%, com flechas recentemente revitalizadas. A cidade de Braga me surpreendeu por sua beleza, hospitalidade e alegria, um lugar onde pretendo retornar em breve, para desfrutar melhor tudo o que ela oferece em termos de história e monumentalidade.



16 - BRAGA a PONTE DE LIMA - 37 quilômetros